Evolução: Antes de um Darwin, sempre vem outro Darwin.

fevereiro, 2008

Quando se fala em evolução o nome Charles Darwin é o primeiro que nos vem à mente. Não pra menos, Charles influenciou drásticamente a biologia dos séculos que se seguiram à publicação da Origem das Espécies. Mas quem influenciou o pensamento deste naturalista tão famoso? Não foram poucos, Darwin se envolveu com a comunidade científica de sua época muito cedo, conviveu com grandes cientistas e trazia em seu próprio sangue a herança de um livre pensador fruto do Iluminismo. Seu avô, Erasmus Darwin.

Erasmus Darwin era um abastado médico inglês com o típico pensamento revolucionário da época. Não sustentava inclinações religiosas e defendia com paixão o processo de modernização que tomava conta da Inglaterra, graças à revolução industrial. De fato Erasmus atraía o carisma dos homens mais importantes da burguesia da época, fundou o “Círculo Lunar” que mais tarde viria a se chamar “Sociedade Lunar de Birmingham”. Tratava-se de uma confraria composta pelas pessoas mais influentes do círculo de amizade de Erasmus que se encontravam uma vez ao mês, sempre às luas cheias (por isso o nome Sociedade Lunar), para discutir sobre política, avanços científicos e por ai vai.

Vivendo em um ambiente tão livre de preconceitos religiosos, Erasmus era um contraventor. Apoiava a revolução francesa, era contra a escravidão, venerava o sexo e não ligava para convenções sociais. Era uma alma livre, agindo da maneira que queria e não como a sociedade desejava. Casou duas vezes, teve quatorze filhos, dois deles com uma governanta. Seu segundo casamento, quando já estava praticamente aleijado, gordo e velho foi com uma viúva deslumbrante que lhe rendeu quatro dos quatorze herdeiros. Escrevia poemas eróticos e receitava sexo para depressão. Era um bom vivant no sentido mais expandido do termo.

Inspirado por Lamarck, importante naturalista francês que será tratado com mais detalhes no próximo texto, Erasmus defendia que os animais não haviam sido criados por Deus mas sim por geração expontanea, evoluindo de formas mais simples para as mais complexas. Escreveu um livro chamado Zoonomia aonde defendia uma teoria evolucionista que guiava os animais e plantas, muito antes de seu neto Charles Darwin formular a sua própria e tão famosa teoria.

Apesar da vida atribulada, Erasmus morreu tranquilamente. Seu filho Robert Darwin, que também seguiu pelos caminhos da medicina, veio a se tornar o pai de Charles. Robert, embora tivesse sido influenciado pelo pensamento iluminista de seu pai da Sociedade Lunar, não era tão radical. Antes disso, se envergonhava do comportamento lascivo do pai. Tal fato fez com que o jovem Charles só fosse ter contato direto com as idéias revolucionárias de seu avô quando chegou à universidade, aonde se deparou com uma legião de alunos e professores que veneravam o velho Erasmus como um indealista e símbolo de uma época, aonde o homem parecia ter controle sobre si, sobre o mundo que o cercava e, mais do que isso, sobre seu próprio intelecto.

No próximo texto: O Cavaleiro de Lamarck.