Ciência em fase beta.

março, 2009

Publicar um artigo científico é, em geral, um processo laborioso e até certo ponto burocrático. Além do evidente trabalho de escrever o artigo, é preciso submetê-lo a uma revista apropriada e torcer por uma resposta positiva. Daí até a publicação efetiva o artigo ainda passa pela peer review e etc.

O caso é que na maioria das revistas, da aceitação do artigo à publicação, existe um hiato de, em geral, um ano. Dependendo da revista, esse período pode aumentar ainda mais, eventualmente, chegando a três anos.

Disso resulta que é muito comum ver os pesquisadores distribuindo seus trabalhos entre seus colegas antes de ele ser publicado. A questão que podemos levantar disso tudo é, até quando tal situação vai se manter?

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Pós em Divulgação Científica

março, 2009

Antes que as pedras voem, aviso: Este não é um post pago.

A divulgação científica no Brasil não é um fenômeno recente. Que o diga o grande divulgador-cientista-jornalista José Reis. Mas apesar de não ser novidade alguma, é impossível negar que a atividade como um todo vem, nos últimos tempos, ganhando ainda mais importância, relevância e maturidade.

A internet tem grande responsabilidade neste movimento, e apesar disso é estranhamente negligenciada na maior parte dos cursos que tratam sobre o tema.Foi pensando sobre isso, em um brainstorm regado a pizza e vinho, que a Andréa, a Fernanda e eu desenvolvemos o projeto de um curso de Divulgação Científica que dê a devida importância à internet.

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Divulgando o estranho mundo da ciência.

fevereiro, 2009

Acredito que exista um problema básico para a divulgação científica que poucas vezes é posto em evidência. O problema em questão é aceitar o fato de que o mundo em que o cientista vive, não é o mesmo mundo que as pessoas em geral vivem. Pode parecer uma idéia ingênua, mas o caso é que o mundo explicado pela ciência, não é de modo algum, o mundo do dia-a-dia. E este aspecto influencia diretamente na capacidade de um texto de divulgação científica cumprir o seu papel.

Há algo no treinamento do cientista que torna noções como o heliocentrismo, ou inércia, ou evolução biológica, tão naturais que são, de certa forma, aceitos a priori. Embora de alguma maneira as bases para isso estejam no nosso sistema educacional, nenhum destes conceitos são naturais para o senso-comum.

Alguém pode achar absurdo eu estar defendendo que em pleno século XXI, as pessoas não achem natural a Terra estar se movendo ao redor do Sol, mas o ponto que quero defender é que ninguém acreditaria que a Terra é quem se move não fosse o caso de dizermos isso a elas desde crianças.

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Polegarcast #5: 200 anos de Charles Darwin

fevereiro, 2009

Polegar Cast está de volta para comemorar uma data muito especial. 200 anos do nascimento de Charles Darwin, o naturalista inglês que mudou de forma determinante a maneira como estudamos os seres vivos.

Neste podcast você vai ouvir:

00:00 Abertura, introdução e apresentação dos participantes;
01:50 Um pouco do background familiar de Charles Darwin;
06:00 Darwin e seu talento científico precoce;
07:00 A influência das irmãs de Darwin;
08:00 Darwin, química e a faculdade de medicina;
10:40 Uma desgraça para toda a sua família;
12:30 A viagem no Beagle;
15:30 Fritzroy e Darwin, uma amizade improvável;
16:00 O guia de sobrevivência da mulher no mar;
16:45 Darwin, uma moça no mar?
19:00 As coleções de Darwin;
22:32 A vida atribulada de Darwin;
24:30 Thomas Malthus e o insigth final;
25:00 Das influências que levaram à teoria evolutiva;
31:30 Darwin e suas ervilhas;
34:00 Darwin não vai pro céu;
35:00 A polêmica carta de Wallace;
35:40 Darwin, o idiota;
38:50 A origem das espécies;
40:00 O descendente do macaco;
41:00 Eventos em comemoração à Darwin.
42:00 “?”

Comentado durante o programa:
Revista Scientia Studia
Paper em portugues de Alfred Russel Wallace

Links para obras de Darwin:
Darwin’s Correspondence Project
The Complete Work of Charles Darwin Online
Darwin200

Links para as comemorações:
Dia de Darwin no Museu de Zoologia da USP
A evolução de Darwin (Calouste Gulbenkian – Portugal)

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Divulgação Científica, folias, confetes e serpentinas

janeiro, 2009

1ª versão: Revista Vox Science (Núcleo José Reis de Divulgação Científica)
2ª versão, atualizada: Polegar Opositor

Nas ladeiras de Olinda um pierrô apaixonado, que vivia só cantando, acabou chorando quando viu sua colombina no cordão de Albert Einstein, um boneco gigante no meio da multidão. Isso foi em 2005, e foi a primeira vez do bloco “Com Ciência na Cabeça e Frevo no Pé”, fundado pelo Espaço Ciência, pelo Cenine/UFPE e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência de Pernambuco (SBPC-PE). Já em 2006, quanto riso, oh, quanta alegria, mais de mil foliões no maracatu e um arlequim que ficou chorando o amor de colombina, que só tinha asas para um Santos Dumont em comemoração aos 100 anos do vôo do 14 Bis. Ah, se você fosse sincera… No outro ano foi a vez de José Leite Lopes, físico pernambucano, e a colombina dando viva ao maioral. Ela quer um lindo apartamento, com porteiro e elevador. E sob o tema “Evolução e Diversidade”, Charles Darwin foi o escalado para arrasar pierrôs e arlequins em 2008, ano em que o bloco marca a abertura oficial da V Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de Pernambuco.

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O terceiro mundo de Karl Popper

janeiro, 2009

Karl Popper foi um grande filósofo austríaco bastante conhecido por sua contribuição para a filosofia da ciência. Foram suas idéias que fundaram o racionalismo crítico, que estabelece como critério de demarcação o princípio da falseabilidade. Em uma de suas contribuições mais geniais para a epistemologia, Popper comenta um pouco sobre seu conceito de conhecimento objetivo, e o terceiro mundo.

No texto clássico de seu livro de 1972 “Conhecimento Objetivo: Uma abordagem evolucionista”, Popper faz um exercício interessante. Propõe a existência de três mundos. O primeiro mundo é habitado por todas as coisas físicas, vivas ou não vivas. O segundo mundo é habitado pela consciência humana, “é o mundo da consciência ou dos estados mentais”, nas palavras do próprio Popper.

O terceiro mundo é habitado por conteúdos objetivos. Por conteúdo objetivo, podemos entender todo pensamento objetivo sobre algo, obras de arte, poesia, livros, conhecimento científico e por aí vai. Deste ponto em diante, é possível não só diferenciar um pensamento subjetivo de um pensamento objetivo, mas é também possível concluir uma independência do terceiro mundo.

Karl Popper

Karl Popper

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Deus e o Diabo na terra da ciência.

janeiro, 2009

Existia um debate polêmica em história da ciência sobre a forma de se estudar o passado. Os primeiros historiadores, comprometidos com o projeto positivista, não demoraram a fazer da ciência uma narração de conquistas e vitórias quase heroicas.

A história da ciência era narrada como uma sucessão de fatos que se seguiam gradativamente até chegar a um ponto de excelência e modernidade. E para cada passo, alguns homens eram definidos como os grandes bastiões do desenvolvimento científico. O problema com esse tipo de narração é que, com frequência, ela esta errada.

Sabemos que a ciência se desenvolve em caminhos tortuosos, as vezes damos passos para trás, as vezes abandonamos teorias que estavam bem estabelecidas a bastante tempo e por aí vai. A ciência moderna não é a uma coleção de sucessivos acertos, ou mesmo um empreendimento de grandes glórias.

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Auto-validação e a blogosfera científica.

janeiro, 2009

Institucionalização! Este foi o grande passo dado pela ciência no período da revolução científica. O resultado desse passo foi o surgimento de um dos maiores empreendimentos humanos já vistos. A ciência cresceu, ganhou credibilidade e afeta ativamente o meio de vida da sociedade.

É curioso notar como a institucionalização em geral resulta no crescimento acelerado de uma atividade qualquer. Mais do que isso, faz com que a atividade em questão ganhe respeito e articulação política. As religiões aprenderam isso bastante cedo. A ciência demorou um pouco mais.

Uma das principais características resultantes da institucionalização é a chamada auto-validação. Isso quer dizer basicamente que uma comunidade qualquer é capaz de validar a si própria. Parece estranho? Mas não é.

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O Universo de Ptolomeu: 2ª parte.

novembro, 2008

Como vimos no texto anterior, Ptolomeu em seu livro Almagesto, propõe um modelo bastante rigoroso de Universo geocêntrico. E o começa fazendo listando uma série de argumentos, empiricamente suportados, descrevendo uma terra em forma de esfera e fixa. Partindo daí, passa à teoria do Sol.

A teoria do Sol de Ptolomeu é basicamente uma transcrição das idéias de Hiparco. Pelos dados empíricos da época, Hiparco (e portanto Ptolomeu) conseguia prever com certa acuidade quanto tempo o Sol levava para dar uma volta à Terra (e portanto, a duração de 1 ano), bem como sua posição relativa em datas futuras ou passadas.

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O Universo de Ptolomeu: 1ª parte.

novembro, 2008

Há um certo tempo me envolvi em uma controvérsia com um texto do G1 que fazia, digamos assim, uma pequena injustiça com Cláudio Ptolomeu. Discussões a parte, só hoje, estudando melhor a figura de Ptolomeu, é que me ocorreu que o trabalho do matemático carrega em si questões mais profundas.

Primeiro precisamos contextualizar. Ptolomeu viveu aproximadamente no ano de 160 d.C. Aparentemente passou toda sua vida em Alexandria e desenvolveu grandes trabalhos em astronomia, astrologia, geografia e etc. Sua obra mais conhecida, o “Almagesto”, é um livro constituído de 13 volumes que tem a difícil tarefa de descrever o universo.

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