Não sei a quanto tempo, mas anda rodando a internet um vídeo mostrando supostos discos voadores no Haiti passando por cima de coqueiros e subindo aos céus para se juntar a outros tantos discos. A algumas semanas também recebi um email dizendo que em determinado dia de agosto seria possível observar Marte no céu a olho nú , ele estaria do tamanho da Lua e o fenômeno só se repetiria em alguns séculos. Os dois casos possuem duas coisas em comum. Ambos são falsos e ambos foram encarados como legítimos por muita gente.
Esse tipo de situação não é raro. Ainda me lembro que certa vez o Discovery Channel passou um programa que especulava se seria possível, sem apelar ao fantástico, a existência de animais como os lendários Dragões. No dia seguinte diversas pessoas vieram me questionar se eu tinha visto que “os cientistas ” tinham descobertos fósseis reais de dragões. O mais surpreendente foi ver pessoas da minha sala da faculdade repetindo o mesmo.
Sagan já avisava, falta ceticismo no mundo. As pessoas parecem ter uma propensão a aceitar o fantástico imediatamente, sem pararem para questionar o que estão vendo ou aceitando. Um péssimo hábito cultivado cada vez mais por uma sociedade de pensamento padronizado, alguns diriam até “pasteurizado”. Não se para mais para ouvir, por consequência , perdemos a habilidade de analisar o que é dito. A preguiça de pensar ou de averiguar a veracidade do que foi exibido se alastrou como uma doença contagiosa. Qual a finalidade de pensar, se temos quem faça o trabalho pesado por nós?
Talvez seja a hora de os divulgadores científicos agirem com mais energia na tentativa de disseminar o ceticismo saudável, afinal este é o papel de todos que estão comprometidos honestamente com a boa ciência.
Indo além
Bilhões e Bilhões: Reflexões Sobre Vida e Morte.
O Mundo Assombrado Pelos Demônios.
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Oi T, como vai?
Hey, vc acabou com o apropriações e não deixou um link para que as pessoas que costumavam ir lá pudesse vir aqui. Somente quando fui deixar um depoimento te pedindo um favor é que ví o endereço daqui.
Em relação ao que vc escreveu, existe uma parcela de culpa da imprensa com sua pretensao de veracidade, de estar transmitindo a verdade dos fatos, de que faz um jornalismo investigativo, quando na verdade suas matérias tbm visam interesses ideológicos, economicos e o ibope, claro!
Certa vez eu vi ua palestra de um consultor da globo falando que fizeram uma reportagem para o Fantástico sobre a lenda do minotauro, seu labirinto e o palácio de cnossos e passou na tv totalmente editada, com cenas de um filme em vez das filmagens feitas no local, de forma totalmente apelativa e que acabou totalmente com a seriedade do trabalho feito.
Claro que duvidar é saudável e acho que depende um pouco de nós reverter esse quadro. Porque vivemos em um país de semi-analfabetos, analfabetos funcionais e ensino precário. Campo fértil para crendices desse tipo.
Mas quando eu participava de encontros de um clubinho de astronomia, não sei se era Marte ou Mercúrio que dava pra ver a olho nú no céu, mas é apenas um pontinho vermelho. Dá para confundir facilmente com outras estrelinhas… Agora vou precisar tirar essa dúvida! =D
E quanto ao que vc postou, eu tenho que estar muito, mas muito aborrecida com a pessoa para dar um “coice”. Além do mais, eu temo seriamente dele se apaixonar de vez. Credo!
Bjus
Acabei de comentar isso que vc escreveu para um amigo meu que é jornalista e ele falou que às vezes é preciso “Flexibilizar” a reportagem para que a maioria das pessoas possam ter alcance.
Flexibilizar, usar um vocabulário mais fácil é uma coisa, dar espaço para divulgação de mitos e crendices como se fossem verdades é outra.
Se as coisas fossem levadas mais a sério por quem divulga conhecimento, correntes de net como as que vc falou não iriam muito longe.
A priori tudo tem um interesse ideológico, econômico e social. Mesmo a ciência passa por isso.
Em todo caso eu acredito que exista um problema de ordem mais profunda que é esta coisa de achar que todo mundo é idiota a ponto de não compreender o que se escreve.
Confesso que as vezes eu mesmo faço isso sem perceber. O fato é que se sempre tratarmos o leitor como um idiota, ele nunca vai ter estímulo suficiente pra não ser um…
S: concordo absolutamente! “Flexibilizar” e “distorcer” são duas coisas diferentes. A mídia utiliza-se de ambas, cada uma quando lhe é mais conveniente. Sem dúvida falta responsabilidade na mídia – e não só na brasileira, mas mundial.
S e T, quanto às correntes de internet, recebi – em pleno 2007!!! – mais uma vez o e-mail sobre a menininha no hospital será salva por doações da Microsoft e AOL, X centavos para cada e-mail encaminhado. Dá pra acreditar?
Oi T, vc tem razão.
Acho que além de informação, as escolas e a educação de uma forma geral deve estimular mais o espírito crítico das pessoas.
Transmitir informações e não ensinar às pessoas como aplicá-las, o que fazer com elas é um problema que as instituiçõs de ensino não estão conseguindo dar conta.
E as situações que nos deparamos por aí, como o caso dos emails com informações falsas, reportagens irresponsáveis, supertições de uma forma geral reforçam esse problema.
Eu realmente não sei como resolver esse problema. Acho que não é humanamente possível saber tudo sobre tudo. Mas acho que as pessoas deveriam ter um mínimo de conhecimento que lhe permita cair em histórias como a de Marte ficar do tamanho da lua em certa época do ano.
[Cometário fora do tópico]
Legal este espaço hein! Já assinei o feed para não peder mais nenhum texto!
[]‘s
Hahahaha, esse documentário dos dragões foi lúdico! O que teve de gente dizendo que dragões de verdade tinham existido, e até que apareciam na tv!
A falta de ceticismo é um sintoma de uma carência ainda maior, são os analfabetos científicos e filosóficos. Ausência de conceitos filosóficos básicos e deficiência crônica de conhecimentos científicos.
É um traço interessante da personalidade humana, ela se apressa muito mais em acreditar no fantástico que no real…
Abraço!
PS. O blog está muito bom heim?