Fiquei sabendo pelo G1, que por esses dias James Watson, um dos descobridores da dupla hélice do DNA, associou os problemas do continente africano à genética. Ainda segundo o G1 Watson disse:
“Não há uma razão firme para imaginar que as capacidades intelectuais de pessoas separadas geograficamente em sua evolução devem ter evoluído de forma idêntica. Nosso desejo de dar capacidades racionais iguais como uma forma de herança universal da humanidade não é o suficiente para fazer com que seja verdade.”
Evidente que Watson foi leviano e infeliz em sua declaração. Polêmica parecida já aconteceu no passado quando da publicação do livro A Curva de Sino, que estabelecia relações genéticas para justificar os desvios nos índices de inteligência entre negros e brancos. O livro foi amplamente refutado depois de sua publicação. Era evidente que a pesquisa que originou o livro tinha problemas metodológicos, não abrangia a complexidade do tema e tirava conclusões precipitadas.
É preciso entender primeiramente que a genética não é a única responsável pela capacidade intelectual de ninguém. Fatores do meio como disponibilidade de alimento, tipo de dieta, estímulo intelectual, entre outros, talvez sejam ainda mais importantes. Olhando especificamente para a África, não é difícil estabelecer milhares de outras explicações sem fundamentação genética. Eu diria até que o difícil é estabelecer uma justificação genética.
Em todo caso precisamos lembrar que o próprio conceito de inteligência é controverso. Existem diversos conceitos diferentes sobre o que consideramos inteligência, há pesquisadores que defendem inclusive múltiplas inteligências. No entanto, não discordo totalmente do Watson quando ele diz que “não há uma razão firme para imaginar que as capacidades de pessoas separadas geograficamente em sua evolução devem ter evoluído de forma idêntica”.
No entanto Sr. Watson, também não há razões firmes para acreditar nas baboseiras de um cientista querendo criar um pouco de confusão. Ou um pouco de publicidade.
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O incentivo familiar é extremamente importante para o desenvolvimento da inteligência, mas com certeza existem outras coisas a considerar. Uma delas seria a sociedade e o meio social em que o indivíduo vive. Porque se ele vive em um meio onde não tem acesso à informação, ou onde a leitura, por exemplo, não é um hábito comum, dificilmente ele se sentirá estimulado a buscar isso. Claro que existem exceções.
Mas vc levantou bem a questão da alimentação na infância. Porque o sistema nervoso se desenvolve na infância e se a criança tem uma alimentação deficiente de proteínas, vitamina B 12 e iodo até o 6 anos, por exemplo, ela realmente terá problemas futuros. Existem tb aquelas doenças genéticas (como o hipotireoidismo congênito e a fenilcetonúria) que agora no Brasil são descobertas com o teste do pezinho e qdo tratadas a tempo não têm consequências maiores, mas que se não tratadas levam até ao retardo mental. Não é difícil supor que no exemplo citado no post (da África) que são países pobres, a saúde pública não é tão boa e estes fatores sejam ainda causadores de deficiência intelectual.
Sobre o comportamento do cientista…marketeiros existem em todas profissões e tem gente que tenta se manter no centro da mídia a qualquer preço, mesmo que este seja o de falar qualquer merda pouco fundamentada rsrs.
beijos
Como sempre textos de altíssimo padrão, assim como os comentários.
O duro é que, por mais que a bobagem dita pareça ser evidente, alguns setores da sociedade se aproveitam de momentos como esse para justificar delírios tais quais racismo, homofobia e machismo. Todos os outros comentários, contrários à essas idéias, advindos também de cientistas são desconsiderados, basta um infeliz para tais imbecis (não dá para ser eufemista) vejam seus preconceitos justificados e ratificados. Blah…
Evidente que o Sr. Watson está meio gagá. rs Falando sério, o mais bacana foi o pedido de desculpas totalmente sabonete dele: “Me perdoem se o que eu disse foi entendido dessa forma”… maneira ótima de colocar sutilmente a culpa em quem OUVIU, e não em quem falou a abobrinha.