O problema dos elos perdidos.

agosto, 2008

Dentre os muitos temas controversos sobre evolução, a questão dos elos perdidos é certamente um dos mais comuns. Mesmo Darwin levantou essa questão e, pensando bem, ela é aparentemente lógica. Se as espécies evoluem uma das outras, e este processo é gradual, é de se esperar que se encontrem fosseis de espécies que estão “no meio do caminho”.

O problema é que o “meio do caminho” não é tão simples de se compreender. É preciso entender primeiramente que a evolução é um processo contínuo e, como muitos processos contínuos, ela não tem um “fim”. Ou seja, todas as espécies atuais estão em constante mudança, muito embora o processo seja lento demais para podermos perceber seus efeitos. Isso basicamente significa que toda espécie viva é, de certa forma, uma espécie transicional.



Mas podemos nos perguntar afinal, qual a história das espécies atuais? Como elas chegaram ao estágio em que se encontram? A única maneira de responder estas perguntar é olhando para o registro fóssil . Algumas espécies em particular tiveram suas histórias bem catalogadas, com uma porção de fosseis que indicam seus possíveis ancestrais evolutivos. No caso das baleias, por exemplo, foi possível estabelecer uma espécie de escala evolutiva representada na figura abaixo.

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Mas é preciso ter cuidado com estas representações gráficas. Embora elas sejam bastante didáticas e organizem o conhecimento de forma cronológica, é consenso de que dificilmente elas representam os passos evolutivos corretos. Na verdade, existe sempre a possibilidade de se encontrar novos fosseis de transição que acabem ampliando a escala evolutiva.

Mas afinal, e o elo perdido? Bom, para muitas pessoas o fato de conhecermos formas transicionais de espécies atuais não significa muita coisa. Críticos da evolução darwiniana com freqüência alegam que embora os fosseis descobertos possam sugerir um processo evolutivo, ainda é preciso encontrar espécies realmente de transição. Uma espécie que demonstre claramente que é “metade uma coisa, metade outra”.

Este tipo de elo perdido não existe. O processo de especiação é mais complexo do que uma cadeira interminável de formas transicionais. Outro problema é o processo de fossilização, que esta longe de ser trivial. É preciso que uma espécie esteja bem estabelecida e possua um bom número de populações para que, eventualmente, alguns de seus indivíduos terminem fossilizados.

Elo Perdido, até agora, só mesmo a série de 1974.

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