Sobre o Autor
Fernanda Ramirez
 
Uma citação:  

A Second Life da Divulgação Científica

julho, 2008

Orkut, Facebook, Flickr, Myspace, Live Journal, Twitter, fotologs e weblogs ou blogs rompem as fronteiras geográficas e conectam pessoas mundo afora. Nesta nova relação do tempo com o espaço, as proximidades intelectuais acompanham uma sociedade em constante, rápida e permanente mudança. Também a Second Life, na onda das realidades virtuais, entra para discutir a dimensão das vidas on e off-line.

Com o avanço ponto.com é fato que a velocidade com que as relações acontecem difere do passado e nem tudo é tão híbrido como nem tudo o que está na rede é, de fato, uma comunidade virtual. Neste aspecto, tanto a vida medida em pixels e bits quanto a vida fora da web entram em acordo: as comunidades, quando deixam de ter um caráter cooperativo calcado em projetos comuns aos participantes ou quando estes não estabelecem um sentimento de pertencimento a elas, tornam-se apenas um agrupamento de pessoas, uma rede de conexões. Precisam estar mais além.

Nos dias de hoje é praticamente indiscutível: o virtual e o real se cruzam a todo instante e a divulgação científica também não está só na interface de lá ou só no lado de cá. Na Web 2.0, cujo conteúdo é o produzido pelo próprio usuário, as wikis – ferramenta colaborativa de construção de hipertexto – e os softwares com licença Open Source – cujo código fonte fica disponível na rede – criaram uma nova proposta de gerenciamento da informação. Para este segmento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), a idéia é colaborativa. É o caso da plataforma Moodle – um Sistema de Gerenciamento de Aprendizagem (SGA) – e da plataforma S.E.E.R, um Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas. Ambos estão voltados à aprendizagem e pesquisa e encabeçam a lista dos chamados Recursos Educacionais Abertos (REA), mais conhecidos por sua sigla em inglês OER (Open Educacional Resources).

A internet, ao oferecer estas ferramentas e outras como o YouTube – um site que permite que seus usuários carreguem, assistam e compartilhem vídeos em formato digital – cria uma nova forma de divulgação científica na medida em que milhões de pessoas se entretém, educam e se informam de uma maneira como nunca foi vista. A disseminação do movimento Conteúdo Aberto, baseado então no movimento FLOSS (Free Libre and Open Source Software), gera um grande motivador para os avanços da divulgação científica em meio digital.

Para corroborar, surge a Creative Common License, uma licença baseada no conceito de que é preciso criar e disponibilizar uma grande quantidade de informações e conteúdos de forma que assegure e sustente a criatividade e o ineditismo do autor. Com uma rápida aceitação dos internautas que produzem conteúdo diferenciado na web, a licença ganhou os sites pessoais e blogs. Estes últimos, que há muitos anos deixaram de ser um simples diário virtual para se transformarem em local de debate através de conteúdos específicos e temas polêmicos, ganham novo fôlego e impulsionam novos usuários a criarem seus próprios espaços para a veiculação de suas idéias.

Nota-se que ainda compõe o ciberespaço a Comunicação Mediada por Computador (CMC). Trata-se dos usuários emissores e receptores de e-mails, newslatters, fóruns, quadros de avisos ou scrapbooks, salas de bate-papo ou chats, assinantes de feeds que frequentemente comentam em blogs. São redes que se criam e que não se prendem geograficamente já que o internauta escolhe seu grupo pelo conteúdo e raízes. Bom para a divulgação científica, dentre outras coisas.