O cisne negro

Seria cômico se não fosse trágico. O acidente no lago da Aclimação. Ela saía de casa para passear. Terça-feira, Carnaval-2009. Estava um pouco cansada de seus filmes e livros, e resolveu movimentar-se como fazia de vez em sempre, que possível. MP3 nos ouvidos, short, tênis e camiseta. Resoluta, já que o sol do meio-dia estava encoberto pelas nuvens escuras das Águas de Março que resolveram fechar o verão inteiro.

Viu um helicóptero sobrevoando a área, aumentou o volume da música em seus ouvidos. Um aglomerado de pessoas e policiais na borda do lago, achou melhor nem olhar, alguém deve ter se machucado. Carros da polícia civil metropolitana e da polícia florestal fazendo Cooper, alguma coisa realmente aconteceu, que Deus cuide… Policiais entrando no lago… Heim?! O lago está seco!!!

Como jurou no dia da formatura que defenderia a vida, qualquer que fosse, imediatamente desligou o MP3 e realizou a primeira volta com seu olhar clínico. O nível da água realmente havia caído muito, o que até outro dia era um lago cheio de patos, gansos e carpas se transformara, da noite pro dia, em um enorme lodaçal. Um cisne negro bem no meio do lago-lodo passava bem, mas a cena – ele sozinho no meio do lodo – era triste, lembrava os desastres petrolíferos. Os freqüentadores do parque estavam parados nas margens em três pontos. O primeiro era uma piscina, formada pela irregularidade do fundo do lago, na qual alguns peixes estavam sendo salvos em sacos plásticos por pessoas que, na ânsia de fazer um bem, se esqueceram das aulas de Ciências – poderiam contrair doenças num lago eutrofizado como aquele e, certamente as concentrações de Oxigênio e nutrientes da água para onde os peixes estavam sendo levados pelos cidadãos seriam diferentes, levando-os à morte da mesma forma. Um policial tentava afastar as pessoas. Os outros dois pontos ofereciam visão privilegiada sobre o trabalho dos aproximadamente 20 homens que se organizavam para retirar o cisne negro, bem como meia dúzia de patos e marrecos nas margens cheias de lixos inorgânicos.

Segunda volta. Um policial florestal. Não resistiu.

- Por gentileza, desculpe minha intromissão, mas por que resolveram esvaziar o lago sem tirar todos os animais primeiro?

- Houve um acidente ontem a tarde, estourou o encanamento que regula o escoamento do lago e a água vazou para o rio Tamanduateí.

- Xiii, não tem como salvar os peixes… ou foram parar no rio – poluído, ou morreram atolados ali no fundo do lago. Conseguiram resgatar as demais aves ou só sobraram aquelas?

- Muitas foram para as margens fugindo da vazão de água ontem e conseguimos capturá-las, só sobraram estas que se assustaram conosco e foram para o meio do lago. Mas nós vamos resgatá-las e levá-las para o parque do Ibirapuera.

- Mas aquilo virou uma areia movediça, como os policiais vão chegar até lá?

- Infelizmente não temos equipamentos adequados disponíveis para entrar neste tipo de lodo, até o prefeito já esteve aqui vendo a situação hoje, mas vamos tentar um bote ou um cabo de aço para fazer com que o cisne negro chegue até uma das margens.

Enquanto isso câmeras de TV, repórteres e fotógrafos registraram um verdadeiro “Olé” que um pato deu numa meia dúzia de biólogos da Prefeitura que, por fim, o capturaram sobre aplausos da população local, enquanto o cisne negro olhava a distância bicando sua glândula uropigeana e impermeabilizando suas penas da asa direita, na terceira volta.

A quarta volta foi bem irônica. Cidadãos reclamavam da indolência da polícia. “Por que não tiram o cisne negro com o “Águia”? Só porque o barulho dum helicóptero já infartaria o bicho antes dele ser salvo. Por que não chamam uma viatura de bombeiros e usam aquela escada até o meio do lago? Era evidente que o cidadão não teve aulas de Física, pois a distância entre a margem e o cisne era enorme! Por que um bombeiro não nada até lá? Areia-movediça, já viu desenho animado com areia movediça, meu filho? Policial não é mosquito, afunda!

Os policiais resolveram atravessar um cabo de aço margem-margem enxotando o cisne que, sem saber que já era alvo de projeções emocionais de tanta gente que desejava que ele sobrevivesse às intempéries de suas vidas, conseguia se mover, apesar do lodo, com relativa facilidade para a margem mais próxima dele.

Quinta volta. Garoou. Um cidadão lamentou-se dizendo “se fizesse sol o lodo secaria e o cisne conseguiria sair de lá”. Se fizesse sol o cisne morreria desidratado antes do lodo secar! Prá sorte do cisne negro e desespero dos policiais garoava forte e a população não arredava pé. A julgar pela situação, o cisne negro já tinha deixado de ser um patinho feio, passado por pobre criatura de Deus injustiçada, e estava se transformando num herói de guerra, pois continuava se movimentando, agora com esforço, fugindo do cabo de aço rumo à margem.

Não viu o cisne ser salvo, nem teve a sexta volta. Os policiais interditaram a pista de Cooper, não sem antes um sujeito mal educado exigir a retirada de todos do local, pois ele iria pegar o cisne, afinal ele estava lá desde as 6 da manhã e já eram mais de 13 horas. Incrível como ele enxotava todo mundo grosseiramente, mas dizia que o fotógrafo podia permanecer. Afinal, o cisne negro não poderia ser herói sozinho.

Choveu forte. Voltou ensopada pensando na tragédia ecológica. Em todos os sentidos. Um lago mal cuidado, pessoas mal formadas cientificamente, gente mal educada. Pensou no plâncton, nas algas, nas briófitas, naquela infinidade de peixes e carpas gigantes que eram mal alimentadas por pães, no desequilíbrio climático da região, na conseqüente baixa da população de anfíbios, no aumento da população de mosquitos, nas sementes das árvores que, se antes alimentavam peixes, agora poderão brotar, no trabalho de reconstrução do lago – se é que será reconstruído – e inclusive, na situação perturbadora provocada pelo rebelde cisne negro.

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Divulgando o estranho mundo da ciência.

Acredito que exista um problema básico para a divulgação científica que poucas vezes é posto em evidência. O problema em questão é aceitar o fato de que o mundo em que o cientista vive, não é o mesmo mundo que as pessoas em geral vivem. Pode parecer uma idéia ingênua, mas o caso é que o mundo explicado pela ciência, não é de modo algum, o mundo do dia-a-dia. E este aspecto influencia diretamente na capacidade de um texto de divulgação científica cumprir o seu papel.

Há algo no treinamento do cientista que torna noções como o heliocentrismo, ou inércia, ou evolução biológica, tão naturais que são, de certa forma, aceitos a priori. Embora de alguma maneira as bases para isso estejam no nosso sistema educacional, nenhum destes conceitos são naturais para o senso-comum.

Alguém pode achar absurdo eu estar defendendo que em pleno século XXI, as pessoas não achem natural a Terra estar se movendo ao redor do Sol, mas o ponto que quero defender é que ninguém acreditaria que a Terra é quem se move não fosse o caso de dizermos isso a elas desde crianças.

E assumir isso não significa considerar que as pessoas, com exceção dos cientistas, sejam todas intelectualmente inferiores. Não é preciso sequer fazer um exercício mental para entendermos esta noção. Se tomarmos a física de Aristóteles como exemplo, vamos compreender perfeitamente que ela era, basicamente, uma tentativa elegante de explicar o que o senso comum daquela época, e das épocas anteriores a ela, e de muitas outras épocas posteriores, via.

Qualquer indivíduo nascido na Grécia antiga olhava para o céu, e observava que em um período relativamente regular de tempo uma enorme esfera luminosa ia de um ponto a outro do céu, desaparecendo completamente por outro período relativamente regular. Não há nada neste tipo de observação que nos diga intuitivamente que estamos viajando ao redor desta esfera luminosa. Antes disso, é perfeitamente natural supor que é a dita esfera quem atravessa o nosso céu e que, portanto, esta girando ao redor do lugar aonde vivemos.

Isso evidentemente não impediu que, na mesma Grécia antiga, alguns indivíduos considerassem que era o Sol quem estava fixo e a Terra é que se movia ao seu redor. Mas essa não é uma noção natural, e como tal foi amplamente refutada por uma série de argumentos que, sob nossa perspectiva atual, estão errados.

Um destes argumentos é que se a Terra estivesse se movendo, isso resultaria em uma espécie de “força contrária”, que iria arrastar tudo o que estivesse em sua superfície na direção oposta ao movimento. Essa noção é, mais uma vez, perfeitamente natural. Vemos isso desde crianças, quando colocamos algum objeto em cima de um carrinho de brinquedo, por exemplo, e o empurramos. Se o objeto não estiver de alguma forma preso, irá, dependendo da força com a qual o empurramos, cair.

A experiência nos diz que é o Sol quem se move ao redor da Terra por que é isso o que vemos, e é isso que sentimos. E embora o mundo moderno nos diga o contrário, passamos a maior parte da vida assumindo essas noções tão antinaturais por mera argumentação de autoridade. Pergunte a uma criança se é a Terra ou o Sol quem está se movendo, e ela vai dizer que é a Terra. Pergunte o motivo, e ela vai dizer que foi o professor quem disse.

Pode-se argumentar que com a progressão pelo sistema educacional, as pessoas passam dos conceitos simples para conceitos mais complexos, compreendendo finalmente o heliocentrismo, e o motivo de não estarmos todos voando para fora da Terra, a despeito da velocidade com que ela se move. Mas ainda assim, meu ponto persiste, as pessoas eventualmente aprendem o conceito, mas continuam vivendo em um mundo aonde eles não são naturalmente intuitivos.

De certa maneira, é como se os cientistas vivessem em um planeta vizinho ao das pessoas que não estão envolvidas diretamente com a atividade científica. E ao mesmo tempo, os diferentes tipos de cientistas vivem em continentes separados em seu próprio mundo.

Fazer divulgação científica é, seguindo na metáfora do parágrafo anterior, como oferecer material “turístico”. Mostramos imagens do nosso mundo, dizemos como ele se parece, seus cheiros, suas cores, as diversões e as partes ruins. Convencemos as pessoas de que aquele lugar existe, e é, apesar dos problemas, um bom lugar para se visitar.

O divulgador de ciência deve ter em mente essa separação. Não podemos ser ingênuos ou arrogantes a ponto de pensarmos que se uma pessoa não acredita em evolução das espécies, por exemplo, o faça por ser dogmática ou por não compreender o processo, ou por desonestidade. Por vezes, aceitar qualquer teoria científica pode significar uma transformação mais profunda, uma mudança de mundo.

Divulgação científica feita sem a noção de que seu trabalho é, por vezes, apresentar um mundo estranho, pode acabar não atingindo seu objetivo e, por vezes, pode ser até prejudicial.

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Polegarcast #5: 200 anos de Charles Darwin

Polegar Cast está de volta para comemorar uma data muito especial. 200 anos do nascimento de Charles Darwin, o naturalista inglês que mudou de forma determinante a maneira como estudamos os seres vivos.

Neste podcast você vai ouvir:

00:00 Abertura, introdução e apresentação dos participantes;
01:50 Um pouco do background familiar de Charles Darwin;
06:00 Darwin e seu talento científico precoce;
07:00 A influência das irmãs de Darwin;
08:00 Darwin, química e a faculdade de medicina;
10:40 Uma desgraça para toda a sua família;
12:30 A viagem no Beagle;
15:30 Fritzroy e Darwin, uma amizade improvável;
16:00 O guia de sobrevivência da mulher no mar;
16:45 Darwin, uma moça no mar?
19:00 As coleções de Darwin;
22:32 A vida atribulada de Darwin;
24:30 Thomas Malthus e o insigth final;
25:00 Das influências que levaram à teoria evolutiva;
31:30 Darwin e suas ervilhas;
34:00 Darwin não vai pro céu;
35:00 A polêmica carta de Wallace;
35:40 Darwin, o idiota;
38:50 A origem das espécies;
40:00 O descendente do macaco;
41:00 Eventos em comemoração à Darwin.
42:00 “?”

Comentado durante o programa:
Revista Scientia Studia
Paper em portugues de Alfred Russel Wallace

Links para obras de Darwin:
Darwin’s Correspondence Project
The Complete Work of Charles Darwin Online
Darwin200

Links para as comemorações:
Dia de Darwin no Museu de Zoologia da USP
A evolução de Darwin (Calouste Gulbenkian – Portugal)

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A astrologia por uma cientista

Garotas na adolescência costumam ser atraídas pelas revistas de previsão astrológica. Eu as lia nas férias, especialmente aquelas que apontavam qual signo combinava com qual. Mas, um tanto científica desde então, decidi colocar aquilo tudo à prova pensando “vou namorar um menino de cada signo para ver se é verdade”.

Neste meio tempo resolvi estudar Astrologia seriamente. Respondi à professora logo na primeira aula que eu estava ali para me entender melhor e tentar entender os outros. Ela se apaixonou pelo argumento e, não fosse também psicóloga, além de taurina com a lua em escorpião, talvez a combinação não tivesse sido tão perfeita para eu entender a astrologia como uma ferramenta de análise Junguiana.

Mas eis o primeiro ponto – o astrologuês. Astrólogos de formação e bom senso sabem que, assim como um geneticista não espera que as pessoas conversem com ele sobre a tecnologia de microarrays ou RNA de interferência em seu dia a dia, não é possível esperar que as pessoas saibam o que significa lua em escorpião, marte em sagitário, vênus em capricórnio e assim por diante. Sabem também que horóscopo de jornal, site ou revista alguma é algo além de um conselho generalizado que se pode dar a qualquer pessoa, de qualquer signo. Aqui cabe o parêntesis engraçado de um amigo que nunca sequer estudou astrologia, mas trabalhou num jornal – ele recortava os conselhos dos signos de um dia, embaralhava, e os colocava em outros signos nos dias seguintes.

Por outro lado, ler um mapa astral é de uma complexidade tal que não infreqüente os astrólogos se perdem no antagonismo dos aspectos. É necessário considerar as posições e os significados das constelações, das casas, dos planetas e das relações entre eles. Analisar mapas de relacionamentos entre pessoas então, é exponencializar a complexidade de tal forma que dói nos ouvidos de um astrólogo que tenta fazer o melhor possível, ouvir as pessoas reduzirem a astrologia a um mero aspecto solar – o signo – e achar que sabem tudo a respeito de alguém, estigmatizando a pessoa por ser do mesmo signo de outra já conhecida. Isto fere completamente os princípios da Astrologia, pois como conclui, com um engenheiro astrólogo, a astrologia, assim como a genética, revela um conjunto de potencialidades das pessoas que podem ou não se manifestar. Estas potencialidades estão sujeitas ao ambiente e livre arbítrio de cada um, o que muda é a ferramenta (mapa genético ou astral) de observar estas potencialidades.

A astrologia é muito mais antiga que a genética, fruto de uma época em que Ciência e Misticismo eram quase a mesma coisa. Tem base na astronomia por se pautar nas efemérides para cálculos de posições de estrelas e planetas. Mas apesar disto, não é científica. Já a genética segue todo o rigor do Método. E nem por isso alguma delas é capaz de dizer quem exatamente seremos amanhã!

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Kepler, misticismo e a ciência asséptica

Johannes Kepler foi um grande gênio matemático. Deu fim a dois mil anos de astronomia, quando se valendo da idéia heliocêntrica de Copérnico e dos dados de posição dos astros de Tycho Brahe, postulou a orbita elíptica dos planetas. Além de se preocupar com a questão sobre o motivo dos planetas se moverem. Kepler também fundou a ótica moderna, e fez mais uma série de contribuições importantes para a ciência do século XVII.

Apesar de ser, a rigor, um cientista, seu “ethos” nada tinha de similar ao que se vê hoje em dia. Kepler era um homem de grande fé, e que se interessava por astrologia e qualquer outra atividade relacionada à matemática. Seus livros misturam todo o tipo de interesse que o alemão pudesse ter. É comum olhar para suas obras e ver asserções astrológicas, poemas, filosofia e etc.

Horóscopo feito por Kepler. Cloque para ampliar.

Mapa astral feito por Kepler. Clique para ampliar.

O curioso é ver como estas atividades que estão completamente afastadas da ciência moderna, por vezes banidas, com a exceção da filosofia, afetavam de forma positiva o desenvolvimento intelectual de Kepler. Sua famosa terceira lei, por exemplo, vem do livro A Harmonia do Mundo, aonde Kepler usa música pra determinar matematicamente o movimento dos planetas. Em determinada passagem ele chega a dizer que “a Terra canta Mi, Fá, Mi”, em uma clara sugestão à antiga idéia de que os planetas emitem sons.

Página do livro Harmonice Mundi. Clique na imagem para ampliar ou aqui para ir ao livro completo.

Página do livro Harmonice Mundi. Clique na imagem para ampliar.

Se tentasse publicar hoje em dia, Kepler seria ridicularizado. Teria que retrabalhar todo o seu texto para que ele não contivesse nem uma única vírgula sobre astrologia, ou mesmo música… O caso é que em dado momento, a ciência moderna se tornou um ambiente asséptico.

Há algo na formação do cientista que produz uma espécie de blindagem contra qualquer coisa que pareça minimamente mística, ou sem relação evidente com a ciência. Eventualmente essa atitude resulta, por parte do cientista, em um ranço exacerbado sob estas áreas. A justificativa usual é a de que não vale a pena perder tempo com bobagens sem sentido.

Mas o caso é que talvez essa blindagem seja mais prejudicial do que benéfica para a ciência. Vamos considerar por um instante que o trabalho do cientista seja, como proposto por Thomas Kuhn, o de resolução de problemas levantados pelas teorias. Tal atividade exige, com frequência, soluções criativas e, eventualmente, pouco usuais.

Um cientista despido de preconceitos certamente possui mais recursos cognitivos para atingir uma determinada solução. Não estou aqui dizendo que a ciência deva buscar soluções em atividades místicas ou religiosas. Estou dizendo que o contato com estas atividades pode levar o cientista a olhara para seus problemas sob novas perspectivas, antes inatingíveis por conta do preconceito.

Era o que Kepler fazia. Ao tentar ouvir a música dos planetas, viu que a razão entre o quadrado do período pelo cubo da distância é uma constante. O cientista que fecha seus ouvidos e seus olhos por um preconceito desnecessário, pode acabar mudo.

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