A escola não quer alunos.

agosto, 2014

No dia 01 de Agosto o estado do Paraná se juntou a São Paulo e a outros estados que proibiram por força da lei o uso de celular em salas de aulas nas escolas públicas estaduais.

A justificativa é sempre a mesma, a escola como um todo e os professores em particular não conseguem concorrer com a presença dos aparelhos em sala.

Daí aplicasse a velha lógica brasileira de se proibir aquilo que é o problema aparente sem discutir seriamente as causas. Eu sei que muitos dos meus colegas professores estão felizes pela ampla adoção dos estados brasileiros a esse tipo de proibição, porém é preciso que fique claro pra todo mundo que os celulares não vão desaparecer, a internet não vai sumir, os tablets estarão cada vez mais presente e, a medida que isso ocorre, as escolas vão criando um abismo ainda maior entre si e aqueles que deveriam ser a razão da própria instituição em existir: o aluno.

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Dei-lhe um belo e redondo ZERO!

setembro, 2013

Jorge está em casa olhando para a tela branca a azul do Facebook. Em meio aos vários memes e piadinhas vê um comentário de um colega de classe: “alguém aí fez o trabalho de ciências pra amanha?”. Jorge não fez, nem se lembrava do trabalho. Já são 22:30, a impressora ainda tem tinta, ele aperta o ctrl+t no teclado e digita no campo do Google “Thomas Kuhn Paradigmas”. A página espartana do Google muda para uma série de resultados. Pula o link da wikipédia – todo mundo vai entregar este – continua procurando até que se depara com um outro link: “Os 22 paradigmas de Thomas Kuhn”. Abre o texto, vê que tem a ver com o tema, copia pro Word, faz uma capa, imprime e vai dormir.

copia

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Evolução ainda é Tabu? A importância da comunicação de conceitos

abril, 2013

Num país laico “para inglês ver”, falar sobre qualquer coisa que desafie a dominância religiosa é um terreno perigoso. Boa parte das escolas imputa a seus estudantes algum juízo de valor religioso, mesmo quando ela é declaradamente laica. Quantas aulas minhas do ensino fundamental, no SESI, não se iniciaram com os professores rezando o “Pai Nosso” com a turma? Quantas salas de aula não tinham um crucifixo na parede? E não é desconhecido o bullying contra alunos que não participam dessas rotinas religiosas (e quem não viu este vídeo ainda, vale muito a pena). continue lendo >>

Minha contribuição sobre a polêmica entrevista do Malafaia

fevereiro, 2013

AVISO: Publiquei este pequeno texto originalmente no Facebook e decidi que ele cabia muito bem aqui no Polegar, então estou postando ele por aqui também.

Foi um tormento incrível assistir a esta entrevista não só pelos motivos evidentes (homofobia, proselitismo religioso, campo de distorção da realidade, festival de porcentagens que não dizem absolutamente nada, dados com fontes não citadas e um desconhecimento geral do processo científico como um todo e da realidade de maneira pontuada) mas também por outro, bem mais velado. O dito pastor é claramente um analfabeto no que diz respeito à ciência e sabendo que não é o único, usa sua exposição para levar os mais ingênuos ao raciocínio equivocado sobre a mesma.

"Amo os homossexuais como amos os bandidos" - Malafaia, Silas

“Amo os homossexuais como amos os bandidos” – Malafaia, Silas

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Chocolates, Guloseimas e Divulgação Científica

agosto, 2012

O mercado de produtos tem suas peculiaridades.
Inclusive em relação à Divulgação Científica.

Cromos do Chocolate Surpresa

Cromos do Chocolate Surpresa

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Open Acces e o próximo passo

maio, 2012

Acaba que nos últimos meses o movimento do Open Acces ganhou tração. Mais do que isso, ganhou apoio de uma comunidade que aparentemente começa a sentir o peso de se deixar escravizar por uma indústria.

Precisou, é claro, que um pesquisador respeitado e premiado colocasse “o dele na reta” pra fazer com que o resto do pessoal que também se sentia abusado pelos publishers saíssem do armário e começassem a agir de alguma maneira.

O cenário atual é bastante otimista. Entre abaixo assinados, projetos de lei abandonados no Senado Norteamericano e uma comunidade que decidiu falar de suas mazelas, começam as discussões sobre qual a melhor maneira de seguir em frente agora.

O acesso livre a trabalhos científicos deixou de ser uma ideia bacana e passou a ser uma realidade necessária e iminente. Apesar de toda essa transformação, que era de fato inevitável, é preciso ter em mente que estamos falando muito mais da conquista de um direito do que de uma revolução propriamente dita.

É necessário deixar a empolgação de lado e ver as coisas pelo que elas realmente são. O acesso livre é, antes de qualquer coisa, um direito mínimo necessário para uma ciência que não vive mais no século XIX. É, até certo ponto, uma conquista análoga ao direito de voto das mulheres, ou a outras conquistas pretendidas por qualquer sociedade que não seja medieval, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a legalização do aborto.

De novo, é muito mais a conquista de um direito do que uma revolução. Aliás, é outra coisa também. É um requisito mínimo para que a chamada “Ciência 2.0” possa sair do mundo das ideias e das “catchphrases” e passe a ser considerada de fato como uma outra maneira de se fazer ciência séria.

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Polegar novo de novo.

abril, 2012

Não, seus olhos não estão te enganando. O Polegar Opositor finalmente recebeu aquela merecida atualizada no visual. Mas a atualização é um pouco mais que estética. A ideia principal era sim oferecer aos visitantes um site mais bonito mas que também priorizasse o acesso ao conteúdo e se integrasse melhor às redes sociais.

No que diz respeito à parte estética, optamos por abandonar de vez aquele visual “encapsulado” (fundo cinza que delimitava a área útil do site) por um mais clean com o fundo todo branco. As cores já estabelecidas da nossa identidade visual (vermelho, cinza e branco) foram retrabalhadas. Por todo o site agora pode ser visto a utilização destas cores e de algumas variantes de maneira mais uniforme e consistente.

Outra medida para deixar o visual do site mais consistente foi a adoção de uma tipografia única. Todos os textos do site agora usam a mesma fonte, independente do sistema operacional, navegador ou de você possuir ou não a fonte instalada em seu sistema.

O já tradicional logotipo do Polegar também sofreu algumas mudanças. O macaco e o homem estão mais próximos e junto com o “P” formam um ícone que pode ser usado de forma independente.

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O ego e o eco: a carreira acadêmica, publicações e o acesso à produção científica

fevereiro, 2012

A Ciência é a forma mais eficiente que conhecemos de descobrir como o mundo funciona. Ela sacia a nossa curiosidade e permite que a gente invente coisas e construa engenhocas e máquinas de todos os tipos e para todos os fins. Medicina, tecnologia, exploração do espaço, conservação de ambientes naturais, produção de energia, etc., são todas áreas extremamente relevantes na atualidade nas quais contamos fortemente com a Ciência. E contamos com ela na forma de investimentos; muito dinheiro (muito mesmo!) é gasto anualmente com Ciência. Por exemplo, na Europa quase 8 bilhões de euros foram gastos para a construção de um acelerador de partículas, o LHC. Vale lembrar que em muitos países (incluindo o nosso) boa parte do dinheiro investido em Ciência vem dos cofres públicos, o que significa que somos nós, todos nós, que pagamos por isso.

Ok. Então gastamos uma grana bem razoável com a Ciência porque ela é a forma mais eficiente que temos de construir conhecimento confiável. Provavelmente é um dinheiro bem gasto. Mas será que teria alguma forma de tornar a Ciência mais eficiente?

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Liberdade de expressão ou liberdade de opressão?

fevereiro, 2012

Era uma vez uma época que você ia na biblioteca, pegava uma Barsa e fazia seu trabalho escolar sobre a Primeira Guerra Mundial. Nesta mesma época, você mandava cartas para a sua tia pelo correio e telefonava para seus amigos combinar o futebol no clube sexta-feira à tarde. Hoje, se você digitar no Google “Primeira Guerra Mundial”, ele retorna pra você aproximadamente 3.590.000 resultados, sua tia tem e-mail e te manda gifs animados piscantes irritantes e seus amigos fizeram um evento no facebook para combinarem de jogar Winning Eleven pela Live do Xbox 360.

Nesta época em que as comunicações se dão de maneira rápida, e você pode acessar quase qualquer assunto com uma pesquisa rápida na internet, as pessoas conseguem expressar suas opiniões para um público cada vez mais abrangente. Websites, Blogs, Facebook, Twitter, dentre outras tantas ferramentas, levam o que você pensa de algum assunto aos olhos de pessoas que vão desde família e melhores amigos até apenas conhecidos (ou mesmo desconhecidos).
Considero este um fenômeno espetacular. Duvido que eu tivesse uma visão crítica sobre o acontecimento em Pinheirinho, ou meramente soubesse do movimento “Occupy” se não fosse por tais estratégias (afinal, uma visão crítica de ambos não é algo que o Jornal Nacional ou a Veja expressariam, não é?). Entretanto, continuarei o texto de uma maneira controversa e que provavelmente desagradará muitas pessoas. Se eu pudesse pedir algo, seria um pouco de senso crítico sobre as nossas atitudes, e não uma crítica impensada ao texto. Enfim, retornando ao meu ponto principal: ao que parece, as pessoas estão confundindo liberdade de expressão com liberdade de opressão.

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O Time Lord que viajou no tempo (e no espaço).

janeiro, 2012

O filme Contato, adaptação da obra de mesmo nome escrita por Carl Sagan, tem uma sequência inicial memorável.

Basicamente vemos a Terra do espaço e ouvimos todo o caos das transmissões de rádio e televisão vindo do planeta. A imagem então começa a se afastar do planeta e a medida em que vamos viajando através do sistema solar, vamos também viajando através do tempo, ouvindo transmissões cada vez mais antigas até que tudo o que nos resta é o silêncio absoluto de um universo que não faz a menor ideia de que na terceira pedra depois de uma inexpressiva estrela, existe um monte de criaturinhas bípedes que  escutam o espaço na esperança de ouvir a história de outra civilização com o mesmo habito dionísico de gravar os próprios ruídos para que outros o apreciem.

No filme esta cena tem o papel fundamental de explicar para o espectador em três minutos que 1- transmissões de rádio e televisão feitas na Terra viajam para fora do planeta, 2- estes sinais viajam próximo à velocidade da luz e 3- é possível acompanhar toda a história televisionada ou radiodifundida da humanidade caso você possa se mover mais rápido do que estes sinais ou viva em um planeta que esteja no meio do caminho deles.

Este conceito é importante pro filme por que no final do primeiro ato ele é invertido, somos nós que recebemos um sinal alienígena (com um pequeno plot twist que eu não vou estragar dando spoilers, vá correndo assistir Contato).

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