Aristóteles e a ciência de todos os tempos.

novembro, 2008

Vivemos em um mundo moderno, ou ao menos é o que gostamos de dizer. Temos carros, computadores, celular, internet e estações espaciais. Todos símbolos da grande capacidade inventiva humana. Todos fruto do desenvolvimento acelerado do empreendimento científico.

Mesmo a ciência é normalmente referenciada como “ciência moderna”. O que nem sempre nos lembramos é que a base de sustentação dessa modernidade é uma idéia antiga. Muito antiga. Popularizada por um homem que viveu a mais de 300 anos antes de Cristo.

Aristóteles foi, e ainda é, um dos maiores gigantes do intelecto humano. Foi discípulo de Platão, mas desenvolveu uma filosofia curiosamente divergente da de seu mestre. E a divergência era a forma de encarar o mundo. Para Platão, o mundo físico era uma espécie de “sombra” de um outro mundo. Um lugar em que todas as coisas do plano físico existiam em sua versão real. O mundo platônico das idéias não podia ser atingido pelos sentidos humanos.

Platão, de vermelho e Aristóteles de azul.

Platão, de vermelho e Aristóteles de azul.

Essa particularidade impedia que o homem soubesse as causas reais sobre qualquer fenômeno natural. De modo que para Platão, devíamos nos ater à descrição dos fenômenos físicos. Aristóteles trabalha sob um ponto de vista completamente oposto. Para ele, todo fenômeno da natureza deve ter uma causa natural. De modo que se quisermos saber mais a cerca de algum efeito natural, só precisamos observá-lo.

Esse pressuposto simples, conhecida como empirismo, é a base de toda a ciência moderna. A idéia de que os fenômenos físicos não são fruto de forças sobrenaturais, ou da ação de Deus, ou de qualquer outro tipo de entidade mágica ou mística, mas sim da interação de objetos físicos com o próprio meio físico nos colocou aonde estamos hoje.

Além disso, Aristóteles teve grande influência em ciências como astronomia e biologia. As descrições biológicas do filósofo são de uma qualidade inacreditável e, para o leitor desavisado, se confundem facilmente com descrições que biólogos modernos fariam. Duvida? Basta dar uma olhada nos “historia animalium (em inglês) para tirar a prova.

Poucos homens tiveram a versatilidade de Aristóteles. Seu modo de olhar para o mundo, bem como seu trabalho descritivo da natureza, é além de muito interessante, bastante complexo. Além de evidentemente ter sobrevivido aos milênios e estar presente em nosso dia a dia.