Antropomorfismo e antroponegação.

março, 2008

“Uma nova pesquisa sugere que as formigas são traiçoeiras, egoístas e corruptas, contrariando a imagem de insetos de convivência harmoniosa e com pré-disposição para colocar o bem da comunidade acima de preocupações pessoais”. Este é o primeiro parágrafo da notícia veiculada via G1. A despeito das informações referentes à pesquisa desenvolvida com as formigas, a reportagem incorre em um erro bastante comum. O chamado antropomorfismo.

O antropomorfismo consiste no ato de atribuir características humanas a qualquer animal. Usando o próprio texto do G1 como exemplo, podemos observar que o autor acusa as formigas de serem “traiçoeiras”, “egoístas” e “corruptas”, valores humanos criados para definir traços comportamentais típicos de nossa espécie. A questão é que, apontar traços humanos como resultado de uma pesquisa sobre formigas não é correto.

Observar o comportamento animal não é exatamente uma novidade. Por vezes eles se comportam de maneira muito semelhante à nossa, advém disso usarmos características humanas para nomear determinados comportamentos em animais. No entanto, não se pode afirmar que um animal esteja sendo “corrupto”, só porque determinado comportamento se parece com a corrupção na humanidade.

Paradoxalmente existe um outro princípio conhecido por antroponegação. Este princípio atesta, que não podemos negar aos animais características humanas. Ou seja, não podemos dizer que os animais não possuem comportamentos egoístas, ou de corrupção. Mas, se não podemos negar uma característica humana nem podemos atribuir características humanas, como resolvemos?

A resolução é simples. Cabe a nós apenas observar o comportamento e deixar de lado qualquer interpretação sobre a natureza deste comportamento. Se observamos formigas operárias beneficiando seus próprios ovos em detrimento dos ovos da rainha, devemos nosater à descrição do comportamento sem que nenhuma interpretação seja realizada. Em verdade, só podemos interpretar o comportamento em um nível básico, na tentativa de compreender a importância evolutiva que ele possui.