Polegar novo de novo.

abril, 2012

Não, seus olhos não estão te enganando. O Polegar Opositor finalmente recebeu aquela merecida atualizada no visual. Mas a atualização é um pouco mais que estética. A ideia principal era sim oferecer aos visitantes um site mais bonito mas que também priorizasse o acesso ao conteúdo e se integrasse melhor às redes sociais.

No que diz respeito à parte estética, optamos por abandonar de vez aquele visual “encapsulado” (fundo cinza que delimitava a área útil do site) por um mais clean com o fundo todo branco. As cores já estabelecidas da nossa identidade visual (vermelho, cinza e branco) foram retrabalhadas. Por todo o site agora pode ser visto a utilização destas cores e de algumas variantes de maneira mais uniforme e consistente.

Outra medida para deixar o visual do site mais consistente foi a adoção de uma tipografia única. Todos os textos do site agora usam a mesma fonte, independente do sistema operacional, navegador ou de você possuir ou não a fonte instalada em seu sistema.

O já tradicional logotipo do Polegar também sofreu algumas mudanças. O macaco e o homem estão mais próximos e junto com o “P” formam um ícone que pode ser usado de forma independente.

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“Salami science”, autoria contestável e o alpinismo científico

novembro, 2011

Ninguém gosta de ser avaliado e criticado. Para os cientistas, tão acostumados com suas idéias estarem “certas” e serem corroboradas e publicadas, a avaliação se torna algo até mais temeroso do que para a maioria da população. Entretanto, ninguém escapa de ser avaliado, ainda mais sob a perspectiva de ganhar financiamento (e status, claro, por que não?), passando para isso pelo “simples” desconforto e pressão de ter seu trabalho avaliado.

Um aluno comum, na escola, quando sob pressão é levado a tomar atitudes contra a nossa moral, como a “cola”. O mundo adulto não é tão diferente, por mais que nos recusemos a acreditar. As atitudes que tomamos em medidas desesperadas apenas apresentam uma “roupagem” mais bonita, com a qual podemos disfarçar o que foi feito e ganhar a simpatia da nossa classe, que pode aprovar até mesmo as atitudes mais imorais. São as desculpas que damos a nós mesmos para escapar de uma avaliação ruim, seja ela qual for.

No paradigma atual da avaliação dos programas de pós-graduação e seus pesquisadores, a CAPES se torna um fantasma assombrando a vida de todos minimamente ligados ao âmbito acadêmico. Suas normas, equações, pontuações e avaliações levam os pesquisadores muitas vezes a medidas desesperadas. Mas creio que o maior impacto de um método de avaliação tão “espartano” (joguem os fracos do precipício e fiquem com os soldados mais eficientes) é a legitimação de atitudes fraudulentas e pouco éticas.

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Fogo que arde sem se ver: uma reflexão sobre o incêndio na floresta da USP de Ribeirão Preto

agosto, 2011

Ontem a tarde uma fumaça escura pairava sobre o campus da USP de Ribeirão Preto. Todo aquele carbono, que irritava os olhos e as vias aéreas dos estudantes, professores, funcionários e curiosos, era, até aquela manhã, parte integrante de uma floresta de mais de 700.000 m² de extensão. O estrago foi devastador em todas as dimensões imagináveis. Pra começar, a área atingida passou de 430.000 m². Como se não bastasse, nessa área estava contido o único banco genético de mata mesófila semidecidual do Brasil.

Um banco genético é exatamente o que o nome sugere: um local onde se deposita o material genético dos organismos. Quanto maior a variabilidade genética, melhor. Existem duas razões principais pelas quais o material genético dos indivíduos de uma espécie pode ser depositado num banco genético: (1) porque a espécie é (ou tem potencial para ser) interessante economicamente para o ser humano ou (2) porque a espécie precisa ser conservada. No primeiro caso, é comum os bancos genéticos estarem associados à instituições de pesquisa em melhoramento genético, que utilizam o material lá depositado para conduzir seus experimentos. Já no segundo caso, o panorama é bem diferente.

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Comunicação da Ciência e Web 2.0: A Tese.

maio, 2011

Há pouco mais de dois anos eu decidi atravessar o Atlântico em direção à Lisboa com o intuito de fazer um mestrado em História e Filosofia das Ciências, na Secção Autónoma de História e Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa. na época em que fui, imaginava fazer algo relacionado à divulgação científica, mas não tinha uma ideia muito clara ainda.

É curioso pra mim falar sobre esse processo agora sem me recordar de um vídeo muito interessante em que o cocriador da Apple, Steve Jobs, fala como experiências de vida aparentemente sem relação qualquer o ajudaram depois a revolucionar o próprio conceito de computador pessoal que ele próprio havia criado anos antes.

Não estou me comparando de modo algum ao Steve Jobs, evidente, mas acredito que passei por um processo similar. Com dezesseis anos comecei a trabalhar em uma gráfica como artefinalista. Por conta disso passei a me interessar por comunicação visual e design, o que me levou anos depois a fazer o curso de design gráfico da Escola Panamericana de Artes.

Terminado o curso, decidi entrar em uma faculdade. Fiz vestibular pra direito e passei mas, por uma série de complicações, acabei trocando pra ciências biológicas, sem muita vontade de seguir com o curso. Bastou-me uma semana de aulas pra eu ficar apaixonado pelo curso e seguir até o fim.

Entre o curso de design e a faculdade de biologia, eu que já era um viciado em computadores e tinha acesso à internet desde 1996, passei a me interessar por blogs. Comecei, como todo mundo que conheço, com um blog sobre coisas pessoais e fui mudando gradativamente até que 2007 comecei este singelo blog de divulgação científica. No ano seguinte, justamente por causa do blog, acabaria por me inscrever no curso de divulgação científica do Núcleo José Reis de Divulgação Científica.

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Desinteresse crônico

janeiro, 2011

Observe os diálogos abaixo:

(1)

– Ei, estou lendo os livros da saga Crepúsculo e estou adorando! Tem muito mais emoção do que nos filmes! Você já leu?

– Eu não cara… Deus me livre! Me dá enjôo só de pensar em quanta bobagem deve estar escrita num livro sobre vampirinhos apaixonados! Não sei como você pode gostar de coisas tão juvenis!

– Ah, para! Se você não leu, não pode falar nada do livro!

– Mas não é possível que essa história seja boa… Me disseram que quando esses vampiros saem no sol, eles viram purpurina! Fala sério, né?

– Nossa, você é muito preconceituoso e cabeça dura! Quando forma uma idéia, ou melhor, copia de alguém, não se abre pra nenhum outro ponto de vista…

(2)

– Você viu que descobriram indícios de respiração unidirecional em crocodilianos? Isso não é demais?! Até então se pensava que só as aves tinham esse tipo de respiração!

– Nossa, mas como assim? Os crocodilos não passam nem perto de ter as mesmas demandas metabólicas que as aves…

– Exato! E eles nem são o grupo de répteis que deu origem às aves, o que indica que esse tipo de respiração pode ser simplesiomórfico pra maioria dos grupos de répteis do final do Triássico.

– Uau… Se for assim mesmo, então muito do que a gente conhece sobre evolução dos vertebrados terrestres vai ter que ser revisto.

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Bola Recuada, Jornalismo Esportivo e Divulgação Científica

junho, 2010

Pois se em Copa do Mundo o tema é recorrente, o jornalismo esportivo anda mesmo muito a desejar. Em informações interessantes, claro. É só ligar a tevê e as reportagens se repetem, e como há quatro anos atrás:

• rivalidade entre Brasil e Argentina. A novidade fica por conta da propaganda de cerveja;
• bate-papos informais com ex-jogadores de futebol e algumas celebridades emergentes. O que será que Bruna Surfistinha tem a dizer?
• filmagens com os estrangeiros e suas colônias. E a saia justa de todo repórter: se o seu país for para a final com o Brasil, pra quem você torcerá?
• mitos pra lá, mitos pra cá. E na história de todas as Copas do Mundo isso, e aquilo, e coisa e tal.
• mais uma vez um jogo de estréia a desejar. Torcedores frustrados.

E se essa Copa do Mundo é aquela que mais investiu em tecnologia – dizem que a FIFA superestimou o poder das vuvuzelas, que atrapalham na recepção de som e, consequentemente, da transmissão televisiva – por que eu sinto falta de matérias mais elaboradas, com conteúdos mais reflexivos?

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A Literatura de Cordel e a Leitura Científica

maio, 2010

As possibilidades da Divulgação Científica são muitas. Algumas tradicionais, outras nem tanto. O fato é que em toda a possibilidade de comunicação há igualmente a possibilidade de divulgação científica. Simples assim. E como bem sabe o marketing e a publicidade, qualquer lugar pode vir a ser um suporte para as estratégias de ação. A mesma coisa se pode dizer da divulgação científica. A diferença é que esta última, em oposição ao marketing e a publicidade, ainda não está na boca do povo. Assume-se por uma distância e pelos esforços de aproximá-la do grande público, em luta de espaço contra o capital tomado pelas mídias de massa. Preferências de um mundo formado por gerações e mais gerações focadas no consumismo e na descartabilidade das coisas e das pessoas.

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Podem os vírus ter-nos tornado humanos? – Parte I

abril, 2010

A questão começou por ser filosófica. Numa sessão da American Philosophical Society de 15 de Novembro de 2003, o virologista Luis P. Villarreal, director do Centro de Investigação em Vírus da Universidade da Califórnia em Irvine perguntava: «Can Viruses Make Us Human? A ciência tinha uma resposta objectiva. Não. Os vírus, que nem sequer seres vivos são considerados, são parasitas moleculares cujo interesse primordial consiste em induzir doenças no seu hospedeiro. Neste sentido, os vírus são qualquer coisa de maléfico. Veja-se o caso do VIH causador da SIDA que todos os anos ceifa milhares de vida em todo o mundo. Ou o vírus H1N1 que ameaçava dizimar populações inteiras. Ou ainda o temível vírus Ébola que nos filmes é-nos apresentado como uma espécie de assassino em série. Ou então o mais contido vírus da gripe sazonal que todos os anos faz com que milhões de pessoas passem os seus dias a espirrar. Para tornar tudo isto ainda mais grave, não há forma de os combater. Por conseguinte, como podem os vírus ter-nos tornado humanos? Não, para nós, o grande plano dos vírus sempre foi exterminar os humanos. Acontece que, além da objectividade pura não existir, a resposta da ciência a esta questão está profundamente afectada por uma subjectividade. Na verdade, alguns cientistas têm sido de tal modo convincentes que nós acreditámos sem qualquer resistência nos seus delírios. Estamos pois todos dentro ou fora da realidade, como acontece nos chamados delírios partilhados. Provavelmente, mais fora do que dentro. Talvez aqui a filosofia possa dar uma ajuda. Por exemplo, segundo Peirce, a realidade é tudo aquilo que nos provoca resistência. Quer isto dizer que se há qualquer coisa que cause resistência à nossa expectativa, então é provável que essa qualquer coisa seja real. A ciência é uma incessante busca pela realidade. E é escrita a lápis de carvão. Porque a ciência vive na eminência de ter de ser rescrita uma vez, e outra vez, e ainda mais outra. Aliás, a história da ciência é um livro rasurado em todas as suas páginas. O caso dos vírus é um exemplo bastante eloquente. Investigações recentes têm defraudado persistentemente as nossas expectativas. O que significa que, por certo, nos aproximamos cada vez mais da realidade.

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Com o coração do lado direito

abril, 2010

Há dias, estava eu a tentar por ordem nas dezenas de ficheiros que flutuam no ambiente de trabalho do meu notebook, quando de repente me salta aos olhos um artigo sobre competição espermática. Ah, os espermatozóides! Lembrei-me logo de uma história que eu costumo sempre contar quando pretendo mostrar a alguém como a lógica da vida nos prega uma valente rasteira de cada vez que julgamos saber tudo.

Woddy Allen

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A Prenhez Tubária, o Anticoncepcional e a Divulgação Científica

março, 2010

Fornecer informações de um modo acessível à população é o principal objetivo da Divulgação Científica. Digo de se traduzir aquela linguagem técnica, de difícil absorção, cheia de latins e de palavras que passam ao largo do uso cotidiano, como no caso das ciências e suas expressões mais puras. Nelas e nas mais diversas áreas.

E por quê não usar o dicionário?
Divulgação: ato ou efeito de tornar pública alguma coisa; difusão, propagação, vulgarização. (Houaiss)

Repito: difusão, propagação, vulgarização. Três palavras adequadas ao propósito deste texto. E um incômodo. Explico:

Recentemente passei por uma cirurgia para a retirada de um pedaço de uma das trompas, em decorrência de uma gravidez ectópica (quando o feto se desenvolve de forma tubária). Por certo, uma fatalidade. Maior ainda pelo fato de eu estar tomando Mesigyna®, anticoncepcional injetável fabricado pela Bayer do México e comercializado aqui no Brasil pela Schering.

A parte interessante desse tipo de anticoncepcional trata-se do fato dele ser administrado mensalmente por via intramuscular profunda, de forma extremamente lenta e, portanto, há registro de cada dose na farmácia em que a injeção é aplicada. Coisas das legislações, ainda bem, pois assim levanto a possibilidade de entrar com um processo contra o laboratório.

E é aí que encontro o primeiro incômodo e penso no quanto é importante a Divulgação Científica. Afinal, de que se trata aquela porcentagem de ineficácia (geralmente 1%) presente em todas as bulas dos anticoncepcionais?

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