Calcinhas de carneirinhos

novembro, 2008

Abaixo os forros de algodão?! “Quando colocadas em placas para culturas de bactérias verifica-se que as fibras de viscose apresentam um crescimento bacteriano menor que as demais fibras, inclusive de algodão” disse o professor do curso de Engenharia Têxtil da faculdade de Engenharia Industrial da FEI, Fernando Barros.

Em sua palestra sobre “Impactos ambientais nas principais fibras têxteis” realizada na II Expo-indústria – Cadeia Produtiva têxtil, Confecção e Vestuário, no último dia 19 na sede da FIESP em São Paulo ele esclareceu também que o discurso do baixo impacto ambiental da produção da fibra de viscose de bambu, quando comparado ao da fibra de viscose produzida a partir de eucalipto, “é uma falácia!”. 

Ao analisar superficialmente os impactos ambientais da produção têxtil da viscose pode-se imaginar que plantar e derrubar eucaliptos provocaria um impacto ambiental maior do que fazer o mesmo com bambu. No entanto, os processos para obtenção das fibras são os mesmos.

Um estudo por ele conduzido, publicado na última edição (69) da revista Textilia têxtil , revelou que a produção de viscose veio para os países menos desenvolvidos especialmente devido à soda cáustica e ao ácido sulfúrico utilizados na manufatura destas fibras, independentemente de sua fonte de extração, pois geravam sérios problemas de saúde ocupacional na Europa.

Não bastando, tanto para confeccionar as fibras de viscose de eucalipto quanto as de bambu são necessárias as mesmas quantidades de água nas plantações (640l/kg de fibra) e gasta a mesma quantidade de energia. Ambas as fibras são biodegradáveis, embora seja difícil reciclar qualquer viscose. A impressão de “ecologicidade” a favor do bambu provém do replantio rápido e agressão menor ao solo, porém o fato da fibra de bambu ser menos resistente que a de eucalipto não compensa todo o impacto ambiental da produção dela, em última análise. 

Mas se a viscose, seja de eucalipto ou de bambu, é uma fibra artificial semelhante ao algodão, com toque, textura e caimento melhores que este, e ainda por cima com baixo crescimento bacteriano, por que os ginecologistas ainda insistem em recomender as calcinhas com forros de algodão? Talvez também valha a pena colocar na conta ambiental que a confecção de fibras de algodão também gera um impacto ambiental alto, provocado pela demanda de pesticidas e fertilizantes em suas plantações (afinal, algodão orgânico rende poucas fibras) e provoca biscinose nos trabalhadores, apesar de consumir menos água e energia que a produção de viscose.

PS. Considerando a relevância dos carneirinhos, achei prudente voltar a trabalhar prá garantir meu ranking de colaboração 😉