Auto-validação e a blogosfera científica.

Janeiro, 2009

Institucionalização! Este foi o grande passo dado pela ciência no período da revolução científica. O resultado desse passo foi o surgimento de um dos maiores empreendimentos humanos já vistos. A ciência cresceu, ganhou credibilidade e afeta ativamente o meio de vida da sociedade.

É curioso notar como a institucionalização em geral resulta no crescimento acelerado de uma atividade qualquer. Mais do que isso, faz com que a atividade em questão ganhe respeito e articulação política. As religiões aprenderam isso bastante cedo. A ciência demorou um pouco mais.

Uma das principais características resultantes da institucionalização é a chamada auto-validação. Isso quer dizer basicamente que uma comunidade qualquer é capaz de validar a si própria. Parece estranho? Mas não é.

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Divulgação Científica 2.0

setembro, 2008

Um usuário on-line. Há segredos na ciência! O laboratorista tranca portas a sete chaves. Ou porque descobriu uma enzima nova, ou porque mapeou um gene antes do cara do laboratório ao lado. E há séculos que a ciência institucionalizada é pouco colaborativa e está presa a mais-valia. O cabo é de guerra e os dois usuários on-line estão a espreita de verbas, ou em busca de um aceite de seu artigo para publicação naquela revista especializada que irá projetá-lo como o ban-ban-ban da enzima –a ser batizada com seu próprio nome– ou do gene em questão. Não conversam entre si, embora desenvolvam trabalhos complementares.

Cinco usuários on-line. A necessidade faz o ladrão e, de repente, surge um comércio de co-autoria para pesquisadores menos éticos. E na mesma essência da mais-valia, cria-se uma corrente do tipo “me adiciona que eu te adiciono”. Enquanto estes fingem que se ligam uns aos outros, cinco usuários do tipo papers (artigos científicos revistos por pares) desta ou daquela revista não conversam entre si, embora configurem um mesmo centro de pesquisa ou uma mesma editoria, dizem assuntos correlatos e utilizam a mesma bibliografia, quiçá o mesmo método. A revista, em bloco, é segmentada e o artigo é uma unidade. Dez usuários on-line. Isso para não dizer dos autores esconde-esconde. Aqueles que não publicam os dados relevantes de suas pesquisa e que acreditam guardar “o segredo” que lhes garantirão chegarem isolados ao pódio ban-ban-ban. Aí é falácia.

Quinze usuários on-line. Me publica que eu te publico! As instituições de pesquisa perceberam que seus índices de visibilidade crescem na medida em que elas são citadas e aparecem nos periódicos científicos. Vinte usuários on-line.

É claro que se a gente for parar para pensar, nem tudo é tão frio assim, mas trinta usuários on-line e o calor dos corpos revelam que a divulgação científica 1.0, em termos institucionais, pouco mudou com o passar dos tempos. Entra ano, sai ano, a cena se repete: pesquisadores isolados escondendo o jogo em prol da mais-valia. Ouro de tolo? Nem tanto. Quarenta usuários on-line.

Não é de hoje que se questiona a divulgação das informações científicas e se estuda a possibilidade de se fazer da ciência a partir de um movimento aberto, como mostra o artigo publicado na edição de abril da Scientific American “Science 2.0 – Is Open Access Science the Future?” (Ciência 2.0 – A Ciência de Acesso Público será o Futuro?) ao discutir como a web 2.0 pode impactar a forma como se faz e divulga ciência nos dias atuais. Cinqüenta usuários; há novas ferramentas on-line! Para este segmento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), a idéia é colaborativa.

Cem usuários on-line. Na web 2.0, cujo conteúdo é o produzido pelo próprio usuário, as wikis –ferramenta colaborativa de construção de hipertexto– e os softwares com licença Open Source –cujo código fonte fica disponível na rede– criaram uma nova proposta de gerenciamento da informação, a divulgação científica 2.0.

Duzentos usuários on-line que se entretém, divulgam ou produzem ciência de forma nunca vista anteriormente, seja através de blogs, comunidades como o Orkut, realidades virtuais como a Second Life ou sítios como o YouTube. Quinhentos usuários on-line e uma licença de direitos autorais para conteúdos abertos, a Creative Common. Mil usuários em rede.