Como a ciência funciona: O Racionalismo Crítico.

julho, 2007

O positivismo lógico, discutido no texto anterior, apresentava alguns problemas como método científico. Ele simplesmente não era compatível com novas idéias que vinham ganhando espaço como a teoria da evolução através da seleção natural e a física quântica. Era fato que essas teorias não podiam ser embasadas em observações empíricas já que seus enunciados tratavam de coisas que demoram muito tempo para ocorrer ou que são pequenas demais para serem observadas.

A solução veio com Karl Popper e seu racionislismo crítico. Popper negava o caracter cumulativo do conhecimento científico e argumentava que não era possível saber se uma teoria estava mais próxima da verdade do que outra. Popper então propôs uma mudança de visão, alegava que seria muito mais acertado tentar falsear a teoria do que verificar sua legitimidade. Para tal, Popper acreditava que toda hipótese deveria passar por severos testes de verificação de seus enunciados, se a hipótese resistisse a uma tentativa de demonstrar que ela era falsa ganhava o status de teoria.

A teoria então era considerada como a mais aceita para explicar determinado evento ou fenômeno e continuava válida até que uma nova teoria fosse proposta. Quando isso acontecia, segundo Popper, a teoria anterior deveria então ser descartada e substituída pela nova teoria. Definiu-se então o conceito de força de uma teoria. Quanto mais ela resistisse ao processo de falseamento, mais forte ela se tornava.

Pelo racionalismo crítico era possível aceitar hipóteses que trabalhavam com previsões que não poderiam ser testadas de forma empírica. Um exemplo disso é a própria seleção natural que, a grosso modo, diz que a diversidade biológica do planeta é explicada pela evolução de espécies partindo de outras já existentes de acordo com modificações aleatórias selecionadas pelo meio ambiente. Pelo positivismo lógico seria necessário observar o surgimento de uma nova espécie para que a hipótese da seleção natural fosse considerada válida ganhando o status de teoria. Pelo racionalismo crítico poderíamos nos valer de algumas previsões da hipótese para fazer um teste na tentativa de falsear a teoria. Por exemplo, uma das previsões da seleção natural é a existência de fósseis de animais intermediários entre duas espécies existentes. É fato conhecido a quantidade de fósseis encontrados que corroboram com essa previsão, portanto a seleção natural passou pelo teste de falseamento de uma de suas previsões.

Veja que caso não fosse encontrado fósseis que corroborassem com a seleção natural, ela seria descartada como teoria (teria sido falseada) e uma nova teoria deveria ser proposta para explicar a biodiversidade do planeta.

Em resumo:

  • A: O racionalismo crítico nega que o conhecimento cientifico tenha caráter cumulativo;
  • B: Alega que não é possível saber se uma teoria está mais próxima da verdade do que outra e;
  • C: Estabelece que toda teoria tem caráter provisório e que deve ser substituída quando uma de suas previsões for falseada.

A mudança de paradigma proposta pelo racionalismo crítico permitiu a expansão do conhecimento científico, mas será que seria ele a resposta definitiva para o método? É o que veremos no próximo texto.

Indo além:

Método Científico: Como o Saber Mudou a Vida do Homem