Nota de falecimento: Crodowaldo Pavan

abril, 2009

Em 2007, quando comecei a fazer a pós em Divulgação Científica do Núcleo José Reis de Divulgação Científica, tive o prazer de conhecer pessoalmente o professor Crodowaldo Pavan (1/12/1919 – 03/04/2009). Aquele senhorzinho franzino, conservava um cérebro afiadíssimo. Sempre simpático com os alunos, sempre  disposto a conversar com todos.

Era conhecido pela força de suas opiniões, frequentemente polêmicas. Era, afinal, um grande exemplo de como um cientista deve realmente ser. Até os últimos dias questionador, curioso, engajado. Muito diferente da maioria dos cientistas de hoje, sempre preocupados demais com seus egos e currículo Lattes para poderem realizar um trabalho científico realmente interessante.

Pavan foi um dos maiores cientistas Brasileiros. Como ele, restam muito poucos. Sentiremos saudade do homem que sempre empolgado contava em como deu a volta ao mundo três vezes divulgando seu trabalho.

A astrologia por uma cientista

fevereiro, 2009

Garotas na adolescência costumam ser atraídas pelas revistas de previsão astrológica. Eu as lia nas férias, especialmente aquelas que apontavam qual signo combinava com qual. Mas, um tanto científica desde então, decidi colocar aquilo tudo à prova pensando “vou namorar um menino de cada signo para ver se é verdade”.

Neste meio tempo resolvi estudar Astrologia seriamente. Respondi à professora logo na primeira aula que eu estava ali para me entender melhor e tentar entender os outros. Ela se apaixonou pelo argumento e, não fosse também psicóloga, além de taurina com a lua em escorpião, talvez a combinação não tivesse sido tão perfeita para eu entender a astrologia como uma ferramenta de análise Junguiana.

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Auto-validação e a blogosfera científica.

janeiro, 2009

Institucionalização! Este foi o grande passo dado pela ciência no período da revolução científica. O resultado desse passo foi o surgimento de um dos maiores empreendimentos humanos já vistos. A ciência cresceu, ganhou credibilidade e afeta ativamente o meio de vida da sociedade.

É curioso notar como a institucionalização em geral resulta no crescimento acelerado de uma atividade qualquer. Mais do que isso, faz com que a atividade em questão ganhe respeito e articulação política. As religiões aprenderam isso bastante cedo. A ciência demorou um pouco mais.

Uma das principais características resultantes da institucionalização é a chamada auto-validação. Isso quer dizer basicamente que uma comunidade qualquer é capaz de validar a si própria. Parece estranho? Mas não é.

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Atribulações do cotidiano.

dezembro, 2008

Amigos e leitores do Polegar. Como vocês devem ter percebido, o Polegar anda um pouco desatualizado quando comparado ao ritmo normal dos trabalhos. Isso se deve principalmente ao fato de eu estar por demais atribulado com o mestrado e outras questões de ordem particular.

Venho avisar então que o blog não morreu, mas que só poderei voltar a atualizá-lo com  a freqüência normal a partir da segunda semana de janeiro. Pode ser de eventualmente algum colaborador postar algum texto até o final de dezembro, mas em todo caso, estaremos de férias até lá.

Voltamos ano que vem com força total. O Polegarcast também volta a ser produzido e o primeiro programa de 2009 deve ir ao ar na primeira semana de fevereiro. Por favor aguardem. Ainda sobre o Polegarcast, seria interessante saber por parte de vocês leitores que temas gostariam que fosse tratado no podcast.

Além disso, teremos boas novidades que já estão em fase de produção e devem ir ao ar tão logo seja possível. Não conto mais nada para não estragar a surpresa, digo apenas que será bastante interessante.

Então é isso. Agradeço aos que nos acompanharam por todo este ano, e desejo um ótimo natal e um feliz 2009 a todos os leitores, amigos e colaboradores deste blog.

Justificando a ausência.

outubro, 2008

Caros leitores. Quem acompanha este blog percebeu que a atividade diminuiu sensivelmente. Além de ter ficado um bom tempo sem receber atualizações com novos textos, os podcast’s também pararam de ser publicados.

Não temam, o Polegar Opositor não foi abandonado. O que se passa é que mudei para Lisboa para cursar o mestrado em História e Filosofia da Ciência. O processo todo me deixou duas semanas inteiras sem internet e ainda estou me ajeitando por aqui.

Embora minha conexão já tenha se restabelecido, ainda estou correndo com uma série de burocracias de documentos e matrícula na universidade. Essa correria toda ainda vai me consumir outra semana, então não esperem muitas novidades para os próximos dias.

No entanto, o blog volta à sua programação normal a partir do dia 12 de outubro. Até lá, conto com a compreensão de todos. Obrigado.

Thiago Henrique Santos.

Sarau Científico

outubro, 2008

Cena: À direita da porta de entrada, o balcão se fazendo de bar: cachaça de minas, cachaça com canela, vodca, uma garrafa de 51, três garrafas de vinho tinto, frutas vermelhas (morango, framboesa e amora) e limão fatiado para as caipirinhas do tipo faça você mesmo. Compõem a cena uma mesa de salgados, outra de doces do tipo self-service. Na entrada, tocheiros dando as boas vindas, indicam o caminho para o palco: microfone, banquinho, espaço para intervenções. Abre-se o sarau: “queridos amigos, hoje a noite é de muita alegria, pois daremos início ao Primeiro Sarau Científico Polegar Opositor. Como todos sabem, o tema da vez é Evolução. Mas aceitamos vieses, dançarinos de hula-hula e ditadores potenciais do terceiro mundo. Separem seus textos, seus apetrechos que a partir de agora declaro aberto o 1º Sarau Científico Polegar Opositor”.

O texto acima é fictício, mas poderia ter, de fato, acontecido. Lanço aqui a idéia, pois pensar em divulgação científica requer extrapolar os ambientes que são consensualmente comuns à ciência. Tirá-la das salas de aula e dos laboratórios e torná-la mais acessível. Resgatar aquela criança fascinada pelos tubos de ensaios e seus brinquedos alquímicos. Afinal, está lá a Esfinge para nos lembrar. De onde viemos, como funciona o mundo e os feijões que brotam no algodão são questões que facilmente podem ser respondidas num sarau científico. Duvida?

Se fizermos um retrocesso sobre a infância, de quando a rua de cima ficava de rixa com a rua de baixo e as crianças do bairro se organizavam em clubinhos, faziam seus próprios jornaiszinhos e apostavam corrida em carrinhos de rolimã, fica claro que a gente, desde cedo, se organiza em torno de eventos sociais. Então por que nesta gama de possibilidades de se criar e recriar a infância, não apostar que um destes encontros seja um sarau científico? Seria simples. Cada criança ou jovem desenvolveria um pequeno texto de própria autoria ou escolheria algo de agrado, feito por um outro alguém. Haveriam aqueles que levariam uma bússola caseira, outros tentariam por o ovo em pé. Alguns ainda teriam um formigueiro caseiro (pobre de suas mães) enquanto outros se contentariam em usar a espingardinha de chumbo para acertar baratas saída do bueiro da esquina que, divididas em partes, poderiam ser um belo exemplo de dissecação de animais. E como na feira de ciências, o sarau faz da ciência popular e divertida. Uma festa.

Lembro de quando eu era jovem – ou pelo menos mais jovem do que agora – ainda no primeiro ano da faculdade. Bioquímica. Uma prova ferrada no 1º bimestre e uma prova em forma de teatro no 2º bimestre. Meu grupo encenou o Ciclo de Krebs. Perfeito para um sarau científico que, como se pode notar, idade não tem. Só ciência e criatividade.

Polegarcast #4 parte 2: Ciência na Ficção Científica.

setembro, 2008

Voltamos diretamente do futuro para a segunda parte do programa. Eu, Andréa, Rodolfo e nosso robô sindicalista Thomas, voltamos a falar sobre a importância da ficção científica. Discutimos sobre Isaac Asimov e suas leis da robótica, Arthur C. Clark, H. G. Wells e sobre cinema.

Ainda neste programa: Seria a Andréa a mulher bicentenária? Asimov tem mais poder de síntese que Deus? Qual a abrangência do sindicato dos robôs?

Atenção, o Prêmio Podcast esta passando por dificuldades técnicas. O site não esta mais registrando votos e os que já haviam sido registrados foram zerados. Não votem mais no Polegar por enquanto, quando a situação se normalizar avisaremos aqui.

Assine o nosso podcast:
Para assinar nosso podcast em seu iTunes, Amarok, Rhythmbox ou qualquer outro player com a capacidade de lidar com a inscrição de podcast’s use nosso feed:http://feeds.feedburner.com/polegarcast

ATENÇÃO: Adicionamos a capa do podcast ao ID3 Tag da MP3. Isso pode gerar incompatibilidade com mp3-players mais antigos. Se este for seu caso, baixe a versão sem capa do podcast clicando aqui.

Premio Podcast 2008.

por
agosto, 2008

Começou ontem o prêmio podcast 2008. O Polegar Cast também esta concorrendo, na categoria de educação (fica a sugestão para a organização do prêmio, ano que vem seria legal ter uma categoria pra ciência).

Existem duas modalidades de premiação, a de voto popular e a de juri técnico. Por isso, gostaríamos de sua ajuda. Se você gosta do Polegar Cast, esta é sua chance pra demonstrar todo seu apoio, carinho (??) e amor (????). Clique no banner abaixo e, na página que irá abrir, no botão verde (Vote e entre no site).

Também é possível votar pelo botão localizado na barra lateral. O premio só contabiliza votos únicos, então você só pode votar uma vez… por computador. Se tiver mais de um, manda ver. Além disso, a votação não requer nenhum cadastro ou qualquer outro tipo de burocracia.

Não esqueçam de recomendar o podcast para a família e para os amigos (e também peça que eles votem na gente, claro).

Agradecemos o seu voto.

Vote na gente para o prêmio podcast!

Vote na gente para o prêmio podcast!

Curtinhas da semana.

agosto, 2008

Blogosfera científica:

Foi ao ar semana passada o primeiro condomínio de blogs de ciência do Brasil, o Lablogatórios. A iniciativa é do Carlos Hotta e do Átila Iamarino , que tiveram a brilhante idéia de juntar em um mesmo lugar uma série de excelentes blogs de ciência.

O Polegar também foi convidado, mas apesar de não termos nos mudado de mala e cuia pra lá, apoiamos o projeto e torcemos para o seu sucesso.

Blogosfera feminina:

Ah as mulheres! O que seria do mundo sem elas? A ciência também seria um lugar bem mais inóspito, e em homenagem a elas, segue algumas indicações:

A Bárbara do BioLógicas fez um texto excelente sobre a teoria do equilíbrio pontuado do Stephen Jay Gould. Além do texto dar a devida importância a um dos maiores divulgadores de ciência, ainda completa com excelência o texto sobre Elos Perdidos aqui do Polegar.

A Isis do Xis-Xis também representa com louvor a blogosfera de divulgação científica feminina. Eu tentei escolher algum texto em específico pra recomendar, mas o blog é tão bom que seria um pecado não recomendá-lo por completo. Então não deixem de visitar.

A Lua também tem um blog dedicado. Mantido pela Tânia, o site é repleto de informação a respeito de nosso satélite natural. E convenhamos, de todas as mulheres, a Lua é provavelmente a que mais inspirou poetas, escritores, homens apaixonados e cientistas.

E por último, mas não menos importante, a Andréa resenhou um livro que aborda a questão das células tronco de uma maneira, digamos, um pouco tendenciosa… Vale a leitura.

O jantar dos esquisitos.

agosto, 2008

No livro “O mundo assombrado pelos demônios”, no capítulo “Maxwell e os Nerds”, Carl Sagan comenta sobre o estereótipo que se faz de pessoas da ciência. Em uma passagem ele diz que a misantropia e a inaptidão social, embora certamente possam ser associadas a uma porção de cientistas, fazem parte deste estereótipo.

Concordo bastante com o Sagan e, evidentemente, faço o possível para combater este tipo de pensamento. Oras, cientistas são pessoas normais, com pai e mãe. Não há nada de bizarro e incompreensível em uma pessoa que dedica sua vida à ciência.

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