De onde viemos?

junho, 2008

A origem da vida na Terra é um dos maiores mistérios da ciência. Ocorre que imaginar as condições primordiais do planeta é, por si só, um trabalho hercúleo. Simular estas condições é ainda mais complexo.  Para piorar, o surgimento de vida em um planeta não parece ser um evento trivial. Em todas as nossas décadas de exploração espacial, nunca detectamos qualquer corpo espacial com presença de vida, ainda que de vida extinta. É certo que temos bons candidatos neste sentido, Marte é um deles assim como Titã, uma das luas de Saturno.

Mas essa dificuldade nunca impediu a ciência de imaginar algo. Em toda nossa história de desenvolvimento científico, muitas foram as teorias sobre a origem da vida e seus experimentos que tentavam reproduzir o acontecimento. Infelizmente, nunca tivemos um sucesso conclusivo, capaz de demonstrar que estamos indubitavelmente no caminho certo de investigação. A teoria mais aceita diz que as inúmeras tempestades elétricas atingiam os oceanos primitivos, altamente ricos em concentração de substâncias químicas (e por isso apelidados de sopa primordial), afetaram a conformação molecular destas substâncias permitindo que elas se agregassem formando os chamados coacervados.

Do surgimento dos coacervados até as primeiras células primitivas se passaram milhões de anos. Hoje acreditamos que os primeiros organismos unicelulares tinham uma composição membranosa básica, carregavam em seu núcleo uma molécula primitiva de RNA e se alimentavam das substâncias químicas presentes no oceano. É com essa premissa em mente que um grupo de cientistas da Escola de Medicina de Harvard esta tentando recriar uma célula primitiva.

Trata-se de uma nova tentativa de entender a vida primordial. Para tal os pesquisadores de Harvard misturaram em um recipiente com água uma espécie de “lipídio primitivo” e um seguimento de uma molécula de DNA. Depois de um certo tempo, notaram que os lipídios se uniram em uma cadeia em formato de anel ao redor do DNA. Mais do que isso, essa membrana de lipídeos conseguiu proteger a molécula de DNA da ação degradativa da água. É exatamente o que se espera de uma célula primordial. Para completarem o experimento, introduziram no recipiente alguns nucleotídeos e, para a surpresa de muitos, constataram que esses nucleotídeos penetraram na célula, se ligaram ao DNA e o replicaram em um prazo de 24 horas. Embora essa célula primordial fabricada não tenha se replicado por completo (e certamente ninguém esperava que isso fosse acontecer tão fácil), suas funções básicas de proteção e replicação do material genético funcionaram muito bem.

Ainda estamos longe de compreendermos de onde viemos. Mas assim como a vida avançou lentamente pela superfície da Terra, esperamos um dia entendermos seus mistérios. Um passo de cada vez, pouco a pouco, passo a passo.