Sobre o Autor
Laura Rocha Prado
 
Uma citação:  

Remédios naturais

março, 2009

Imagine que você está com uma dor-de-cabeça terrível e que pode escolher entre dois remédios igualmente eficientes: um comprimido e um chá feito com cascas de árvore. Qual dos dois você preferiria, sabendo que ambos resolverão o problema da mesma maneira? Em princípio não haveria razão para preferir um ou outro método, a não ser pela facilidade de ingestão – há quem tenha dificuldade de engolir comprimidos, outras pessoas detestam chá… No entanto, tenho certeza de que uma grande proporção das pessoas escolheria o chá com a mesma justificativa: é que o chá é natural…

Primeiro vamos entender o conceito de “natural” utilizado nesse pensamento. Um comprimido obviamente é uma substância química manipulada pelo farmacêutico, humano, e, portanto, não veio pronto da natureza. Já o chá é apenas alguma parte vegetal preparada em água quente e portando todas as suas características originais, sendo, assim, natural.

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O IgNobel não é o Framboesa de Ouro

outubro, 2008

 

Nos últimos dias os brasileiros que acompanham o noticiário e que não conheciam o Prêmio IgNobel de Ciência definitivamente agora sabem pelo menos que ele existe: é que saiu em todos os cantos que um cientista brasileiro foi agraciado com a honraria na área de Arqueologia, com seu trabalho a respeito do fato de que tatus podem bagunçar as camadas de sedimentos em sítios arqueológicos, confundindo a identificação correta de cada estrato à sua idade relacionada.  Provavelmente esses mesmos brasileiros que acompanharam o noticiário recentemente também acompanharam a entrega de outro prêmio satírico: o Framboesa de Ouro, que ironiza o Oscar. Este último trata de esculhambar atuações muito ruins de celebridades que ganham muito dinheiro – “honrando anualmente o que Hollywood tem de pior a oferecer”.

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Telefone-sem-fio em divulgação científica

maio, 2008

A brincadeira do telefone-sem-fio consiste em formar uma fila de pessoas, que transmitem umas às outras uma frase originalmente criada pela pessoa de uma das extremidades, até chegar no último da fila. A graça do jogo está no fato de que quase nunca a frase recebida pela outra extremidade será idêntica à original, e isto se deve, obviamente, a pequenas mudanças cumulativas transmitidas a cada pessoa da fila.

Assim acontece com todos os tipos de informações transmitidas em uma cadeia de componentes, se cada intermediário não for comparado ao original. É por esta razão que a divulgação científica deve ser meticulosa e sempre fornecer dados mais próximos aos originais, já que o seu público-alvo, em geral, não terá interesse ou acesso às informações a partir das quais a notícia foi gerada.

Recentemente foi publicado um artigo na célebre revista científica Nature, cujo título pode ser traduzido para “Análise genômica do ornitorrinco revela características evolutivas singulares”. Como o nome indica, o trabalho, assinado por cerca de cem cientistas, apresenta um estudo pormenorizado da constituição genética de um ornitorrinco. O estudo é interessante, porque analisa o DNA de um animal sempre considerado esquisito e compara-o a outras linhagens de vertebrados para inferir algo sobre sua história evolutiva – verificar se eles são mais semelhantes aos outros mamíferos ou aos répteis, por exemplo.

Apesar de ter um bico semelhante ao de um pato, de colocar ovos e de possuir veneno em uma estrutura parecida como uma espora, o ornitorrinco é incluído pelos sistematas no grupo dos mamíferos monotremados, considerados irmãos do grupo que contém os marsupiais (cangurus, gambás) e os eutérios (mamíferos mais populares, incluindo os primatas). Entretanto, é importante lembrar que, tanto os monotremados, quanto os demais mamíferos originaram-se a partir de um ancestral compartilhado também com os répteis (e aves).

Agora vejamos o que foi divulgado (de ruim) na mídia eletrônica a respeito do artigo. A manchete no portal Terra (recebido a partir da AFP – Agence France-Presse),  era: “Ornitorrinco é confirmado como ave, réptil e mamífero”. No portal G1 da Globo saiu: “Genoma do ornitorrinco é mistura inusitada de réptil, ave e mamífero”.

O primeiro texto chega a ser engraçado, porque dá, a todo instante, a impressão de que o ornitorrinco é um tipo de híbrido inclassificável e que, pior, isto é claramente verificável em seu código genético. Logo na introdução lê-se que “Estudos sobre o genoma do ornitorrinco (…), apontaram que o animal é, ao mesmo tempo, um réptil, um pássaro e um mamífero, segundo relatório publicado pela revista Nature”. Como já vimos, isso é um absurdo! O ornitorrinco não é uma mistura de réptil, pássaro e mamífero – o ornitorrinco é um mamífero! Prontamente nota-se que o autor do texto não sabe nada sobre mamíferos e tampouco leu o artigo original, o qual esclarece, já na introdução, a posição real do ornitorrinco no Reino Animal. Provavelmente a notícia é produto de um telefone-sem-fio muito do sem-vergonha.

Já a segunda notícia é um pouco melhor esclarecida, apesar de transmitir a idéia não totalmente errônea de que o genoma do ornitorrinco é um retalho de pedaços de origens diversas. Acontece que qualquer mamífero possui, em seu DNA, trechos comuns a outros mamíferos e até a outros animais completamente diferentes como, por exemplo, às estrelas-do-mar. Esses genes são considerados “conservados” para os animais que os possuem e revelam uma provável relação de parentesco evolutivo entre eles. Por isso é que se diz que entre o ornitorrinco e os outros mamíferos há cerca de 80% de DNA compartilhado e entre chimpanzés e humanos, por exemplo, mais de 95% de DNA compartilhado. Quanto maior for a porcentagem de DNA compartilhado, maiores as chances de as duas espécies (ou, quando for o caso, os indivíduos) compartilharem também um ancestral evolutivo recente. Assim, a manchete dá a entender, novamente, que o ornitorrinco é um híbrido genético de répteis, pássaros e aves – mas se isso for verdadeiro, então também o é para todos os mamíferos, já que compartilhamos um ancestral recente com os reptilianos (e aves)!

Mais curioso do que essas interpretações limitadas dos resultados publicados é o fato de que quase não há informação prática nos artigos de divulgação relacionados. Não há, nos dois textos mencionados, sequer uma explicação que fundamente o resultado alardeado na manchete. A razão para isso é óbvia: não há explicação! O artigo original apenas menciona a origem genética das características aparentemente reptilianas e as considera meras convergências evolutivas – isto é, características que são semelhantes àquelas encontradas nos reptilianos, mas que não são herdadas deles e que foram desenvolvidas de maneira independente pelo ornitorrinco por causa de uma pressão de seleção parecida àquela encontrada pelos répteis.

Maldito seja o telefone-sem-fio na divulgação da ciência!

Um texto exemplar deve também ser mencionado: o post “Saiu o genoma do Ornitorrinco!”, de 7 de maio desse ano, do blog Brontossauros em meu jardim tem explicações simples e inteligentes.

Fontes e mais textos para comparar:

Genome analysis of the platypus reveals unique signatures of evolution : disponível em .pdf (em inglês). Artigo original, publicado na revista Nature por Wesley C. Warren e colaboradores.

Ornitorrinco é confirmado como ave, réptil e mamífero: notícia divulgada no portal Terra (recebido a partir da AFP – Agence France-Presse) mencionado no texto, ruim.

Genoma do ornitorrinco é mistura inusitada de réptil, ave e mamífero: Saiu no portal G1 da Globo, por Reinaldo José Lopes, mencionado no texto, não tão ruim.

Genoma explica ‘estranheza’ do ornitorrinco:  Da Agência BBC, por Helen Briggs, manchete razoável, conteúdo muito superficial e pouco informativo (traduzido para o português).

Agassiz e a cegueira teleológica

maio, 2008

Louis Agassiz foi um dos mais importantes cientistas de sua época. Proeminente sistemata e paleontólogo, além de excelente administrador e divulgador científico, suas idéias originais forneceram inspirações incalculáveis para a Teoria da Evolução darwiniana. A ironia é que Agassiz não era evolucionista; ele combateu Darwin por toda a sua vida e definia espécies como “um pensamento de Deus”.

Agassiz foi aluno de nomes importantes como Humboldt e Cuvier, e recebeu atenção da comunidade científica primeiramente em 1833, com a publicação do primeiro volume de uma série de trabalhos tratando do estudo de peixes fósseis. Esse trabalho trouxe uma nova concepção à classificação dos organismos – a idéia de que seres fósseis também deveriam ser incluídos nos sistemas hierárquicos, como representantes inferiores de seus similares viventes. Isso foi incorporado no pensamento biológico de Agassiz em uma conclusão ainda mais fantástica: essa mesma gradação de formas inferiores até superiores, observada no registro fóssil, seria paralela, em qualquer táxon, à ordem de estágios de desenvolvimento do organismo e à sua distribuição e ecologia.

Assim Agassiz contribuiu para a universalização dos caracteres sistemáticos, isto é, ao proclamar tais paralelismos, ele foi o primeiro a sugerir que características gerais de um organismo fossem incluídas em sua classificação, além dos caracteres morfológicos e biogeográficos até então utilizados. Inconscientemente, ele ofereceu idéias que seriam mencionadas por Darwin para embasar a sua teoria da seleção natural e geraria o que seria proclamado como a teoria da recapitulação de Haeckel: “a ontogenia recapitula a filogenia”.

O curioso é que Agassiz jamais foi além da teleologia em seus estudos, sempre buscando desígno e planos divinos como explicações. Quando ele revolucionou a Geologia, ao hipotetizar geleiras enormes cobrindo continentes inteiros em outras épocas em eventos que ele chamou de glaciações, Agassiz não imaginava que, com isso, enterraria definitivamente as explicações bíblicas para as catástrofes mundiais (o pensamento geral, que influenciava massivamente a Biogeografia da época, era o de que o Dilúvio bíblico teria sido a última catástrofe a modificar a superfície terrestre, gerando a sua configuração atual). De fato, ele recusou a enxergar a incoerência que suas evidências trouxeram às explicações teleológicas, chamando as glaciações de “útlimas pragas de Deus”.

É difícil compreender a convicção teleológica de um homem como Agassiz, o mesmo homem que enxergou além das catástrofes relatadas na Bíblia e que fundou o Museu de Zoologia Comparada de Harvard, e que foi, provavelmente, o último cientista eminente a rejeitar ferozmente a evolução darwiniana. Dizem alguns que o motivo está em suas raízes, encontradas na filosofia natural, um sistema de pensamento alemão romântico, que procurava incorporar noções metafísicas à investigação científica. Apesar de Agassiz ter renunciado a essa filosofia, aparentemente a sua influência sobre ele nunca cessou. As influências exercidas nele pelas idéias de Cuvier, de que as espécies são fixas, imutáveis, e de que o homem está no topo da hierarquia do seres-vivos, certamente contribuíram para a sua teimosia. O que será que ele pensaria se soubesse que hoje é considerado um dos criacionistas que mais colaborou em favor do evolucionismo?

Inspirações e onde saber mais:

Louis Agassiz: página do Museu de Paleontologia, University of California, EUA. Curta biografia do cientista, citando seus principais trabalhos e atividades. (em inglês)

Agassiz (1869): Darwinism – Classification of Haeckel: Tradução feita por Paul J. Morris de um capítulo do livro de Agassiz, Essay on Classification, que contém a argumentação mais clara tratando das suas objeções em relação à evolução darwiniana. (em inglês)

Ciência básica: “então, mas você vai estudar isso pra quê?”

maio, 2008

Para muitos, senão quase todos, escolher a profissão é um privilégio incalculável. Em geral a opção deve considerar a remuneração, especialmente quando se vai para a universidade passar um tempo financeiramente improdutivo. Acho que é assim que se explica a enorme quantidade de gente estudando alguma engenharia – e, também, a enorme fração de engenheiros que penduram seus diplomas trabalhando em bancos internacionais. Os salários compensam.

Já empregar-se em ciência, em geral, não vai fazer ninguém enriquecer. Tampouco há incentivos para ser cientista no Brasil, já que a regra é estudar muito (somando-se a graduação e a pós-graduação, pode-se calcular uma média de 10 anos de dedicação integral à formação acadêmica) e ganhar muito pouco ou, às vezes, nada. A especialização científica é quase que totalmente estimulada pelas instituições públicas e as bolsas são de baixo valor, têm pouca duração e sua concessão é, muitas vezes, incerta. Apesar disso, eu conheço muitos cientistas felizes e, talvez isso se deva ao fato de que eles atenderam à sua vocação quando escolheram a carreira.

Estima-se que, entre 1985 e 1990, somente 10 títulos de pós-graduação tenham sido concedidos a cada milhão de habitantes no País, o que faz do cientista brasileiro uma espécie rara. Minorias geralmente recebem estereótipos mais facilmente – então aqui estamos, com nosso exemplar de cientista maluco, inteligência muito acima da média, cabelos revoltos, óculos de fundo de garrafa, projetos absurdos, linguajar incompreensível. Como a divulgação do conhecimento científico produzido é muito restrita, tem-se a impressão de que a ciência é inatingível ou, até mesmo, inútil. Outra idéia que se faz do cientista é a de que ele é fundamentalmente um utilitarista, alguém que projeta coisas – o que representa essencialmente a função da pesquisa chamada aplicada. Normalmente ignora-se a existência de um outro tipo de pesquisa, a que trata da ciência básica. Por causa disso, o cientista que faz pesquisa básica deve ser um pouco mais paciente quando explica aos outros a sua profissão. Tomemos o meu exemplo:

– E aí, minha filha, então quer dizer que você se formou em biologia, é?
– É…
– E agora, vai fazer o quê? Já arranjou emprego?
– Não, então, eu vou fazer pós-graduação agora. Quero ser pesquisadora e tal…
– Ah, legal, que chique. E você vai estudar o quê?
– Quero me especializar em Zoologia – que é o estudo dos animais. Vou estudar um   gênero de besouros, basicamente eu vou analisar tudo o que puder sobre eles e classificá-los.
Nossa, besouros? Que nojo, mas, enfim, tem gosto pra tudo. Você vai classificar os besouros, então. Mas, explicaí, pra quê, hein?
Hum, no meu caso é porque eu quero ser especialista em besouros, mas como os besouros são muuuitos (sabia que os besouros representam, em número de espécies, quase 1/4 de todos os seres-vivos do mundo?), eu tive que escolher um grupo menor, no caso família. Tem muito besouro e a gente não sabe quase nada sobre eles. Um dia eu quero contribuir com o conhecimento sobre eles, mas a gente tem que começar pequeno, com um gênero, depois é que vai aumentando o grau de classificação.
Ah, tá, mas o que os seus besouros fazem? São aqueles rola-bosta?
– Não, não, os meus besouros geralmente comem plantas, todas as partes das plantas.   Eles fazem parte de uma família que se chama Chrysomelidae. Os rola-bosta são de uma outra família. Eu ainda não sei o que os meus besouros fazem, isso faz parte da pesquisa, mas sei que uns parentes muito próximos deles são pragas de feijão, batata, soja…
Aaaaaaah, agora entendi. Então você vai encontrar um jeito de acabar com eles, né?

Os interesses científicos são, por várias vezes, considerados extravagantes. Em parte a culpa é dos próprios cientistas, que não explicam ao público leigo de que se tratam as suas pesquisas. Por que é que uma pessoa comum acharia útil financiar com recursos públicos a pesquisa de uma lunática fascinada por besouros? “Ah, muito bem, então agora vou pedir que o governo me pague pra que eu jogue bola!”. Como Carl Sagan já mencionou, o consenso popular é de que “(…) Não é o caso de subsidiar a curiosidade dos nerds, mas aquilo que trará benefícios à sociedade”. Eu poderia usar o argumento do meu interlocutor, de que vou encontrar maneiras de acabar com o meu besouro, já que ele é uma praga agrícola em potencial, mas isto não é verdade, o meu projeto trata de uma fase anterior à essa. Para acabar com o besouro, é necessário saber quem ele é, onde ele vive e como ele vive – esses são os verdadeiros objetivos do meu trabalho. Pode ser que eu descubra que ele não é praga de nenhum cultivar importante, e é aí que reside o princípio fundamental da ciência básica: a sua aplicabilidade, quando existente, é sempre futura.

Defender a priorização de recursos para a aplicabilidade imediata do conhecimento científico é o mesmo que dizer, em um exemplo grosseiro, que encontrar a cura do câncer é mais importante do que conhecer a biodiversidade do planeta. Em lógica, isso representa uma falácia – um argumento falso deduzido a partir de uma premissa contestável. Aqui, a premissa seria a de que o bem-estar da humanidade não depende do ambiente em que ele vive. Sabemos que isso não é verdade, o homem não existe se não existir Planeta Terra e o conhecimento a respeito de sua biodiversidade é fundamental para entender o seu funcionamento geral. Assim, o que temos, em verdade, é que os dois interesses são igualmente significativos – o que, por consequência, coloca ciência básica e aplicada em um mesmo patamar.

O que aconteceria se o pensamento imediatista fosse sempre a regra? Sagan cita exemplos históricos imaginando essa situação:

“(…) Um certo sr. Fleming deseja estudar micróbios num queijo fedorento; uma polonesa deseja analisar minuciosamente toneladas de minério da África central, para descobrir quantidades diminutas de uma substância que, segundo ela, brilhará no escuro; um certo sr. Kepler deseja escutar a música dos planetas.”

O resultado seria catastrófico, porque, afinal:

“Maxwell não estava pensando no rádio, no radar e na televisão quando rabiscou as equações fundamentais do eletromagnetismo; Newton nem sonhava com vôos espaciais ou satélites de comunicações quando compreendeu pela primeira vez o movimento da Lua; Roentgen não cogitava em diagnóstico médico quando investigou uma radiação penetrante tão misteriosa que ele a chamou de “raios X”; Curie não pensava na terapia do câncer quando extraiu a duras penas quantidades diminutas de rádio do meio de toneladas de uraninita; Fleming não planejava salvar a vida de milhões com antibióticos quando observou um círculo sem bactérias ao redor de uma formação de mofo; Watson e Crick não imaginavam a cura das doenças genéticas quando tentavam decifrar a diafratometria dos raios X do DNA; Rowland e Molina não planejavam implicar os CFCs na diminuição da camada de ozônio quando começaram a estudar o papel dos halógenos na fotoquímica estratosférica.”

É engraçado que as pessoas perguntem, sem acanhamento, o “pra quê?”. Parece mais fácil aceitar uma profissão do tipo “personal coach” (o que é isso, afinal???) do que uma profissão como “taxonomista”, “físico de partículas” ou “filósofo”. Infelizmente o acesso até aos conhecimentos científicos mais simples ainda é incrivelmente restrito. Por isso eu não fico mais brava quando me perguntam “pra quê?”, mas tenho sinceras esperanças de que uma dia essa pergunta seja considerada quase que uma falta de respeito.

Inspirações e onde saber mais:

Carl Sagan. O Mundo Assombrado Pelos Demônios: No capítulo 23 (Maxwell e os nerds), com explicações detalhadas sobre as descobertas revolucionárias do grande físico Maxwell, Sagan discute o estereótipo do cientista nerd, a ciência básica e as políticas de inovação científica dos últimos anos nos países de primeiro mundo.

Simon Schwartzman. Pesquisa acadêmica, pesquisa básica e pesquisa aplicada em duas comunidades científicas: Diretor-presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), Schwartzman analisa as definições dos modelos de pesquisa e suas implicações políticas.

Oswaldo Ubríaco Lopes. Pesquisa básica versus pesquisa aplicada: Professor do Departamento de Fisiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Lopes discute brevemente a antiga guerra entre as áreas de pesquisa.