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	<title>Comentários sobre: O outro lado da moeda – um preâmbulo</title>
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	<description>divulgação científica, ciências, evolução, biologia, criacionismo, filosofia da ciência, karl popper, thomas kuhn</description>
	<lastBuildDate>Thu, 11 Mar 2010 15:50:43 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Por: Renato</title>
		<link>http://polegaropositor.com.br/o-outro-lado-da-moeda-%e2%80%93-um-preambulo/comment-page-1/#comment-2062</link>
		<dc:creator>Renato</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 12:45:14 +0000</pubDate>
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		<description>&#201; Diogo, exatamente a&#237; que reside a quest&#227;o. Se voc&#234; tiver um &quot;gene do c&#226;ncer&quot;, ele aumentar&#225; a possibilidade de voc&#234; desenvolver c&#226;ncer, dependendo dos seus h&#225;bitos cotidianos, como a sua alimenta&#231;&#227;o, se vc fuma ou n&#227;o, o n&#237;vel de stress da sua vida, etc etc etc. Saber que vc carrega esse gene poderia salvar sua vida, pois voc&#234; mudaria seus h&#225;bitos. O ponto &#233; que n&#227;o existe uma rela&#231;&#227;o direta e causal: &quot;Vc tem o gene, logo, vc ter&#225; cancer. V&#225; com Deus!&quot;..&quot;Vc tem o gene da obesidade? Ent&#227;o desencana, nem adianta ir na academia porque vc vai ser gordo pra sempre!&quot; Nosso gen&#243;tipo abre um leque de possibilidades, um espectro de fen&#243;tipos poss&#237;veis, de forma que n&#227;o podemos prever nada, principalmente comportamentos (e.g. irm&#227;o g&#234;meos - gen&#243;tipos id&#234;nticos, fen&#243;tipos bem diferente). E.O. Wilson fala bastante disso em seu cl&#225;ssico &quot;Da Natureza Humana&quot;, e R. Lewontin arremata em &quot;Biologia Como Ideologia&quot;. N&#227;o h&#225; nada de errado com a gen&#233;tica ou com o conhecimento; o problema reside no que faz com esse conhecimento e na forma de transmiti-lo para a manipul&#225;vel popula&#231;&#227;o leiga. </description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&Eacute; Diogo, exatamente a&iacute; que reside a quest&atilde;o. Se voc&ecirc; tiver um &quot;gene do c&acirc;ncer&quot;, ele aumentar&aacute; a possibilidade de voc&ecirc; desenvolver c&acirc;ncer, dependendo dos seus h&aacute;bitos cotidianos, como a sua alimenta&ccedil;&atilde;o, se vc fuma ou n&atilde;o, o n&iacute;vel de stress da sua vida, etc etc etc. Saber que vc carrega esse gene poderia salvar sua vida, pois voc&ecirc; mudaria seus h&aacute;bitos. O ponto &eacute; que n&atilde;o existe uma rela&ccedil;&atilde;o direta e causal: &quot;Vc tem o gene, logo, vc ter&aacute; cancer. V&aacute; com Deus!&quot;..&quot;Vc tem o gene da obesidade? Ent&atilde;o desencana, nem adianta ir na academia porque vc vai ser gordo pra sempre!&quot; Nosso gen&oacute;tipo abre um leque de possibilidades, um espectro de fen&oacute;tipos poss&iacute;veis, de forma que n&atilde;o podemos prever nada, principalmente comportamentos (e.g. irm&atilde;o g&ecirc;meos &#8211; gen&oacute;tipos id&ecirc;nticos, fen&oacute;tipos bem diferente). E.O. Wilson fala bastante disso em seu cl&aacute;ssico &quot;Da Natureza Humana&quot;, e R. Lewontin arremata em &quot;Biologia Como Ideologia&quot;. N&atilde;o h&aacute; nada de errado com a gen&eacute;tica ou com o conhecimento; o problema reside no que faz com esse conhecimento e na forma de transmiti-lo para a manipul&aacute;vel popula&ccedil;&atilde;o leiga.</p>
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		<title>Por: Diogo Lucatelli</title>
		<link>http://polegaropositor.com.br/o-outro-lado-da-moeda-%e2%80%93-um-preambulo/comment-page-1/#comment-2036</link>
		<dc:creator>Diogo Lucatelli</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 23:48:56 +0000</pubDate>
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		<description>Realmente, estudos do gênero apresentado por Renato são questionáveis, não só por suas motivações duvidosas, mas também possíveis inconsistências teóricas e metodológicas. Porém, estudos que se proponham a investigar a existência de genes que estejam relacionados a uma maior ou menor propensão ao desenvolvimento de uma determinada patologia são sim, válidos. Estão produzindo conhecimento de alta importância médica. 

Por exemplo, hipotetizemos sobre um &quot;gene para o câncer&quot;, que aumenta a propabilidade do portador de desenvolver câncer de um determinado tipo. Bem, eu gostaria de saber se este gene está ou não presente em minhas células. Saber isso me abriria os olhos para o futuro, me incitaria a tratamentos e hábitos preventivos e, possivelmente, aumentaria minha longevidade e qualidade de vida.

Entendo a argumentação de Renato, mas deve-se perceber que estas possibilidades não isentam este tipo de conhecimento de usos benéficos ao cidadão. A problemática aí está na utilização indevida, moral e legalmente questionável, deste conhecimento. Este problema não vem apenas do jogo anti-ético de interesses, mas também da falta de conhecimento da população em geral sobre como o conhecimento científico é construído, e como este evolui. Quem tem idéia da natureza da ciência, é sempre receoso diante de novos estudos, novas conclusões, buscando erros e inconsistências nestes, e sabe esperar. Pois o tempo, as diferentes opiniões dos cientistas e os novos testes a serem feitos é que nos darão uma real idéia de se estas novas conclusões são mais ou menos confiáveis. Afinal, deve-se ter sempre em mente que, na Ciências, não existem teorias certas ou erradas, mas diferentes níveis de corroboração destas.

Concluindo, concordo com Henrique quando este diz que não é necessário criar uma nova teoria ou modelo e testá-lo para invalidar uma outra teoria um modelo ou um estudo qualquer. Apontar possíveis inconsistências na construção teórica, no modelo, no delineamento amostral, na metodologia ou até mesmo na interpretação dos resultados já são o bastante.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Realmente, estudos do gênero apresentado por Renato são questionáveis, não só por suas motivações duvidosas, mas também possíveis inconsistências teóricas e metodológicas. Porém, estudos que se proponham a investigar a existência de genes que estejam relacionados a uma maior ou menor propensão ao desenvolvimento de uma determinada patologia são sim, válidos. Estão produzindo conhecimento de alta importância médica. </p>
<p>Por exemplo, hipotetizemos sobre um &#8220;gene para o câncer&#8221;, que aumenta a propabilidade do portador de desenvolver câncer de um determinado tipo. Bem, eu gostaria de saber se este gene está ou não presente em minhas células. Saber isso me abriria os olhos para o futuro, me incitaria a tratamentos e hábitos preventivos e, possivelmente, aumentaria minha longevidade e qualidade de vida.</p>
<p>Entendo a argumentação de Renato, mas deve-se perceber que estas possibilidades não isentam este tipo de conhecimento de usos benéficos ao cidadão. A problemática aí está na utilização indevida, moral e legalmente questionável, deste conhecimento. Este problema não vem apenas do jogo anti-ético de interesses, mas também da falta de conhecimento da população em geral sobre como o conhecimento científico é construído, e como este evolui. Quem tem idéia da natureza da ciência, é sempre receoso diante de novos estudos, novas conclusões, buscando erros e inconsistências nestes, e sabe esperar. Pois o tempo, as diferentes opiniões dos cientistas e os novos testes a serem feitos é que nos darão uma real idéia de se estas novas conclusões são mais ou menos confiáveis. Afinal, deve-se ter sempre em mente que, na Ciências, não existem teorias certas ou erradas, mas diferentes níveis de corroboração destas.</p>
<p>Concluindo, concordo com Henrique quando este diz que não é necessário criar uma nova teoria ou modelo e testá-lo para invalidar uma outra teoria um modelo ou um estudo qualquer. Apontar possíveis inconsistências na construção teórica, no modelo, no delineamento amostral, na metodologia ou até mesmo na interpretação dos resultados já são o bastante.</p>
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		<title>Por: thenriques45</title>
		<link>http://polegaropositor.com.br/o-outro-lado-da-moeda-%e2%80%93-um-preambulo/comment-page-1/#comment-2029</link>
		<dc:creator>thenriques45</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 20:25:51 +0000</pubDate>
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		<description>Concordo com os dois. Acho v&#225;lido termos sempre uma posi&#231;&#227;o questionadora, n&#227;o s&#243; em rela&#231;&#227;o &#224; ci&#234;ncia, mas em rela&#231;&#227;o a tudo. Mas admito que apenas questionar n&#227;o faz bem algum. 
 
&#201; preciso questionar, mas com prud&#234;ncia e, acima de tudo, bom senso. &#201; fato que a ci&#234;ncia est&#225; permeada por interesses &quot;externos&quot;, como costumamos falar em hist&#243;ria da ci&#234;ncia. Acreditar que a ci&#234;ncia &#233; pura e imaculada &#233; ingenuidade. 
 
Em todo caso, concordo com o Borges que &quot;discordar da ci&#234;ncia &#039;porque sim&#039;&quot; tamb&#233;m n&#227;o resolve muita coisa. Mesmo assim, n&#227;o acredito que para discordar de uma teoria &#233; preciso propor outra em seu lugar. O simples fato de apontar uma anomalia em uma teoria qualquer j&#225; &#233; um exerc&#237;cio cr&#237;tico e, se bem feito, pode ser bastante positivo. </description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com os dois. Acho v&aacute;lido termos sempre uma posi&ccedil;&atilde;o questionadora, n&atilde;o s&oacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia, mas em rela&ccedil;&atilde;o a tudo. Mas admito que apenas questionar n&atilde;o faz bem algum. </p>
<p>&Eacute; preciso questionar, mas com prud&ecirc;ncia e, acima de tudo, bom senso. &Eacute; fato que a ci&ecirc;ncia est&aacute; permeada por interesses &quot;externos&quot;, como costumamos falar em hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia. Acreditar que a ci&ecirc;ncia &eacute; pura e imaculada &eacute; ingenuidade. </p>
<p>Em todo caso, concordo com o Borges que &quot;discordar da ci&ecirc;ncia &#039;porque sim&#039;&quot; tamb&eacute;m n&atilde;o resolve muita coisa. Mesmo assim, n&atilde;o acredito que para discordar de uma teoria &eacute; preciso propor outra em seu lugar. O simples fato de apontar uma anomalia em uma teoria qualquer j&aacute; &eacute; um exerc&iacute;cio cr&iacute;tico e, se bem feito, pode ser bastante positivo.</p>
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		<title>Por: Renato</title>
		<link>http://polegaropositor.com.br/o-outro-lado-da-moeda-%e2%80%93-um-preambulo/comment-page-1/#comment-2028</link>
		<dc:creator>Renato</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 19:52:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://polegaropositor.com.br/?p=615#comment-2028</guid>
		<description>Devemos desconfiar da Ci&#234;ncia no sentido de n&#227;o acreditar em tudo que vem dela s&#243; porque &#233; cient&#237;fico. Os cientistas dizem muitas coisas, e boa parte delas est&#227;o permadas por interesses deles pr&#243;prios, das ag&#234;ncias financiadoras, do grupo de pesquisa, etc. S&#243; que tudo que eles dizem chega &#224; sociedade com o mesmo r&#243;tulo, o  de &quot;Ci&#234;ncia&quot;, e as pessoas aceitam isso como verdade sem desconfiar, sem questionar. &quot;&#201; Ci&#234;ncia, ent&#227;o &#233; verdade&quot;.  
Esse falta de criticidade pode ser violentamente ruim para a sociedade. Por exemplo, certa vez (na verdade mais de uma vez) foi &quot;provado cientificamente&quot; que os brancos s&#227;o mais inteligentes que os negros. Sendo isso aceito acriticamente pela sociedade, surgem id&#233;ias do tipo &quot;ent&#227;o n&#227;o quero ter filhos com negros por que sen&#227;o meu filho vai nascer burro&quot;. A&#237; teve um cara chamado Hitler que foi um pouco mais longe...Enfim, a Ci&#234;ncia, assim como qualquer outro empreendimento humano, &#233; movida por interesses, e esses interesses quase nunca s&#227;o os da popula&#231;&#227;o em geral, e &#233; por isso que temos que desconfiar da Ci&#234;ncia. </description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Devemos desconfiar da Ci&ecirc;ncia no sentido de n&atilde;o acreditar em tudo que vem dela s&oacute; porque &eacute; cient&iacute;fico. Os cientistas dizem muitas coisas, e boa parte delas est&atilde;o permadas por interesses deles pr&oacute;prios, das ag&ecirc;ncias financiadoras, do grupo de pesquisa, etc. S&oacute; que tudo que eles dizem chega &agrave; sociedade com o mesmo r&oacute;tulo, o  de &quot;Ci&ecirc;ncia&quot;, e as pessoas aceitam isso como verdade sem desconfiar, sem questionar. &quot;&Eacute; Ci&ecirc;ncia, ent&atilde;o &eacute; verdade&quot;.<br />
Esse falta de criticidade pode ser violentamente ruim para a sociedade. Por exemplo, certa vez (na verdade mais de uma vez) foi &quot;provado cientificamente&quot; que os brancos s&atilde;o mais inteligentes que os negros. Sendo isso aceito acriticamente pela sociedade, surgem id&eacute;ias do tipo &quot;ent&atilde;o n&atilde;o quero ter filhos com negros por que sen&atilde;o meu filho vai nascer burro&quot;. A&iacute; teve um cara chamado Hitler que foi um pouco mais longe&#8230;Enfim, a Ci&ecirc;ncia, assim como qualquer outro empreendimento humano, &eacute; movida por interesses, e esses interesses quase nunca s&atilde;o os da popula&ccedil;&atilde;o em geral, e &eacute; por isso que temos que desconfiar da Ci&ecirc;ncia.</p>
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	<item>
		<title>Por: Borges</title>
		<link>http://polegaropositor.com.br/o-outro-lado-da-moeda-%e2%80%93-um-preambulo/comment-page-1/#comment-2026</link>
		<dc:creator>Borges</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 19:05:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://polegaropositor.com.br/?p=615#comment-2026</guid>
		<description>Desconfiar da ci&#234;ncia &#233; bom e saud&#225;vel, claro, desde que aquele que desconfia resolva formular uma teoria refutat&#243;ria (ant&#237;tese), metodologicamente organizada e validada experimentalmente. Assim, desconfia-se da ci&#234;ncia sendo cient&#237;fico, o que n&#227;o &#233; em si um paradoxo, mas uma acertiva.  
O que n&#227;o pode &#233;, tal como faz alguns criacionistas, discordar da ci&#234;ncia &quot;porque sim&quot; e dar um ponto onde, justamente em seu lugar, deveriam colocar uma interroga&#231;&#227;o. </description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Desconfiar da ci&ecirc;ncia &eacute; bom e saud&aacute;vel, claro, desde que aquele que desconfia resolva formular uma teoria refutat&oacute;ria (ant&iacute;tese), metodologicamente organizada e validada experimentalmente. Assim, desconfia-se da ci&ecirc;ncia sendo cient&iacute;fico, o que n&atilde;o &eacute; em si um paradoxo, mas uma acertiva.<br />
O que n&atilde;o pode &eacute;, tal como faz alguns criacionistas, discordar da ci&ecirc;ncia &quot;porque sim&quot; e dar um ponto onde, justamente em seu lugar, deveriam colocar uma interroga&ccedil;&atilde;o.</p>
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