Duvidar é saudável!

setembro, 2007

Não sei a quanto tempo, mas anda rodando a internet um vídeo mostrando supostos discos voadores no Haiti passando por cima de coqueiros e subindo aos céus para se juntar a outros tantos discos. A algumas semanas também recebi um email dizendo que em determinado dia de agosto seria possível observar Marte no céu a olho nú , ele estaria do tamanho da Lua e o fenômeno só se repetiria em alguns séculos. Os dois casos possuem duas coisas em comum. Ambos são falsos e ambos foram encarados como legítimos por muita gente.

Esse tipo de situação não é raro. Ainda me lembro que certa vez o Discovery Channel passou um programa que especulava se seria possível, sem apelar ao fantástico, a existência de animais como os lendários Dragões. No dia seguinte diversas pessoas vieram me questionar se eu tinha visto que “os cientistas ” tinham descobertos fósseis reais de dragões. O mais surpreendente foi ver pessoas da minha sala da faculdade repetindo o mesmo.

Sagan já avisava, falta ceticismo no mundo. As pessoas parecem ter uma propensão a aceitar o fantástico imediatamente, sem pararem para questionar o que estão vendo ou aceitando. Um péssimo hábito cultivado cada vez mais por uma sociedade de pensamento padronizado, alguns diriam até “pasteurizado”. Não se para mais para ouvir, por consequência , perdemos a habilidade de analisar o que é dito. A preguiça de pensar ou de averiguar a veracidade do que foi exibido se alastrou como uma doença contagiosa. Qual a finalidade de pensar, se temos quem faça o trabalho pesado por nós?

Talvez seja a hora de os divulgadores científicos agirem com mais energia na tentativa de disseminar o ceticismo saudável, afinal este é o papel de todos que estão comprometidos honestamente com a boa ciência.

Indo além

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