Nos dias atuais, é comum uma pessoa que está doente procurar na internet tudo sobre sua “possível” doença, desde os métodos mais modernos de diagnóstico até os tratamentos mais recentes e já chegar ao consultório médico com uma idéia pré-concebida de como deve ser a conduta clínica. Mas é preciso ter muito cuidado, pois ao contrário do que muitas pessoas imaginam, os exames complementares, exceto em casos especiais, não são essenciais para o diagnóstico da maioria das doenças. O importante para um diagnóstico bem feito e um tratamento bem conduzido é um profissional competente que mantem uma boa relação médico-paciente e um bom raciocínio clínico.
Com o rápido desenvolvimento da medicina que houve neste século, surgiram diversos métodos de diagnóstico de imagem, sorológicos, anatomo-patológicos e começou a haver uma supervalorização dos exames complementares sobre o diagnóstico clínico.
Muitas vezes, diante de um paciente com todos os sintomas para determinada doença, um médico questiona seu diagnóstico devido a um resultado inesperado em algum exame. E também não é incomum ver um paciente que questiona a competência de seu médico após uma consulta onde o mesmo faz o diagnóstico somente pela clínica, sem solicitar nenhum exame.
Os exames complementares são avaliados por sua sensibilidade e especificidade. Sensibilidade é a capacidade de conseguir detectar TODAS as pessoas que possuem determinada doença. Ora, então eu quero um exame totalmente sensível, alguns pensarão agora. Mas para que um exame seja extremamente sensível, alguma coisa será sacrificada. Quando um exame é capaz de encontrar a maioria dos pacientes com determinada doença, alguns pacientes que não tem a doença acabam sendo incluídos no meio dos “positivos” e, por isso, os exames sensíveis são bons exames de screening. Um exemplo é o ELISA que é realizado no teste anti HIV. Se um exame sensível diz que você é negativo, ótimo, você provavelmente o é. Mas se ele der positivo, ele deve ser confirmado por um outro exame que seja mais específico.
Um exame específico é aquele que é capaz de dar mais “certeza” ao diagnóstico. Ao contrário da sensibilidade, a especificidade fala sobre os exames positivos. Aqui, quando um exame dá positivo, é porque ele provavelmente o é. Um bom exemplo é o western blot realizado para o diagnóstico do HIV.
Voltando ao exemplo do HIV, todos os pacientes são primeiro testados pelo ELISA que é um teste sensível, de screening. No caso do resultado ser negativo, pára-se por aí. No caso do exame positivo, temos que continuar a investigação e, agora sim, usar um teste específico que é o western blot. Ele será capaz de filtrar os verdadeiros positivos e os falso positivos.
Nenhum exame é 100% específico e sensível, e todas as vezes que aumentamos uma destas características, a outra acaba sendo sacrificada. Por isso, mais importante do que fazer o exame mais caro, o mais novo, a tecnologia mais moderna é ter um profissional competente que saiba discernir qual o melhor exame para o seu caso e se realmente há a necessidade de um. Podemos estar na era tecnológica, mas a clínica é e sempre será soberana.
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Querillllda! Td bem?
Dúvida seríssima: existe FALSO NEGATIVO de Aids? Sempre me disseram que o positivo tinha chances de ser falso, mas que o negativo era certeza. Então não entendi seu comentário que se o teste deu negativo “você provavelmente o é”… gostaria mto de entender melhor isso! Tenho um amigo que teve um falso positivo tempos atrás (foi muito barra para todo mundo por dois anos, até ele decidir refazer o teste) e quando deu negativo nós comemoramos tanto – há chance de ele ser realmente positivo, no fim?
Bom ogro
o teste de AIDS é um exame bem sério, tanto que todos os exames são testados duas vezes pelo menos para evitar que resultados errôneos sejam liberados.
E no caso de uma das testagens ser positiva, faz-se novos exames mais específicos para confirmar e minimizar a chance de erro.
Mas esta chance, apesar de minima com todas estas testagens e retestagens existe e não é por displicencia do laboratorio, mas inerente a qualquer exame.
Entao, no caso de 2 resultados conflitantes, o ideal é fazer uma terceira testagem.
meu querido Ogro, o caso do falso negativo que vc está dizendo refere-se a janela na indentificavel do exma…
aproximadamente por 3 meses apos o virus entrar no corpo o exame nao o detecta, por isso mesmo com um resultado negativo, (que no caso do ELISA, sensivel, exclui a doença) o exame deverá ser repetido!!!
100% entendido agora????
corrigindo a primeira frase: refere-se a janela não indentificavel do exae