A escola não quer alunos.

agosto, 2014

No dia 01 de Agosto o estado do Paraná se juntou a São Paulo e a outros estados que proibiram por força da lei o uso de celular em salas de aulas nas escolas públicas estaduais.

A justificativa é sempre a mesma, a escola como um todo e os professores em particular não conseguem concorrer com a presença dos aparelhos em sala.

Daí aplicasse a velha lógica brasileira de se proibir aquilo que é o problema aparente sem discutir seriamente as causas. Eu sei que muitos dos meus colegas professores estão felizes pela ampla adoção dos estados brasileiros a esse tipo de proibição, porém é preciso que fique claro pra todo mundo que os celulares não vão desaparecer, a internet não vai sumir, os tablets estarão cada vez mais presente e, a medida que isso ocorre, as escolas vão criando um abismo ainda maior entre si e aqueles que deveriam ser a razão da própria instituição em existir: o aluno.

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Chocolates, Guloseimas e Divulgação Científica

agosto, 2012

O mercado de produtos tem suas peculiaridades.
Inclusive em relação à Divulgação Científica.

Cromos do Chocolate Surpresa

Cromos do Chocolate Surpresa

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Polegar novo de novo.

abril, 2012

Não, seus olhos não estão te enganando. O Polegar Opositor finalmente recebeu aquela merecida atualizada no visual. Mas a atualização é um pouco mais que estética. A ideia principal era sim oferecer aos visitantes um site mais bonito mas que também priorizasse o acesso ao conteúdo e se integrasse melhor às redes sociais.

No que diz respeito à parte estética, optamos por abandonar de vez aquele visual “encapsulado” (fundo cinza que delimitava a área útil do site) por um mais clean com o fundo todo branco. As cores já estabelecidas da nossa identidade visual (vermelho, cinza e branco) foram retrabalhadas. Por todo o site agora pode ser visto a utilização destas cores e de algumas variantes de maneira mais uniforme e consistente.

Outra medida para deixar o visual do site mais consistente foi a adoção de uma tipografia única. Todos os textos do site agora usam a mesma fonte, independente do sistema operacional, navegador ou de você possuir ou não a fonte instalada em seu sistema.

O já tradicional logotipo do Polegar também sofreu algumas mudanças. O macaco e o homem estão mais próximos e junto com o “P” formam um ícone que pode ser usado de forma independente.

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Para discutir Biologia Comparada

abril, 2011

E, aproveitando que estávamos falando sobre Biologia Comparada e sobre como ela vêm se constituindo na linha de frente da Biologia teórica atualmente, venho dizer que o Brasil não está por fora dessa onda. Muita pesquisa séria vem sendo desenvolvida por aqui nessa perspectiva, e a área vem crescendo bastante no país. Existem por aqui alguns programas de pós-graduação específicos para a formação de pesquisadores especialistas em Biologia Comparada.

E um deles, o da USP de Ribeirão Preto, está se organizando para promover no final de julho um Encontro de Biologia Comparada que vai trazer a interessante temática “A diversidade de formas no tempo e no espaço”.  O principal objetivo do encontro é mobilizar estudantes, professores e profissionais da Biologia em discussões sobre mudanças observadas nas diferentes formas de vida nas dimensões temporal (passado, presente e futuro) e espacial (distribuição geográfica), além de manter os objetivos dos encontros anteriores, que são promover a integração entre os alunos do Programa de Pós-graduação e a comunidade acadêmica e divulgar as linhas de pesquisa desenvolvidas dentro do programa.

Portanto, se você é biólogo e trabalha com Biologia Comparada, esse é um ótimo lugar para divulgar o seu trabalho. E, se você é um biólogo que trabalha com outra coisa (como eu!) ou se não é biólogo, mas gosta do assunto, essa é uma oportunidade de ouro para participar de discussões evolutivas interessantes e para acompanhar o que se tem pesquisado na área em nosso país. Te vejo lá!

 

Uma pequena nota.

julho, 2010

Apesar de o blog andar desatualizado (culpa da vida atribulada de todos nós), é válido lembrar que dia 17 deste mês o Polegar Opositor fez três aninhos.

Honestamente? Quando comecei este projeto não achei que ele fosse durar tanto e, coisas da vida, ele é hoje parte fundamental dos caminhos que decidi tomar no meu mestrado. O Polegar Opositor é de uma importância sem tamanho para mim, e me custa muito ficar tão distante dele quanto ando nos últimos meses. Mas prometo que assim que terminar o mestrado, por volta de Setembro deste ano, volto a me dedicar mais ao blog.

Como sempre, o blog também não seria o que é sem a ajuda dos meus queridos colaboradores. Portanto, um obrigado a todos vocês por acreditarem no Polegar e por terem dedicado um pouco o tempo de vocês para alimentarem o blog.

Que venha o quarto ano 🙂

Bola Recuada, Jornalismo Esportivo e Divulgação Científica

junho, 2010

Pois se em Copa do Mundo o tema é recorrente, o jornalismo esportivo anda mesmo muito a desejar. Em informações interessantes, claro. É só ligar a tevê e as reportagens se repetem, e como há quatro anos atrás:

• rivalidade entre Brasil e Argentina. A novidade fica por conta da propaganda de cerveja;
• bate-papos informais com ex-jogadores de futebol e algumas celebridades emergentes. O que será que Bruna Surfistinha tem a dizer?
• filmagens com os estrangeiros e suas colônias. E a saia justa de todo repórter: se o seu país for para a final com o Brasil, pra quem você torcerá?
• mitos pra lá, mitos pra cá. E na história de todas as Copas do Mundo isso, e aquilo, e coisa e tal.
• mais uma vez um jogo de estréia a desejar. Torcedores frustrados.

E se essa Copa do Mundo é aquela que mais investiu em tecnologia – dizem que a FIFA superestimou o poder das vuvuzelas, que atrapalham na recepção de som e, consequentemente, da transmissão televisiva – por que eu sinto falta de matérias mais elaboradas, com conteúdos mais reflexivos?

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A Literatura de Cordel e a Leitura Científica

maio, 2010

As possibilidades da Divulgação Científica são muitas. Algumas tradicionais, outras nem tanto. O fato é que em toda a possibilidade de comunicação há igualmente a possibilidade de divulgação científica. Simples assim. E como bem sabe o marketing e a publicidade, qualquer lugar pode vir a ser um suporte para as estratégias de ação. A mesma coisa se pode dizer da divulgação científica. A diferença é que esta última, em oposição ao marketing e a publicidade, ainda não está na boca do povo. Assume-se por uma distância e pelos esforços de aproximá-la do grande público, em luta de espaço contra o capital tomado pelas mídias de massa. Preferências de um mundo formado por gerações e mais gerações focadas no consumismo e na descartabilidade das coisas e das pessoas.

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A Letra Corrida da Divulgação Científica

dezembro, 2009

É fato existir uma competição científica mundo afora. O laboratório de lá distante do laboratório de cá. Mais vezes uns contra os outros do que todos em prol da ciência. E isso é um paradoxo, uma dialética marxista. No limite, o monopólio químico-farmacológico das descobertas científicas reflete um capitalismo contemporâneo. Uns lutam para serem melhores que os outros. E os estímulos nacionais e mundiais aparecem: Olimpíadas de ciências, de tecnologia, de engenharia e matemática. Por aí afora, qual é a letra da Divulgação Científica?

Por certo que, dentro do contexto, é letra corrida, e armamentista. Letra de capacitações, sistemáticas e feitas para gerarem lucro. Como se as manchetes dos jornais competissem entre si, pelas melhores descobertas, pelo furo, pelo apelo da ciência e, em comum, a esperança de cura para a humanidade. E isso é um paradoxo, uma dialética marxista. E a briga continua entre as ciências naturais e humanas, todas buscando seu lugar ao sol, buscando o estado de dentro, sua tradução em palavras para que chegue até o receptor mais longínquo. Aquele bóia fria que não sabe ler, que vive da tradição oral. Uma metáfora para lembrar que letra não é apenas escrita, posta em papel, mas que há um conjunto de recursos, e são amplos, a disposição da Divulgação Científica.

História oral é letra popular. Independe de ser cursiva, de forma, caixa alta, digital. Letra é signo. É símbolo. É um corpo mudo que pode ser ouvido por alguém. E é aí que entra a ciência, e suas metodologias, para dar forma ao que não se ouve, não se vê com olhos comuns, não se encontra nos paradoxos. É letra corrida, que vai daqui para ali, e dali para acolá. Como os causos, os mitos, as lendas das tradições orais. Quanto de ciência não está dentro delas? Alguém duvida?

Este blog não morreu.

setembro, 2009

Não, este blog não morreu. É verdade que já estamos um bom tempo sem atualizações. Minha culpa, é verdade.

Nos últimos meses venho correndo com o final do primeiro ano do meu mestrado. E não é pouca coisa. Neste tempo, até o aniversário de segundo ano deste blog eu deixei passar em branco, sem nem mesmo uma comemoraçãozinha ou agradecimentos.

Para os que nos acompanham, peço imensas desculpas. Acreditem, deixar o Polegar Opositor tanto tempo sem atualizações me dói muito. Mas espero que em breve esta faze atribulada passe e eu volte a me dedicar ao blog e aos podcasts. Enquanto isso, deixo vocês com um texto novo e a promessa de que volto logo e com novidades.

Um chopes, dois pastel e ciência por favor!

abril, 2009

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa um choppes, dois pastel e uma ciência que não seja requentada. Um pão bem quente com matemática à beça, um guardanapo e um copo de exatas bem gelado, outro de humanas e um último de biológicas. Aproveita para perguntar ao seu freguês do lado o resultado da palestra, que já está no fim.

Seu garçom feche a porta da direita com muito cuidado que eu estou disposto a ficar exposto a esta forma de divulgação científica. É que a ciência está no bar e se você ficar limpando a mesa, não me levanto e nem pago a despesa. Vá pedir ao seu patrão uma caneta, um tinteiro, um conteúdo científico que semana que vem a gente está de volta.

Seu garçom, você sabia que Brasil adentro tem Cachaça Científica? Já está virando rotina lá na Regional de Pernambuco da Sociedade Brasileira de Progresso à Ciência. E se você pensa que cachaça é água, em 2005 aconteceu na Universidade Federal de Santa Catarina e em 2007 a ciência destilada chegou ao Rio de Janeiro com a Casa da Ciência e o Instituto de Química da Universidade Federal.

Acho que não dá para negar. São eventos inspirados no pioneiro Chopp Científico, ciência com arte e colarinho, que aconteceu pela primeira vez em 2002 no Rio de Janeiro, coordenado pela jornalista Luisa Massarani do Centro de Estudos do Museu da Vida / Fiocruz. Ela, por sua vez, foi inspirada em eventos já existentes na Grã-Bretanha, Austrália e França.

Ah, não se esqueça de me dar palitos. Em várias cidades do mundo tem o Café Scientifique, com temas diversificados, e o SciBar, bastante atual. Já sobre Ciência e Governo, é possível ir ao INSPIRE Science Café. Seu garçom vá dizer ao charuteiro que me empreste umas revistas, um isqueiro e um cinzeiro. É que nossos amigos franceses estão com tudo. Eventos desta natureza acontecem já tem mais de anos, em torno de uma década. Bar des Sciences em Paris, Cafes Sciences e Junior Cafes em Lyon, além de eventos semelhantes em cidades como Marseille e Grenobe.

Seu garçom me empresta algum dinheiro que eu deixei o meu com o bicheiro. Tem Café Scientifique em Marrocos, no Egito, na Dinamarca, na Suíça e no Canadá. Tem em Portugal. Tem aqui, tem ali. Tem Science in the Pub na Austrália, tem Café Científico na Argentina. Vá dizer ao seu gerente que pendure esta despesa no cabide ali em frente, que a divulgação científica está criativa, etílica e saborosa. Uma verdadeira Conversa de Botequim, como bem canta Noel Rosa.