O problema dos elos perdidos.
Dentre os muitos temas controversos sobre evolução, a questão dos elos perdidos é certamente um dos mais comuns. Mesmo Darwin levantou essa questão e, pensando bem, ela é aparentemente lógica. Se as espécies evoluem uma das outras, e este processo é gradual, é de se esperar que se encontrem fosseis de espécies que estão “no meio do caminho”.
O problema é que o “meio do caminho” não é tão simples de se compreender. É preciso entender primeiramente que a evolução é um processo contínuo e, como muitos processos contínuos, ela não tem um “fim”. Ou seja, todas as espécies atuais estão em constante mudança, muito embora o processo seja lento demais para podermos perceber seus efeitos. Isso basicamente significa que toda espécie viva é, de certa forma, uma espécie transicional.
Mas podemos nos perguntar afinal, qual a história das espécies atuais? Como elas chegaram ao estágio em que se encontram? A única maneira de responder estas perguntar é olhando para o registro fóssil . Algumas espécies em particular tiveram suas histórias bem catalogadas, com uma porção de fosseis que indicam seus possíveis ancestrais evolutivos. No caso das baleias, por exemplo, foi possível estabelecer uma espécie de escala evolutiva representada na figura abaixo.
Mas é preciso ter cuidado com estas representações gráficas. Embora elas sejam bastante didáticas e organizem o conhecimento de forma cronológica, é consenso de que dificilmente elas representam os passos evolutivos corretos. Na verdade, existe sempre a possibilidade de se encontrar novos fosseis de transição que acabem ampliando a escala evolutiva.
Mas afinal, e o elo perdido? Bom, para muitas pessoas o fato de conhecermos formas transicionais de espécies atuais não significa muita coisa. Críticos da evolução darwiniana com freqüência alegam que embora os fosseis descobertos possam sugerir um processo evolutivo, ainda é preciso encontrar espécies realmente de transição. Uma espécie que demonstre claramente que é “metade uma coisa, metade outra”.
Este tipo de elo perdido não existe. O processo de especiação é mais complexo do que uma cadeira interminável de formas transicionais. Outro problema é o processo de fossilização, que esta longe de ser trivial. É preciso que uma espécie esteja bem estabelecida e possua um bom número de populações para que, eventualmente, alguns de seus indivíduos terminem fossilizados.
Elo Perdido, até agora, só mesmo a série de 1974.









As pessoas acham que encontrar fósseis é como ir ao bar… São raridades perto de nós! E eu me encanto com tudo isso. Se um dia avistar um elo perdido, me avise!
Quando eu dava aulas em Recife, o conteúdo de história tinha que passar, necessariamente, pelo o que se convencionou chamar de: A origem do homem. O que eu fazia? Reproduzia, como um gravador, como um seminário de graduação o que estava nos livros. Cioso de minha competência, procurava mais informações em revistas atualizadas e aí, cada vez que eu escarafunchava, mais as dúvidas me assolavam.
Qual teria sido o elo perdido do homem e do macaco? Será que hominídeos de diferentes espécies sobreviveram na mesma época e na mesma região, como sugere o filme A Guerra do Fogo? Dessa forma não é estranho que se prefira a explicação mais simples!
Um abraço.
Escrevi sobre evolução um dia destes no meu blog, esclarecendo alguns pontos principais da Teoria da Evolução, como ela acontece, seus mecanismos e abri uma brecha , como o próprio Darwin sugere, que ela não seja uma Teoria Fechada…
Deixei a promessa de escrever sobre as idéias de Stephen Jay Gould, como uma alternativa até mesmo esta ausência de “Elos Perdidos”. Acabaei de fazê-lo após ler seu post!!
Todas as formas transicionais, em todas as intermináveis eras geológicas, resolveram desaparecer. Hoje só se pode "explicar" isso com jogos retóricos cientificamente coerentes. Criacionismo e Evolução não são teorias cientificas. São construções lógicas que sempre permanecem naquele universo de coisas que não podem ser verificadas. Os pontos fracos da teoria não aparecem nos livros, são escondidos. Isso mostra que não se trata de uma questão científica. Eu não sou religioso, não sei se existe algum tipo de Criador/Deus, como saber? Também não me ofendo com a possibilidade desta existência, como os que se auto rotulam ateus. Não sou cético, sou apenas desconfiado. Infelizmente o que ainda prevalece é o poder da autoridade: "está cientificamente comprovado…." , "aceito unanimamente pela comunidade científica…", "existe uma montanha de evidências…","só fanaticos religiosos criticam…" e todas essas frases que blindam qualquer teoria contra as críticas. Quando você vai atrás dessa montanha de evidencias decobre que se trata, na verdade, de uma montanha de interpretações de alguns fatos que se tem, e de uma infinidade de fatos que não se tem.
Um abraço