Galileu, matemático , cortesão e desonesto?

março, 2010

A Nature publicou ontem um pequeno texto (ao qual tive conhecimento pelo colega blogueiro Rafael do RNAm e que também escreveu um texto sobre o assunto) dizendo que evidencias recentes mostram que Galileu defendeu o sistema heliocêntrico apesar de suas observações não sustentarem tal sistema.

Tenho uma novidade pra Nature, tal fato já é sabido pela história da ciência a muito mais tempo. Aliás, o artigo em si é bastante estranho, e não estivesse publicado no site da Nature, eu ia dizer que era obra do G1. Mas vamos ao que interessa.

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Ciência em fase beta.

março, 2009

Publicar um artigo científico é, em geral, um processo laborioso e até certo ponto burocrático. Além do evidente trabalho de escrever o artigo, é preciso submetê-lo a uma revista apropriada e torcer por uma resposta positiva. Daí até a publicação efetiva o artigo ainda passa pela peer review e etc.

O caso é que na maioria das revistas, da aceitação do artigo à publicação, existe um hiato de, em geral, um ano. Dependendo da revista, esse período pode aumentar ainda mais, eventualmente, chegando a três anos.

Disso resulta que é muito comum ver os pesquisadores distribuindo seus trabalhos entre seus colegas antes de ele ser publicado. A questão que podemos levantar disso tudo é, até quando tal situação vai se manter?

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Divulgando o estranho mundo da ciência.

fevereiro, 2009

Acredito que exista um problema básico para a divulgação científica que poucas vezes é posto em evidência. O problema em questão é aceitar o fato de que o mundo em que o cientista vive, não é o mesmo mundo que as pessoas em geral vivem. Pode parecer uma idéia ingênua, mas o caso é que o mundo explicado pela ciência, não é de modo algum, o mundo do dia-a-dia. E este aspecto influencia diretamente na capacidade de um texto de divulgação científica cumprir o seu papel.

Há algo no treinamento do cientista que torna noções como o heliocentrismo, ou inércia, ou evolução biológica, tão naturais que são, de certa forma, aceitos a priori. Embora de alguma maneira as bases para isso estejam no nosso sistema educacional, nenhum destes conceitos são naturais para o senso-comum.

Alguém pode achar absurdo eu estar defendendo que em pleno século XXI, as pessoas não achem natural a Terra estar se movendo ao redor do Sol, mas o ponto que quero defender é que ninguém acreditaria que a Terra é quem se move não fosse o caso de dizermos isso a elas desde crianças.

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Auto-validação e a blogosfera científica.

janeiro, 2009

Institucionalização! Este foi o grande passo dado pela ciência no período da revolução científica. O resultado desse passo foi o surgimento de um dos maiores empreendimentos humanos já vistos. A ciência cresceu, ganhou credibilidade e afeta ativamente o meio de vida da sociedade.

É curioso notar como a institucionalização em geral resulta no crescimento acelerado de uma atividade qualquer. Mais do que isso, faz com que a atividade em questão ganhe respeito e articulação política. As religiões aprenderam isso bastante cedo. A ciência demorou um pouco mais.

Uma das principais características resultantes da institucionalização é a chamada auto-validação. Isso quer dizer basicamente que uma comunidade qualquer é capaz de validar a si própria. Parece estranho? Mas não é.

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