Viva la revolución! A explosão cambriana do conhecimento científico.

outubro, 2008

A explosão cambriana é um período curioso da história da vida na Terra. Quando olhamos para o registro fóssil do período anterior, notamos que a diversidade biológica não era lá muito grande. Ou talvez as condições não fossem as melhores para o processo de fossilização. O caso é que na passagem do pré-cambriano para o cambriano, a biodiversidade do planeta da um salto incrível. Uma espécie de “explosão” de tipos de seres vivos. A ciência teve um período similar, conhecido como Revolução Científica.

Aconteceu entre os séculos XVI e XVII. Até então o empreendimento científico existia de forma tímida, e se perdia dentro de atividades como a alquimia ou astrologia. Mas de maneira semelhante à biodiversidade, durante o período de transição entre a Idade Média e o Renascimento, a ciência ganhou corpo e começou sua trajetória meteórica até o ponto em que se encontra hoje.

E assim como a explosão cambriana, o período da Revolução Científica é coberto de controvérsias. Provavelmente a maior delas seja a explicação para a revolução ter se passado na Europa Ocidental. O fato é que em termos de avanço do conhecimento, a China e os povos islâmicos, em muitos aspectos, eram tão, ou talvez mais, avançados que os europeus.

Mas tanto os islâmicos quanto os chineses, em algum ponto, pararam de avançar enquanto a Europa prosseguiu. O resultado foi que a ciência, até então um desdobramento da filosofia, ganhou autonomia. Se institucionalizou e cresceu vertiginosamente. Em quatro séculos, avançou mais do que nos quase dois mil anos anteriores.

Grandes nomes da história da ciência, como Galileu Galilei, Kepler e Descartes tiveram muita influência neste período. Assim como o pensamento positivista, que logo iria estabelecer o rumo do pensamento científico dos próximos anos.

A ciência atual se consolidou como a conhecemos no final do século XIX. Apesar de essencialmente ser diferente daquela proto-ciência do período da Revolução, ainda traz a herança positivista. Mesmo assim, muito se discute sobre o que é a ciência e como ela se posiciona na sociedade.

São discussões relevantes e que em geral questionam fortemente o modelo atual. Não sabemos em qual direção a ciência irá seguir nos próximos quatro séculos, mas talvez estejamos às beiras de uma nova revolução.