Louis Agassiz foi um dos mais importantes cientistas de sua época. Proeminente sistemata e paleontólogo, além de excelente administrador e divulgador científico, suas idéias originais forneceram inspirações incalculáveis para a Teoria da Evolução darwiniana. A ironia é que Agassiz não era evolucionista; ele combateu Darwin por toda a sua vida e definia espécies como “um pensamento de Deus”.
Agassiz foi aluno de nomes importantes como Humboldt e Cuvier, e recebeu atenção da comunidade científica primeiramente em 1833, com a publicação do primeiro volume de uma série de trabalhos tratando do estudo de peixes fósseis. Esse trabalho trouxe uma nova concepção à classificação dos organismos – a idéia de que seres fósseis também deveriam ser incluídos nos sistemas hierárquicos, como representantes inferiores de seus similares viventes. Isso foi incorporado no pensamento biológico de Agassiz em uma conclusão ainda mais fantástica: essa mesma gradação de formas inferiores até superiores, observada no registro fóssil, seria paralela, em qualquer táxon, à ordem de estágios de desenvolvimento do organismo e à sua distribuição e ecologia.
Assim Agassiz contribuiu para a universalização dos caracteres sistemáticos, isto é, ao proclamar tais paralelismos, ele foi o primeiro a sugerir que características gerais de um organismo fossem incluídas em sua classificação, além dos caracteres morfológicos e biogeográficos até então utilizados. Inconscientemente, ele ofereceu idéias que seriam mencionadas por Darwin para embasar a sua teoria da seleção natural e geraria o que seria proclamado como a teoria da recapitulação de Haeckel: “a ontogenia recapitula a filogenia”.
O curioso é que Agassiz jamais foi além da teleologia em seus estudos, sempre buscando desígno e planos divinos como explicações. Quando ele revolucionou a Geologia, ao hipotetizar geleiras enormes cobrindo continentes inteiros em outras épocas em eventos que ele chamou de glaciações, Agassiz não imaginava que, com isso, enterraria definitivamente as explicações bíblicas para as catástrofes mundiais (o pensamento geral, que influenciava massivamente a Biogeografia da época, era o de que o Dilúvio bíblico teria sido a última catástrofe a modificar a superfície terrestre, gerando a sua configuração atual). De fato, ele recusou a enxergar a incoerência que suas evidências trouxeram às explicações teleológicas, chamando as glaciações de “útlimas pragas de Deus”.
É difícil compreender a convicção teleológica de um homem como Agassiz, o mesmo homem que enxergou além das catástrofes relatadas na Bíblia e que fundou o Museu de Zoologia Comparada de Harvard, e que foi, provavelmente, o último cientista eminente a rejeitar ferozmente a evolução darwiniana. Dizem alguns que o motivo está em suas raízes, encontradas na filosofia natural, um sistema de pensamento alemão romântico, que procurava incorporar noções metafísicas à investigação científica. Apesar de Agassiz ter renunciado a essa filosofia, aparentemente a sua influência sobre ele nunca cessou. As influências exercidas nele pelas idéias de Cuvier, de que as espécies são fixas, imutáveis, e de que o homem está no topo da hierarquia do seres-vivos, certamente contribuíram para a sua teimosia. O que será que ele pensaria se soubesse que hoje é considerado um dos criacionistas que mais colaborou em favor do evolucionismo?
Inspirações e onde saber mais:
Louis Agassiz: página do Museu de Paleontologia, University of California, EUA. Curta biografia do cientista, citando seus principais trabalhos e atividades. (em inglês)
Agassiz (1869): Darwinism – Classification of Haeckel: Tradução feita por Paul J. Morris de um capítulo do livro de Agassiz, Essay on Classification, que contém a argumentação mais clara tratando das suas objeções em relação à evolução darwiniana. (em inglês)
Leia também:
Categoria: blog



Antes todo teísta fosse assim. Mas infelizmente o que acontece é o contrário. Hoje vemos muitos jovens nas faculdades de tecnologia inclusive em grupos teológicos com a visão totalmente turva para aspectos da ciência que não podem ser renegados como a teoria evolucionista e a educação. Gente que não pensa criticamente e acha que pensar se resume a tirar boas notas e passar para frente as frases feitas da teologia.
Engraçado como temos um caso parecido com o Sr. Alfred Russel Wallace. O homem teve papel fundamental no desenvolvimento da teoria evolutiva darwiniana. Sempre foi um defensor ativo da evolução.
Mas, em dado momento, começou a empregar algumas crenças do espiritismo. Até que por final passou a defender que a evolução age em um nível básico, mas em níveis mais complexos (como especiação por exemplo) ela deixa de funcionar, sendo Deus o responsável último pelo surigmento de novos seres.
Edilson, as "teorias de macroevolução" possuem uma quantidade bastante razoável de provas e, POR ISSO são consideradas teorias.
Você como matemático deveria saber que uma teoria, na ciência, não tem o mesmo significado que tem para o senso comum. Na ciência, teoria é uma hipótese que possue previsões que foram averiguadas. Este texto talvez te ajude a entender isso: http://polegaropositor.com.br/como-a-ciencia-func...
Em todo caso, não entendi o objetivo do seu comentário? Foi de negar a macroevolução apenas? Se sim, o que você sugere como uma boa substituição? Você também deve saber que não se abandona uma teoria científica POR NADA, é preciso ter algo para substituí-la, mas não só isso, é preciso que a substituta ofereça melhores resultados que a anterior. Recomendo este outro texto neste caso: http://polegaropositor.com.br/os-22-paradigmas-de...
Agora se seu comentário teve o intuito de sugerir que existe uma explicação mais simples para a macroevolução, peço que por gentileza você cite qual seria esta explicação. No mais, você chega a dizer que "se uma tese tem muitas excessões é bem provável que ela seja descartável", neste caso, quais seriam as muitas excessões das "teorias de macroevolução"?
No mais, não sei quais são as tão notáveis complicações da teoria macroevolutiva para que a ciência só a suporte por mero ego.
Abraços.
Acho que Louis Agassiz não era “cego” como o texto procura enquadrá-lo. Ele era um homem como qualquer um em busca de sua origem e por isso desenvolvia uma pesquisa séria sobre esse tema e observava as maiores provas da origem humana, a criação e a necessidade de haver um projetista. Sou matemático e sei muito bem quando digo que se uma tese tem muitas excessões é bem provável que ela seja descartável por não atender as necessidades do fenômeno sendo substituída muitas vezes por uma mais simples mais singela. Nesse ponto as teorias de macroevolução pecam pala falta de provas, dai ser encarada como apenas uma teoria.O homem precisa deixar seu ego de lado e aprender que as respostas são sempre muitissimo simples.