Vaticano e Evolução: Nada mudou.

setembro, 2008

Na última terça-feira, 16 de setembro de 2008, o Vaticano anunciou que a teoria da evolução é compatível com a bíblia. Toda notícia que envolve o Vaticano e a Ciência sempre causa comoção geral, e não foi diferente desta vez. Choveram post’s em blogs, comentários inflamados em comunidades de redes sociais e etc, etc, etc…

O curioso é que de tudo o que se falou, poucos lembraram que em 1950 o Papa Pio XII já não tratava a teoria evolutiva com repulsa, assim como o Papa pop João Paulo II. Qual é exatamente a novidade no pronunciamento atual então? Sinceramente, eu não sei dizer.

Vaticano. Clique para ampliar.

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Resenha: Grandes Debates da Ciência

setembro, 2008

Como qualquer atividade humana, a ciência é permeada por pontos polêmicos e disputas de egos. Não é raro observar propostas de teorias que de certa maneira, concorrem para explicar um mesmo fenômeno. Da mesma forma, também há casos clássicos de cientistas que partem para “contendas” de todos os tipos. Embora a imagem de uma ciência segura de seus enunciados, sabemos que na prático isso dificilmente ocorre.

Este é justamente o ponto do livro Grandes Debates da Ciência, de Hal Hellman. O autor selecionou alguns dos casos mais populares de disputa entre cientistas e compilou estes casos em um livro bastante interessante. Eu diria até, bastante viciante. Desde Harry Potter e o Cálice de Fogo (e daí né gente!) eu não lia nada que realmente me empolgasse e que fosse difícil de largar.

Evidente que o livro do Hellman nada tem a ver com os livros do Harry Potter. Não se trata de um livro de ficção, mas sim uma amostra bastante curiosa de casos clássicos da ciência. Entre estes casos temos a disputa entre Newton e Leibiniz, Galileu contra o Papa Urbano VIII, Thomas Huxley contra Samuel Wilberforce durante a legendária briga envolvendo a teoria da evolução de Darwin, e por aí vai.

O texto é bastante leve e gostoso de ler. Não é um livro técnico, ou um tratado sobre disputas científicas. É, antes de tudo, um bom livro de divulgação científica. Escrito de maneira a agradar qualquer pessoa que se interessa pelo tema.

Recomendo o livro para os curiosos em saber sobre os bastidores da ciência. É conhecendo melhor estes debates que podemos perceber que a ciência, a despeito de sua imagem mítica, é um empreendimento humano, feito por seres humanos. Como qualquer outro, como qualquer um.

Spore e o fanatismo.

setembro, 2008

A EA Games lançou a algumas semanas o jogo Spore. Criado pelo gênio dos games Will Wright, a proposta em Spore é simular o desenvolvimento da vida na Terra. você começa com uma criatura unicelular, vai se desenvolvendo e evoluindo até finalmente sair do mar, iniciar uma comunidade tribal e por aí vai, até à conquista do espaço.

Eu já venho brincando com o Spore a alguns dias e confirmo, o jogo e bastante viciante e divertido. Eu gostaria de dizer que “curiosamente o jogo levantou algumasquestões polêmicas”, não fosse o caso de eu já ter antecipado o problema. Qualquer coisa que esbarre em questões polêmicas como a teoria evolutiva, gera posições extremistas de ambos os lados.

Spore. Clique para ampliar.

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LHC e a base da ciência.

setembro, 2008

Ontem entrou oficialmente em operação o maior instrumento científico já feito pelo homem. O Large Hadron Colider, ou simplesmente LHC, é um acelerador de partícula que, de tão grande, passa pelo subterrâneo de dois países, França e Suíça.

O aparelho vai ajudar à ciência em um entendimento mais apurado sobre os fenômenos quânticos  e os mistérios do início do universo. Tudo muito bacana, tudo muito bonito. É evidente a importância deste aparelho para o desenvolvimento do conhecimento humano. Mas além disso, é uma chance única para observarmos uma questão geralmente polêmica. A relação entre as ciências aplicadas e as ciências de base.

Área geográfica ocupada pelo LHC. Clique para ampliar.

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A necrofilia da Ciência: Leibniz

setembro, 2008

A banda de rock Pato Fu, no disco Televisão de Cachorro, gravou uma música chamada Necrofilia da Arte. A música é sobre como músicos ganham fama rapidamente depois que morrem de maneira trágica ou misteriosa. Na ciência, isso ocorre algumas vezes.

Embora talvez possamos justificar que a ciência demora para mudar seus paradigmas. Além de em muitos casos as idéias de determinado cientista serem tão modernas e arrojadas, que simplesmente não podem ser verificadas com a tecnologia atual.

Se o Leibniz morreu, eu amo ele*
É o caso do cientista, filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz. Dono de um intelecto incrivelmente versátil (e de uma bela peruca), Leibniz foi influente nos campos mais diversos do desenvolvimento humano.

Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.

Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.

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Polegarcast #4 parte 2: Ciência na Ficção Científica.

setembro, 2008

Voltamos diretamente do futuro para a segunda parte do programa. Eu, Andréa, Rodolfo e nosso robô sindicalista Thomas, voltamos a falar sobre a importância da ficção científica. Discutimos sobre Isaac Asimov e suas leis da robótica, Arthur C. Clark, H. G. Wells e sobre cinema.

Ainda neste programa: Seria a Andréa a mulher bicentenária? Asimov tem mais poder de síntese que Deus? Qual a abrangência do sindicato dos robôs?

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A Arte da Narrativa na Divulgação Científica

setembro, 2008

ATO: É como se eu pensasse uma Galáxia, em que os fenômenos nebulosos completam-se em si, tampouco estejam em relação direta uns com os outros. De quando eu era criança, nas observações de Sagitário e na procura de um buraco negro que se velava atrás das estrelas, as interpretações científicas eram aquelas oriundas de vozes em planetários. Havia uma auto-suficiência no fenômeno, que o tornava único, mas diluído numa cadeia de experiências de fótons, neutros e prótons. Daí a idéia de constelação. E nas constelações, as estrelas são independentes. Nem por aquelas que tivessem nascido juntas, as estrelas duplas ou triplas, eu poderia estabelecer qualquer relação de encontro. É que, aos meus olhos incompletos, elas surgiam e morriam solitárias. Já a minha “incretude”, ao contrário, sempre me levou a estabelecer inúmeras linhas de união, relacionando-as umas com as outras, uma festa no céu, apesar delas seguirem só. A estrela Dalva, sempre a primeira, sempre única, e outras, como as Três Marias, que, sozinhas, aprendi a ver em grupo.

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Divulgação Científica 2.0

setembro, 2008

Um usuário on-line. Há segredos na ciência! O laboratorista tranca portas a sete chaves. Ou porque descobriu uma enzima nova, ou porque mapeou um gene antes do cara do laboratório ao lado. E há séculos que a ciência institucionalizada é pouco colaborativa e está presa a mais-valia. O cabo é de guerra e os dois usuários on-line estão a espreita de verbas, ou em busca de um aceite de seu artigo para publicação naquela revista especializada que irá projetá-lo como o ban-ban-ban da enzima –a ser batizada com seu próprio nome– ou do gene em questão. Não conversam entre si, embora desenvolvam trabalhos complementares.

Cinco usuários on-line. A necessidade faz o ladrão e, de repente, surge um comércio de co-autoria para pesquisadores menos éticos. E na mesma essência da mais-valia, cria-se uma corrente do tipo “me adiciona que eu te adiciono”. Enquanto estes fingem que se ligam uns aos outros, cinco usuários do tipo papers (artigos científicos revistos por pares) desta ou daquela revista não conversam entre si, embora configurem um mesmo centro de pesquisa ou uma mesma editoria, dizem assuntos correlatos e utilizam a mesma bibliografia, quiçá o mesmo método. A revista, em bloco, é segmentada e o artigo é uma unidade. Dez usuários on-line. Isso para não dizer dos autores esconde-esconde. Aqueles que não publicam os dados relevantes de suas pesquisa e que acreditam guardar “o segredo” que lhes garantirão chegarem isolados ao pódio ban-ban-ban. Aí é falácia.

Quinze usuários on-line. Me publica que eu te publico! As instituições de pesquisa perceberam que seus índices de visibilidade crescem na medida em que elas são citadas e aparecem nos periódicos científicos. Vinte usuários on-line.

É claro que se a gente for parar para pensar, nem tudo é tão frio assim, mas trinta usuários on-line e o calor dos corpos revelam que a divulgação científica 1.0, em termos institucionais, pouco mudou com o passar dos tempos. Entra ano, sai ano, a cena se repete: pesquisadores isolados escondendo o jogo em prol da mais-valia. Ouro de tolo? Nem tanto. Quarenta usuários on-line.

Não é de hoje que se questiona a divulgação das informações científicas e se estuda a possibilidade de se fazer da ciência a partir de um movimento aberto, como mostra o artigo publicado na edição de abril da Scientific American “Science 2.0 – Is Open Access Science the Future?” (Ciência 2.0 – A Ciência de Acesso Público será o Futuro?) ao discutir como a web 2.0 pode impactar a forma como se faz e divulga ciência nos dias atuais. Cinqüenta usuários; há novas ferramentas on-line! Para este segmento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), a idéia é colaborativa.

Cem usuários on-line. Na web 2.0, cujo conteúdo é o produzido pelo próprio usuário, as wikis –ferramenta colaborativa de construção de hipertexto– e os softwares com licença Open Source –cujo código fonte fica disponível na rede– criaram uma nova proposta de gerenciamento da informação, a divulgação científica 2.0.

Duzentos usuários on-line que se entretém, divulgam ou produzem ciência de forma nunca vista anteriormente, seja através de blogs, comunidades como o Orkut, realidades virtuais como a Second Life ou sítios como o YouTube. Quinhentos usuários on-line e uma licença de direitos autorais para conteúdos abertos, a Creative Common. Mil usuários em rede.