O homem que matou a geração espontânea.

abril, 2008

Embora a ciência seja naturalmente um empreendimento coletivo, a história está repleta de indivíduos notáveis por sua dedicação à ciência e seu empreendorismo único. Esses indivíduos em particular geralmente possuem uma história de transgressões, visionarismo e paixão incondicional por sua atividade. São os responsáveis pela imagem romântica do cientista abnegado, que coloca a ciência acima de si e de sua vida particular. Louis Pasteur foi um desses notáveis cientistas e suas contribuições tiveram impacto nas mais diversas áreas da ciência.

Francês, nascido em 27 de dezembro de 1822 no condado de Dole, teve seu intelecto reconhecido logo cedo, ministrou aulas de física e química em duas universidades. Casou com Marie Lauret, filha do reitor da universidade de Strasbourg. Como químico, seu trabalho com ácido tartárico lhe rendeu a primeira grande contribuição para a ciência. O problema era o seguinte, alguns estudos apontavam que o ácido tartárico produzido por meios naturais influenciava a direção da luz polarizada que passava através dele. Misteriosamente, o ácido tartárico produzido artificialmente, apesar de ser quimicamente idêntico e reagir quimicamente igual ao natural, não produzia nenhum tipo de efeito na luz polarizada. Pasteur propôs o que hoje chamamos de isomeria, ou seja, que compostos químicos podem ter conformações moleculares distintas, apesar de serem quimicamente idênticos.

Mais tarde Pasteur se tornaria um grande defensor da teoria dos germes. Propôs que a causa da fermentação de algumas bebidas era decorrente da existência de microorganismos. Tendo isso mente passou a aquecer leite e vinho lentamente até que atingissem 48ºC. O aquecimento impedia que essas bebidas fermentassem e ficassem impróprias para o consumo. Concluiu portanto que o processo eliminava os microorganismos. A descoberta foi muito importante para os produtores de vinho da região. A pasteurização, como ficou conhecido o procedimento, é usada amplamente hoje em dia.

A pasteurização ajudou Pasteur a propor um experimento que acabaria por refutar a teoria da geração espontânea. Usando um recipiente de vidro especialmente produzido para o experimento, Pasteur conseguiu comprovar que os microorganismos que surgiam em um caldo nutritivo eram fruto de contaminação. Os estudos de Pasteur, bem como os de Robert Koch, deram origem à infectologia, bacterologia, microbiologia e por aí vai.

Na medicina as influencias de Pasteur foram igualmente importantes. Pasteur criou uma vacina para o anthrax que assolava o gado francês no período pós-guerra franco-prussiana. Além disso criou a primeira vacina contra raiva, usando a técnica de aplicar microorganismos enfraquecidos em corpos saudáveis para estimular a produção de anticorpos. Também foi um grande defensor das técnicas de assepsia e chegou a colaborar com Joseph Lister, médico inglês que trabalhou para desenvolver técnicas de anticépticas em cirurgias.

Pasteur morreu em 1895 por consequência de uma série de derrames. Seu antigo laboratório foi transformado no conhecido Instituto Pasteur. O corpo de Pasteur foi enterrado inicialmente na catedral de Notre Dame e depois transferido para uma cripta no próprio Instituto Pasteur. Foi considerado um dos homens mais influentes da humanidade e chegou a ganhar três filmes em sua homenagem.