“Uma nova pesquisa sugere que as formigas são traiçoeiras, egoístas e corruptas, contrariando a imagem de insetos de convivência harmoniosa e com pré-disposição para colocar o bem da comunidade acima de preocupações pessoais”. Este é o primeiro parágrafo da notícia veiculada via G1. A despeito das informações referentes à pesquisa desenvolvida com as formigas, a reportagem incorre em um erro bastante comum. O chamado antropomorfismo.
O antropomorfismo consiste no ato de atribuir características humanas a qualquer animal. Usando o próprio texto do G1 como exemplo, podemos observar que o autor acusa as formigas de serem “traiçoeiras”, “egoístas” e “corruptas”, valores humanos criados para definir traços comportamentais típicos de nossa espécie. A questão é que, apontar traços humanos como resultado de uma pesquisa sobre formigas não é correto.
Observar o comportamento animal não é exatamente uma novidade. Por vezes eles se comportam de maneira muito semelhante à nossa, advém disso usarmos características humanas para nomear determinados comportamentos em animais. No entanto, não se pode afirmar que um animal esteja sendo “corrupto”, só porque determinado comportamento se parece com a corrupção na humanidade.
Paradoxalmente existe um outro princípio conhecido por antroponegação. Este princípio atesta, que não podemos negar aos animais características humanas. Ou seja, não podemos dizer que os animais não possuem comportamentos egoístas, ou de corrupção. Mas, se não podemos negar uma característica humana nem podemos atribuir características humanas, como resolvemos?
A resolução é simples. Cabe a nós apenas observar o comportamento e deixar de lado qualquer interpretação sobre a natureza deste comportamento. Se observamos formigas operárias beneficiando seus próprios ovos em detrimento dos ovos da rainha, devemos nosater à descrição do comportamento sem que nenhuma interpretação seja realizada. Em verdade, só podemos interpretar o comportamento em um nível básico, na tentativa de compreender a importância evolutiva que ele possui.
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Acho o máximo quando o escritor se empolga e fala mal do objeto de estudo sem reparar que nossos valores morais não valem nada para eles… coisa de quem assiste marcha dos pinguins demais!
Fala, Thiago!!!
Então, lendo o texto concordei com quase tudo, só achei estranho você mencionar que devemos observar o comportamento sem interpretá-lo. Mas sem interpretação não deixamos de aproveitar qualquer conhecimento que ele traga? Eu entendi o que você quis dizer no sentido de evitar “julgamentos”, foi isso mesmo ou o buraco das formigas é mais embaixo? rs
Interpretar algo: explicar, entender o sentido de algo. Julgar: fazer um juízo crítico sobre algo.
Não sei, sinto que interpretar é o grande sentido de tudo, e o erro está em fazer juízo crítico (certo ou errado, corrupto ou honesto) que são na verdade juízos de valores… Viajei?
Ogro, tem razão. Juízo é uma palavra melhor pra definir o que eu quis dizer. Vc entendeu certinho
Abraços.
Fico tão feliz quando descubro que não sou tão retardado quanto eu pensava!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
o conceito de antroponegação neste texto está completamente errado. Antroponegação seria o contrário. A antroponegação é uma corrente contra o antropomorfismo. Ou seja, eles ignoram a comparação entre as similaridades comportamentais em animais e humanos. 'While it is true that animals are not humans, it is equally true that humans are animals. Resistance to this simple yet undeniable truth is what underlies the resistance to anthropomorphism. I have characterized this resistance as anthropodenial, the a priori rejection of shared characteristics between humans and animals. Anthropodenial denotes willful blindness to the human-like characteristics of animals, or the animal-like characteristics of ourselves (de Waal 1999).
Assim, nada pessoal.