A necrofilia da Ciência: Leibniz

setembro, 2008

A banda de rock Pato Fu, no disco Televisão de Cachorro, gravou uma música chamada Necrofilia da Arte. A música é sobre como músicos ganham fama rapidamente depois que morrem de maneira trágica ou misteriosa. Na ciência, isso ocorre algumas vezes.

Embora talvez possamos justificar que a ciência demora para mudar seus paradigmas. Além de em muitos casos as idéias de determinado cientista serem tão modernas e arrojadas, que simplesmente não podem ser verificadas com a tecnologia atual.

Se o Leibniz morreu, eu amo ele*
É o caso do cientista, filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz. Dono de um intelecto incrivelmente versátil (e de uma bela peruca), Leibniz foi influente nos campos mais diversos do desenvolvimento humano.

Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.

Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.

Trabalhava pesquisando genealogias para a aristocracia, e por isso tinha uma boa influência. Além disso é creditado a ele, em conjunto com Isaac Newton, a criação do cálculo moderno. Nesta mesma área, Leibniz foi um dos primeiros a construir uma máquina de calcular. Suas idéias ainda tiveram grande impacto na filosofia (aonde provavelmente é melhor reconhecido) e política.

O problema de Gottfried, foi ter se indisposto com Newton por conta da autoria do “cálculo”. O fato é que os dois gênios desenvolveram o mesmo trabalho mais ou menos ao mesmo tempo. Assim como Darwin e Wallace fariam séculos depois. Os dois chegaram a se corresponder algumas vezes, e em determinada ocasião Newton lhe enviou mais detalhes sobre seu trabalho.

Leibniz acabou publicando sua teoria primeiro e, por conta da similaridade, Newton o acusou de plágio. Historiadores da ciência concordam que apesar das semelhanças, Leibniz não usou o trabalho de Newton para desenvolver o seu. Mas na época, a briga dos dois acabou por desmoralizar Leibniz.

Para piorar, o alemão defendia um universo relativo. Esse modelo, que hoje é bem estabelecido graças a outro alemão, Albert Einstein, desafiava o modelo newtoniano de universo. E desafiar Newton não era brincadeira. O homem era presidente da Royal Societyof London, a mais respeitada academia de ciência da época.

Suas idéias sobre relatividade mudariam a física moderna através da relatividade geral e restrita. Além disso, alguns de seus textos discutem a natureza do átomo possuem uma semelhança fantástica com modelos quânticos atuais.

Von Liebniz morreu com a credibilidade abalada e vendo suas idéias suprimidas pela física newtoniana. Sua genialidade só seria reconhecida séculos depois.

*Trecho adaptado do refrão da música Necrofilia da Arte. O original seria “Se o Lenon morreu, eu amo ele”.