O mito da sustentabilidade

O que há de errada não é a ideia em si, mas como o discurso dominante que se apropriou ideologicamente do significado da palavra sustentabilidade, para dar a ele uma ideia de que é possível desenvolver sem agredir o meio ambiente, desde que seja um desenvolvimento tecnológico feito através do “know how” da ciência e financiado pela economia de mercado…

Aí é que jaz o problema, esse discurso hegemônico apoiado no paradigma cientificista-tecnológico que vivenciamos na sociedade moderna, capitalista, urbana e globalizada nos leva a uma lógica muito contrária ao que apregoa o discurso da sustentabilidade… Na verdade a lógica é a produção e o consumo. E para haver produção há de se ter recursos, buscados na exploração no meio ambiente (mas isso ninguém precisa saber, ou a gente dá um jeito de falar que estamos fazendo isso de uma maneira sustentável) e assim essa relação se retroalimenta pelo discurso que a produção se justifica, pois, garante a qualidade de vida (consumo exagerado e supérfluo).

sustentabilidade

E assim empresas que querem ser corretas do ponto de vista socioambiental, divulgam suas imagens em comerciais publicitários em horário nobre e os clientes e consumidores daquela marca, por terem uma visão simplificada do processo caem na armadilha do senso comum.

Um outro exemplo, da armadilha do senso comum é de que através de mudanças de comportamentos, haverá uma solução milagrosa de todos os problemas ambientais: locais e globais. Esses argumentos que se destinam à “conscientização” podem parecer convincentes para grande parte do público e apesar de conterem falácias, não são totalmente falsos. É importante sim que cada um faça a sua parte, mas , para haver mudanças significativas da realidade socioambiental não bastam apenas as transformações individuais, são necessárias também transformações ao mesmo tempo na sociedade.

E aí voltamos ao tema que deu início a esse “post” o mito da sustentabilidade. Se fosse empregado através do sentido dado pela Comissão Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) deveria ser entendido da seguinte forma: “O desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações se satisfazerem.” No entanto, muitos acreditam que seguindo a lógica mercadológica do capitalismo atual, isso simplesmente seria impossível e somente uma quebra de modelo (paradigma) e mudança nos rumos sociais poderia possibilitar o um desenvolvimento efetivamente sustentável, mas isso pode vir a ser tema para um outro momento, possivelmente um outro “post.”

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Pra que serve esse bicho?

(I)

Estive no litoral recentemente e, numa conversa com meus amigos, disse que a craca é o animal que tem o maior pênis em relação ao tamanho do corpo. Maior do que a surpresa deles ao ouvir essa curiosidade foi a minha quando uma amiga perguntou: “Mas o que é uma craca?”. No dia seguinte, na praia, havia um galho na areia cheio de cracas, e então peguei o galho e mostrei para ela. Ela, com cara de indignação, disse: “Nossa, ISSO é uma craca? Pra que serve esse bicho?”.

Ela era a única não-bióloga do grupo em que eu estava, e não simpatizou com a idéia de que os bichos não precisam servir pra alguma coisa. Falei que Darwin estudou cracas por muito tempo e que os historiadores acreditam que ele aprendeu muita taxonomia, morfologia e ontogenética em seu trabalho com esses cirripédios, além de ter percebido coisas que o ajudaram mais tarde a escrever sua obra prima, A Origem das Espécies. Mas não adiantou.

(II)

Existe um grupo de seres vivos “conhecido” (entre aspas porque na verdade pouca gente conhece, mesmo entre os biólogos) como slime molds. Sua posição filogenética ainda é controversa; uns acham que eles são um grupo de fungos e outros defendem que eles são um grupo à parte, apenas aparentado aos fungos. De qualquer forma, tem gente que faz pesquisa com eles. E alguns desses pesquisadores fizeram uma descoberta muito interessante recentemente. Em resumo (mas vale a pena ler o artigo), ao estudar o padrão de crescimento e forageio (busca por alimento) de uma espécie de slime, descobriram uma forma de revolucionar os problemas de logística e transporte do Japão (!!).

(III)

Então, pra que servem slime molds? Ora, agora podemos planejar redes de transporte a partir do padrão de crescimento deles. Mas, antes disso, eles não serviam pra nada, assim como o fungo P. notatum não servia pra nada antes de descobrirem a penicilina. Mas e as cracas? E as baratas que nos enojam e os pernilongos que nos estorvam a noite? Pra que servem? No máximo, para manter o equilíbrio ecológico em seus hábitats, de onde extraímos coisas “úteis”. Na verdade, se formos medir o valor das espécies pela serventia que elas podem ter ao homem, é provável que descubramos que boa parte das espécies “não serve pra nada”. Mas, mesmo assim, elas fascinam muita gente, que dedica a vida inteira ao estudo dessas criaturas. Por que?

Cada louco com sua mania, poderíamos dizer. Se tem um cara que quer passar a vida estudando baratas, problema dele. Quem sabe um dia ele descubra uma forma de matar todas elas. Não é bem assim, e por vários motivos. Um deles (a importância do conhecimento básico) é muito bem tratado num texto da Laura, em que ela conta o preconceito que sofre por estudar bichos que “não servem pra nada”. Um outro motivo é que, pelo menos no Brasil, é muito provável que esse louco esteja estudando baratas com o seu dinheiro, já que o Estado financia boa parte das pesquisas no país.

Para finalizar, podemos dizer que quase a totalidade das espécies já existia muito antes do ser humano surgir na face da Terra. Assim, seria muito “especiocêntrico”, para não dizer mesquinho, achar que elas estão aí pra que a gente descubra serventias, como se elas fossem “um presente de Deus” pra gente explorar. Cada espécie tem uma história única, que nunca mais se vai se repetir. Cada espécie tem sua forma especial de se relacionar com as outras e tem um papel no ecossistema. Cada uma delas tem sua estratégia de sobrevivência e seus truques reprodutivos que, mesmo quando não são exclusivos, nos intrigam. Todas elas, desde o ser humano até a mais primitiva arqueobactéria, estão interligadas na sediciosa teia biológica da evolução. Se mergulhar nesse mar de mistérios em busca de respostas que nos deslumbram não bastar para que estudar essas espécies seja importante, eu realmente não sei o que pode ser. No fundo, uma craca, uma serpente ou um ser humano “servem” pra mesma coisa: absolutamente nada. São todos frutos igualmente especiais da grande árvore da vida.

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Mata Atlâtica um Hotspot ameaçado

O conceito Hotspot significa uma área de importância elevada para conservação da biodiversidade. Ele se baseia no princípio de que a biodiversidade não está distribuída igualmente no planeta, e por isto delimita determinadas áreas com altos níveis de biodiversidade e em risco de degradação ou desaparecimento, e por isso a urgência na implementação de ações de conservação a fim de se preservar estes ecossistemas ou os remanescentes da sua formação original.

No Brasil há dois Hotspots a Mata Atlântica e o Cerrado, que são ecossistemas prioritários para a conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaça em alto grau. Estes ecossistemas foram incluídos nesta categoria, após avaliação de especialistas e do Ministério do Meio Ambiente (1) que trabalharam juntos para identificá-los como Hotspots.

A Floresta Amazônica não é considerada um Hotspot, mesmo sendo considerada de altíssima biodiversidade, pois, não sofreu e/ou sofre um processo de degradação tão intenso como os dois ecossistemas citados, e por isto com risco de desaparecimento permanente de espécies.

O processo de degradação da Mata Atlântica é histórico, teve seu início no Brasil colônia, onde os ciclos exploratórios foram sendo implantados de acordo com as necessidades da metrópole, como a extração do pau-brasil e plantio de espécies economicamente viáveis como a cana de açúcar e café.

No entanto, o extrativismo e a agricultura não foram as únicas formas de degradação, a ocupação populacional também teve influência, pois geograficamente este ecossistema situa-se na costa brasileira, local onde as cidades foram se desenvolvendo, como a mata era um obstáculo natural foi então removida.

Mas não foi somente no passado que a mata atlântica foi degradada, em perspectivas gerais, no século XX e XXI, ela foi e continua sendo utilizada como fonte de energia barata (madeira), e sendo alvo de inúmeros atos exploratórios.

O dados mais atuais dos índices de cobertura vegetal, estão disponíveis no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica – Período de 2000 à 2005, disponibilizado no site da Fundação SOS Mata Atlântica (2) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE (3) e publicado em 2008, e demonstrados na tabela 1:

O Estado do Rio de Janeiro, como sugerem os dados da pesquisa, sofreu um deflorestamento de 628 ha e decréscimo da cobertura vegetal em 0,30% no período de 2000 à 2005.

Referências Bibliográficas:

1. MMA – Ministério do Meio Ambiente: http://www.mma.gov.br/

2. SOS Mata Atlântica: http://www.sosmatatlantica.org.br/

3. INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais: http://www.inpe.br/

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Sobre a história da relação Ser Humano x Natureza

Nos primórdios da humanidade, na pré-história (aproximadamente 4000 a.C.) período que antecede a invenção da escrita, há, portanto, uma falta de registros de como se inter-relacionavam ser humano e natureza. Possivelmente estas relações eram baseadas no princípio de que homem e natureza eram um todo, sem a separação de um e outro, consequentemente não se observavam relações de domínio ou posse da natureza pelo ser humano.

Com o passar do tempo o ser humano passou a dominar técnicas que o possibilitaram o manejo da natureza como a fabricação de utensílios para a caça, pesca, coleta e manufatura de materiais. Estas técnicas mesmo que rudimentares já demonstrava uma certa independência do ser humano em relação à natureza, no entanto, foi somente com o desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais, que ele conseguiu diminuir sua dependência em relação à natureza, tornando-se não mais nômade, e fixando-se em habitações. Assim as relações ser humano x natureza mudaram de uma perspectiva de ‘’uma coisa só” para uma relação de domínio desta por aquele.

Na idade média, esta relação, mais uma vez sofre uma mudança com a inserção de um elemento “sobrenatural” ou “divino”. Para mediar as relações entre ser humano e divino surgem as religiões, que determinam como serão estas relações estabelecendo regras que devem ser cumpridas (dogmas). Na mesma época há o surgimento também do Estado que passa a controlar as relações entre os seres humanos, ou seja, agora existem pessoas que cuidam de como o ser humano se relaciona com o sobrenatural (clero) e como este se relaciona com as pessoas (Estado). Neste contexto, a relação ser humano x natureza sofre uma mudança intensa, pois, a humanidade privilegiada por suas habilidades e origem divina passa a exerce sobre esta a natureza um domínio oficializado pela igreja e por “Deus”.

A partir do Renascimento (séc. XVI) e com a difusão de idéias antropocêntricas e racionais, a relação ser humano x natureza sofre também uma mudança bem significativa, pelo fato do ser humano passar a ser o centro, um ser privilegiado por suas habilidades racionais e por isso apto a explorar e se apropriar da natureza (não mais como direito divino), mas utilizando a racionalidade que o diferencia e destaca dos demais animais.

Em plena revolução Científico-industrial o mundo natural passa a ser objeto de conhecimento empírico-racional, de uso do ser humano para bem de seu desenvolvimento e de desenvolvimento de suas atividades. Esta relação ser humano x natureza é apoiada pela visão mecanicista do mundo e confere a natureza o ‘’status” de meio de obtenção de lucro e recursos naturais infinitos, para uso dos seres humanos. Assim começa-se a construir e intensificar uma relação cada vez mais exploratória da natureza, pelo ser humano, que foi transpassando os séculos num voraz uso dos recursos naturais, até que estes foram dando sinais de que não eram tão infinitos quanto se imaginava…

A reação ocorreu, a partir de meados do século XX com os movimentos ambientalistas que tentavam despertar o interesse pela história natural e valorização da natureza. Estes movimentos ambientalistas apareceram principalmente nos anos 60 e 70 (séc. XX) aliados a outros grupos como hippies, pacifistas e socialistas com discussões. As idéias “ecologistas” passaram a ser uma das muitas a serem defendidas junto com as anti-militaristas, pacifistas, direito das mulheres e direitos das minorias.

Estas idéias ecologistas criticaram, sobretudo, as relações ser humano com a natureza que vinham degradando a natureza em prol de uma produção cada vez mais desenfreada, para suprir as necessidades de consumo, muita das vezes supérfluas das sociedades industrializadas modernas. Este movimento ambientalista trouxe a público, questões de reflexões e interesse da humanidade como o uso de energia nuclear, o uso desregrado dos recursos da natureza, extinção de espécies animais, acidentes ambientais e a necessidade mais profunda de discussões teóricas sobre as visões de relação da humanidade com a natureza.
Ainda no mesmo século (XX), nas décadas de 80 e 90 surgem os Partidos Verdes, cujos interesses visavam ações políticas e governamentais em proteção da natureza.

Posterior ao surgimento dos movimentos ambientalistas, houve a necessidade de discussões teóricas sobre as inter-relações ser humano x natureza. Estas discussões são norteadas por duas principais linhas de pensamento: (1) a antropocêntrica, que ressalta a dicotomia ser humano x natureza, justificando a exploração da natureza, através da ciência e tecnologia, sendo a natureza somente um depósito de recursos para uso do ser humano, e este está no centro destas relação; (2) a ecocêntrica ou biocêntrica, onde a natureza está no centro destas relações, e o ser humano é somente mais um ser vivo inserido no mundo natural, além deste ter um valor intrínseco e independente da utilidade que possa ter para o ser humano.

A partir destas duas linhas norteadoras do pensamento sobre as relações ser humano x natureza, surgiram diferentes escolas com diferentes correntes de pensamento ecológico, que serão melhores discutidas em outro post.

P.s. A dissertação que seguiu teve como base a descrição das inter-relações ser humano x natureza, no entanto, está longe de ser a “história real”, pois em sua maior parte é explicada sobre a égide de uma visão européia, principalmente até o século XVI. Nós brasileiros e sul-americanos carecemos de uma história nossa, não desvinculada da européia, pois sabemos da influência desta sobre nossa cultura e ciência, mas urge uma visão que contemple também a histórica das inter-relações ser humano x natureza, dos outros povos que são tão importantes na nossa história, como os indígenas que habitavam nosso continente e os africanos que foram trazidos para cá.

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Calcinhas de carneirinhos

Abaixo os forros de algodão?! “Quando colocadas em placas para culturas de bactérias verifica-se que as fibras de viscose apresentam um crescimento bacteriano menor que as demais fibras, inclusive de algodão” disse o professor do curso de Engenharia Têxtil da faculdade de Engenharia Industrial da FEI, Fernando Barros.

Em sua palestra sobre “Impactos ambientais nas principais fibras têxteis” realizada na II Expo-indústria – Cadeia Produtiva têxtil, Confecção e Vestuário, no último dia 19 na sede da FIESP em São Paulo ele esclareceu também que o discurso do baixo impacto ambiental da produção da fibra de viscose de bambu, quando comparado ao da fibra de viscose produzida a partir de eucalipto, “é uma falácia!”. 

Ao analisar superficialmente os impactos ambientais da produção têxtil da viscose pode-se imaginar que plantar e derrubar eucaliptos provocaria um impacto ambiental maior do que fazer o mesmo com bambu. No entanto, os processos para obtenção das fibras são os mesmos.

Um estudo por ele conduzido, publicado na última edição (69) da revista Textilia têxtil , revelou que a produção de viscose veio para os países menos desenvolvidos especialmente devido à soda cáustica e ao ácido sulfúrico utilizados na manufatura destas fibras, independentemente de sua fonte de extração, pois geravam sérios problemas de saúde ocupacional na Europa.

Não bastando, tanto para confeccionar as fibras de viscose de eucalipto quanto as de bambu são necessárias as mesmas quantidades de água nas plantações (640l/kg de fibra) e gasta a mesma quantidade de energia. Ambas as fibras são biodegradáveis, embora seja difícil reciclar qualquer viscose. A impressão de “ecologicidade” a favor do bambu provém do replantio rápido e agressão menor ao solo, porém o fato da fibra de bambu ser menos resistente que a de eucalipto não compensa todo o impacto ambiental da produção dela, em última análise. 

Mas se a viscose, seja de eucalipto ou de bambu, é uma fibra artificial semelhante ao algodão, com toque, textura e caimento melhores que este, e ainda por cima com baixo crescimento bacteriano, por que os ginecologistas ainda insistem em recomender as calcinhas com forros de algodão? Talvez também valha a pena colocar na conta ambiental que a confecção de fibras de algodão também gera um impacto ambiental alto, provocado pela demanda de pesticidas e fertilizantes em suas plantações (afinal, algodão orgânico rende poucas fibras) e provoca biscinose nos trabalhadores, apesar de consumir menos água e energia que a produção de viscose.

PS. Considerando a relevância dos carneirinhos, achei prudente voltar a trabalhar prá garantir meu ranking de colaboração ;-)  

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Preguiça Gigante e outros animais enormes.

Darwin, antes de se interessar por animais, era um apreciador da geologia. Enquanto estava na faculdade, estudou com grandes geólogos e chegou a ir “a campo” algumas vezes. Quando partiu com o Beagle em sua histórica viagem, Darwin estava muito mais interessado em estudar a geologia dos países exóticos que visitaria do que sua fauna e flora. Em uma de suas andanças, Charles acabou esbarrando em algo surpreendente. Um fóssil… mas não um fóssil qualquer. Era o fóssil de uma preguiça gigante.

A preguiça gigante (Megatherium americanum),  é uma das espécies que pertenciam ao que se convencional chamar de megafauna. A megafauna era constituída por animais gigantes, parentes de animais menores e que ainda existem.

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No Brasil, além da preguiça gigante, já foram encontrado fósseis de parentes de elefantes (mastodontes), camelos, hipopótamos, tatus (como o Gliptodonte) e cervos. Na Austrália foram encontrados fósseis de cangurus gigantes.

A grande questão sobre a megafauna é o motivo que levou à sua extinção. Existem diversas hipóteses sobre o fim da megafauna, a mais popular diz que foi a ação do homem que levou estes animais ao desaparecimento.

Aparentemente a extinção destes animais se dá muito próximo aos primeiros indícios de ação do homem. Embora há quem questione, muitos pesquisadores  argumentam que o homem primitivo se alimentava destes animais gigantes. Além disso, usavam os cascos e ossos para forjar ferramentas. No caso do tatu gigante em específico, o animal era do tamanho de um fusca. Imagina-se que seu casco era usado como abrigo.

Gliptodonte. Clique para ampliar.

Gliptodonte. Clique para ampliar.

A despeito de seu misterioso desaparecimento, a megafauna é um dos exemplos mais fascinantes sobre os rumos que a vida toma na Terra.

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Neutralização de carbono – afinal como neutralizar?

“No ciclo do carbono a concentração atmosférica deste elemento na forma de gás carbônico (CO2) é pequena comparada à de carbono (C) nos oceanos, combustíveis fósseis, e em outros depósitos existentes na crosta terrestre. Acredita-se que até o início da era industrial, os fluxos entre a atmosfera, os continentes e os oceanos estavam equilibrados. Durante os últimos anos, porém, a quantidade de CO2 tem se elevado devido às novas ações antropogênicas. A queima de combustíveis fósseis parece ser a principal fonte, mas a agricultura e o desmatamento também contribuem” segundo Eugene P. Odum , baseado em pesquisas do final da década de 1970, no clássico livro Ecologia.

Atualmente muito tem sido discutido a respeito do desequilíbrio ecológico que levou ao aquecimento global provocado pelo acúmulo de gás carbônico na atmosfera oriundo, principalmente, da queima de combustíveis fósseis e, em menor escala, do desmatamento. Contrapondo a resposta ecológica mais elementar, que seria diminuir a queima de combustíveis fósseis, a proposta de neutralizar CO2 por meio de reflorestamento tornou-se uma solução eficaz para retirar moléculas excedentes de carbono da atmosfera. Além disso, configurou-se em atitude ecológica e selo de qualidade ambiental, principalmente para as empresas do novo mercado acionário.

Recentemente a Folha de SP veiculou uma matéria revelando que os cálculos estabelecidos para determinar a quantidade de árvores necessárias para neutralizar o CO2 eram, até então, subestimados. No entanto, o engenheiro florestal Dirceu Lucio Carneiro de Miranda, do laboratório de inventário florestal da Universidade Federal do Paraná, disse que o cálculo apresentado pela matéria sugerindo a substituição de 1,7 árvores por 3,3 para neutralizar o equivalente a uma tonelada de CO2 em 20 anos não é exatamente correto “pois esse número pode variar conforme a espécie a ser plantada, assim como a tipologia de floresta a ser quantificada.” Argumento semelhante foi apresentado pelo engenheiro agrônomo Marcelo Theoto Rocha, pesquisador da Universidade de São Paulo e do Instituto de Pesquisas Ecológicas, além de diretor da Entropix Engenharia e do Comitê de Meio Ambiente da Câmara Norte-Americana de Comércio; “não é possível ter um número preciso ex-ante [sic]” referente à quantidade de árvores estimadas para esta finalidade.

Segundo Dirceu de Miranda e Marcelo Rocha a fixação de carbono está relacionada com a capacidade fotossintética de cada espécie e de um ecossistema como um todo. Eles recomendam a plantação de espécies nativas das regiões escolhidas para o reflorestamento na expectativa de que elas sejam mantidas permanentemente, fixando assim o carbono na biomassa dos vegetais incluídos nas áreas degradadas de florestas pré-existentes ou em novas florestas. “No caso de empreendimentos florestais, onde o objetivo é o plantio para retorno financeiro da empresa, as espécies recomendadas são aquelas com maior crescimento e que já possuam uma demanda de mercado” explica Dirceu de Miranda. Em ambos os casos “a verificação [de fixação de carbono] não deve se limitar apenas aos primeiros anos, mas deve ocorrer até que a floresta atinja seu clímax”, diz Marcelo Rocha.

Entretanto, a inclusão de seres vivos em um ecossistema altera a sua dinâmica podendo ocasionar mais desequilíbrios ecológicos, ainda que o objetivo seja alcançar o re-equilíbrio florestal em longo prazo. É o caso de insetos que podem se tornar pragas de madeiras, ou aumentar o número de pássaros, isto se ficarem restritos à floresta – apenas como uma hipótese ecológica simples. Porém, dada a gravidade da situação o reparo antropogênico não tem mais tempo para levar estas questões ecológicas em consideração. “Uma das formas para atenuar os efeitos do aquecimento global causado dentre outros, pelo acumulo de CO2 atmosférico, é por meio de florestas, sendo estas importantes para o equilíbrio do estoque de carbono global. Assim sendo, a inclusão de árvores em programas de restauração florestal que visa assegurar a dinâmica de sucessão e a perenização do ecossistema, contribui de forma significativa para o problema do aquecimento global.” palavras de Dirceu.

Ainda de fundamental importância na questão da neutralização de CO2 está a criação do conceito “ecologiconômico” de créditos de carbono, mercado no qual o Brasil ocupa o terceiro lugar em número de projetos e volume de créditos de acordo com a base de dados internacional de projetos para criação de mecanismos de desenvolvimento limpo, o CDM/JI pipeline. Mas os projetos brasileiros cadastrados não são florestais, e, dos 14 florestais cadastrados nenhum é do Brasil, informou Marcelo Rocha. Talvez essa seja a razão pela qual Warwick do Amaral Manfrinato, também agrônomo, prefira motivar grandes projetos “de cima para baixo” ao contribuir para a solução do problema; “acho que a idéia de neutralização através de plantios por indivíduos pode ter algum valor como campanha para o processo de sensibilização da sociedade, educação ambiental, mas de fato será efêmero do ponto de vista do que é necessário… Esse tipo de processo [neutralização do CO2 por reflorestamento] leva muito tempo para dar resultados e precisamos de resultados com muito mais rapidez… e é por isso que convenções e políticas públicas têm que ser desenvolvidas para praticamente atropelar a sociedade em seu processo de aprendizado…. Soa despótico, mas é minha opinião….”.

Convém lembrar que há, ainda, de acordo com o velho Odum, a participação da agricultura no aumento das emissões de gás carbônico. “O CO2 fixado pelas culturas, muitas das quais ativas apenas uma parte do ano, não compensa o CO2 liberado do solo [pela oxidação do húmus], principalmente aquele que resulta de lavoura freqüente”. Provavelmente esta também seja uma contribuição à discussão sobre os biocombustíveis.

Finalmente, mas longe de encerrar a questão, a análise do ciclo do carbono, sugere outras formas de neutralização. Por exemplo, evidências recentes de oceanógrafos da universidade de Southampton no Reino Unido revelaram aumento de 40% na massa de cocolitóforos da espécie Emilianiahuxleyi justamente devido à absorção de carbono da atmosfera na forma de carbonato de cálcio carbonato de cálcio (CaCo3) nos últimos 220 anos. Segundo o estudo, estas algas marinhas provavelmente continuarão neutralizando o CO2.

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Advogando para o Diabo

Muito se fala em proteger animais em processo de extinção. É quase senso-comum que a proteção dos animais que estão na lista de extinção é um fator benéfico e, mais ainda, necessário. Alguns diriam compensatório, algo que se faz para que o homem possa chegar ao final de seu dia de destruição em massa do planeta e consiga deitar sua cabeça no travesseiro tranquilamente. Existem inúmeros projetos para conservação das espécies e, mais impressionante ainda, há quem defenda projetos de reespeciação. Reespeciação é o termo dado à tentativa de trazer de volta a vida espécies de animais que já estão extintas mas que possuem abundante material genético conservado. Uma espécie de Jurassic Park, mas menos drástico e mais nobre. Mas quanto de nobreza existe em tais ações?

Quantas vezes nos questionamos sobre motivo que faz com que o homem se preocupe com a preservação das espécies em extinção? Seria uma atitude legítima e compensatória, uma atitude altruísta até? Ou poderíamos dizer que defendemos a manutenção da fauna de nosso planeta pois somos incapazes de prever o impacto causado pelo desaparecimento de uma espécie qualquer? Talvez o impacto seja grande o suficiente para prejudicar toda a dinâmica ecológica do globo, pondo em risco a existência de nossa própria espécie. Neste caso, seria um comportamento egoísta? Se assim o for, o que será do meio ambiente caso nossa tecnologia um dia consiga nos manter de forma autônoma, independente das condições do meio ambiente?

Por outro lado existe a defesa de que o homem, em decorrência do seu desenvolvimento tecnológico e social, se afastou de sua origem harmoniosa com a natureza. Alega-se então que essa preocupação com o meio ambiente seria uma tentativa de retomar algo que se perdeu no decorrer de nossa existência. Como se algo que nos era muito caro tivesse se perdido em algum momento da história e agora isso nos faz falta, nos provoca uma sensação de vazio e de falta de propósito, nos torna seres a parte da natureza. Objetos estranhos em um mundo limpo, verde e perfeitamente integrado.

A sensação de afastamento pode até ser real, mas não acredito que tal afastamento exista de verdade. Somos e sempre fomos parte do meio ambiente. Proteger animais em extinção não nos faz mais “próximos” da natureza. Por vezes nossa “proteção” é duvidosa. Cito o caso que me foi relatado aonde um documentário exibia os esforços de biólogos em realizar o controle populacional de uma espécie de ave de uma ilha qualquer. A justificativa do controle era de que outra espécie de ave sofria com a superioridade numérica da primeira espécie e, por falta de alimento e espaço para procriação, corria risco de extinção. Essa intervenção é correta? Impedir que uma espécie que se adaptou melhor ao ecossistema da ilha se desenvolva livremente não é, antes de um ato de caridade para a espécie que caminha ruma à extinção, uma agressão à dinâmica secular da natureza? Quantas e quantas vezes tal situação não ocorreu em um passado remoto sem que o homem pudesse interferir? Não somos nós mesmos frutos de tal dinâmica?

Pensando ainda em termos de seleção natural, é justo culpar o homem pela extinção de qualquer espécie? É certo que a ação do ser humano é responsável pelo fim de muitas espécies, isso não se discute. O desaparecimento da mega-fauna (ou ao menos parte dela) das Américas parece estar diretamente relacionada com a chegada do homem ao continente. Eram homens primitivos, que caçavam com lanças e flechas, que passavam dias e noites no cerrado brasileiro perseguindo sua presa. Eram homens simples, hipoteticamente integrados, em perfeita harmonia com a natureza, mas que levaram parte da mega-fauna à extinção. Devemos nos culpar por isso? Devemos culpar nossos ancestrais primitivos por fazerem o que todo ser vivo deste planeta faz? Garantir seu próprio alimento e sua própria sobrevivência.

Que o leitor que corajosamente chegou até aqui não se engane. Não estou defendendo o descompromisso com a situação do planeta. O que quero com este texto é tentar entender até aonde podemos nos culpar pela situação em que o Planeta se encontra. Tal situação é tão ruim quanto gostamos de espalhar? Não somos apenas mais um evento de extinção em massa, como tantos outros do passado, e que um dia irá cessar e permitir que outras espécies animais e plantas se desenvolvam? De onde vem a culpa que sentimos pelo aparente padecimento da natureza e até onde devemos interferir para garantir o bem estar da fauna e da flora? Temos a capacidade intelectual necessária para entender o que é o bem estar da fauna e da flora? Os eventos de extinção, caros leitores, são antes de tudo uma probabilidade matemática.

A vida na Terra parece teimar em deixar de existir. Sobreviveu ao evento KT (cretáceo-terciário, o evento de extinção em massa que deu fim à existência dos dinossauros e a muitas outras espécies de plantas e animais) e, antes dele, sobreviveu a outro evento que dizimou 90% da biodiversidade do planeta. A vida sempre encontra um meio de resistir, e resistirá à passagem dos homens.

Mas resistirá o homem à passagem do tempo e ao nosso próprio evento de extinção? Talvez, de todas as questões levantadas neste texto, esta seja a única passível de resposta, mas receio que tal resposta só fique clara quando não mais tivermos a capacidade de intervir.

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