O mito da sustentabilidade

O que há de errada não é a ideia em si, mas como o discurso dominante que se apropriou ideologicamente do significado da palavra sustentabilidade, para dar a ele uma ideia de que é possível desenvolver sem agredir o meio ambiente, desde que seja um desenvolvimento tecnológico feito através do “know how” da ciência e financiado pela economia de mercado…

Aí é que jaz o problema, esse discurso hegemônico apoiado no paradigma cientificista-tecnológico que vivenciamos na sociedade moderna, capitalista, urbana e globalizada nos leva a uma lógica muito contrária ao que apregoa o discurso da sustentabilidade… Na verdade a lógica é a produção e o consumo. E para haver produção há de se ter recursos, buscados na exploração no meio ambiente (mas isso ninguém precisa saber, ou a gente dá um jeito de falar que estamos fazendo isso de uma maneira sustentável) e assim essa relação se retroalimenta pelo discurso que a produção se justifica, pois, garante a qualidade de vida (consumo exagerado e supérfluo).

sustentabilidade

E assim empresas que querem ser corretas do ponto de vista socioambiental, divulgam suas imagens em comerciais publicitários em horário nobre e os clientes e consumidores daquela marca, por terem uma visão simplificada do processo caem na armadilha do senso comum.

Um outro exemplo, da armadilha do senso comum é de que através de mudanças de comportamentos, haverá uma solução milagrosa de todos os problemas ambientais: locais e globais. Esses argumentos que se destinam à “conscientização” podem parecer convincentes para grande parte do público e apesar de conterem falácias, não são totalmente falsos. É importante sim que cada um faça a sua parte, mas , para haver mudanças significativas da realidade socioambiental não bastam apenas as transformações individuais, são necessárias também transformações ao mesmo tempo na sociedade.

E aí voltamos ao tema que deu início a esse “post” o mito da sustentabilidade. Se fosse empregado através do sentido dado pela Comissão Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) deveria ser entendido da seguinte forma: “O desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações se satisfazerem.” No entanto, muitos acreditam que seguindo a lógica mercadológica do capitalismo atual, isso simplesmente seria impossível e somente uma quebra de modelo (paradigma) e mudança nos rumos sociais poderia possibilitar o um desenvolvimento efetivamente sustentável, mas isso pode vir a ser tema para um outro momento, possivelmente um outro “post.”

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Copenhagen 2009

A história de conferências mundiais com a temática do meio ambiente começa em 1972 em Estocolmo na Suécia. Esse encontrou levou a reunião de 113 países e várias ONGs de todo o mundo, e é considerado o marco-zero dos debates sobe meio ambiente, além de ter dado origem a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Passados 20 anos, no Rio de Janeiro realizou-se a Rio-92 – Convenção sobre Mudança do Clima, com o intuito de discutir as questões ambientais e redução dos gases causadores do efeito estufa que causam o aquecimento global, e contou com a presença de 154 países.

A primeira Conferência das Partes (COP 1), com os países que participaram da Rio-92 aconteceu em 1994, onde foi tomada a decisão da criação até o ano de 1997 de um protocolo com metas para a redução das emissões.

Em 1997, em Kyoto no Japão mais uma conferência global deu origem ao Protocolo de Kyoto, estabelecendo um compromisso de todos os países que o assinaram a reduzirem até 2012 as emissões de gases poluentes para os níveis emitidos em 1990, a partir de 2005.

A mídia já comenta e entre os dias 7 e 18 de Dezembro estará acontecendo a 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Rio-92). Os países voltarão a se reunir em Copenhague para discutir como será o acordo global que vai suceder o Protocolo de Kyoto (que vence em 2012).

Esse ano cerca de 200 países estarão reunidos para o encontro, cuja pauta é a discussão das mudanças ambientais, ações de mitigação para o aquecimento global e estabelecimento de novas metas de redução das emissões de gases do efeito estufa (e esperamos que mais contundentes que as planejadas em Kyoto em 1997).

Há grandes interesses em não se reduzir as emissões de gases estufas, pois isso necessariamente implica em frear o processo de crescimento industrial e econômico dos países mais poluentes e/ou gerar gastos na pesquisa e implantação de tecnologias menos poluentes.

Vamos acompanhar de perto a COP 15 e esperar que algo efetivo seja feito para diminuir a emissão dos gases estufa e assim conseguirmos frear um pouco esse aquecimento global e as mudanças climáticas do Planeta Terra.

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Mata Atlâtica um Hotspot ameaçado

O conceito Hotspot significa uma área de importância elevada para conservação da biodiversidade. Ele se baseia no princípio de que a biodiversidade não está distribuída igualmente no planeta, e por isto delimita determinadas áreas com altos níveis de biodiversidade e em risco de degradação ou desaparecimento, e por isso a urgência na implementação de ações de conservação a fim de se preservar estes ecossistemas ou os remanescentes da sua formação original.

No Brasil há dois Hotspots a Mata Atlântica e o Cerrado, que são ecossistemas prioritários para a conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaça em alto grau. Estes ecossistemas foram incluídos nesta categoria, após avaliação de especialistas e do Ministério do Meio Ambiente (1) que trabalharam juntos para identificá-los como Hotspots.

A Floresta Amazônica não é considerada um Hotspot, mesmo sendo considerada de altíssima biodiversidade, pois, não sofreu e/ou sofre um processo de degradação tão intenso como os dois ecossistemas citados, e por isto com risco de desaparecimento permanente de espécies.

O processo de degradação da Mata Atlântica é histórico, teve seu início no Brasil colônia, onde os ciclos exploratórios foram sendo implantados de acordo com as necessidades da metrópole, como a extração do pau-brasil e plantio de espécies economicamente viáveis como a cana de açúcar e café.

No entanto, o extrativismo e a agricultura não foram as únicas formas de degradação, a ocupação populacional também teve influência, pois geograficamente este ecossistema situa-se na costa brasileira, local onde as cidades foram se desenvolvendo, como a mata era um obstáculo natural foi então removida.

Mas não foi somente no passado que a mata atlântica foi degradada, em perspectivas gerais, no século XX e XXI, ela foi e continua sendo utilizada como fonte de energia barata (madeira), e sendo alvo de inúmeros atos exploratórios.

O dados mais atuais dos índices de cobertura vegetal, estão disponíveis no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica – Período de 2000 à 2005, disponibilizado no site da Fundação SOS Mata Atlântica (2) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE (3) e publicado em 2008, e demonstrados na tabela 1:

O Estado do Rio de Janeiro, como sugerem os dados da pesquisa, sofreu um deflorestamento de 628 ha e decréscimo da cobertura vegetal em 0,30% no período de 2000 à 2005.

Referências Bibliográficas:

1. MMA – Ministério do Meio Ambiente: http://www.mma.gov.br/

2. SOS Mata Atlântica: http://www.sosmatatlantica.org.br/

3. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais: http://www.inpe.br/

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Sobre a história da relação Ser Humano x Natureza

Nos primórdios da humanidade, na pré-história (aproximadamente 4000 a.C.) período que antecede a invenção da escrita, há, portanto, uma falta de registros de como se inter-relacionavam ser humano e natureza. Possivelmente estas relações eram baseadas no princípio de que homem e natureza eram um todo, sem a separação de um e outro, consequentemente não se observavam relações de domínio ou posse da natureza pelo ser humano.

Com o passar do tempo o ser humano passou a dominar técnicas que o possibilitaram o manejo da natureza como a fabricação de utensílios para a caça, pesca, coleta e manufatura de materiais. Estas técnicas mesmo que rudimentares já demonstrava uma certa independência do ser humano em relação à natureza, no entanto, foi somente com o desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais, que ele conseguiu diminuir sua dependência em relação à natureza, tornando-se não mais nômade, e fixando-se em habitações. Assim as relações ser humano x natureza mudaram de uma perspectiva de ‘’uma coisa só” para uma relação de domínio desta por aquele.

Na idade média, esta relação, mais uma vez sofre uma mudança com a inserção de um elemento “sobrenatural” ou “divino”. Para mediar as relações entre ser humano e divino surgem as religiões, que determinam como serão estas relações estabelecendo regras que devem ser cumpridas (dogmas). Na mesma época há o surgimento também do Estado que passa a controlar as relações entre os seres humanos, ou seja, agora existem pessoas que cuidam de como o ser humano se relaciona com o sobrenatural (clero) e como este se relaciona com as pessoas (Estado). Neste contexto, a relação ser humano x natureza sofre uma mudança intensa, pois, a humanidade privilegiada por suas habilidades e origem divina passa a exerce sobre esta a natureza um domínio oficializado pela igreja e por “Deus”.

A partir do Renascimento (séc. XVI) e com a difusão de idéias antropocêntricas e racionais, a relação ser humano x natureza sofre também uma mudança bem significativa, pelo fato do ser humano passar a ser o centro, um ser privilegiado por suas habilidades racionais e por isso apto a explorar e se apropriar da natureza (não mais como direito divino), mas utilizando a racionalidade que o diferencia e destaca dos demais animais.

Em plena revolução Científico-industrial o mundo natural passa a ser objeto de conhecimento empírico-racional, de uso do ser humano para bem de seu desenvolvimento e de desenvolvimento de suas atividades. Esta relação ser humano x natureza é apoiada pela visão mecanicista do mundo e confere a natureza o ‘’status” de meio de obtenção de lucro e recursos naturais infinitos, para uso dos seres humanos. Assim começa-se a construir e intensificar uma relação cada vez mais exploratória da natureza, pelo ser humano, que foi transpassando os séculos num voraz uso dos recursos naturais, até que estes foram dando sinais de que não eram tão infinitos quanto se imaginava…

A reação ocorreu, a partir de meados do século XX com os movimentos ambientalistas que tentavam despertar o interesse pela história natural e valorização da natureza. Estes movimentos ambientalistas apareceram principalmente nos anos 60 e 70 (séc. XX) aliados a outros grupos como hippies, pacifistas e socialistas com discussões. As idéias “ecologistas” passaram a ser uma das muitas a serem defendidas junto com as anti-militaristas, pacifistas, direito das mulheres e direitos das minorias.

Estas idéias ecologistas criticaram, sobretudo, as relações ser humano com a natureza que vinham degradando a natureza em prol de uma produção cada vez mais desenfreada, para suprir as necessidades de consumo, muita das vezes supérfluas das sociedades industrializadas modernas. Este movimento ambientalista trouxe a público, questões de reflexões e interesse da humanidade como o uso de energia nuclear, o uso desregrado dos recursos da natureza, extinção de espécies animais, acidentes ambientais e a necessidade mais profunda de discussões teóricas sobre as visões de relação da humanidade com a natureza.
Ainda no mesmo século (XX), nas décadas de 80 e 90 surgem os Partidos Verdes, cujos interesses visavam ações políticas e governamentais em proteção da natureza.

Posterior ao surgimento dos movimentos ambientalistas, houve a necessidade de discussões teóricas sobre as inter-relações ser humano x natureza. Estas discussões são norteadas por duas principais linhas de pensamento: (1) a antropocêntrica, que ressalta a dicotomia ser humano x natureza, justificando a exploração da natureza, através da ciência e tecnologia, sendo a natureza somente um depósito de recursos para uso do ser humano, e este está no centro destas relação; (2) a ecocêntrica ou biocêntrica, onde a natureza está no centro destas relações, e o ser humano é somente mais um ser vivo inserido no mundo natural, além deste ter um valor intrínseco e independente da utilidade que possa ter para o ser humano.

A partir destas duas linhas norteadoras do pensamento sobre as relações ser humano x natureza, surgiram diferentes escolas com diferentes correntes de pensamento ecológico, que serão melhores discutidas em outro post.

P.s. A dissertação que seguiu teve como base a descrição das inter-relações ser humano x natureza, no entanto, está longe de ser a “história real”, pois em sua maior parte é explicada sobre a égide de uma visão européia, principalmente até o século XVI. Nós brasileiros e sul-americanos carecemos de uma história nossa, não desvinculada da européia, pois sabemos da influência desta sobre nossa cultura e ciência, mas urge uma visão que contemple também a histórica das inter-relações ser humano x natureza, dos outros povos que são tão importantes na nossa história, como os indígenas que habitavam nosso continente e os africanos que foram trazidos para cá.

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O cisne negro

Seria cômico se não fosse trágico. O acidente no lago da Aclimação. Ela saía de casa para passear. Terça-feira, Carnaval-2009. Estava um pouco cansada de seus filmes e livros, e resolveu movimentar-se como fazia de vez em sempre, que possível. MP3 nos ouvidos, short, tênis e camiseta. Resoluta, já que o sol do meio-dia estava encoberto pelas nuvens escuras das Águas de Março que resolveram fechar o verão inteiro.

Viu um helicóptero sobrevoando a área, aumentou o volume da música em seus ouvidos. Um aglomerado de pessoas e policiais na borda do lago, achou melhor nem olhar, alguém deve ter se machucado. Carros da polícia civil metropolitana e da polícia florestal fazendo Cooper, alguma coisa realmente aconteceu, que Deus cuide… Policiais entrando no lago… Heim?! O lago está seco!!!

Como jurou no dia da formatura que defenderia a vida, qualquer que fosse, imediatamente desligou o MP3 e realizou a primeira volta com seu olhar clínico. O nível da água realmente havia caído muito, o que até outro dia era um lago cheio de patos, gansos e carpas se transformara, da noite pro dia, em um enorme lodaçal. Um cisne negro bem no meio do lago-lodo passava bem, mas a cena – ele sozinho no meio do lodo – era triste, lembrava os desastres petrolíferos. Os freqüentadores do parque estavam parados nas margens em três pontos. O primeiro era uma piscina, formada pela irregularidade do fundo do lago, na qual alguns peixes estavam sendo salvos em sacos plásticos por pessoas que, na ânsia de fazer um bem, se esqueceram das aulas de Ciências – poderiam contrair doenças num lago eutrofizado como aquele e, certamente as concentrações de Oxigênio e nutrientes da água para onde os peixes estavam sendo levados pelos cidadãos seriam diferentes, levando-os à morte da mesma forma. Um policial tentava afastar as pessoas. Os outros dois pontos ofereciam visão privilegiada sobre o trabalho dos aproximadamente 20 homens que se organizavam para retirar o cisne negro, bem como meia dúzia de patos e marrecos nas margens cheias de lixos inorgânicos.

Segunda volta. Um policial florestal. Não resistiu.

- Por gentileza, desculpe minha intromissão, mas por que resolveram esvaziar o lago sem tirar todos os animais primeiro?

- Houve um acidente ontem a tarde, estourou o encanamento que regula o escoamento do lago e a água vazou para o rio Tamanduateí.

- Xiii, não tem como salvar os peixes… ou foram parar no rio – poluído, ou morreram atolados ali no fundo do lago. Conseguiram resgatar as demais aves ou só sobraram aquelas?

- Muitas foram para as margens fugindo da vazão de água ontem e conseguimos capturá-las, só sobraram estas que se assustaram conosco e foram para o meio do lago. Mas nós vamos resgatá-las e levá-las para o parque do Ibirapuera.

- Mas aquilo virou uma areia movediça, como os policiais vão chegar até lá?

- Infelizmente não temos equipamentos adequados disponíveis para entrar neste tipo de lodo, até o prefeito já esteve aqui vendo a situação hoje, mas vamos tentar um bote ou um cabo de aço para fazer com que o cisne negro chegue até uma das margens.

Enquanto isso câmeras de TV, repórteres e fotógrafos registraram um verdadeiro “Olé” que um pato deu numa meia dúzia de biólogos da Prefeitura que, por fim, o capturaram sobre aplausos da população local, enquanto o cisne negro olhava a distância bicando sua glândula uropigeana e impermeabilizando suas penas da asa direita, na terceira volta.

A quarta volta foi bem irônica. Cidadãos reclamavam da indolência da polícia. “Por que não tiram o cisne negro com o “Águia”? Só porque o barulho dum helicóptero já infartaria o bicho antes dele ser salvo. Por que não chamam uma viatura de bombeiros e usam aquela escada até o meio do lago? Era evidente que o cidadão não teve aulas de Física, pois a distância entre a margem e o cisne era enorme! Por que um bombeiro não nada até lá? Areia-movediça, já viu desenho animado com areia movediça, meu filho? Policial não é mosquito, afunda!

Os policiais resolveram atravessar um cabo de aço margem-margem enxotando o cisne que, sem saber que já era alvo de projeções emocionais de tanta gente que desejava que ele sobrevivesse às intempéries de suas vidas, conseguia se mover, apesar do lodo, com relativa facilidade para a margem mais próxima dele.

Quinta volta. Garoou. Um cidadão lamentou-se dizendo “se fizesse sol o lodo secaria e o cisne conseguiria sair de lá”. Se fizesse sol o cisne morreria desidratado antes do lodo secar! Prá sorte do cisne negro e desespero dos policiais garoava forte e a população não arredava pé. A julgar pela situação, o cisne negro já tinha deixado de ser um patinho feio, passado por pobre criatura de Deus injustiçada, e estava se transformando num herói de guerra, pois continuava se movimentando, agora com esforço, fugindo do cabo de aço rumo à margem.

Não viu o cisne ser salvo, nem teve a sexta volta. Os policiais interditaram a pista de Cooper, não sem antes um sujeito mal educado exigir a retirada de todos do local, pois ele iria pegar o cisne, afinal ele estava lá desde as 6 da manhã e já eram mais de 13 horas. Incrível como ele enxotava todo mundo grosseiramente, mas dizia que o fotógrafo podia permanecer. Afinal, o cisne negro não poderia ser herói sozinho.

Choveu forte. Voltou ensopada pensando na tragédia ecológica. Em todos os sentidos. Um lago mal cuidado, pessoas mal formadas cientificamente, gente mal educada. Pensou no plâncton, nas algas, nas briófitas, naquela infinidade de peixes e carpas gigantes que eram mal alimentadas por pães, no desequilíbrio climático da região, na conseqüente baixa da população de anfíbios, no aumento da população de mosquitos, nas sementes das árvores que, se antes alimentavam peixes, agora poderão brotar, no trabalho de reconstrução do lago – se é que será reconstruído – e inclusive, na situação perturbadora provocada pelo rebelde cisne negro.

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Calcinhas de carneirinhos

Abaixo os forros de algodão?! “Quando colocadas em placas para culturas de bactérias verifica-se que as fibras de viscose apresentam um crescimento bacteriano menor que as demais fibras, inclusive de algodão” disse o professor do curso de Engenharia Têxtil da faculdade de Engenharia Industrial da FEI, Fernando Barros.

Em sua palestra sobre “Impactos ambientais nas principais fibras têxteis” realizada na II Expo-indústria – Cadeia Produtiva têxtil, Confecção e Vestuário, no último dia 19 na sede da FIESP em São Paulo ele esclareceu também que o discurso do baixo impacto ambiental da produção da fibra de viscose de bambu, quando comparado ao da fibra de viscose produzida a partir de eucalipto, “é uma falácia!”. 

Ao analisar superficialmente os impactos ambientais da produção têxtil da viscose pode-se imaginar que plantar e derrubar eucaliptos provocaria um impacto ambiental maior do que fazer o mesmo com bambu. No entanto, os processos para obtenção das fibras são os mesmos.

Um estudo por ele conduzido, publicado na última edição (69) da revista Textilia têxtil , revelou que a produção de viscose veio para os países menos desenvolvidos especialmente devido à soda cáustica e ao ácido sulfúrico utilizados na manufatura destas fibras, independentemente de sua fonte de extração, pois geravam sérios problemas de saúde ocupacional na Europa.

Não bastando, tanto para confeccionar as fibras de viscose de eucalipto quanto as de bambu são necessárias as mesmas quantidades de água nas plantações (640l/kg de fibra) e gasta a mesma quantidade de energia. Ambas as fibras são biodegradáveis, embora seja difícil reciclar qualquer viscose. A impressão de “ecologicidade” a favor do bambu provém do replantio rápido e agressão menor ao solo, porém o fato da fibra de bambu ser menos resistente que a de eucalipto não compensa todo o impacto ambiental da produção dela, em última análise. 

Mas se a viscose, seja de eucalipto ou de bambu, é uma fibra artificial semelhante ao algodão, com toque, textura e caimento melhores que este, e ainda por cima com baixo crescimento bacteriano, por que os ginecologistas ainda insistem em recomender as calcinhas com forros de algodão? Talvez também valha a pena colocar na conta ambiental que a confecção de fibras de algodão também gera um impacto ambiental alto, provocado pela demanda de pesticidas e fertilizantes em suas plantações (afinal, algodão orgânico rende poucas fibras) e provoca biscinose nos trabalhadores, apesar de consumir menos água e energia que a produção de viscose.

PS. Considerando a relevância dos carneirinhos, achei prudente voltar a trabalhar prá garantir meu ranking de colaboração ;-)  

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Preguiça Gigante e outros animais enormes.

Darwin, antes de se interessar por animais, era um apreciador da geologia. Enquanto estava na faculdade, estudou com grandes geólogos e chegou a ir “a campo” algumas vezes. Quando partiu com o Beagle em sua histórica viagem, Darwin estava muito mais interessado em estudar a geologia dos países exóticos que visitaria do que sua fauna e flora. Em uma de suas andanças, Charles acabou esbarrando em algo surpreendente. Um fóssil… mas não um fóssil qualquer. Era o fóssil de uma preguiça gigante.

A preguiça gigante (Megatherium americanum),  é uma das espécies que pertenciam ao que se convencional chamar de megafauna. A megafauna era constituída por animais gigantes, parentes de animais menores e que ainda existem.

Clique para ampliar.

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No Brasil, além da preguiça gigante, já foram encontrado fósseis de parentes de elefantes (mastodontes), camelos, hipopótamos, tatus (como o Gliptodonte) e cervos. Na Austrália foram encontrados fósseis de cangurus gigantes.

A grande questão sobre a megafauna é o motivo que levou à sua extinção. Existem diversas hipóteses sobre o fim da megafauna, a mais popular diz que foi a ação do homem que levou estes animais ao desaparecimento.

Aparentemente a extinção destes animais se dá muito próximo aos primeiros indícios de ação do homem. Embora há quem questione, muitos pesquisadores  argumentam que o homem primitivo se alimentava destes animais gigantes. Além disso, usavam os cascos e ossos para forjar ferramentas. No caso do tatu gigante em específico, o animal era do tamanho de um fusca. Imagina-se que seu casco era usado como abrigo.

Gliptodonte. Clique para ampliar.

Gliptodonte. Clique para ampliar.

A despeito de seu misterioso desaparecimento, a megafauna é um dos exemplos mais fascinantes sobre os rumos que a vida toma na Terra.

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Neutralização de carbono – afinal como neutralizar?

“No ciclo do carbono a concentração atmosférica deste elemento na forma de gás carbônico (CO2) é pequena comparada à de carbono (C) nos oceanos, combustíveis fósseis, e em outros depósitos existentes na crosta terrestre. Acredita-se que até o início da era industrial, os fluxos entre a atmosfera, os continentes e os oceanos estavam equilibrados. Durante os últimos anos, porém, a quantidade de CO2 tem se elevado devido às novas ações antropogênicas. A queima de combustíveis fósseis parece ser a principal fonte, mas a agricultura e o desmatamento também contribuem” segundo Eugene P. Odum , baseado em pesquisas do final da década de 1970, no clássico livro Ecologia.

Atualmente muito tem sido discutido a respeito do desequilíbrio ecológico que levou ao aquecimento global provocado pelo acúmulo de gás carbônico na atmosfera oriundo, principalmente, da queima de combustíveis fósseis e, em menor escala, do desmatamento. Contrapondo a resposta ecológica mais elementar, que seria diminuir a queima de combustíveis fósseis, a proposta de neutralizar CO2 por meio de reflorestamento tornou-se uma solução eficaz para retirar moléculas excedentes de carbono da atmosfera. Além disso, configurou-se em atitude ecológica e selo de qualidade ambiental, principalmente para as empresas do novo mercado acionário.

Recentemente a Folha de SP veiculou uma matéria revelando que os cálculos estabelecidos para determinar a quantidade de árvores necessárias para neutralizar o CO2 eram, até então, subestimados. No entanto, o engenheiro florestal Dirceu Lucio Carneiro de Miranda, do laboratório de inventário florestal da Universidade Federal do Paraná, disse que o cálculo apresentado pela matéria sugerindo a substituição de 1,7 árvores por 3,3 para neutralizar o equivalente a uma tonelada de CO2 em 20 anos não é exatamente correto “pois esse número pode variar conforme a espécie a ser plantada, assim como a tipologia de floresta a ser quantificada.” Argumento semelhante foi apresentado pelo engenheiro agrônomo Marcelo Theoto Rocha, pesquisador da Universidade de São Paulo e do Instituto de Pesquisas Ecológicas, além de diretor da Entropix Engenharia e do Comitê de Meio Ambiente da Câmara Norte-Americana de Comércio; “não é possível ter um número preciso ex-ante [sic]” referente à quantidade de árvores estimadas para esta finalidade.

Segundo Dirceu de Miranda e Marcelo Rocha a fixação de carbono está relacionada com a capacidade fotossintética de cada espécie e de um ecossistema como um todo. Eles recomendam a plantação de espécies nativas das regiões escolhidas para o reflorestamento na expectativa de que elas sejam mantidas permanentemente, fixando assim o carbono na biomassa dos vegetais incluídos nas áreas degradadas de florestas pré-existentes ou em novas florestas. “No caso de empreendimentos florestais, onde o objetivo é o plantio para retorno financeiro da empresa, as espécies recomendadas são aquelas com maior crescimento e que já possuam uma demanda de mercado” explica Dirceu de Miranda. Em ambos os casos “a verificação [de fixação de carbono] não deve se limitar apenas aos primeiros anos, mas deve ocorrer até que a floresta atinja seu clímax”, diz Marcelo Rocha.

Entretanto, a inclusão de seres vivos em um ecossistema altera a sua dinâmica podendo ocasionar mais desequilíbrios ecológicos, ainda que o objetivo seja alcançar o re-equilíbrio florestal em longo prazo. É o caso de insetos que podem se tornar pragas de madeiras, ou aumentar o número de pássaros, isto se ficarem restritos à floresta – apenas como uma hipótese ecológica simples. Porém, dada a gravidade da situação o reparo antropogênico não tem mais tempo para levar estas questões ecológicas em consideração. “Uma das formas para atenuar os efeitos do aquecimento global causado dentre outros, pelo acumulo de CO2 atmosférico, é por meio de florestas, sendo estas importantes para o equilíbrio do estoque de carbono global. Assim sendo, a inclusão de árvores em programas de restauração florestal que visa assegurar a dinâmica de sucessão e a perenização do ecossistema, contribui de forma significativa para o problema do aquecimento global.” palavras de Dirceu.

Ainda de fundamental importância na questão da neutralização de CO2 está a criação do conceito “ecologiconômico” de créditos de carbono, mercado no qual o Brasil ocupa o terceiro lugar em número de projetos e volume de créditos de acordo com a base de dados internacional de projetos para criação de mecanismos de desenvolvimento limpo, o CDM/JI pipeline. Mas os projetos brasileiros cadastrados não são florestais, e, dos 14 florestais cadastrados nenhum é do Brasil, informou Marcelo Rocha. Talvez essa seja a razão pela qual Warwick do Amaral Manfrinato, também agrônomo, prefira motivar grandes projetos “de cima para baixo” ao contribuir para a solução do problema; “acho que a idéia de neutralização através de plantios por indivíduos pode ter algum valor como campanha para o processo de sensibilização da sociedade, educação ambiental, mas de fato será efêmero do ponto de vista do que é necessário… Esse tipo de processo [neutralização do CO2 por reflorestamento] leva muito tempo para dar resultados e precisamos de resultados com muito mais rapidez… e é por isso que convenções e políticas públicas têm que ser desenvolvidas para praticamente atropelar a sociedade em seu processo de aprendizado…. Soa despótico, mas é minha opinião….”.

Convém lembrar que há, ainda, de acordo com o velho Odum, a participação da agricultura no aumento das emissões de gás carbônico. “O CO2 fixado pelas culturas, muitas das quais ativas apenas uma parte do ano, não compensa o CO2 liberado do solo [pela oxidação do húmus], principalmente aquele que resulta de lavoura freqüente”. Provavelmente esta também seja uma contribuição à discussão sobre os biocombustíveis.

Finalmente, mas longe de encerrar a questão, a análise do ciclo do carbono, sugere outras formas de neutralização. Por exemplo, evidências recentes de oceanógrafos da universidade de Southampton no Reino Unido revelaram aumento de 40% na massa de cocolitóforos da espécie Emilianiahuxleyi justamente devido à absorção de carbono da atmosfera na forma de carbonato de cálcio carbonato de cálcio (CaCo3) nos últimos 220 anos. Segundo o estudo, estas algas marinhas provavelmente continuarão neutralizando o CO2.

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