Dicotomias sem nexo.

Não é novidade a relação de poucos amigos que algumas religiões tem com relação à ciência. O que me deixa curioso, e as vezes até impressionado, é a maneira como a questão vem sendo tratada a séculos. O discurso de ambos os lados é basicamente o mesmo, e em geral, mal esbarram no centro da questão.

E qual questão seria essa? Eu pergunto e respondo. A questão é que a ciência e a religião não possuem relação antagônica alguma. Ambas são constructos humanos, por mais divinas que sejam, e possuem suas raízes em conceitos filosóficos distintos.

Poderia usar a oportunidade para mais uma vez defender o conceito kuhniano de incomensurabilidade. Mas vou deixar passar, porque já usei esta argumentação em outro texto. O caso é que tanto a ciência como a religião são usadas como forma de segregação de opinião. Claro, não estou aqui falando de pessoas sensatas, que conseguem compreender que se nem só de pão vive o homem, não vai ser só de ciência ou religião que ele vai viver.

Estou falando dos “céticos afetados” e dos “religiosos de cabresto”. Gente que na tentativa desesperada de proteger sua visão de mundo, acabam por prejudicar o que defendem. Confesso que já fui assim, em determinado momento da vida. Criticava religiões como se não houvesse amanhã. Mas era coisa da idade, a gente amadurece e passa a perceber que entre o preto e o branco, a um mundo infinito de cinzas.

Já me acusaram de otimista neste blog. Talvez este otimismo todo se pareça mais com fé. Eu acredito que, eventualmente, todos aprenderemos a ter tolerância com a realidade do outro, por mais bizarra que ela possa parecer a nós. Acredito realmente que um dia, ciência e religião vão conviver tranquilamente. Sem dicotomias sem nexo, ou intolerância exacerbada.

A Escola de Atenas. Ao centro Platão e Aristóteles, mestre e aluno, que apesar de sua boa relação possuiam filosofias distintas. Reparem que enquanto Platão aponta para o céu, Aristóteles aponta para a terra.

A Escola de Atenas. Ao centro Platão e Aristóteles, mestre e aluno, que apesar de sua boa relação possuiam filosofias distintas. Reparem que Platão aponta para o céu enquanto Aristóteles aponta para a terra. Alusão direta ao choque do mundo das idéias de Platão, muito parecido com o que algumas religiões defendem, e a filosofia mais "concreta" de Aristóteles.

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O fim do universo.

Discutir sobre a natureza do Universo é provavelmente uma das mais antigas atividades do homem. E não poderia ser diferente. Por definição, nada pode ser estruturalmente maior ou mais complexo. Eu me arrisco a dizer que nada pode ser sequer mais filosoficamente complexo. E no meio de toda essa complexidade, uma das perguntas mais curiosas que se pode fazer é: irá o Universo chegar a um fim?

Embora provavelmente exista todo o tipo de resposta para esta pergunta. Vamos trabalhar com duas que são diametralmente opostas. A primeira toma por base um modelo de Universo infinito e a outra um modelo finito.

Em um modelo infinito a resposta é evidente. Algo infinito não pode ter um fim, assim como provavelmente nunca teve um começo. Por mais controverso que isso possa parecer, é uma pequena questão de lógica. Um Universo infinito nunca começou e nunca vai terminar porque sempre existiu. E se sempre existiu, continuará existindo sempre.

Já com um modelo finito a questão é mais complexa e envolve um pouco de conhecimento sobre a origem do Universo. Hoje em dia a hipótese mais aceita sobre este começo é o famoso Big Bang. Uma imensa explosão, que deu origem ao tempo e ao espaço e a tudo o que conhecemos. Um bom suporte para esta hipótese é o movimento de expansão do Universo.

Universo em Expansão. Clique para ampliar.

Universo em Expansão. Clique para ampliar.

Sabemos que ele esta se expandindo, o que significa que os planetas, estrelas, galáxias e tudo o mais está se afastando e um ritmo mais ou menos conhecido. Se assim o é podemos imaginar dois destinos finais para o Universo. No primeiro deles o movimento de expansão agiria por um tempo incomensurável, fazendo com que tudo fique tão inimaginavelmente distante que o universo se transformaria em um lugar vazio e gelado.

A outra possibilidade aparenta ser ainda mais terrível. Alguns cientistas acreditam que existe um tipo particular de matéria que não pode ser vista, a matéria escura, e que ela constituiria a maior parte do Universo. Se isso for verdade, assim que a força daexpansão começar a diminuir, os corpos formados pela matéria convencional seriam afetados pelo campo gravitacional da matéria escura. O resultado seria uma espécie de efeito reverso.

Isso significa que o Universo que hoje está em expansão pode começar a se retrair. E se assim o for, a retração iria fazer com que todo o Universo volte a se condensar em um único ponto, gerando uma espécie de novo Big Bang.

Algo me consola nesta história, o tempo necessário para que cada um destes eventos catastróficos ocorra é tão grande, que dificilmente existirá qualquer ser humano vivo pra ver.

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Galileu, o Index e a Divulgação Científica.

Galileu Galilei foi um dos cientistas mais versáteis da história. Vivei entre o final do século XVI e início do XVII. Foi o responsável pela invenção de uma série de instrumentos de precisão, criou os princípios da inércia (influenciando o trabalho vindouro de Isaac Newton), produziu telescópios mais sensíveis e etc.

Galileu Galileu. Clique para ampliar.

Galileu Galileu. Clique para ampliar.

Mas sua imagem é sempre associada à sua contenda com a igreja. Galileu, grande estudioso de astronomia, defendia que a Terra não era o centro do Universo, como assim pregava a Santa Sé. Pior, Galileu dizia que nosso planeta não só girava ao redor desí mesmo, como também orbitava o Sol.

Tal modelo heliocêntrico de sistema solar ia diretamente contra as escrituras, o que levou o astrônomo à julgamento pela inquisição. Durante o julgamento Galileu acabou abrindo mão da defesa do modelo heliocêntrico, o que evitou sua execução. Mesmo assim foi condenado à prisão domiciliar pelo resto de sua vida.

Galileu e a Inquisição. Clique para ampliar.

Galileu e a Inquisição. Clique para ampliar.

A história é bem conhecida, mas quando analisada com mais detalhe é no mínimo estranha. Vejamos por que. Galileu era um homem muito religioso e de boas relações com a Igreja. Era considerado um dos maiores intelectuais da época e padres, bispos e cardeais tinham como grande honraria estarem em sua presença. Era amigo pessoal do Cardeal Barberini que viria a ser o Papa Urbano VIII, o mesmo que levou a cabo o julgamento de Galileu.

O sistema heliocêntrico não era exatamente de propriedade de Galileu. A idéia em si surgiu na Grécia, com os grandes filósofos do passado, mas foi melhor explorada por Nicolau Copérnico. Copérnico que também tinha relações com a igreja, defendeu por muito tempo seu modelo heliocêntrico sem ser incomodado.

Nicolau Copérnico. Clique para ampliar.

Nicolau Copérnico. Clique para ampliar.

Se Galileu era tão influente entre as autoridades religiosas, amigo pessoal do Papa e defensor de uma idéia que não era sua, porque afinal foi julgado e quase queimado em praça pública? Embora a resposta provavelmente envolva uma série de fatores, um deles foi a “divulgação científica” das idéias de Galileu.

O fato é que na antiguidade os textos dos intelectuais eram escritos em latim ou grego, línguas que eram desconhecidas das pessoas comuns. O grande trunfo de Galileu, além de sua grande popularidade, foi escrever seu livro em italiano. Desta forma seu livro caiu feito uma bomba na sociedade da época.

O Papa Urbano VIII reconheceu o risco que o material de Galileu significava. Um livro que poderia ser lido por todos, contendo evidências científicas precisas e bem embasadas, e que ia contra a palavra de Deus. A reação imediata da igreja foi incluir o livro no “Index”, a grande lista de livros censurados pelo Vaticano, e promover o julgamento do cientista.

O sistema heliocêntrico. Clique para ampliar.

O sistema heliocêntrico. Clique para ampliar.

O curioso é que em muitas de suas cartas, Galileu deixa claro que sua intenção nunca foi a de atacar a igreja. Segundo ele, a idéia era permitir que a autoridade católica pudesse usar suas descobertas para fortalecer as escrituras. Azar o da igreja, que continua até hoje com a fama de negar as coisas como elas são.

Ponto para Galileu, que além de ser um dos maiores cientistas da história, já fazia divulgação científica de qualidade.

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Polegarcast #4 parte 1: Ciência na Ficção Científica.

O Polegar Cast finalmente desbrava o mundo da ficção científica em seu primeiro programa duplo. Entramos no mundo aonde vide inteligente em outro planeta é quase um padrão,robôs interpretam das formas mais bizarras três leis aparentemente simples e a viagem no tempo não é só uma possibilidade, é realidade.

Eu, Andréa, Rodolfo e Thomas (nosso próprio robô com características humanas), falamos um pouco sobre os filmes Contato e Gattaca, e ainda comentamos alguns outros livros. Além disso discutimos a importância da Ficção Científica, e a liberdade que ela nos dá para imaginar cenários inconcebíveis em nosso planeta.

Ainda neste programa: Uma defesa apaixonada sobre os direitos dos robôs, a inteligência limitada dos et’s, pessoas distintas nascidas da mesma mãe e um anarquista das leis da robótica.

Atenção, não esqueçam de votar em nós para o Prêmio Podcast 2008. É bastante simples, basta clicar no banner abaixo e, na tela que irá se abrir, no botão verde (votar e entrar no site). Após votar você será redirecionado ao site do prêmio.

Vote na gente para o prêmio podcast!

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Premio Podcast 2008.

Começou ontem o prêmio podcast 2008. O Polegar Cast também esta concorrendo, na categoria de educação (fica a sugestão para a organização do prêmio, ano que vem seria legal ter uma categoria pra ciência).

Existem duas modalidades de premiação, a de voto popular e a de juri técnico. Por isso, gostaríamos de sua ajuda. Se você gosta do Polegar Cast, esta é sua chance pra demonstrar todo seu apoio, carinho (??) e amor (????). Clique no banner abaixo e, na página que irá abrir, no botão verde (Vote e entre no site).

Também é possível votar pelo botão localizado na barra lateral. O premio só contabiliza votos únicos, então você só pode votar uma vez… por computador. Se tiver mais de um, manda ver. Além disso, a votação não requer nenhum cadastro ou qualquer outro tipo de burocracia.

Não esqueçam de recomendar o podcast para a família e para os amigos (e também peça que eles votem na gente, claro).

Agradecemos o seu voto.

Vote na gente para o prêmio podcast!

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Curtinhas da semana.

Blogosfera científica:

Foi ao ar semana passada o primeiro condomínio de blogs de ciência do Brasil, o Lablogatórios. A iniciativa é do Carlos Hotta e do Átila Iamarino , que tiveram a brilhante idéia de juntar em um mesmo lugar uma série de excelentes blogs de ciência.

O Polegar também foi convidado, mas apesar de não termos nos mudado de mala e cuia pra lá, apoiamos o projeto e torcemos para o seu sucesso.

Blogosfera feminina:

Ah as mulheres! O que seria do mundo sem elas? A ciência também seria um lugar bem mais inóspito, e em homenagem a elas, segue algumas indicações:

A Bárbara do BioLógicas fez um texto excelente sobre a teoria do equilíbrio pontuado do Stephen Jay Gould. Além do texto dar a devida importância a um dos maiores divulgadores de ciência, ainda completa com excelência o texto sobre Elos Perdidos aqui do Polegar.

A Isis do Xis-Xis também representa com louvor a blogosfera de divulgação científica feminina. Eu tentei escolher algum texto em específico pra recomendar, mas o blog é tão bom que seria um pecado não recomendá-lo por completo. Então não deixem de visitar.

A Lua também tem um blog dedicado. Mantido pela Tânia, o site é repleto de informação a respeito de nosso satélite natural. E convenhamos, de todas as mulheres, a Lua é provavelmente a que mais inspirou poetas, escritores, homens apaixonados e cientistas.

E por último, mas não menos importante, a Andréa resenhou um livro que aborda a questão das células tronco de uma maneira, digamos, um pouco tendenciosa… Vale a leitura.

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Resenha: O direito à vida e a pesquisa com células-tronco

Apesar do Supremo Tribunal de Justiça ter votado pela não inconstitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias no dia 29 de Maio deste ano, e das pesquisas com este material biológico já estarem em curso no Brasil, dediquei algumas horas à leitura do livro “O direito à vida e a pesquisa com células-tronco” da autora Renata da Rocha. O livro, inserido na Coleção Biodireito/Bioética da Editora Campos/Elsevier, merece um elogio para o estilo de linguagem. A autora escreve de forma simples e expõe suas idéias com a clareza necessária para ser compreendida tanto pelo público leigo, quanto pelo público estudantil universitário.

No entanto, já na primeira linha dos agradecimentos observa-se a tendência religiosa da autora ao agradecer em primeiro lugar à Deus. A crítica não é a respeito da religiosidade da autora, mas sim ao fato do tema escolhido tanger, na visão dela, à questão da vida e da morte. A questão das células-tronco embrionárias foi durante o debate, e continua sendo, confundida com uma questão de vida e morte pelo público leigo. Partindo da premissa de que existem outras formas de interpretar o mundo, e de que a científica não é necessariamente a mais importante (ou correta) delas, o que impressiona é a forma enfática com que a autora defende sua posição ferrenhamente contrária à da ciência relatando a retirada de células-tronco como destruidora do embrião, reificadora do ser humano, e promotora de riscos aos seres humanos.

Não obstante o tom de religiosidade no combate à ciência, a autora ainda se apropria de um discurso político acerca das descobertas e tecnologias científicas como se fossem os próprios cientistas grandes empresários em busca de riqueza desenfreada, violando aspectos éticos da vida em sociedade. É fato que muito dinheiro circula em função de patentes derivadas de avanços científicos e tecnológicos, mas isto se deve à maneira como a sociedade tem se apropriado da ciência. O cientista em si, salvo raras exceções, não tem tino comercial e não é o principal privilegiado das patentes de suas descobertas.

Ao ler o livro fiquei com a impressão de que, na ânsia pela defesa de seus princípios morais, a autora exagerou na defesa da importância do papel do Biodireito, sem se preocupar em pedir auxílio a um geneticista para descrever os conceitos básicos de genética. A autora se baseou na enciclopédia Encarta, em livros de Direito e de divulgação científica, e até em notícias de jornal. Na ausência de livros técnicos de genética como referência o resultado é uma série de erros conceituais.

Um dos parágrafos finais da conclusão revela novamente uma veemência tão polarizada que, ao invés de promover um debate construtivo sobre a polêmica, já traz uma série de enquadramentos da incumbência do Biodireito aos quais os cientistas deveriam se ajustar para preservar a vida de acordo com a concebida pela autora, por meio de seus desconhecimentos genéticos obtidos de fontes pouco científicas. Dentre outras, seria esperado que o Biodireito impedisse a retirada de células-tronco embrionárias, proibisse a manipulação de células germinativas e do embrião humano, vetasse a clonagem, e inviabilizasse a terapia gênica em células embrionárias.

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Preguiça Gigante e outros animais enormes.

Darwin, antes de se interessar por animais, era um apreciador da geologia. Enquanto estava na faculdade, estudou com grandes geólogos e chegou a ir “a campo” algumas vezes. Quando partiu com o Beagle em sua histórica viagem, Darwin estava muito mais interessado em estudar a geologia dos países exóticos que visitaria do que sua fauna e flora. Em uma de suas andanças, Charles acabou esbarrando em algo surpreendente. Um fóssil… mas não um fóssil qualquer. Era o fóssil de uma preguiça gigante.

A preguiça gigante (Megatherium americanum),  é uma das espécies que pertenciam ao que se convencional chamar de megafauna. A megafauna era constituída por animais gigantes, parentes de animais menores e que ainda existem.

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No Brasil, além da preguiça gigante, já foram encontrado fósseis de parentes de elefantes (mastodontes), camelos, hipopótamos, tatus (como o Gliptodonte) e cervos. Na Austrália foram encontrados fósseis de cangurus gigantes.

A grande questão sobre a megafauna é o motivo que levou à sua extinção. Existem diversas hipóteses sobre o fim da megafauna, a mais popular diz que foi a ação do homem que levou estes animais ao desaparecimento.

Aparentemente a extinção destes animais se dá muito próximo aos primeiros indícios de ação do homem. Embora há quem questione, muitos pesquisadores  argumentam que o homem primitivo se alimentava destes animais gigantes. Além disso, usavam os cascos e ossos para forjar ferramentas. No caso do tatu gigante em específico, o animal era do tamanho de um fusca. Imagina-se que seu casco era usado como abrigo.

Gliptodonte. Clique para ampliar.

Gliptodonte. Clique para ampliar.

A despeito de seu misterioso desaparecimento, a megafauna é um dos exemplos mais fascinantes sobre os rumos que a vida toma na Terra.

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O problema dos elos perdidos.

Dentre os muitos temas controversos sobre evolução, a questão dos elos perdidos é certamente um dos mais comuns. Mesmo Darwin levantou essa questão e, pensando bem, ela é aparentemente lógica. Se as espécies evoluem uma das outras, e este processo é gradual, é de se esperar que se encontrem fosseis de espécies que estão “no meio do caminho”.

O problema é que o “meio do caminho” não é tão simples de se compreender. É preciso entender primeiramente que a evolução é um processo contínuo e, como muitos processos contínuos, ela não tem um “fim”. Ou seja, todas as espécies atuais estão em constante mudança, muito embora o processo seja lento demais para podermos perceber seus efeitos. Isso basicamente significa que toda espécie viva é, de certa forma, uma espécie transicional.

Mas podemos nos perguntar afinal, qual a história das espécies atuais? Como elas chegaram ao estágio em que se encontram? A única maneira de responder estas perguntar é olhando para o registro fóssil . Algumas espécies em particular tiveram suas histórias bem catalogadas, com uma porção de fosseis que indicam seus possíveis ancestrais evolutivos. No caso das baleias, por exemplo, foi possível estabelecer uma espécie de escala evolutiva representada na figura abaixo.

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Mas é preciso ter cuidado com estas representações gráficas. Embora elas sejam bastante didáticas e organizem o conhecimento de forma cronológica, é consenso de que dificilmente elas representam os passos evolutivos corretos. Na verdade, existe sempre a possibilidade de se encontrar novos fosseis de transição que acabem ampliando a escala evolutiva.

Mas afinal, e o elo perdido? Bom, para muitas pessoas o fato de conhecermos formas transicionais de espécies atuais não significa muita coisa. Críticos da evolução darwiniana com freqüência alegam que embora os fosseis descobertos possam sugerir um processo evolutivo, ainda é preciso encontrar espécies realmente de transição. Uma espécie que demonstre claramente que é “metade uma coisa, metade outra”.

Este tipo de elo perdido não existe. O processo de especiação é mais complexo do que uma cadeira interminável de formas transicionais. Outro problema é o processo de fossilização, que esta longe de ser trivial. É preciso que uma espécie esteja bem estabelecida e possua um bom número de populações para que, eventualmente, alguns de seus indivíduos terminem fossilizados.

Elo Perdido, até agora, só mesmo a série de 1974.

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Polegarcast #3: Ciência e Esporte.

EXTRA, EXTRA!!! Neste exato momento, do outro lado do mundo, as olimpíadas de Pequim estão começando. Para comemorar a ocasião preparamos um podcast especial que aborda a relação entre ciência e esporte.

Neste programa discutimos um pouco sobre conceitos de esporte, o tratamento que a mídia dá ao esporte e divulgação científica & esporte. Eu e a Andréa contamos ainda com a presença pra lá de especial do Laércio Elias Pereira e do Adriano Pires de Campos. Dois profissionais do esporte que compartilharam seu conhecimento e sabedoria na área e enriqueceram muito o conteúdo deste podcast.

Ouça o programa e descubra quem são os cientistas do esporte (e se ele existem), descubra um pouco da origem do CBCE, qual o impacto do Centro Esportivo Virtual na legislação do esporte e saiba aonde encontrar o Laércio na bela Maceió.

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