Como a ciência funciona: O Racionalismo Crítico moderno e suas críticas.

agosto, 2007

As idéias de Popper, que foram discutidas no texto anterior, sofreram severas críticas de uma série de filósofos. Entre eles podemos sitar Thomas Khun e Lakatus. As críticas desses filósofos diziam que históricamente uma teoria que tenha sido superada por outra não é, muitas vezes, descartada e pode continuar sendo válida. Um bom exemplo desse cenário é o que ocorre com a teoria newtoniana e a teoria da relatividade de Einstein. A primeira tendo sido superada pela segunda deveria ter sido descartada, no entanto muitos cálculos ainda são feitos baseados na teoria newtoniana mesmo essa tendo sido superadas.

Alguns opositores do racionalismo crítico tem como alegação central de que não é possível falsear qualquer teoria existente. Basta modificar as hipóteses auxiliares que suportam a teoria para resolver o problema. Seria o equivalente a dizer que ainda que não se encontrassem fósseis transitórios que pudessem suportar a teoria da evolução isso não invalidaria a teoria pois os fósseis podem não ter se formado por diversos motivos, ou por que os animais transitórios não existiam em número suficiente a ponto de deixarem fósseis ou ainda por que não foi possível encontrar tais fósseis.

Para alguns racionalistas críticos modernos no entanto, as críticas as idéias de Popper são infudadas. Eles alegam que com efeito as teorias, ainda que tenham sido superadas, podem ser alvo de dedicação de grupos de cientistas com o interesse de atualizá-las ou solucionar os problemas que às levaram a serem deixadas de lado. Ou seja, ainda que a teoria tenha sido falseada, ela pode passar por modificações que permitam que ela tenha validade novamente.

Portanto, ainda que o racionalismo crítico tenha opositores, ele ainda é aceito como sendo válido e é de qualquer forma um bom método para se avançar no entendimento do universo que nos cerca. As idéias de Khun e Lakatus também são defendidas por grupos de cientistas e seus conceitos também são válidos embora muitas vezes sejam divergentes com o racionalismo crítico.

A série de artigos sobre o método cientifico se encerra aqui. Um tema tão fundamental e abrangente forneceria por si só material para um site exclusivo. Não pretendo transformar o Polegar Opositor em um dossiê sobre o método científico, mas inevitavelmente este será um tema recorrente. Espero ter conseguido condensar o tema a ponto de torná-lo inteligível para todos que aqui chegaram mas em caso de dúvidas e sugestões, por favor, não exitem em usar a caixa de comentários ou os tentilhões.

Indo além:
O Método Científico: Como o Saber Mudou a Vida do Homem