Karl Popper foi um grande filósofo austríaco bastante conhecido por sua contribuição para a filosofia da ciência. Foram suas idéias que fundaram o racionalismo crítico, que estabelece como critério de demarcação o princípio da falseabilidade. Em uma de suas contribuições mais geniais para a epistemologia, Popper comenta um pouco sobre seu conceito de conhecimento objetivo, e o terceiro mundo.
No texto clássico de seu livro de 1972 “Conhecimento Objetivo: Uma abordagem evolucionista”, Popper faz um exercício interessante. Propõe a existência de três mundos. O primeiro mundo é habitado por todas as coisas físicas, vivas ou não vivas. O segundo mundo é habitado pela consciência humana, “é o mundo da consciência ou dos estados mentais”, nas palavras do próprio Popper.
O terceiro mundo é habitado por conteúdos objetivos. Por conteúdo objetivo, podemos entender todo pensamento objetivo sobre algo, obras de arte, poesia, livros, conhecimento científico e por aí vai. Deste ponto em diante, é possível não só diferenciar um pensamento subjetivo de um pensamento objetivo, mas é também possível concluir uma independência do terceiro mundo.
Para Popper, um pensamento subjetivo é aquele ligado à estados mentais ou uma determinada disposição de agir. São, portanto, habitantes do segundo mundo. No terceiro mundo estão os problemas, teorias e similares. Uma vez propostos, este conhecimento objetivo ganha materialidade através de alguma mídia, como livros, e isso garante a eles sua independência.
Se pensarmos na situação hipotética de uma catástrofe mundial, ou um holocausto, destruir todos os seres humanos, todas as nossas máquinas, cidades e traços de nossa civilização, sobrando no entanto nossas bibliotecas, é possível prever que uma futura civilização, não importando sua origem, poderia em tese ser capazes de decifrar nossos livros, acessando o terceiro mundo.
Veja que neste sentido, Popper considera muito mais importante a capacidade que um livro, ou um vídeo, ou um áudio, tem de ser interpretado do que o fato de ele ser realmente interpretado. Com efeito, ele defende que a maioria das pessoas não é capaz de fazer uma correta interpretação de um texto, seja o conteúdo deste texto ficcional ou não. É uma afirmação o bocado forte, e potencialmente verdadeira até hoje.
A beleza nesta idéia do filósofo austríaco é a maneira como o conhecimento, que as vezes nos é tão etéreo, ganha uma substancialidade quase real. Na analogia em que ele mesmo faz, assim como as aranhas produzem sua teia e as abelhas sua colméia, assim também produz o homem o conhecimento.
E quando não mais houver abelhas, ou aranhas, ou o homem, ainda haverá o traço de sua existência. Seja pela teia, pela colméia ou pelo terceiro mundo.
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Olá Thiago,
É muito bom ver que o Polegar Opositor volta às suas atividades normais, depois do recesso de fim de ano. Feliz 2009!
Esses conceitos de "mundos" do Popper são difíceis de serem compreendidos. Vou precisar refletir sobre o que li aqui e, depois, reler seu texto…
Enquanto isso, deixo-lhe uma frase do Popper da qual gosto muito: “ What really makes science grow is new ideas, including false ideas.”
Abraço,
Lelec
Eu acho os conceitos do Popper muito interessantes. E tendo a achar, sinceramente, que nesse mato tem coelho…
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