Sobre o Autor
Thiago Henrique Santos é biólogo por acidente, divulgador de ciência por paixão, filósofo da ciência por opção. Atualmente é editor chefe do blog de divulgação científica Polegar Opositor. Também acabou de concluir o mestrado em História e Filosofia das Ciências pela Universidade de Lisboa. Tem por interesse mais recente a chamada Ciência 2.0 e de que maneira ela afeta essa atividade apaixonante que é a ciência.
 
Uma citação:  "Torna-te quem tu és" - Nietzsche, F.

Autonomia e Neutralidade Científica.

dezembro, 2007

Os mais diversos métodos científicos, mais notadamente os positivistas e os racionalistas, com frequência defendem que a ciência deve ser autônoma, neutra e imparcial. O filósofo Hugh Lacey possui uma série de ótimos ensaios sobre o tema, e uma proposta bastante particular sobre a ciência moderna. Lacey também diz que destes três valores, apenas a imparcialidade ainda é mantida.

Para compreendermos o raciocínio de Lacey é preciso antes entender como ele define os três valores. A imparcialidade diz respeito aos meios em que teorias científicas são escolhidas ou priorizadas em detrimento de outras. Essa seleção de teorias é feita através de um método bem definido, que elege uma série de critérios e que são a base da seleção das teorias. Como todas as hipóteses e teorias devem se enquadrar a este método e satisfazer seus critérios, o processo torna-se imparcial. A neutralidade se refere aos valores externos ao método científico. Valores sociais e morais, por exemplo, não deveriam afetar as ações da ciência. Uma descoberta científica ou uma pesquisa qualquer não deve beneficiar interesses e valores. Em tese a ciência não tende para o bem ou para o mal, tende para o neutro. A autonomia atesta que cabe a ciência decidir suas próprias prioridades e seus próprios meios.

Pela breve explicação acima é possível chegar a certas conclusões. De fato a imparcialidade parece estar garantida. Não importa qual método científico seja mais aceito, nem mesmo importa que ele deixe de ser aceito em detrimento de outro, as escolhas das teorias científicas sempre serão baseadas em critérios fixos estabelecidos pelo método. Tal processo garante a imparcialidade.

Já a neutralidade esta bastante comprometida. Na verdade, acredito que a neutralidade só é possível epistemologicamente. quando chega ao plano de aplicação seu conceito simplesmente não se enquadra ou não é obedecido. É primeiro preciso lidar com os valores morais, éticos e culturais do próprio cientista. Esses valores não são universais normalmente indissociáveis do indivíduo. ora, um cientista não irá realizar pesquisas que vão de encontro ao seus valores, ao menos não por vontade própria.

A autonomia científica passa pelo mesmo processo de comprometimento. O cientista não desenvolve suas pesquisas de forma independente, sofre influencia de pressões sociais e interesses comerciais. Problemas que acometem a espécie humana, como doenças pandêmicas (AIDS, gripe aviária), com efeito provocam uma pressão social para a busca pela solução do problema. Da mesma forma, interesses comerciais acabam guiando a ciência em direções específicas. Todo cientista precisa de financiamento, e ninguém financia nada que não irá trazer retorno financeiro. As pressões sociais e as limitações de financiamento acabam por limitar a autonomia da ciência.

Devemos observar que a epistemologia de Lacey permite o confrontamento de suas definições com a aplicação em um “mundo real”, e desta capacidade de confrontamento que vem o apelido de “epistemologia engajada”.

Em todo caso, é importante lembrar que a ciência é uma atividade humana como qualquer outra. Não se trata de algo especial, trata-se apenas de uma maneira de entender o mundo físico e de como interagir com ele.

O pequeno problema da mídia.

novembro, 2007

O pequeno problema da mídia é que toda notícia é, antes de qualquer coisa, um produto a ser vendido. Hipoteticamente não haveria problema algum com isso, não fosse o fato de a notícia ser processada, como se fosse matéria prima, e vendida em uma embalagem bonita, como se fosse um pacote de salgadinhos. Um bom exemplo disso foi a recente publicação de um estudo que demonstrava uma forma de se conseguir células tronco polivalentes (células tronco capazes de se transformarem em qualquer tido de célula, com exceção dos anexos embrionários.), hoje extraídas apenas de embriões, usando células da pele.

Eu tive a oportunidade de receber a notícia através do Jornal Nacional da Globo. A reportagem anunciava o fato, dizendo rapidamente algo sobre a técnica empregada e em seguida alardeando que esta deve ser a maior descoberta, no campo de pesquisa com células tronco, dos últimos tempos. A reportagem seguia ainda mostrando todos os benefícios do tratamento com células tronco polivalentes, passeatas de pessoas com problemas físicos que teoricamente só poderiam ser resolvidos com o uso de células tronco e encerrava com o aval do Vaticano sobre a nova técnica. No dia seguinte, o mesmo Jornal Nacional, no mesmo horário, divulgou uma outra matéria.

O anuncio da matéria dizia que “cientistas brasileiros olham com cautela para a nova técnica que transforma células da pele em células tronco embrionárias”. O que o Jornal Nacional não disse foi que provavelmente TODOS OS CIENTISTAS SÉRIOS DO MUNDO estão olhando com cautela para o novo método, possivelmente até seus descobridores estão cautelosos. Mas já estava feito. Após as matérias do Jornal Nacional todo o tipo de revista, reportagem, entrevista e mesa redonda foi feito sobre o tema.

A notícia virou produto e muita informação circulou nos dias subsequentes. A questão é, qual era a qualidade da informação vendida? Há motivos para alardear tanto uma descoberta científica? Quais os interesses por trás disso tudo? Difícil responder tais questões. É possível afirmar apenas que a técnica é muito interessante por resolver o maior problema do estudo com células tronco hoje, a questão moral sobre os embriões. No entanto a descoberta é recente e não sabemos suas consequências.

A técnica usada para transformar as células de pele em células tronco é a manipulação de genes, e a manipulação de genes não é algo exatamente previsível. Em geral, erros na manipulação inviabilizam a célula modificada. No entanto, não há motivos pra crer que a manipulação desses genes seja de todo segura. Outra questão é de que o uso terapêutico de células tronco embrionárias em animais com frequência resulta em um câncer com resultados fatais e não na cura para a doença tratada. Este é o motivo para todos os cientistas estarem cautelosos sobre a nova técnica, e é por isso que os meios de mídia deveriam ser mais cautelosos ao divulgar a descoberta.

Que vendam seu produto, mas que o façam de forma responsável, especialmente no que diz respeito a novas descobertas científicas. Quanto a nova técnica, sejamos cautelosos, mas vamos torcer para que ela possa se desenvolver de forma a trazer os benefício esperados.

Mais um pouco sobre raças.

novembro, 2007

Este tema já foi discutido aqui, e por isso mesmo deixo a simplicidade de lado e me aprofundo um pouco mais no assunto. Recentemente tivemos a infeliz declaração do Dr. Watson, que alegou que os africanos são intelectualmente inferiores que o resto do mundo, justificando tal afirmação usando a genética. Tal declaração reacendeu uma série de discussões sobre o papel da ciência na origem do racismo. Alguns, menos honestos e mais apressadinhos, logo se adiantaram a dizer que o racismo é filho da ciência, esta mãe solteira e prostituída que agora nega sua própria cria.

Evidente que no “mundo ideal” destas pessoas é muito simples atribuir à uma única atividade humana, aquela que mais os incomoda por uma série de questões, um problema que, no mundo real que esta longe de ser o “ideal”, possui raízes muito mais profundas. Mas antes de entrar nesta discussão, vamos dar uma olhada rápida no passado, presente e futuro do conceito de raças para à ciência.

Um pouco de história antiga

Classificar a biodiversidade do planeta não é uma atividade recente. O primeiro sistema de classificação que se tem notícia é o de Aristóteles, que separava os animais em grupos de acordo com o local em que viviam (terra, água e ar). Desde então ficou clara a importância de se classificar os animais de forma a facilitar o estudo da imensa biodiversidade do planeta.

O processo de classificação mudou muito desde Aristóteles, especialmente entre os séculos XVII e XVIII. Foi durante esse período que a sistemática atual ganhou corpo com o trabalho de Lineu, que desenvolveu a nomenclatural binominal que é usada até hoje. Lineu também foi o responsável pela construção da hierarquia que divide os animais em reinos, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie.

Cada divisão dessas é conhecida como táxon. Era a análise morfológica, ou seja, a comparação de características físicas dos animais que levava os cientistas da época a determinarem em que táxon cada um se enquadrava. Mas as dificuldades logo surgiram. Algumas animais pareciam se enquadrar em mais de um táxon, enquanto outros pareciam não se enquadrar em nenhum.

Com isso foram sendo criados subtáxons, que funcionavam como uma espécie de “gambiarra” de sistematização. Não demorou para um táxon em particular, o que definia a espécie dos animais, ganhasse um subtáxon conhecido como subespécie. É importante notar que em algum momento da história, o conceito de subespécies e raça acabou se misturando.

A princípio a palavra raça definia apenas as diferentes variedades comerciais de alguns animais como cachorros, pombos, cavalos e etc. No entanto, logo subespécies e raças se transformaram em sinônimos, dando ao termo raça uma espécie de embasamento científico diretamente relacionado à sistemática.

Com o conceito de raças mais ou menos estabelecido, alguns cientistas da época, incluindo Darwin, acabaram por separar as populações humanas em raças. A divisão era feita, como tudo na época, por comparação morfológica e foi essa divisão que deu origem à divisão dos humanos em negros, caucasianos e mongolóides.

Um pouco de história moderna

No século XX as coisas mudaram um pouco. Ficou claro para os biólogos modernos que separar os animais por diferenciação morfológica não era mais suficiente. Com frequência haviam enganos e mudanças de classificação. A maioria passou a concordar que a classificação feita por comparação morfológica era muito subjetiva.

O avanço dos estudos em genética, comportamento animal, biologia molecular e muitos outros acabou por definir uma nova forma de classificação. Hoje em dia temos três ciências que cuidam disso, a sistemática, a filogenética e a cladística. A sistemática cuida da organização, criação ou extinção das ordens taxonômicas. A filogenética estabelece as relações evolutivas sobre os organismos na tentativa de melhor agrupá-los nos táxons. A cladística analisa a relação evolutiva dos seres tentando estabelecer sua genealogia.

A genética é parte muito importante neste estudo e ajudou a responder uma série de dúvidas de classificação. Foi a genética que mostrou que o conceito de subespécies era superestimado e que, em geral, nenhuma classificação de subespécies se sustenta.

O índice de fixação

Tal afirmação se baseia no índice de fixação, conceito criado por um geneticista americano chamado Sewall Wrigth. O índice de fixação surgiu de um conceito anterior que estabelecia que, quando da análise morfológica de duas populações, um valor de variação entre 25 a 30% entre elas indicava que eram subespécies diferentes.

O índice de fixação usa o mesmo valor de variação, mas a variação que se compara não é mais entre as diferenciações morfológicas e sim do material genético. Usa-se a fórmula do índice de fixação para se calcular a diferenciação genética entre duas populações e entre indivíduos de uma mesma população. Diferenças genéticas entre 25 a 30% indicam que as populações comparadas pertencem à subespécies diferentes.

A aplicação do índice de fixação entre os seres humanos indicou que as diferenças genéticas não ultrapassam 15%, estabelecendo por fim que não existem subespécies, e portanto raças, entre os seres humanos. A aplicação do índice de fixação em outros animais vem indicando que as divisões em subespécies não encontram embasamento genético.

A comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica não estabelece regras para a nomenclatura de subespécie, indicando que a comunidade científica internacional esta de fato abandonando o conceito de subespécies e, portanto, raças.

Um pouco de palpite sobre o futuro

Eu acredito que daqui pra frente a tendencia será ir abandonando aos poucos os subtáxons. Os táxons em si estão passando atualmente por uma profunda reformulação, reenquadrando algumas formas de vida em reinos próprios. A microbiologia e a genética tem papel fundamental nesta reformulação, pois estabelecem formas confiáveis de análise comparativa dos seres vivos. A morfologia não foi totalmente descartada e, muito provavelmente, nunca o será. Mas seu papel foi imensamente reduzido.

Voltando para a discussão do racismo

Aqueles citados acima, os desonestos e apressadinhos que atribuíram o surgimento do racismo à ciência, costumam com frequência ignorar que o empreendimento científico não é um processo dogmático. A ciência erra, e erra muito. Mas aceita seu erro e, tendo completa consciência de que seus processos não são perfeitos e a prova de falhas, com frequência os reformula para refletirem melhor a realidade observada.

Neste sentido, a ciência assume que por um período deu suporte ao conceito de raças na espécie humana. Mas deixa claro que as pesquisas e técnicas recentes desfizeram esse engano. O conceito de raças é hoje marginalizado mesmo nas ciências sociais, aonde se prefere usar o termo etnia para se referir às diferentes populações humanas. Atribuir o racismo à ciência unicamente, é ser desonesto e absolutamente superficial. É ignorar todo um processo histórico e cultural iniciado desde o surgimento do homem na Terra.

Como ignorar que a igreja justificava a escravidão dizendo que os negros não tinham alma e que, portanto, não passavam de animais? Como assumir que o simples ato de se conceituar raça, justifique ações de ódio contra raças? Será mesmo que se o conceito de raça jamais tivesse sido formulado, nunca teríamos visto o ódio entre brancos e negros? Como ignorar os processos de transformações políticas, culturais e sociais quando o mundo começou a ficar pequeno demais para manter as populações humanas separadas geograficamente, misturando as mais diversas culturas e gerando os mais diversos conflitos? Alguém ai da platéia gritou Jihad? Cruzadas?

Estou certo que sim.

Ciência, exatidão e merda de boi: Uma resposta.

outubro, 2007

Li este texto escrito pelo companheiro blogueiro Blogildo e decidi formular uma resposta. Eu entendo que o texto citado é, antes de qualquer coisa, um desabafo. Ao menos é a impressão que o texto dá por sua construção que tenta abranger a ciência como um todo se baseando em premissas que são, pra ser o mais comedido possível, equivocadas. E eu defendo o direito do colega desabafar. Mas é importante separarmos as exaltações do desabafo, dos enganos que compõe o texto.

A primeira consideração a se fazer é que ele não deixa claro a qual ciência esta se dirigindo. Com um pouco de vontade podemos concluir que ele ataca exclusivamente as ciências naturais. E podemos imaginar isso quando o autor se refere a algumas palavras chave como, comprovação científica, verdade ou progresso. Todas são palavras chave que estão comumente associadas às ciências naturais. Se minha consideração estiver correta, sou obrigado a concordar que existem outras formas de se conceber o mundo em que vivemos. As ciências formais, como a matemática, fazem isso de forma esplendida e elegante. As ciências sociais também, ambas com seus métodos próprios e seus modelos de mundo.

No entanto, não posso concordar com o ponto em que ele diz que a ciência (natural?) é apenas conceitual. Especialmente quando olho para a justificativa dada no texto, a de que é a tecnologia enquanto derivação da técnica que produz as facilidades do mundo moderno. Ora, como aceitar que a técnica produza algo sem um conceito? Sem um processo de tentativas e erros que visam um estágio final que, evidentemente, só pode ser conceitual? A técnica, e portanto, a tecnologia são claramente parte integrante da ciência, não só das naturais, mas das formais e sociais. É por isso que existem as chamadas ciências de base, aonde os conceitos são primariamente desenvolvidos, e as ciências aplicadas, aonde os conceitos são efetivamente utilizados e testados.

Neste sentido posso dizer que a ciência não é uma mera abstração. A abstração de fato ocorre em um estágio específico da produção do conhecimento científico, na formulação de hipóteses. No entanto, a abstração termina no ponto em que as hipóteses passam a ser averiguadas. Aproveito para corrigir a informação dada de que a lei da gravidade é apenas uma idéia amplamente aceita. É importante não confundir leis com teorias. Leis se referem a fenômenos que ocorrem de forma previsível. Se jogarmos uma pedra para cima, ela irá cair, e não há motivos até hoje para se acreditar que ela continuará subindo indefinidamente. Esta é a lei da gravidade. As teorias no entanto, tentam explicar a causa que origina o fenômeno e como este fenômeno funciona. Neste caso, a teoria da gravitação newtoniana é um bom exemplo de explicação para a lei da gravidade. Portanto, é de fato uma loucura questionar a lei da gravidade, muito embora as teorias que à explicam podem e devem ser questionadas sempre que possível.

A ditadura dos isentos e dos “exatinhos”.: Uma resposta.
Isenção não existe. Aqueles que procuram a isenção, perdem um tempo precioso de vida. Nisto, estamos, eu e o Blogildo, de acordo. E eu concordo com o argumento de que ninguém melhor que um religioso pra debater fé, e um cientista para debater ciência. No entanto, quando um cientista quer debater fé e um religioso ciência, o mínimo que deveríamos esperar de ambos é um conhecimento prévio e razoável do que pretendem questionar.

Concordo igualmente com o argumento da “gramática corretíssima”. Trocar letras ou esquecer um acento não desqualifica ninguém de debate algum. O que desqualifica é a falta de conhecimento do tema a ser discutido.

A bacana ditadura dos militantes da “causa” científica.: Uma resposta.
Não Concordo com o argumento de Musil de que a ciência busca uma verdade utópica. E não concordo pelo fato de que a ciência não busca uma verdade absoluta. Talvez os positivistas lógicos tivessem uma idéia próxima a esta, da busca pela verdade. Mas se existe um consenso entre os principais filósofos da ciência, como Karl Popper e Thomas Kuhn, é que não temos meios de saber o quão próximo estamos da verdade, ou mesmo o que é esta verdade. O que a ciência faz na realidade é buscar meios de explicar o mundo físico à nossa volta.

É por este motivo que NENHUMA teoria científica tem caráter definitivo e isso também é consenso geral entre os filósofos da ciência. No entanto, dizer que Galileu e Newton foram superados e que são mera história é ser superficial. Basta lembrarmos que as leis de Newton, como a própria gravidade já comentada anteriormente e a inércia, continuam válidas até hoje. Mesmo os cálculos de Newton sobre o movimento dos corpos ainda são usados no “dia-a-dia”, embora de fato possuam deficiências em situações extremas de velocidade e massa. As contribuições de Galileu para a cosmologia e a astronomia continuam absolutamente relevantes.

Dizer que a ciência esta politizada demais é chover no molhado. Quais atividades humanas não estão? E mais, isso é ruim? Eu considero essa parte do texto um mero jogo retórico, tentando associar o conceito desgastado e pejorativo de política com a ciência. Eu desconheço as picaretagens do Al Gore, e apenas atribuir picaretagens, sem especificar quais e quando, é igualmente retórico. Quanto ao aquecimento global, a mim bastam os índices do IPCC. No entanto, o tema não é consenso na ciência e existem cientistas sérios que defendem que de fato o aquecimento global pode não existir. Só o tempo dirá quem esta certo.

De todo o texto, eu considero o final a parte realmente desonesta. Desonesta porque generaliza a declaração infeliz do Dr. Watson como “pensamento consenso” da ciência. Se o autor tivesse se dado o mínimo de trabalho de pesquisar o que a genética fala sobre raças, teria se dado conta do tamanho da bobagem que escreveu. É verdade que Darwin considerou a existência de raças nos humanos e, de quebra, julgou o homem europeu superior. Devemos entender no entanto que esta não era uma opinião embasada cientificamente, e Darwin ainda tinha o viés de viver na Inglaterra no período da revolução industrial. Isso não isenta Darwin da bobagem que disse, evidentemente, nem da bobagem do autor em tentar estabelecer com isso um “consenso científico” inventado.

A genética nunca justificou racismo, muito pelo contrário, a genética colocou o ponto final definitivo nesta questão alegando que não existem diferenças consideráveis entre o material genético dos seres humanos vivos deste planeta. Não há evidencias da existência de raças no gênero humano, a genética NUNCA corroborou com esta visão, o genoma humano pôs um ponto final nesta bobagem e é consenso científico atual que raças na espécie humana só existem para o senso comum.

Nem preciso dizer que ainda que raça fosse uma “estrovenga científica”, isso não é o mesmo que dizer que o racismo também o é.

E se um dia um maluco que se diz cientista disser que encontrou o gene da pedofilia, eu verei uma série de homens de Deus sorrindo aliviados e dizendo amém!

James Watson: Genéticamente ignorante?

outubro, 2007

Fiquei sabendo pelo G1, que por esses dias James Watson, um dos descobridores da dupla hélice do DNA, associou os problemas do continente africano à genética. Ainda segundo o G1 Watson disse:

“Não há uma razão firme para imaginar que as capacidades intelectuais de pessoas separadas geograficamente em sua evolução devem ter evoluído de forma idêntica. Nosso desejo de dar capacidades racionais iguais como uma forma de herança universal da humanidade não é o suficiente para fazer com que seja verdade.”

Evidente que Watson foi leviano e infeliz em sua declaração. Polêmica parecida já aconteceu no passado quando da publicação do livro A Curva de Sino, que estabelecia relações genéticas para justificar os desvios nos índices de inteligência entre negros e brancos. O livro foi amplamente refutado depois de sua publicação. Era evidente que a pesquisa que originou o livro tinha problemas metodológicos, não abrangia a complexidade do tema e tirava conclusões precipitadas.

É preciso entender primeiramente que a genética não é a única responsável pela capacidade intelectual de ninguém. Fatores do meio como disponibilidade de alimento, tipo de dieta, estímulo intelectual, entre outros, talvez sejam ainda mais importantes. Olhando especificamente para a África, não é difícil estabelecer milhares de outras explicações sem fundamentação genética. Eu diria até que o difícil é estabelecer uma justificação genética.

Em todo caso precisamos lembrar que o próprio conceito de inteligência é controverso. Existem diversos conceitos diferentes sobre o que consideramos inteligência, há pesquisadores que defendem inclusive múltiplas inteligências. No entanto, não discordo totalmente do Watson quando ele diz que “não há uma razão firme para imaginar que as capacidades de pessoas separadas geograficamente em sua evolução devem ter evoluído de forma idêntica”.

No entanto Sr. Watson, também não há razões firmes para acreditar nas baboseiras de um cientista querendo criar um pouco de confusão. Ou um pouco de publicidade.

Prova científica*

outubro, 2007

O termo “prova científica” é um chavão. O motivo parece óbvio, a busca incessante da ciência pela verdade e pelo entendimento do mundo físico é feito, como podemos ver em textos anteriores deste blog, através do método científico. O método trabalha com a dinâmica entre as hipóteses, teorias e leis, estabelecendo as “regras” que definem quando uma hipótese pode passar para o status de teoria e quando uma teoria deve ser descartada ou modificada. É de se esperar, portanto, que em algum momento do progresso científico as teorias atinjam níveis preditivos seguros suficientes a ponto de podermos afirmar categoricamente que algo esta “provado cientificamente”.

Vemos com certa frequência autoridades científicas utilizarem o termo “provado cientificamente” para validar um dado científico citado durante uma entrevista, uma palestra ou mesmo em textos de divulgação. O termo possui uma utilização tão ampla que acabou incorporado ao senso comum. Mas será que o termo é corretamente empregado? Será que de fato a ciência tem a capacidade de provar algo categoricamente? Para responder a esta questão vamos relembrar rapidamente algumas características do método.

Como vimos anteriormente uma hipótese é um conjunto de idéias que tenta explicar um fenômeno da natureza. Quando esse conjunto de idéias pode ser averiguado de alguma maneira ganha o status de teoria científica. Neste ponto temos diferenças epistemológicas entre os muitos filósofos da ciência. Apenas para citar dois, Karl Popper alegava que a teoria teria caráter passageiro, passando por testes rigorosos de falseabilidade. Quando falseada a teoria deixava de ter validade e era substituída por outra. Thomas Kuhn por outro lado dizia que a teoria quando falseada não precisava necessariamente ser abandonada, podia apenas ser corrigida ou reformulada de modo a se enquadrar na realidade observada.

No entanto, tanto Popper quanto Kuhn concordavam em um ponto. Apesar de todo o rigor científico, simplesmente não há meios de saber se uma teoria se aproxima mais da realidade do que outra. Podemos apenas dizer que uma teoria tem maior poder preditivo ou que explica melhor determinado fenômeno. É por este motivo que toda teoria tem caráter passageiro, já que eventualmente existem fatores que não temos conhecimento e que portanto a teoria não engloba.

Olhando por este ponto, fica fácil dizer que o termo “prova científica” é utilizado erroneamente. Quando dizemos que algo esta provado, estamos automaticamente considerando que sabemos tudo sobre esse “algo” e que não existem fatores desconhecidos ou não considerados. Em termos de ciência seria o mesmo que dizer que temos o conhecimento completo e absoluto de um fenômeno.

Devemos portanto ficar atentos ao uso do termo “prova científica” e jamais considerá-lo de forma literal. Na melhor das hipóteses podemos apenas dizer que seu emprego se refere a teorias científicas muito bem estabelecidas e que, a despeito de seu caráter provisório, explicam muito bem determinado fenômeno, na medida do conhecimento que temos quando do emprego do termo.

Em ciência a certeza não existe e a busca pela verdade é um processo contínuo e perpétuo.

*Texto revisado e ampliado da versão original publicada no blog Apropriações.

Advogando para o Diabo

outubro, 2007

Muito se fala em proteger animais em processo de extinção. É quase senso-comum que a proteção dos animais que estão na lista de extinção é um fator benéfico e, mais ainda, necessário. Alguns diriam compensatório, algo que se faz para que o homem possa chegar ao final de seu dia de destruição em massa do planeta e consiga deitar sua cabeça no travesseiro tranquilamente. Existem inúmeros projetos para conservação das espécies e, mais impressionante ainda, há quem defenda projetos de reespeciação. Reespeciação é o termo dado à tentativa de trazer de volta a vida espécies de animais que já estão extintas mas que possuem abundante material genético conservado. Uma espécie de Jurassic Park, mas menos drástico e mais nobre. Mas quanto de nobreza existe em tais ações?

Quantas vezes nos questionamos sobre motivo que faz com que o homem se preocupe com a preservação das espécies em extinção? Seria uma atitude legítima e compensatória, uma atitude altruísta até? Ou poderíamos dizer que defendemos a manutenção da fauna de nosso planeta pois somos incapazes de prever o impacto causado pelo desaparecimento de uma espécie qualquer? Talvez o impacto seja grande o suficiente para prejudicar toda a dinâmica ecológica do globo, pondo em risco a existência de nossa própria espécie. Neste caso, seria um comportamento egoísta? Se assim o for, o que será do meio ambiente caso nossa tecnologia um dia consiga nos manter de forma autônoma, independente das condições do meio ambiente?

Por outro lado existe a defesa de que o homem, em decorrência do seu desenvolvimento tecnológico e social, se afastou de sua origem harmoniosa com a natureza. Alega-se então que essa preocupação com o meio ambiente seria uma tentativa de retomar algo que se perdeu no decorrer de nossa existência. Como se algo que nos era muito caro tivesse se perdido em algum momento da história e agora isso nos faz falta, nos provoca uma sensação de vazio e de falta de propósito, nos torna seres a parte da natureza. Objetos estranhos em um mundo limpo, verde e perfeitamente integrado.

A sensação de afastamento pode até ser real, mas não acredito que tal afastamento exista de verdade. Somos e sempre fomos parte do meio ambiente. Proteger animais em extinção não nos faz mais “próximos” da natureza. Por vezes nossa “proteção” é duvidosa. Cito o caso que me foi relatado aonde um documentário exibia os esforços de biólogos em realizar o controle populacional de uma espécie de ave de uma ilha qualquer. A justificativa do controle era de que outra espécie de ave sofria com a superioridade numérica da primeira espécie e, por falta de alimento e espaço para procriação, corria risco de extinção. Essa intervenção é correta? Impedir que uma espécie que se adaptou melhor ao ecossistema da ilha se desenvolva livremente não é, antes de um ato de caridade para a espécie que caminha ruma à extinção, uma agressão à dinâmica secular da natureza? Quantas e quantas vezes tal situação não ocorreu em um passado remoto sem que o homem pudesse interferir? Não somos nós mesmos frutos de tal dinâmica?

Pensando ainda em termos de seleção natural, é justo culpar o homem pela extinção de qualquer espécie? É certo que a ação do ser humano é responsável pelo fim de muitas espécies, isso não se discute. O desaparecimento da mega-fauna (ou ao menos parte dela) das Américas parece estar diretamente relacionada com a chegada do homem ao continente. Eram homens primitivos, que caçavam com lanças e flechas, que passavam dias e noites no cerrado brasileiro perseguindo sua presa. Eram homens simples, hipoteticamente integrados, em perfeita harmonia com a natureza, mas que levaram parte da mega-fauna à extinção. Devemos nos culpar por isso? Devemos culpar nossos ancestrais primitivos por fazerem o que todo ser vivo deste planeta faz? Garantir seu próprio alimento e sua própria sobrevivência.

Que o leitor que corajosamente chegou até aqui não se engane. Não estou defendendo o descompromisso com a situação do planeta. O que quero com este texto é tentar entender até aonde podemos nos culpar pela situação em que o Planeta se encontra. Tal situação é tão ruim quanto gostamos de espalhar? Não somos apenas mais um evento de extinção em massa, como tantos outros do passado, e que um dia irá cessar e permitir que outras espécies animais e plantas se desenvolvam? De onde vem a culpa que sentimos pelo aparente padecimento da natureza e até onde devemos interferir para garantir o bem estar da fauna e da flora? Temos a capacidade intelectual necessária para entender o que é o bem estar da fauna e da flora? Os eventos de extinção, caros leitores, são antes de tudo uma probabilidade matemática.

A vida na Terra parece teimar em deixar de existir. Sobreviveu ao evento KT (cretáceo-terciário, o evento de extinção em massa que deu fim à existência dos dinossauros e a muitas outras espécies de plantas e animais) e, antes dele, sobreviveu a outro evento que dizimou 90% da biodiversidade do planeta. A vida sempre encontra um meio de resistir, e resistirá à passagem dos homens.

Mas resistirá o homem à passagem do tempo e ao nosso próprio evento de extinção? Talvez, de todas as questões levantadas neste texto, esta seja a única passível de resposta, mas receio que tal resposta só fique clara quando não mais tivermos a capacidade de intervir.

O argumento da entropia

setembro, 2007

Na tentativa de desacreditar o darwinismo e a “teoria da evolução” como um todo, seus oponentes criam os mais diversos argumentos falaciosos. Existe um em particular que é usado com certa frequência e muitas vezes acaba sendo considerado válido pelo público leigo. É o argumento que se vale das leis da termodinâmica para provar a impossibilidade de qualquer organismo vivo evoluir.

A termodinâmica é um conjunto de leis da física que explica a natureza da energia e suas interações e transformações. É a termodinâmica que estabelece que energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada. É a termodinâmica também que estabelece o conceito de entropia. A entropia, erroneamente conhecida como um estado caótico, é na verdade o conjunto total da energia em seu estado mais degradado. Tão degradado que não pode ser convertida em mais nenhum tipo de energia.

É a entropia que impede a produção de um motor de funcionamento perpétuo. Imaginava-se um motor a vapor, aonde pistões seriam colocados em movimento pela força do vapor, o calor emitido pelo movimento dos pistões seria usado para aquecer a água que se transformaria em vapor e moveria os pistões. O problema é que quando a força do movimento dos pistões se converte em calor, parte da energia se degrada no processo impedindo seu reaproveitamento.

O que os opositores da teoria da evolução fizeram foi aplicar o mesmo conceito aos organismos vivos. Como explicar um cenário aonde organismos vivos simples vão gradativamente ficando mais complexos e mais exigentes de energia? Aparentemente a evolução então violaria uma lei da física e a única explicação conveniente seria acreditar que os seres vivos teriam sido criados em suas formas mais complexas.

O argumento todo faria muito sentido, se os opositores da evolução não omitissem um pequeno detalhe sobre a termodinâmica e a entropia. A entropia só aumenta em sistemas fechados, ou seja, sistemas que não recebem energia de fontes externas a eles. É o que ocorre com um motor de carro por exemplo, quando colocamos gasolina ou álcool estamos repondo a energia que foi convertida e diminuindo a entropia do sistema como um todo.

O planeta Terra é um sistema aberto. Sofre influencia direta dos raios de Sol e de raios cósmicos que chegam até aqui de todos os pontos do Universo. Essa descarga de energia entrando no planeta compensa a entropia e impede que ela aumente desordenadamente, ou seja, a entropia não impede que a evolução ocorre e portanto a evolução não fere uma lei da física.

Cada vez que uma planta fotossintetizante absorve a luz do Sol, compensa sua entropia. Cada vez que um vegetariano come uma planta, repõem a energia degrada pelo seu metabolismo diminuindo a entropia. Cada vez que um carnívoro se alimento de um animal herbívoro, compensa sua entropia.

Cada vez que o argumento da termodinâmica é usado para defender a impossibilidade da evolução, seu argumentador pode ser considerado um mentiroso desonesto que se vale da ignorância do público leigo para espalhar crenças infundadas ao mesmo tempo que tenta refutar não só uma teoria, mas um fato amplamente observado.

Pau que nasce torto, nasce torto mesmo?

setembro, 2007

Estes dias, entre amigos meus, surgiu uma questão interessante. Características humanas, como egoísmo ou comportamento violento por exemplo, são inatos? Seriam essas características definidas pela genética ou seriam fruto de interações do indivíduo com o meio ambiente?

É de costume, neste tipo de discussão, estabelecer relações comparativas com o comportamento de animais. Mas mesmo na etologia, a área do conhecimento que estuda o comportamento animal, essa questão não esta bem definida. Existe uma séria de complicações em se detectar quando um comportamento é inato ou quando foi aprendido. Alguns pesquisadores afirmam que é simplesmente impossível ter certeza de que um comportamento qualquer seja inato. A alegação é que ainda que um animal seja isolado de seus pais no momento do nascimento, ou ainda antes quando se trata de animais que botam ovos, não é possível afirmar categoricamente que ele não tenha sofrido um estímulo qualquer durante sua vida embrionária.

Pelo lado da genética a situação é igualmente nebulosa. Ainda assim existem bravos pesquisadores envolvidos com essa questão e, aparentemente existe um consenso geral de que é muito provável que o comportamento animal seja definido pela genética e pelo meio ambiente ao mesmo tempo. O estudo do canto das aves fornece alguns dados interessantes neste sentido.

Experimentos efetuados com pardais compararam o canto de aves de diferentes espécies em duas condições específicas. Algumas aves eram isoladas do convívio com outras enquanto outras aves eram mantidas em seu convívio normal. O que se constatou foi que, muito embora o padrão do canto das aves mantidas isoladas fosse substancialmente diferente do padrão das aves mantidas em convívio com outras, características específicas do canto de cada espécie (como a duração do canto por exemplo) eram mantidos. Isso pode significar um bocado de coisas, mas aparentemente a constatação mais clara é a de que o canto em si é de fato um fator genético já que as características individuais do canto de cada ave foram mantidas nas que foram isoladas de seus pares, no entanto, os padrões dos diferentes cantos de cada espécie são aprendidos.

Ainda no campo da genética existe um conceito conhecido como plasticidade fenotípica. A definição deste termo diz que um genótipo qualquer pode produzir diferentes variações fisiológicas, morfológicas ou comportamentais em resposta a condições ambientais específicas. Isso significa que um comportamento qualquer condicionado geneticamente (seja pelo comportamento em si, seja por depender de estrutura morfológicas específicas) pode ser modificado em razão da interação entre o genótipo e o meio ambiente. Por exemplo, se supormos que uma espécie qualquer de inseto tenha estruturas que produzam um som específico na época de reprodução, seu comportamento reprodutivo seria modificado substancialmente caso essa estrutura que produz o som seja originária de um genótipo que modifica sua expressão de acordo com, digamos, a disponibilidade de comida.

Mas voltando às características humanas. Será que elas passam por processos similares aos citados acima no que diz respeito ao comportamento animal? É preciso levar em consideração que o comportamento humano esta fortemente atrelado à cultura. Mas não seria a cultura a expressão máxima do comportamento humano? Não acredito que haja uma resposta definitiva para este caso.

Acredito apenas que passamos por processos similares aos dos outros animais, tendo a genética e o meio ambiente papéis fundamentais na formação de nossos comportamentos durante todo o processo evolutivo do homem. Os processos genéticos fornecendo a capacidade para o desenvolvimento de comportamentos sociais e culturais e o meio ambiente selecionando esses comportamentos. Não creio na possibilidade de alguém nascer predestinado a ser egoísta ou violento, como se é de imaginar caso a genética fosse a única força responsável pela expressão de tais características.

Nascemos todos com o potencial para o egoísmo e para o altruísmo. Para a violência e para o pacifismo. O que nos faz tender para um comportamento específico é nosso contexto histórico, social, cultural e, portanto, ambiental.

Duvidar é saudável!

setembro, 2007

Não sei a quanto tempo, mas anda rodando a internet um vídeo mostrando supostos discos voadores no Haiti passando por cima de coqueiros e subindo aos céus para se juntar a outros tantos discos. A algumas semanas também recebi um email dizendo que em determinado dia de agosto seria possível observar Marte no céu a olho nú , ele estaria do tamanho da Lua e o fenômeno só se repetiria em alguns séculos. Os dois casos possuem duas coisas em comum. Ambos são falsos e ambos foram encarados como legítimos por muita gente.

Esse tipo de situação não é raro. Ainda me lembro que certa vez o Discovery Channel passou um programa que especulava se seria possível, sem apelar ao fantástico, a existência de animais como os lendários Dragões. No dia seguinte diversas pessoas vieram me questionar se eu tinha visto que “os cientistas ” tinham descobertos fósseis reais de dragões. O mais surpreendente foi ver pessoas da minha sala da faculdade repetindo o mesmo.

Sagan já avisava, falta ceticismo no mundo. As pessoas parecem ter uma propensão a aceitar o fantástico imediatamente, sem pararem para questionar o que estão vendo ou aceitando. Um péssimo hábito cultivado cada vez mais por uma sociedade de pensamento padronizado, alguns diriam até “pasteurizado”. Não se para mais para ouvir, por consequência , perdemos a habilidade de analisar o que é dito. A preguiça de pensar ou de averiguar a veracidade do que foi exibido se alastrou como uma doença contagiosa. Qual a finalidade de pensar, se temos quem faça o trabalho pesado por nós?

Talvez seja a hora de os divulgadores científicos agirem com mais energia na tentativa de disseminar o ceticismo saudável, afinal este é o papel de todos que estão comprometidos honestamente com a boa ciência.

Indo além

Bilhões e Bilhões: Reflexões Sobre Vida e Morte.

O Mundo Assombrado Pelos Demônios.