O que há de errada não é a ideia em si, mas como o discurso dominante que se apropriou ideologicamente do significado da palavra sustentabilidade, para dar a ele uma ideia de que é possível desenvolver sem agredir o meio ambiente, desde que seja um desenvolvimento tecnológico feito através do “know how” da ciência e financiado pela economia de mercado…
Aí é que jaz o problema, esse discurso hegemônico apoiado no paradigma cientificista-tecnológico que vivenciamos na sociedade moderna, capitalista, urbana e globalizada nos leva a uma lógica muito contrária ao que apregoa o discurso da sustentabilidade… Na verdade a lógica é a produção e o consumo. E para haver produção há de se ter recursos, buscados na exploração no meio ambiente (mas isso ninguém precisa saber, ou a gente dá um jeito de falar que estamos fazendo isso de uma maneira sustentável) e assim essa relação se retroalimenta pelo discurso que a produção se justifica, pois, garante a qualidade de vida (consumo exagerado e supérfluo).
E assim empresas que querem ser corretas do ponto de vista socioambiental, divulgam suas imagens em comerciais publicitários em horário nobre e os clientes e consumidores daquela marca, por terem uma visão simplificada do processo caem na armadilha do senso comum.
Um outro exemplo, da armadilha do senso comum é de que através de mudanças de comportamentos, haverá uma solução milagrosa de todos os problemas ambientais: locais e globais. Esses argumentos que se destinam à “conscientização” podem parecer convincentes para grande parte do público e apesar de conterem falácias, não são totalmente falsos. É importante sim que cada um faça a sua parte, mas , para haver mudanças significativas da realidade socioambiental não bastam apenas as transformações individuais, são necessárias também transformações ao mesmo tempo na sociedade.
E aí voltamos ao tema que deu início a esse “post” o mito da sustentabilidade. Se fosse empregado através do sentido dado pela Comissão Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) deveria ser entendido da seguinte forma: “O desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações se satisfazerem.” No entanto, muitos acreditam que seguindo a lógica mercadológica do capitalismo atual, isso simplesmente seria impossível e somente uma quebra de modelo (paradigma) e mudança nos rumos sociais poderia possibilitar o um desenvolvimento efetivamente sustentável, mas isso pode vir a ser tema para um outro momento, possivelmente um outro “post.”
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Concordo plenamente, é uma grande balela toda essa propaganda verde que circula nos meios de comunicação. É uma coisa +ou- do tipo "nós do supermercado x nos preocupamos com o meio ambiente, mas compre conosco e leve tudo em sacolinhas que levam séculos para se decompor".
Vemos isso dia após dia, como quando se foi descoberta a possibilidade de extração de petróleo no pré-sal, a prerrogativa era "sustentabilidade isso e aquilo" mas encontramos petróleo no pré sal o que houve? "Vamos extrair petróleo", grandissíssima essa sustenabilidade.
Procuro estar sempre fazendo minha parte, mas não tenho falsas esperanças de que o mercado que lucra com isso vá simplesmente abandonar suas práticas em nome de um futuro melhor.
Somente a quebra dos paradigmas pode mudar esse quadro.
O James Cameron que dirigiu o filme dos índios azuis (que é um show de sustentabilidade) veio ao Brasil para um "Congresso de Sustentabilidade" na Amazônia. O que serve apenas para as grandes empresas mostrarem que estão pensando na natureza e faturarem mais dinheiro com isso além do habitual.
O que me espanta é marcas como o Wallmart fazerem campanhas de "Consumo consciente" e claro de sustentabilidade! Será que os ecochatos não conseguem entender que isso é intrinsecamente impossível? Se o pessoal do GreenPeace e WWF investissem mais em uma real conscientização e não um adestramento verde poderíamos ter pessoas mais críticas, que não aceitariam uma campanha deste tipo. Mas as ONGs verdes não querem isso. Se as pessoas forem mais críticas não vão apoiar campanhas esdrúxulas como a Hora do planeta e Xixi no Banho…
Parabéns pelo post e continue neste tema pois precisamos de pessoas mais críticas falando sobre meio ambiente.
Acredito que muitas empresas utilizam o chamado 'Greenwash' (lavagem verde) para pintar seus produtos de verde e dizer que são 'amigos do meio ambiente'. Porém, muitas empresas já estão trabalhando com os conceitos corretos de sustentabilidade e outras ainda estão aprendendo. Não se torna uma empresa ou um produto sustentável de uma hora para outra, é preciso muito trabalho e transparência. Na França, produtos que se dizem sustentáveis em rótulos e propagandas já estão sendo punidos fortemente com multas. Dizer que a sustentabilidade é um mito… talvez, mas acredito que toda mudança precisa de um primeiro passo. Estamos nele agora… em busca da sustentabilidade. No futuro poderemos punir e forçar fabricantes a serem de fato sustentáveis. O importante aqui não é a palavra e sim a atitude das empresas de repensar seus produtos, inovar e gastar dinheiro. Concordo com seu post, mas acredito que toda essa mudança é muito positiva para a sociedade e não podemos desprezá-la.
O Wall-Mart pode não ser um exemplo de empresa, mas através do projeto deles de sustentabilidade, fabricantes que nunca pensariam em mudar estão sendo forçados a criar pelo menos 1 produto ecológico e alterar suas embalagens e transporte. Se não fossem eles, todos os fabricantes continuariam do jeito que estavam! A escolha final é do consumidor.