Muito se fala sobre filosofia da ciência, mas a relação da disciplina com a ciência do “dia a dia” por vezes não parece ser tão relevante. O cientista, absorto em suas pesquisas, nem sempre encontra tempo em suas atividades mentais para se questionar sobre seus próprios métodos. É provável que tal situação se sustente pelo ensino pouco flexível da ciência. Esta já era uma crítica de Thomas Kuhn , os jovens alunos são apresentados aos manuais criados por seus professores e pelos professores de seus professores. São inseridos nos “paradigmas”, ensinados a trabalhar sob o ponto de vista destes paradigmas. A despeito de como a ciência deveria funcionar, são desencorajados a questionar os paradigmas atuais em detrimento de uma visão progressista, historicamente duvidosa.
Por tudo isso, e por muitos outros motivos, a ciência moderna se fecha sobre si mesma. Os incentivos das instituições de fomento à pesquisa, os olhos da sociedade e até mesmo as premiações parecem valorizar muito mais as ciências aplicadas, relegando à ciência teórica uma visão de excentricidade. A ciência teórica esta mais para um velho hábito romântico, mantido por uns poucos idealistas ingênuos. A ciência moderna assumiu com força seu objetivo de ferramenta que busca as verdades sobre o mundo, deixando em segundo plano seu papel questionador.
A filosofia por outro lado, a despeito das transformações que sofreu nos últimos séculos, manteve sua capacidade questionadora. É por isso que a filosofia da ciência tem importância fundamental na ciência moderna. Por isso a resposta para a pergunta que dá nome a este texto é afirmativa. A ciência precisa de filósofos e da filosofia da ciência. Embora a reflexão crítica sobre seus próprios meios, ações e implicações seja de responsabilidade de todo cientista, é mais próprio da filosofia realizar essa movimento.
Isso não quer dizer, evidentemente, que a filosofia se coloca em uma posição superior à ciência, ou mesmo superior à qualquer atividade humana. Mas sua natureza menos rígida permite uma visão mais ampla sobre o objeto analisado, no caso, a ciência. Se faz necessário para a ciência moderna a recuperação de seus valores questionadores, afinal, foram esses valores que a colocaram em sua posição atual. E neste sentido, a filosofia é uma aliada mais que desejada.
Para saber mais:
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Thiago, eu admiro seu otimismo. Infelizmente só consigo pensar dessa maneira, enxergar essa importância que você dá à Filosofia como sendo otimismo…
Talvez porque eu esteja convivendo com dois tipos terríveis, professores de filosofia que a enxergam como distante do mundo, algo quase etéreo e puramente intelectual, e professores de ciências e outras áreas, cuja importância da filosofia se dá apenas quando o filósofo concorda com sua opinião. Quando não há concordância esperada a filosofia é desacreditada como “alienada” e sem importância. Enfim, invejo seu otimismo e sua segurança.
Abraço
Bárbara!!!
Não creio que exista outra saída senão voltar a associar os estudos de filosofia e ciência.
Saudações,
Júlio.
Babs, é um pouco de otimismo mesmo. Eu reconheço. E de fato, pelos motivos que vc bem colocou.
Mas eu tenho esperança de que essa onda materialista excessiva que a ciência enfrenta (estaria passando a filosofia por uma onda imaterialista excessiva?), diminua e a filosofia da ciência tenha mais voz ativa…
Prezado professor Thiago Henrique Santos,
Uma contribuição para o estudo da gravidade universal
Gravidade: tudo parece se passar como se…
Resumo: neste trabalho procura-se mostrar, por meio de um processo gráfico simplificado, que a interação gravitacional, se for considerada conseqüência da curvatura do espaço-tempo tal como estabelecido na Teoria da Relatividade Geral, prescinde da ação de força e da correspondente partícula portadora, diferentemente das demais interações fundamentais.
Meus cumprimentos pelo blog; abraços, G. G. da Silva
http://www.kosmologblog.blogspot.com/
Olá Thiago
Venho acompanhando seu blog a algum tempo, gosto muito de ciência embora seja totalmente leigo.
E gostei muito deste seu último tópico, por isso gostaria de saber se posso publica-lo (citando a fonte claro)em meu blog de filosofia, pois o tema é muito apropriado.
Desde já agradeço
Thiago, como o outro colega disse, realmente tem um certo otimismo sua colocação. No entanto, esse otimismo se traduz em realidade quando vemos exemplos como o seu, e também quando constato cientistas se debruçando na filosofia para exercerem suas pesquisas. Embora eu seja filósofo, não me acho detentor do ato de filosofar, pensando-o como condição humana em níveis existenciais diversos. Um cientista, em sua atividade, será tanto melhor e mais eficiente, a meu ver, quanto mais seu olhar se tornar filosófico enquanto trabalha. É óbvio que o aspecto técnico tem que estar sempre presente (para não viajar na batatinha demais rs), no entanto ele será apenas o modelo pelo qual sua “filosofia” irá perscrutar as possibilidades de sua atividade.
O que penso é que a filosofia jamais abandonou as ciências, elas nasceram juntas e estão amalgamadas no espírito humano. O que acontece é que agora ela não é feita tanto em separado. Andam juntas nas mesmas pessoas…
O caso da Filosofia da Ciência, no entanto, é necessário a meu ver, um certo distanciamento, pois de trata de um campo em que a atividade científica, inserida no método e no paradigma atual, dificulta uma visão mais crítica…
Abraços e parabens pelo Blog…
Thiago parabéns pelo post…
Concorda com a Barbara que a ciência precisa se reencontrar com a filosofia. Ciência e filosofia sempre caminharam juntas e só se dividiram na mente dos pensadores séculos atrás gerando uma ruptura que cria uma situação difícil. Acho que a necessidade de um reencontro se expressa pela física quântica. A ciência caminhou numa linha totalmente materialista e debruçanda cada vez mais sobre a matéria descobre agora que a matéria é feita basicamente de nada, espaços vazios, nuvem eletronica incompreensívele apenas explicada por modelos teoricos do qual o cientista não tem certeza, sendo sua resposta simplesmente: bem, por enquanto está funcionando bem, continuemos com ele. Há muitas coisas que a ciência não explica exatamente por estar presa ao como algo funciona e por isso nunca chega ao porque funciona.