A história da ciência, enquanto disciplina, é bastante recente. E seu surgimento se relaciona com a maneira como a ciência ganhou status a partir do século XVII. Há algumas questões relevantes para a disciplina. Por exemplo, o historiador da ciência deve ser um cientista de formação? Os núcleos de história da ciência devem estar atrelados aos departamentos de ciência ou de história?
São problemas que podem ajudar a compreender os rumos da disciplina até aqui, bem como tentar prever qual será o seu futuro. E existem partidários para todos os gostos. O fato é que os primeiros historiadores da ciência foram mesmo cientistas. O que parece ser um movimento natural, afinal ninguém é mais interessado em ciência do que o cientista.
Mas daí podem decorrer alguns problemas. O cientista provavelmente irá estudar a história de sua especialização. E ao se deparar com o passado, pode tentar compreendê-lo usando os conceitos presentes. Se assim o for, é quase certo que o cientista-historiador vai acabar “viciando” sua análise.
Esta é ao menos a opinião do historiador da ciência Kostas Gavroglu. Para ele, os primeiros historiadores da ciência cometeram o engano de narrar a ciência como uma iniciativa excepcional para o gênio humano. Desta forma, acabaram por criar uma série de mitos históricos que são tido como verdade, não só pelo senso-comum, como pela própria comunidade científica desavisada.
Um destes mitos é a clássica experiência de Galileu, que teria arremessado dois objetos de pesos diferentes ao mesmo tempo, de cima da torre de Pisa, pra testar algumas previsões aristotélicas sobre o movimento. O caso é que não existem dados históricos que indiquem que Galileu realizou qualquer experiencia na torre de Pisa, embora seja fato que ele tenha experimentado algumas das idéias de Aristóteles.
Embora existam outros exemplos emblemáticos de mitos sobre a história da ciência, todos eles seguem mais ou menos o mesmo padrão. Transformam a figura do cientista em um herói, capaz de resolver os problemas do mundo valendo-se unicamente de sua assombrosa capacidade intelectual.
Por outro lado, a perspectiva de que o historiador da ciência não seja um cientista não parece muito melhor. Embora aqui também hajam opiniões divergentes, sem a carga de conhecimento técnico científico o historiador pode não realizar o melhor dos trabalhos. Ou talvez seja o inverso, e seu afastamento da ciência lhe permita uma visão mais ampla da história da atividade.
O próprio Thomas Kuhn se deparou com estas questões ao estudar o passado da física. Como resultado de suas reflexões, acabou formulando a idéia sobre a incomensurabilidade. Mas esta, é outra história.
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Olha, só porque você mandou eu dizer isso, mas…
Vai tomar no Kuhn! (se fosse piada minha, não seria tão infame. Tá, tá, mentira… seria pior)
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