Sobre a história da relação Ser Humano x Natureza

março, 2009

Nos primórdios da humanidade, na pré-história (aproximadamente 4000 a.C.) período que antecede a invenção da escrita, há, portanto, uma falta de registros de como se inter-relacionavam ser humano e natureza. Possivelmente estas relações eram baseadas no princípio de que homem e natureza eram um todo, sem a separação de um e outro, consequentemente não se observavam relações de domínio ou posse da natureza pelo ser humano.

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Ciência em fase beta.

março, 2009

Publicar um artigo científico é, em geral, um processo laborioso e até certo ponto burocrático. Além do evidente trabalho de escrever o artigo, é preciso submetê-lo a uma revista apropriada e torcer por uma resposta positiva. Daí até a publicação efetiva o artigo ainda passa pela peer review e etc.

O caso é que na maioria das revistas, da aceitação do artigo à publicação, existe um hiato de, em geral, um ano. Dependendo da revista, esse período pode aumentar ainda mais, eventualmente, chegando a três anos.

Disso resulta que é muito comum ver os pesquisadores distribuindo seus trabalhos entre seus colegas antes de ele ser publicado. A questão que podemos levantar disso tudo é, até quando tal situação vai se manter?

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Pós em Divulgação Científica

março, 2009

Antes que as pedras voem, aviso: Este não é um post pago.

A divulgação científica no Brasil não é um fenômeno recente. Que o diga o grande divulgador-cientista-jornalista José Reis. Mas apesar de não ser novidade alguma, é impossível negar que a atividade como um todo vem, nos últimos tempos, ganhando ainda mais importância, relevância e maturidade.

A internet tem grande responsabilidade neste movimento, e apesar disso é estranhamente negligenciada na maior parte dos cursos que tratam sobre o tema.Foi pensando sobre isso, em um brainstorm regado a pizza e vinho, que a Andréa, a Fernanda e eu desenvolvemos o projeto de um curso de Divulgação Científica que dê a devida importância à internet.

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Remédios naturais

março, 2009

Imagine que você está com uma dor-de-cabeça terrível e que pode escolher entre dois remédios igualmente eficientes: um comprimido e um chá feito com cascas de árvore. Qual dos dois você preferiria, sabendo que ambos resolverão o problema da mesma maneira? Em princípio não haveria razão para preferir um ou outro método, a não ser pela facilidade de ingestão – há quem tenha dificuldade de engolir comprimidos, outras pessoas detestam chá… No entanto, tenho certeza de que uma grande proporção das pessoas escolheria o chá com a mesma justificativa: é que o chá é natural…

Primeiro vamos entender o conceito de “natural” utilizado nesse pensamento. Um comprimido obviamente é uma substância química manipulada pelo farmacêutico, humano, e, portanto, não veio pronto da natureza. Já o chá é apenas alguma parte vegetal preparada em água quente e portando todas as suas características originais, sendo, assim, natural.

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O cisne negro

fevereiro, 2009

Seria cômico se não fosse trágico. O acidente no lago da Aclimação. Ela saía de casa para passear. Terça-feira, Carnaval-2009. Estava um pouco cansada de seus filmes e livros, e resolveu movimentar-se como fazia de vez em sempre, que possível. MP3 nos ouvidos, short, tênis e camiseta. Resoluta, já que o sol do meio-dia estava encoberto pelas nuvens escuras das Águas de Março que resolveram fechar o verão inteiro.

Viu um helicóptero sobrevoando a área, aumentou o volume da música em seus ouvidos. Um aglomerado de pessoas e policiais na borda do lago, achou melhor nem olhar, alguém deve ter se machucado. Carros da polícia civil metropolitana e da polícia florestal fazendo Cooper, alguma coisa realmente aconteceu, que Deus cuide… Policiais entrando no lago… Heim?! O lago está seco!!!

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Divulgando o estranho mundo da ciência.

fevereiro, 2009

Acredito que exista um problema básico para a divulgação científica que poucas vezes é posto em evidência. O problema em questão é aceitar o fato de que o mundo em que o cientista vive, não é o mesmo mundo que as pessoas em geral vivem. Pode parecer uma idéia ingênua, mas o caso é que o mundo explicado pela ciência, não é de modo algum, o mundo do dia-a-dia. E este aspecto influencia diretamente na capacidade de um texto de divulgação científica cumprir o seu papel.

Há algo no treinamento do cientista que torna noções como o heliocentrismo, ou inércia, ou evolução biológica, tão naturais que são, de certa forma, aceitos a priori. Embora de alguma maneira as bases para isso estejam no nosso sistema educacional, nenhum destes conceitos são naturais para o senso-comum.

Alguém pode achar absurdo eu estar defendendo que em pleno século XXI, as pessoas não achem natural a Terra estar se movendo ao redor do Sol, mas o ponto que quero defender é que ninguém acreditaria que a Terra é quem se move não fosse o caso de dizermos isso a elas desde crianças.

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Polegarcast #5: 200 anos de Charles Darwin

fevereiro, 2009

Polegar Cast está de volta para comemorar uma data muito especial. 200 anos do nascimento de Charles Darwin, o naturalista inglês que mudou de forma determinante a maneira como estudamos os seres vivos.

Neste podcast você vai ouvir:

00:00 Abertura, introdução e apresentação dos participantes;
01:50 Um pouco do background familiar de Charles Darwin;
06:00 Darwin e seu talento científico precoce;
07:00 A influência das irmãs de Darwin;
08:00 Darwin, química e a faculdade de medicina;
10:40 Uma desgraça para toda a sua família;
12:30 A viagem no Beagle;
15:30 Fritzroy e Darwin, uma amizade improvável;
16:00 O guia de sobrevivência da mulher no mar;
16:45 Darwin, uma moça no mar?
19:00 As coleções de Darwin;
22:32 A vida atribulada de Darwin;
24:30 Thomas Malthus e o insigth final;
25:00 Das influências que levaram à teoria evolutiva;
31:30 Darwin e suas ervilhas;
34:00 Darwin não vai pro céu;
35:00 A polêmica carta de Wallace;
35:40 Darwin, o idiota;
38:50 A origem das espécies;
40:00 O descendente do macaco;
41:00 Eventos em comemoração à Darwin.
42:00 “?”

Comentado durante o programa:
Revista Scientia Studia
Paper em portugues de Alfred Russel Wallace

Links para obras de Darwin:
Darwin’s Correspondence Project
The Complete Work of Charles Darwin Online
Darwin200

Links para as comemorações:
Dia de Darwin no Museu de Zoologia da USP
A evolução de Darwin (Calouste Gulbenkian – Portugal)

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A astrologia por uma cientista

fevereiro, 2009

Garotas na adolescência costumam ser atraídas pelas revistas de previsão astrológica. Eu as lia nas férias, especialmente aquelas que apontavam qual signo combinava com qual. Mas, um tanto científica desde então, decidi colocar aquilo tudo à prova pensando “vou namorar um menino de cada signo para ver se é verdade”.

Neste meio tempo resolvi estudar Astrologia seriamente. Respondi à professora logo na primeira aula que eu estava ali para me entender melhor e tentar entender os outros. Ela se apaixonou pelo argumento e, não fosse também psicóloga, além de taurina com a lua em escorpião, talvez a combinação não tivesse sido tão perfeita para eu entender a astrologia como uma ferramenta de análise Junguiana.

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Kepler, misticismo e a ciência asséptica

fevereiro, 2009

Johannes Kepler foi um grande gênio matemático. Deu fim a dois mil anos de astronomia, quando se valendo da idéia heliocêntrica de Copérnico e dos dados de posição dos astros de Tycho Brahe, postulou a orbita elíptica dos planetas. Além de se preocupar com a questão sobre o motivo dos planetas se moverem. Kepler também fundou a ótica moderna, e fez mais uma série de contribuições importantes para a ciência do século XVII.

Apesar de ser, a rigor, um cientista, seu “ethos” nada tinha de similar ao que se vê hoje em dia. Kepler era um homem de grande fé, e que se interessava por astrologia e qualquer outra atividade relacionada à matemática. Seus livros misturam todo o tipo de interesse que o alemão pudesse ter. É comum olhar para suas obras e ver asserções astrológicas, poemas, filosofia e etc.

Horóscopo feito por Kepler. Cloque para ampliar.

Mapa astral feito por Kepler. Clique para ampliar.

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Divulgação Científica, folias, confetes e serpentinas

janeiro, 2009

1ª versão: Revista Vox Science (Núcleo José Reis de Divulgação Científica)
2ª versão, atualizada: Polegar Opositor

Nas ladeiras de Olinda um pierrô apaixonado, que vivia só cantando, acabou chorando quando viu sua colombina no cordão de Albert Einstein, um boneco gigante no meio da multidão. Isso foi em 2005, e foi a primeira vez do bloco “Com Ciência na Cabeça e Frevo no Pé”, fundado pelo Espaço Ciência, pelo Cenine/UFPE e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência de Pernambuco (SBPC-PE). Já em 2006, quanto riso, oh, quanta alegria, mais de mil foliões no maracatu e um arlequim que ficou chorando o amor de colombina, que só tinha asas para um Santos Dumont em comemoração aos 100 anos do vôo do 14 Bis. Ah, se você fosse sincera… No outro ano foi a vez de José Leite Lopes, físico pernambucano, e a colombina dando viva ao maioral. Ela quer um lindo apartamento, com porteiro e elevador. E sob o tema “Evolução e Diversidade”, Charles Darwin foi o escalado para arrasar pierrôs e arlequins em 2008, ano em que o bloco marca a abertura oficial da V Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de Pernambuco.

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