Vaticano e Evolução: Nada mudou.

Na última terça-feira, 16 de setembro de 2008, o Vaticano anunciou que a teoria da evolução é compatível com a bíblia. Toda notícia que envolve o Vaticano e a Ciência sempre causa comoção geral, e não foi diferente desta vez. Choveram post’s em blogs, comentários inflamados em comunidades de redes sociais e etc, etc, etc…

O curioso é que de tudo o que se falou, poucos lembraram que em 1950 o Papa Pio XII já não tratava a teoria evolutiva com repulsa, assim como o Papa pop João Paulo II. Qual é exatamente a novidade no pronunciamento atual então? Sinceramente, eu não sei dizer.

Vaticano. Clique para ampliar.

Vaticano. Clique para ampliar.

Na verdade, acredito que exista um grande equívoco no que se compreende publicamente do relacionamento do Vaticano com a Ciência. Há um certo exagero com a velha (e provavelmente falsa) dicotomia entre fé e ciência. A verdade é que a igreja nunca foi necessariamente contra o desenvolvimento científico. Com efeito, o Vaticano possuí sua própria academia de ciência. Os pesquisadores brasileiros Crodowaldo Pavan e Carlos Chagas Filho já foram membros bastante ativos desta academia.

As brigas entre o Vaticano e cientistas ocorreram muito mais na esfera da política. Oras, vejamos. É perfeitamente compreensível que quem ganha grande influência sobre a sociedade, quer manter o status quo. Seja o Lula, seja o Papa. No caso da Igreja isso era feito impedindo o contato do “povo” com conhecimentos mais aprofundados sobre o mundo. No lugar, oferecia-se uma explicação mística, incontestável e inqüestionável.

Churrasco de cientistas.

Churrasco de cientistas.

Desta forma, trabalhos científicos que, a despeito de seu caráter desafiador, não ganhavam popularidade dificilmente sofriam quaisquer restrições. É o caso do trabalho de Nicolau Copérnico. Por outro lado, trabalhos que conseguiam se espalhar rapidamente e influenciar a população como um todo, acabavam por criar problemas. É o caso de Galileu, melhor explorado neste texto.

Nos séculos que seguiram, nada mudou. A igreja aceitar a teoria evolutiva como compatível com a bíblia é um grande indício deste movimento. A ciência tem grande influência sobre a sociedade contemporânea, e ignorar esta influência é dar um tiro no pé.

Hey, eu estudei teologia...

Hey, eu estudei teologia...

O Vaticano deu um tiro, mas de alerta. Para diminuir a “fuga de fiéis” que já vem ocorrendo a algum tempo vale qualquer coisa, até dizer que a evolução existe. O pedido de desculpa à Darwin não demora a vir.

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Resenha: Grandes Debates da Ciência

Como qualquer atividade humana, a ciência é permeada por pontos polêmicos e disputas de egos. Não é raro observar propostas de teorias que de certa maneira, concorrem para explicar um mesmo fenômeno. Da mesma forma, também há casos clássicos de cientistas que partem para “contendas” de todos os tipos. Embora a imagem de uma ciência segura de seus enunciados, sabemos que na prático isso dificilmente ocorre.

Este é justamente o ponto do livro Grandes Debates da Ciência, de Hal Hellman. O autor selecionou alguns dos casos mais populares de disputa entre cientistas e compilou estes casos em um livro bastante interessante. Eu diria até, bastante viciante. Desde Harry Potter e o Cálice de Fogo (e daí né gente!) eu não lia nada que realmente me empolgasse e que fosse difícil de largar.

Evidente que o livro do Hellman nada tem a ver com os livros do Harry Potter. Não se trata de um livro de ficção, mas sim uma amostra bastante curiosa de casos clássicos da ciência. Entre estes casos temos a disputa entre Newton e Leibiniz, Galileu contra o Papa Urbano VIII, Thomas Huxley contra Samuel Wilberforce durante a legendária briga envolvendo a teoria da evolução de Darwin, e por aí vai.

O texto é bastante leve e gostoso de ler. Não é um livro técnico, ou um tratado sobre disputas científicas. É, antes de tudo, um bom livro de divulgação científica. Escrito de maneira a agradar qualquer pessoa que se interessa pelo tema.

Recomendo o livro para os curiosos em saber sobre os bastidores da ciência. É conhecendo melhor estes debates que podemos perceber que a ciência, a despeito de sua imagem mítica, é um empreendimento humano, feito por seres humanos. Como qualquer outro, como qualquer um.

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Spore e o fanatismo.

A EA Games lançou a algumas semanas o jogo Spore. Criado pelo gênio dos games Will Wright, a proposta em Spore é simular o desenvolvimento da vida na Terra. você começa com uma criatura unicelular, vai se desenvolvendo e evoluindo até finalmente sair do mar, iniciar uma comunidade tribal e por aí vai, até à conquista do espaço.

Eu já venho brincando com o Spore a alguns dias e confirmo, o jogo e bastante viciante e divertido. Eu gostaria de dizer que “curiosamente o jogo levantou algumasquestões polêmicas”, não fosse o caso de eu já ter antecipado o problema. Qualquer coisa que esbarre em questões polêmicas como a teoria evolutiva, gera posições extremistas de ambos os lados.

Spore. Clique para ampliar.

Spore. Clique para ampliar.

O Carlos e o Rafael já escreveram ótimos textos sobre o tema em seus blogs no Lablogatórios. Aparentemente alguns criacionistas reclamam que o jogo segue uma linha evolutiva. Os evolucionistas reclamam que o jogo segue uma linha de Design Inteligente. Eu reclamo dizendo que este povo leva a vida muito a sério.

Curiosamente em 1993, quando os video-games ainda estavam nos 16bits, a Enix lançou um jogo para Super-Nintendo chamado “E.V.O – Search for Eden”. A temática era basicamente a mesma do Spore. Você começa jogando com um ser bastante simples e que vive na água, e no decorrer do jogo vai evoluindo em criaturas cada vez mais complexas. Não me lembro de na época isso ter gerado qualquer tipo de “buzz” ou opiniões inflamadas. Talvez o sub-título do jogo “Search for Eden” tenha conseguido unir o “melhor de dois mundos” evitando problemas.

E.V.O - Search for Eden. Clique para ampliar.

E.V.O - Search for Eden. Clique para ampliar.

Na fúria de defender suas crenças e opiniões as pessoas esquecem um dado importante, Spore é só um jogo. E nem de longe ele foi feito pra tomar “partido” de qualquer discussão. O objetivo foi sempre um, o de divertir. E isso ele faz com maestria.

O Rafael ainda levantou a bola de se é possível usar o jogo para ensinar evolução. Eu acredito que neste ponto, tanto os evolucionistas quanto os criacionistas estão bem servidos. Um professor de evolução inventivo e com a cabeça no lugar pode ilustrar a seleção natural tranquilamente com o jogo. Da mesma forma, um criacionista tem todas as ferramentas pra defender seu ponto de vista. Isto, é claro, se ele não for um fundamentalista.

Em todo caso, se você pretende passar boas horas se divertindo, deixe todas estas discussões de lado e jogue Spore.

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LHC e a base da ciência.

Ontem entrou oficialmente em operação o maior instrumento científico já feito pelo homem. O Large Hadron Colider, ou simplesmente LHC, é um acelerador de partícula que, de tão grande, passa pelo subterrâneo de dois países, França e Suíça.

O aparelho vai ajudar à ciência em um entendimento mais apurado sobre os fenômenos quânticos  e os mistérios do início do universo. Tudo muito bacana, tudo muito bonito. É evidente a importância deste aparelho para o desenvolvimento do conhecimento humano. Mas além disso, é uma chance única para observarmos uma questão geralmente polêmica. A relação entre as ciências aplicadas e as ciências de base.

Área geográfica ocupada pelo LHC. Clique para ampliar.

Área geográfica ocupada pelo LHC. Clique para ampliar.

Willian Thomson, mais conhecido como Lorde Kelvin, foi um brilhante cientista inglês. O homem que deixou seu nome marcado em um sistema de medição de temperatura, também desenvolveu alguns trabalhos com a eletricidade e termodinâmica. Também foi a pessoa que cunhou o termo “ciência aplicada”. O termo é utilizado para diferenciar pesquisas que desenvolvem conhecimentos tão básicos que suas aplicações são incertas, das pesquisas que resultam em algum tipo de conhecimento, técnica ou dispositivo de aplicação evidente.

Essa separação acabou por gerar uma situação estranha. Algumas pessoas, e isso inclui alguns cientistas, defendem que qualquer pesquisa que não tenha aplicações imediatas, devem ser deixadas em segundo plano. Essa mentalidade muitas vezes chega às instituições de financiamento. Afinal, quem financia quer retorno e, neste sentido, é mais lógico investir em pesquisas aplicadas.

O que nem sempre se percebe é que as ciências aplicadas dependem das ciências de base, assim como as ciências de base dependem das aplicadas. E é aqui que voltamos ao LHC. Boa parte das pesquisas em física quântica estavam na dependência do funcionamento do acelerador de partículas. O caso é que algumas teorias fundamentais não podem ser testadas sem este aparelho.

LHC e seu tamanho monstruoso. Clique para ampliar.

LHC e seu tamanho monstruoso. Clique para ampliar.

Ao mesmo tempo, a tecnologia envolvida na construção do LHC só existe por conta de uma base teórica bem estabelecida. Uma comparação mais simples é a de que só se pode construir um telescópio quando se tem conhecimentos teóricos sobre ótica.

Desta forma fica evidente que investir em apenas uma destas linhas resulta em um beco sem saída. É importante termos esta noção. Aparelhos como o LHC são extraordinários e vão inevitavelmente resultar em um avanço fantástico nas pesquisas de base, mas para tal, é preciso compreender que não existem dicotomias aqui.

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A necrofilia da Ciência: Leibniz

A banda de rock Pato Fu, no disco Televisão de Cachorro, gravou uma música chamada Necrofilia da Arte. A música é sobre como músicos ganham fama rapidamente depois que morrem de maneira trágica ou misteriosa. Na ciência, isso ocorre algumas vezes.

Embora talvez possamos justificar que a ciência demora para mudar seus paradigmas. Além de em muitos casos as idéias de determinado cientista serem tão modernas e arrojadas, que simplesmente não podem ser verificadas com a tecnologia atual.

Se o Leibniz morreu, eu amo ele*
É o caso do cientista, filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz. Dono de um intelecto incrivelmente versátil (e de uma bela peruca), Leibniz foi influente nos campos mais diversos do desenvolvimento humano.

Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.

Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.

Trabalhava pesquisando genealogias para a aristocracia, e por isso tinha uma boa influência. Além disso é creditado a ele, em conjunto com Isaac Newton, a criação do cálculo moderno. Nesta mesma área, Leibniz foi um dos primeiros a construir uma máquina de calcular. Suas idéias ainda tiveram grande impacto na filosofia (aonde provavelmente é melhor reconhecido) e política.

O problema de Gottfried, foi ter se indisposto com Newton por conta da autoria do “cálculo”. O fato é que os dois gênios desenvolveram o mesmo trabalho mais ou menos ao mesmo tempo. Assim como Darwin e Wallace fariam séculos depois. Os dois chegaram a se corresponder algumas vezes, e em determinada ocasião Newton lhe enviou mais detalhes sobre seu trabalho.

Leibniz acabou publicando sua teoria primeiro e, por conta da similaridade, Newton o acusou de plágio. Historiadores da ciência concordam que apesar das semelhanças, Leibniz não usou o trabalho de Newton para desenvolver o seu. Mas na época, a briga dos dois acabou por desmoralizar Leibniz.

Para piorar, o alemão defendia um universo relativo. Esse modelo, que hoje é bem estabelecido graças a outro alemão, Albert Einstein, desafiava o modelo newtoniano de universo. E desafiar Newton não era brincadeira. O homem era presidente da Royal Societyof London, a mais respeitada academia de ciência da época.

Suas idéias sobre relatividade mudariam a física moderna através da relatividade geral e restrita. Além disso, alguns de seus textos discutem a natureza do átomo possuem uma semelhança fantástica com modelos quânticos atuais.

Von Liebniz morreu com a credibilidade abalada e vendo suas idéias suprimidas pela física newtoniana. Sua genialidade só seria reconhecida séculos depois.

*Trecho adaptado do refrão da música Necrofilia da Arte. O original seria “Se o Lenon morreu, eu amo ele”.

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Polegarcast #4 parte 2: Ciência na Ficção Científica.

Voltamos diretamente do futuro para a segunda parte do programa. Eu, Andréa, Rodolfo e nosso robô sindicalista Thomas, voltamos a falar sobre a importância da ficção científica. Discutimos sobre Isaac Asimov e suas leis da robótica, Arthur C. Clark, H. G. Wells e sobre cinema.

Ainda neste programa: Seria a Andréa a mulher bicentenária? Asimov tem mais poder de síntese que Deus? Qual a abrangência do sindicato dos robôs?

Atenção, o Prêmio Podcast esta passando por dificuldades técnicas. O site não esta mais registrando votos e os que já haviam sido registrados foram zerados. Não votem mais no Polegar por enquanto, quando a situação se normalizar avisaremos aqui.

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A Arte da Narrativa na Divulgação Científica

ATO: É como se eu pensasse uma Galáxia, em que os fenômenos nebulosos completam-se em si, tampouco estejam em relação direta uns com os outros. De quando eu era criança, nas observações de Sagitário e na procura de um buraco negro que se velava atrás das estrelas, as interpretações científicas eram aquelas oriundas de vozes em planetários. Havia uma auto-suficiência no fenômeno, que o tornava único, mas diluído numa cadeia de experiências de fótons, neutros e prótons. Daí a idéia de constelação. E nas constelações, as estrelas são independentes. Nem por aquelas que tivessem nascido juntas, as estrelas duplas ou triplas, eu poderia estabelecer qualquer relação de encontro. É que, aos meus olhos incompletos, elas surgiam e morriam solitárias. Já a minha “incretude”, ao contrário, sempre me levou a estabelecer inúmeras linhas de união, relacionando-as umas com as outras, uma festa no céu, apesar delas seguirem só. A estrela Dalva, sempre a primeira, sempre única, e outras, como as Três Marias, que, sozinhas, aprendi a ver em grupo.

Este ato escrito em forma de mônada é o modelo que Walter Benjamin propõe para o relato das coisas. Para ele, o importante é que o fenômeno mantenha sua independência e que através de uma forma narrativa de experiência se constitua história. O autor tenta desvelar que o fenômeno não está em continuidade e também não se encontra desvirtuado pelo todo. Os fragmentos, as anotações e os pequenos exemplos tomados da história, de uma forma atemporal, fazem da ciência subjetividade. Assim, as constelações do saber científico que se poderia generalizar a partir daí seriam inúmeras; e talvez cada um de nós construa a sua, reflexo de nossas experiências pessoais. Seria afirmar, então, que cada um põe sua biografia, seus interesses, seus projetos, sua vida em palavras para se fazer galáxia. Porém o fenômeno continua sendo reconhecido por todos, na expressão de um fato, de um acontecimento.

Em voga, a narrativa da experiência. E a pergunta: ela, a narrativa, é válida para o processo divulgação científica? Em uma sociedade da informação, a cada manhã recebemos notícias de todo o mundo. São fatos que já nos chegam com um punhado de explicações plausíveis. Nota-se, no entanto, que tais fatos, quando atrelados à narração, produzem uma historicidade, lugar onde a ciência (e sua divulgação) se contextualiza no tempo e no espaço. Nesta via de se pensar a popularização das informações científicas, a narrativa faz florescer uma forma artesanal de comunicação, interessada em transmitir o “puro da coisa” a partir da descrição das circunstâncias em que foram vivenciadas. Isso porque a linguagem narrativa constrói uma imagem que se fixa aos olhos de quem lê. Uma imagem subjetiva que permite o leitor atingir uma amplitude que não existe na informação.

Se metade da arte da narrativa está em evitar explicações, qual seria, então, sua função em se tratando da divulgação científica? A de inscrever-se no curso da historiografia. Neste caso, à beira, encontra-se o cronista com a outra metade da arte da narrativa: a inclusão do tempo épico na escrita, que, na crônica, é a mais incontestável pelo esforço de se representar os episódios – e por que não dizê-los científicos? – como experiências da história do mundo. E, como diz Benjamin, “seja como for – para cada pessoa há coisas que lhe despertam hábitos mais duradouros que todos os demais”. E o parafraseando: neles são formadas as Três Marias que se tornam decisivas em sua existência única.

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Divulgação Científica 2.0

Um usuário on-line. Há segredos na ciência! O laboratorista tranca portas a sete chaves. Ou porque descobriu uma enzima nova, ou porque mapeou um gene antes do cara do laboratório ao lado. E há séculos que a ciência institucionalizada é pouco colaborativa e está presa a mais-valia. O cabo é de guerra e os dois usuários on-line estão a espreita de verbas, ou em busca de um aceite de seu artigo para publicação naquela revista especializada que irá projetá-lo como o ban-ban-ban da enzima –a ser batizada com seu próprio nome– ou do gene em questão. Não conversam entre si, embora desenvolvam trabalhos complementares.

Cinco usuários on-line. A necessidade faz o ladrão e, de repente, surge um comércio de co-autoria para pesquisadores menos éticos. E na mesma essência da mais-valia, cria-se uma corrente do tipo “me adiciona que eu te adiciono”. Enquanto estes fingem que se ligam uns aos outros, cinco usuários do tipo papers (artigos científicos revistos por pares) desta ou daquela revista não conversam entre si, embora configurem um mesmo centro de pesquisa ou uma mesma editoria, dizem assuntos correlatos e utilizam a mesma bibliografia, quiçá o mesmo método. A revista, em bloco, é segmentada e o artigo é uma unidade. Dez usuários on-line. Isso para não dizer dos autores esconde-esconde. Aqueles que não publicam os dados relevantes de suas pesquisa e que acreditam guardar “o segredo” que lhes garantirão chegarem isolados ao pódio ban-ban-ban. Aí é falácia.

Quinze usuários on-line. Me publica que eu te publico! As instituições de pesquisa perceberam que seus índices de visibilidade crescem na medida em que elas são citadas e aparecem nos periódicos científicos. Vinte usuários on-line.

É claro que se a gente for parar para pensar, nem tudo é tão frio assim, mas trinta usuários on-line e o calor dos corpos revelam que a divulgação científica 1.0, em termos institucionais, pouco mudou com o passar dos tempos. Entra ano, sai ano, a cena se repete: pesquisadores isolados escondendo o jogo em prol da mais-valia. Ouro de tolo? Nem tanto. Quarenta usuários on-line.

Não é de hoje que se questiona a divulgação das informações científicas e se estuda a possibilidade de se fazer da ciência a partir de um movimento aberto, como mostra o artigo publicado na edição de abril da Scientific American “Science 2.0 – Is Open Access Science the Future?” (Ciência 2.0 – A Ciência de Acesso Público será o Futuro?) ao discutir como a web 2.0 pode impactar a forma como se faz e divulga ciência nos dias atuais. Cinqüenta usuários; há novas ferramentas on-line! Para este segmento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), a idéia é colaborativa.

Cem usuários on-line. Na web 2.0, cujo conteúdo é o produzido pelo próprio usuário, as wikis –ferramenta colaborativa de construção de hipertexto– e os softwares com licença Open Source –cujo código fonte fica disponível na rede– criaram uma nova proposta de gerenciamento da informação, a divulgação científica 2.0.

Duzentos usuários on-line que se entretém, divulgam ou produzem ciência de forma nunca vista anteriormente, seja através de blogs, comunidades como o Orkut, realidades virtuais como a Second Life ou sítios como o YouTube. Quinhentos usuários on-line e uma licença de direitos autorais para conteúdos abertos, a Creative Common. Mil usuários em rede.

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