Tempos modernos, problemas antigos.

novembro, 2008

A questão central aonde eu queria chegar com todo este caso sobre o Universo ptolemaico é a maneira como nos posicionamos ao olhar para a antiguidade. É muito comum imaginarmos a construção do conhecimento como uma sucessão de fatos que se acumulam. Mas essa visão não parece ser muito correta.

O principal problema em imaginar uma “linha do tempo” historico-científica é que, quase que invariavelmente, colocamos as novas descobertas como “superiores” às descobertas passadas. Com efeito, as vezes cometemos o erro de defendermos um modelo aonde as teorias modernas são a grosso modo evolução das teorias antigas.

Ver a história da ciência desta forma, é ignorar uma série de fatores. O principal deles é que os povos antigos não eram necessariamente primitivos. Olhando com certo rigor, podemos observar claramente que os problemas que afligiam as grandes mentes da antiguidade, não são diferentes dos problemas que afetam a sociedade moderna.

Questões sobre a natureza do tempo, funcionamento do sistema solar e do Universo, questão básicas sobre o movimento dos corpos e por aí vai, sempre foram problemas centrais. Veja que todo o conhecimento adquirido, que vem de muito antes do “milagre grego”, remontando à Babilônia a mais de quatro séculos antes de Cristo até hoje, não é capaz de resolver todos os problemas sobre o estudo sistemático do mundo físico.

Há problemas que jamais foram resolvidos. Há problemas que se imaginava estarem resolvidos, mas que as vezes retornam para assombrar os cientistas modernos. Fora o fato de a ciência ter passado por uma grande reformulação durante a chamada “revolução científica”. Oras, com uma história tão fragmentada e cheia de acidentes, não temos como encontrar uma “fluidez” no conhecimento científico.

Teorias e modelos científicos vem e vão a todo instante. Teorias que não são capazes de resolver certas classes de problemas, como a física newtoniana, dificilmente são abandonadas quando um novo modelo mais completo é encontrado. O que nos falta é olhar com mais respeito para os antigos.

Os problemas levantados por estas civilizações são, respeitando as devidas proporções, os exatos mesmos problemas que enfrentamos hoje. O único mérito da ciência moderna é ter atingido uma maturidade técnica suficiente para abordar estas questões por novos pontos de vista.

Há quem defenda que nem mesmo disso podemos nos gabar.