Evolution DMD: Uma análise filosófica.

maio, 2008

Este texto é uma continuação do “Evolution DMD: Uma análise biológica”. Se você não o leu, clique no link

e leia antes de prosseguir com este. Embora o texto do Scott Adams seja uma brincadeira, ele parte do pressuposto básico de que os sentimentos e aspirações possuem uma relação direta com a química do organismo. De fato conhecemos uma porção de substâncias que afetam a química cerebral, os chamados neuroestimulantes, e que provocam reações diversas no indivíduo. Da mesma forma, sabemos que sentimentos específicos também produzem respostas químicas. O que dificilmente alguém pode afirmar é que os sentimentos, desejos e aspirações tenham a sua gênese unicamente como produto da química do organismo.

A despeito desta discussão sobre a origem dos sentimentos, existe uma questão ainda mais profunda e complexa sobre a estratégia adotada pela ciência moderna, e que permite conclusões mecanicistas sobre o funcionamento do mundo. Tentar explicar a consciência, bem como desejos e aspirações, por interações químicas é uma característica típica da estratégia reducionista. Explica-se um objeto de estudo complexo tentando isolar suas partes constituintes, estudando-as isoladamente afim de conseguir um melhor entendimento sobre o todo.

Essa característica tão presente na ciência é demonstrada no raciocínio do Adams. Imaginar que os desejos, um reflexo químico de uma máquina de pensar, afeta os genes, outra porção química que constituí a máquina maior, é de um mecanicismo reducionista exemplar. Muito embora essa estratégia venha funcionando bem, basta observar os avanços científicos e tecnológicos dos últimos séculos, não podemos deixar de considerar que talvez estejamos perdendo algo. A interação das partes pode ser fundamental no seu entendimento, e não há certeza de que seremos capazes de prever estas interações ainda que saibamos aparentemente tudo sobre as partes envolvidas.

Não estou sugerindo, no entanto, que esta estratégia deve ser abandonada ou substituída por outra. A escolha de uma estratégia supõe a exclusão de parte do conhecimento possível sobre o objeto de estudo. Em termos simples, é como fazer compras em um supermercado. Ninguém compra o supermercado inteiro quando faz compras, pelo contrário, normalmente chegamos ao supermercado com uma lista de itens a serem comprados. Uma estratégia é exatamente isso, uma lista de itens que podem ser estudados e a maneira como este estudo deve proceder.

É preciso lembrar portanto que nem a ciência, nem qualquer outra atividade humana, tem a capacidade para explicar absolutamente tudo sobre o mundo. Cientistas que discordem desta afirmação estão cometendo um engano simples, desconsiderando a natureza de sua atividade.

PS: Por algum motivo que eu ainda não fui capaz de descobrir, o tema do Polegar sofreu algum tipo de mutação qualquer e as cores ficaram um tanto bagunçadas. Já tentei algumas soluções, todas ineficientes. Peço a gentileza de que ignorem a escolha bizarra de cores por enquanto, até eu ser capaz de fazer algo a respeito. Grato.