Ciência em fase beta.

março, 2009

Publicar um artigo científico é, em geral, um processo laborioso e até certo ponto burocrático. Além do evidente trabalho de escrever o artigo, é preciso submetê-lo a uma revista apropriada e torcer por uma resposta positiva. Daí até a publicação efetiva o artigo ainda passa pela peer review e etc.

O caso é que na maioria das revistas, da aceitação do artigo à publicação, existe um hiato de, em geral, um ano. Dependendo da revista, esse período pode aumentar ainda mais, eventualmente, chegando a três anos.

Disso resulta que é muito comum ver os pesquisadores distribuindo seus trabalhos entre seus colegas antes de ele ser publicado. A questão que podemos levantar disso tudo é, até quando tal situação vai se manter?

Quer dizer, é compreensível a importância do artigo publicado em uma revista científica. Tem a ver com a famosa “auto-validação” da comunidade. Quando um artigo é publicado, significa que esta validado. Por outro lado, tal artigo já estava “nas mãos” da comunidade antes disso, e em alguns casos, já poderia estar sendo usado como conhecimento validado.

Se assim o é, podemos dizer que o artigo já estava validado pela comunidade, embora não pelo método “oficial”. Extrapolando um pouco a situação toda, e fazendo um monte de especulações, podemos imaginar um cenário futuro curioso.

E se os pesquisadores começassem a disponibilizar seus artigos em seus blogs ou sites pessoais? E mais, e se isso fosse o suficiente para o trabalho ser reconhecido pela comunidade? Afinal, por mais referree’s que uma revista possa arranjar para avaliar seu artigo, eles ainda seriam menos do que os que poderiam potencialmente realizar a mesma atividade caso o artigo estivesse amplamente disponível na internet.

De fato, é possível dizer que desta forma, toda a comunidade de pares poderia, em última análise, avaliar um artigo qualquer. Mais ainda, o pesquisador em questão poderia ir modificando seu artigo conforme fosse recebendo críticas ou sugestões, além de poder constantemente atualizá-lo conforme fosse desenvolvendo a pesquisa.

Isso produz um efeito semelhante ao que vemos hoje em dia com os softwares disponíveis pelas grandes empresas de internet. Eles estão sempre em fase beta, por que estão sempre sendo modificados pra atender o feedback dos usuários.

Será este o destino da ciência 2.0? Estar em fase beta? E com uma comunidade capaz de validar os trabalhos científicos sem que eles sejam publicados em revistas de renome, qual seria o destino destas publicações?

É um cenário extremo, mas não de todo impossível.