A astrologia por uma cientista

fevereiro, 2009

Garotas na adolescência costumam ser atraídas pelas revistas de previsão astrológica. Eu as lia nas férias, especialmente aquelas que apontavam qual signo combinava com qual. Mas, um tanto científica desde então, decidi colocar aquilo tudo à prova pensando “vou namorar um menino de cada signo para ver se é verdade”.

Neste meio tempo resolvi estudar Astrologia seriamente. Respondi à professora logo na primeira aula que eu estava ali para me entender melhor e tentar entender os outros. Ela se apaixonou pelo argumento e, não fosse também psicóloga, além de taurina com a lua em escorpião, talvez a combinação não tivesse sido tão perfeita para eu entender a astrologia como uma ferramenta de análise Junguiana.

Mas eis o primeiro ponto – o astrologuês. Astrólogos de formação e bom senso sabem que, assim como um geneticista não espera que as pessoas conversem com ele sobre a tecnologia de microarrays ou RNA de interferência em seu dia a dia, não é possível esperar que as pessoas saibam o que significa lua em escorpião, marte em sagitário, vênus em capricórnio e assim por diante. Sabem também que horóscopo de jornal, site ou revista alguma é algo além de um conselho generalizado que se pode dar a qualquer pessoa, de qualquer signo. Aqui cabe o parêntesis engraçado de um amigo que nunca sequer estudou astrologia, mas trabalhou num jornal – ele recortava os conselhos dos signos de um dia, embaralhava, e os colocava em outros signos nos dias seguintes.

Por outro lado, ler um mapa astral é de uma complexidade tal que não infreqüente os astrólogos se perdem no antagonismo dos aspectos. É necessário considerar as posições e os significados das constelações, das casas, dos planetas e das relações entre eles. Analisar mapas de relacionamentos entre pessoas então, é exponencializar a complexidade de tal forma que dói nos ouvidos de um astrólogo que tenta fazer o melhor possível, ouvir as pessoas reduzirem a astrologia a um mero aspecto solar – o signo – e achar que sabem tudo a respeito de alguém, estigmatizando a pessoa por ser do mesmo signo de outra já conhecida. Isto fere completamente os princípios da Astrologia, pois como conclui, com um engenheiro astrólogo, a astrologia, assim como a genética, revela um conjunto de potencialidades das pessoas que podem ou não se manifestar. Estas potencialidades estão sujeitas ao ambiente e livre arbítrio de cada um, o que muda é a ferramenta (mapa genético ou astral) de observar estas potencialidades.

A astrologia é muito mais antiga que a genética, fruto de uma época em que Ciência e Misticismo eram quase a mesma coisa. Tem base na astronomia por se pautar nas efemérides para cálculos de posições de estrelas e planetas. Mas apesar disto, não é científica. Já a genética segue todo o rigor do Método. E nem por isso alguma delas é capaz de dizer quem exatamente seremos amanhã!