A ilusão da verdade.

outubro, 2008

Lidar com a ciência experimental é provavelmente um dos trabalhos mais difíceis de se fazer. O pesquisador precisa de paciência não só pra desenvolver sua teoria, mas encontrar as formas corretas de se testar as preposições e descobrir se está no caminho certo.

O problema esta justamente na experimentação. Há objetos de estudo que permitem experimentações simples. Por exemplo, se eu tenho a teoria de que todos os cisnes são brancos, a experimentação consiste na simples observação destes animais.

Mas nem sempre é assim. Como experimentar a existência de uma partícula quântica? Ou experimentar o processo de especiação? Embora seja possível, a realização esta longe de ser trivial. Essa dificuldade pode se transformar em uma armadilha para o cientista.

Se nos iludimos com uma pintura, o que pensar quando olhamos para o Universo?

Se nos iludimos com uma pintura, o que pensar quando olhamos para o Universo?

Por vezes estamos tão compenetrados em nosso trabalho, e não raro ele se torna tão desgastante, que podemos incorrer em um erro de interpretação e tomarmos um resultado qualquer como verdadeiro. O famoso “falso positivo”. É claro que a rotina de laboratório estabelece uma espécie de “sistema anti erros”, a repetição do experimento diversas vezes em geral evita que o erro permaneça.

Mas na história da ciência existem alguns casos de cientistas que, na obstinação de se provarem corretos, muitas vezes acabavam por não tomarem o cuidado de verificar seus resultados. Veja, não se trata em geral de casos de desonestidade, embora eles tenham existido. É antes de tudo a vontade embriagante de compreender o mundo.

Há ainda um outro problema. Dependendo da dificuldade experimental, podemos descobrir em algum ponto que o conhecimento humano e a tecnologia simplesmente não conseguem atingir determinados níveis de complexidade. Mas neste caso, o que nos faz convivermos com a ilusão é a incapacidade de lidar com a verdade.