Ciência, exatidão e merda de boi: Uma resposta.

outubro, 2007

Li este texto escrito pelo companheiro blogueiro Blogildo e decidi formular uma resposta. Eu entendo que o texto citado é, antes de qualquer coisa, um desabafo. Ao menos é a impressão que o texto dá por sua construção que tenta abranger a ciência como um todo se baseando em premissas que são, pra ser o mais comedido possível, equivocadas. E eu defendo o direito do colega desabafar. Mas é importante separarmos as exaltações do desabafo, dos enganos que compõe o texto.

A primeira consideração a se fazer é que ele não deixa claro a qual ciência esta se dirigindo. Com um pouco de vontade podemos concluir que ele ataca exclusivamente as ciências naturais. E podemos imaginar isso quando o autor se refere a algumas palavras chave como, comprovação científica, verdade ou progresso. Todas são palavras chave que estão comumente associadas às ciências naturais. Se minha consideração estiver correta, sou obrigado a concordar que existem outras formas de se conceber o mundo em que vivemos. As ciências formais, como a matemática, fazem isso de forma esplendida e elegante. As ciências sociais também, ambas com seus métodos próprios e seus modelos de mundo.

No entanto, não posso concordar com o ponto em que ele diz que a ciência (natural?) é apenas conceitual. Especialmente quando olho para a justificativa dada no texto, a de que é a tecnologia enquanto derivação da técnica que produz as facilidades do mundo moderno. Ora, como aceitar que a técnica produza algo sem um conceito? Sem um processo de tentativas e erros que visam um estágio final que, evidentemente, só pode ser conceitual? A técnica, e portanto, a tecnologia são claramente parte integrante da ciência, não só das naturais, mas das formais e sociais. É por isso que existem as chamadas ciências de base, aonde os conceitos são primariamente desenvolvidos, e as ciências aplicadas, aonde os conceitos são efetivamente utilizados e testados.

Neste sentido posso dizer que a ciência não é uma mera abstração. A abstração de fato ocorre em um estágio específico da produção do conhecimento científico, na formulação de hipóteses. No entanto, a abstração termina no ponto em que as hipóteses passam a ser averiguadas. Aproveito para corrigir a informação dada de que a lei da gravidade é apenas uma idéia amplamente aceita. É importante não confundir leis com teorias. Leis se referem a fenômenos que ocorrem de forma previsível. Se jogarmos uma pedra para cima, ela irá cair, e não há motivos até hoje para se acreditar que ela continuará subindo indefinidamente. Esta é a lei da gravidade. As teorias no entanto, tentam explicar a causa que origina o fenômeno e como este fenômeno funciona. Neste caso, a teoria da gravitação newtoniana é um bom exemplo de explicação para a lei da gravidade. Portanto, é de fato uma loucura questionar a lei da gravidade, muito embora as teorias que à explicam podem e devem ser questionadas sempre que possível.

A ditadura dos isentos e dos “exatinhos”.: Uma resposta.
Isenção não existe. Aqueles que procuram a isenção, perdem um tempo precioso de vida. Nisto, estamos, eu e o Blogildo, de acordo. E eu concordo com o argumento de que ninguém melhor que um religioso pra debater fé, e um cientista para debater ciência. No entanto, quando um cientista quer debater fé e um religioso ciência, o mínimo que deveríamos esperar de ambos é um conhecimento prévio e razoável do que pretendem questionar.

Concordo igualmente com o argumento da “gramática corretíssima”. Trocar letras ou esquecer um acento não desqualifica ninguém de debate algum. O que desqualifica é a falta de conhecimento do tema a ser discutido.

A bacana ditadura dos militantes da “causa” científica.: Uma resposta.
Não Concordo com o argumento de Musil de que a ciência busca uma verdade utópica. E não concordo pelo fato de que a ciência não busca uma verdade absoluta. Talvez os positivistas lógicos tivessem uma idéia próxima a esta, da busca pela verdade. Mas se existe um consenso entre os principais filósofos da ciência, como Karl Popper e Thomas Kuhn, é que não temos meios de saber o quão próximo estamos da verdade, ou mesmo o que é esta verdade. O que a ciência faz na realidade é buscar meios de explicar o mundo físico à nossa volta.

É por este motivo que NENHUMA teoria científica tem caráter definitivo e isso também é consenso geral entre os filósofos da ciência. No entanto, dizer que Galileu e Newton foram superados e que são mera história é ser superficial. Basta lembrarmos que as leis de Newton, como a própria gravidade já comentada anteriormente e a inércia, continuam válidas até hoje. Mesmo os cálculos de Newton sobre o movimento dos corpos ainda são usados no “dia-a-dia”, embora de fato possuam deficiências em situações extremas de velocidade e massa. As contribuições de Galileu para a cosmologia e a astronomia continuam absolutamente relevantes.

Dizer que a ciência esta politizada demais é chover no molhado. Quais atividades humanas não estão? E mais, isso é ruim? Eu considero essa parte do texto um mero jogo retórico, tentando associar o conceito desgastado e pejorativo de política com a ciência. Eu desconheço as picaretagens do Al Gore, e apenas atribuir picaretagens, sem especificar quais e quando, é igualmente retórico. Quanto ao aquecimento global, a mim bastam os índices do IPCC. No entanto, o tema não é consenso na ciência e existem cientistas sérios que defendem que de fato o aquecimento global pode não existir. Só o tempo dirá quem esta certo.

De todo o texto, eu considero o final a parte realmente desonesta. Desonesta porque generaliza a declaração infeliz do Dr. Watson como “pensamento consenso” da ciência. Se o autor tivesse se dado o mínimo de trabalho de pesquisar o que a genética fala sobre raças, teria se dado conta do tamanho da bobagem que escreveu. É verdade que Darwin considerou a existência de raças nos humanos e, de quebra, julgou o homem europeu superior. Devemos entender no entanto que esta não era uma opinião embasada cientificamente, e Darwin ainda tinha o viés de viver na Inglaterra no período da revolução industrial. Isso não isenta Darwin da bobagem que disse, evidentemente, nem da bobagem do autor em tentar estabelecer com isso um “consenso científico” inventado.

A genética nunca justificou racismo, muito pelo contrário, a genética colocou o ponto final definitivo nesta questão alegando que não existem diferenças consideráveis entre o material genético dos seres humanos vivos deste planeta. Não há evidencias da existência de raças no gênero humano, a genética NUNCA corroborou com esta visão, o genoma humano pôs um ponto final nesta bobagem e é consenso científico atual que raças na espécie humana só existem para o senso comum.

Nem preciso dizer que ainda que raça fosse uma “estrovenga científica”, isso não é o mesmo que dizer que o racismo também o é.

E se um dia um maluco que se diz cientista disser que encontrou o gene da pedofilia, eu verei uma série de homens de Deus sorrindo aliviados e dizendo amém!

James Watson: Genéticamente ignorante?

outubro, 2007

Fiquei sabendo pelo G1, que por esses dias James Watson, um dos descobridores da dupla hélice do DNA, associou os problemas do continente africano à genética. Ainda segundo o G1 Watson disse:

“Não há uma razão firme para imaginar que as capacidades intelectuais de pessoas separadas geograficamente em sua evolução devem ter evoluído de forma idêntica. Nosso desejo de dar capacidades racionais iguais como uma forma de herança universal da humanidade não é o suficiente para fazer com que seja verdade.”

Evidente que Watson foi leviano e infeliz em sua declaração. Polêmica parecida já aconteceu no passado quando da publicação do livro A Curva de Sino, que estabelecia relações genéticas para justificar os desvios nos índices de inteligência entre negros e brancos. O livro foi amplamente refutado depois de sua publicação. Era evidente que a pesquisa que originou o livro tinha problemas metodológicos, não abrangia a complexidade do tema e tirava conclusões precipitadas.

É preciso entender primeiramente que a genética não é a única responsável pela capacidade intelectual de ninguém. Fatores do meio como disponibilidade de alimento, tipo de dieta, estímulo intelectual, entre outros, talvez sejam ainda mais importantes. Olhando especificamente para a África, não é difícil estabelecer milhares de outras explicações sem fundamentação genética. Eu diria até que o difícil é estabelecer uma justificação genética.

Em todo caso precisamos lembrar que o próprio conceito de inteligência é controverso. Existem diversos conceitos diferentes sobre o que consideramos inteligência, há pesquisadores que defendem inclusive múltiplas inteligências. No entanto, não discordo totalmente do Watson quando ele diz que “não há uma razão firme para imaginar que as capacidades de pessoas separadas geograficamente em sua evolução devem ter evoluído de forma idêntica”.

No entanto Sr. Watson, também não há razões firmes para acreditar nas baboseiras de um cientista querendo criar um pouco de confusão. Ou um pouco de publicidade.

Advogando para o Diabo

outubro, 2007

Muito se fala em proteger animais em processo de extinção. É quase senso-comum que a proteção dos animais que estão na lista de extinção é um fator benéfico e, mais ainda, necessário. Alguns diriam compensatório, algo que se faz para que o homem possa chegar ao final de seu dia de destruição em massa do planeta e consiga deitar sua cabeça no travesseiro tranquilamente. Existem inúmeros projetos para conservação das espécies e, mais impressionante ainda, há quem defenda projetos de reespeciação. Reespeciação é o termo dado à tentativa de trazer de volta a vida espécies de animais que já estão extintas mas que possuem abundante material genético conservado. Uma espécie de Jurassic Park, mas menos drástico e mais nobre. Mas quanto de nobreza existe em tais ações?

Quantas vezes nos questionamos sobre motivo que faz com que o homem se preocupe com a preservação das espécies em extinção? Seria uma atitude legítima e compensatória, uma atitude altruísta até? Ou poderíamos dizer que defendemos a manutenção da fauna de nosso planeta pois somos incapazes de prever o impacto causado pelo desaparecimento de uma espécie qualquer? Talvez o impacto seja grande o suficiente para prejudicar toda a dinâmica ecológica do globo, pondo em risco a existência de nossa própria espécie. Neste caso, seria um comportamento egoísta? Se assim o for, o que será do meio ambiente caso nossa tecnologia um dia consiga nos manter de forma autônoma, independente das condições do meio ambiente?

Por outro lado existe a defesa de que o homem, em decorrência do seu desenvolvimento tecnológico e social, se afastou de sua origem harmoniosa com a natureza. Alega-se então que essa preocupação com o meio ambiente seria uma tentativa de retomar algo que se perdeu no decorrer de nossa existência. Como se algo que nos era muito caro tivesse se perdido em algum momento da história e agora isso nos faz falta, nos provoca uma sensação de vazio e de falta de propósito, nos torna seres a parte da natureza. Objetos estranhos em um mundo limpo, verde e perfeitamente integrado.

A sensação de afastamento pode até ser real, mas não acredito que tal afastamento exista de verdade. Somos e sempre fomos parte do meio ambiente. Proteger animais em extinção não nos faz mais “próximos” da natureza. Por vezes nossa “proteção” é duvidosa. Cito o caso que me foi relatado aonde um documentário exibia os esforços de biólogos em realizar o controle populacional de uma espécie de ave de uma ilha qualquer. A justificativa do controle era de que outra espécie de ave sofria com a superioridade numérica da primeira espécie e, por falta de alimento e espaço para procriação, corria risco de extinção. Essa intervenção é correta? Impedir que uma espécie que se adaptou melhor ao ecossistema da ilha se desenvolva livremente não é, antes de um ato de caridade para a espécie que caminha ruma à extinção, uma agressão à dinâmica secular da natureza? Quantas e quantas vezes tal situação não ocorreu em um passado remoto sem que o homem pudesse interferir? Não somos nós mesmos frutos de tal dinâmica?

Pensando ainda em termos de seleção natural, é justo culpar o homem pela extinção de qualquer espécie? É certo que a ação do ser humano é responsável pelo fim de muitas espécies, isso não se discute. O desaparecimento da mega-fauna (ou ao menos parte dela) das Américas parece estar diretamente relacionada com a chegada do homem ao continente. Eram homens primitivos, que caçavam com lanças e flechas, que passavam dias e noites no cerrado brasileiro perseguindo sua presa. Eram homens simples, hipoteticamente integrados, em perfeita harmonia com a natureza, mas que levaram parte da mega-fauna à extinção. Devemos nos culpar por isso? Devemos culpar nossos ancestrais primitivos por fazerem o que todo ser vivo deste planeta faz? Garantir seu próprio alimento e sua própria sobrevivência.

Que o leitor que corajosamente chegou até aqui não se engane. Não estou defendendo o descompromisso com a situação do planeta. O que quero com este texto é tentar entender até aonde podemos nos culpar pela situação em que o Planeta se encontra. Tal situação é tão ruim quanto gostamos de espalhar? Não somos apenas mais um evento de extinção em massa, como tantos outros do passado, e que um dia irá cessar e permitir que outras espécies animais e plantas se desenvolvam? De onde vem a culpa que sentimos pelo aparente padecimento da natureza e até onde devemos interferir para garantir o bem estar da fauna e da flora? Temos a capacidade intelectual necessária para entender o que é o bem estar da fauna e da flora? Os eventos de extinção, caros leitores, são antes de tudo uma probabilidade matemática.

A vida na Terra parece teimar em deixar de existir. Sobreviveu ao evento KT (cretáceo-terciário, o evento de extinção em massa que deu fim à existência dos dinossauros e a muitas outras espécies de plantas e animais) e, antes dele, sobreviveu a outro evento que dizimou 90% da biodiversidade do planeta. A vida sempre encontra um meio de resistir, e resistirá à passagem dos homens.

Mas resistirá o homem à passagem do tempo e ao nosso próprio evento de extinção? Talvez, de todas as questões levantadas neste texto, esta seja a única passível de resposta, mas receio que tal resposta só fique clara quando não mais tivermos a capacidade de intervir.

Duvidar é saudável!

setembro, 2007

Não sei a quanto tempo, mas anda rodando a internet um vídeo mostrando supostos discos voadores no Haiti passando por cima de coqueiros e subindo aos céus para se juntar a outros tantos discos. A algumas semanas também recebi um email dizendo que em determinado dia de agosto seria possível observar Marte no céu a olho nú , ele estaria do tamanho da Lua e o fenômeno só se repetiria em alguns séculos. Os dois casos possuem duas coisas em comum. Ambos são falsos e ambos foram encarados como legítimos por muita gente.

Esse tipo de situação não é raro. Ainda me lembro que certa vez o Discovery Channel passou um programa que especulava se seria possível, sem apelar ao fantástico, a existência de animais como os lendários Dragões. No dia seguinte diversas pessoas vieram me questionar se eu tinha visto que “os cientistas ” tinham descobertos fósseis reais de dragões. O mais surpreendente foi ver pessoas da minha sala da faculdade repetindo o mesmo.

Sagan já avisava, falta ceticismo no mundo. As pessoas parecem ter uma propensão a aceitar o fantástico imediatamente, sem pararem para questionar o que estão vendo ou aceitando. Um péssimo hábito cultivado cada vez mais por uma sociedade de pensamento padronizado, alguns diriam até “pasteurizado”. Não se para mais para ouvir, por consequência , perdemos a habilidade de analisar o que é dito. A preguiça de pensar ou de averiguar a veracidade do que foi exibido se alastrou como uma doença contagiosa. Qual a finalidade de pensar, se temos quem faça o trabalho pesado por nós?

Talvez seja a hora de os divulgadores científicos agirem com mais energia na tentativa de disseminar o ceticismo saudável, afinal este é o papel de todos que estão comprometidos honestamente com a boa ciência.

Indo além

Bilhões e Bilhões: Reflexões Sobre Vida e Morte.

O Mundo Assombrado Pelos Demônios.

A difícil arte do saber ouvir.

agosto, 2007

Me vem agora a situação ocorrida entre Albert Einstein e Edwin Hubble, dois dos maiores cientistas de todos os tempos. Na ocasião do desenvolvimento da teoria da relatividade geral Einstein partia de um modelo de universo estático. Para que seus cálculos fossem condizentes com esse modelo estático Einstein criou a constante cosmológica¹. A constante foi contestada por Edwin Hubble que propôs um modelo de universo em expansão que excluía a necessidade de uma constante nos cálculos da relatividade geral. Einstein então abandonou sua idéia alegando que ela teria sido o maior erro de sua vida.

Em um cenário ideal o debate científico deveria ser sempre assim. Não raro as teorias científicas se contradizem ou explicam fenômenos de formas diferentes. Não há nada errado com isso, é assim que se constrói o conhecimento científico. No entanto, nem sempre os defensores de teorias concorrentes estão dispostos a debater abertamente sobre suas linhas de pensamento.

Se o problema de comunicação já ocorre entre a comunidade científica, o mesmo se dá em graus ainda mais preocupantes quando uma teoria qualquer é discutida não só pelos cientistas mas também por leigos. Nada de errado com isso também, uma das grandes virtudes da ciência é se prestar ao debate amplo. Evidente que para tal os interlocutores devem compreender minimamente o tema que desejam debater. No entanto, isso nem sempre ocorre.

Infelizmente é muito comum a existência de debates que fogem ao que é saudável, ao debate sério e que busca o crescimento intelectual geral e o esclarecimento sobre o assunto debatido, se atendo ao combate de egos, crenças e posições políticas. Acredito que parte deste problema é a dificuldade aparentemente comum que muitas pessoas tem em parar para ouvir os argumentos e idéias de seus “adversários”. Analisar de forma séria e sem preconceito idéias opostas não é fácil, confesso que tenho este problemas muitas vezes.

Ouvir é difícil mas totalmente necessário. Devemos nos esforçar para ouvir posições contrárias às nossas, devemos dar a chance para que o “outra lado” possa construir seus raciocínio e expor as justificativas às suas idéias. Somente desta forma podemos analisar melhor nossos próprios pontos de vista e, no geral, isso é ótimo. Aponta problemas e defeitos em nossas idéias, suas limitações e as formas como melhorá-las.

Devemos nos policiar ao máximo e manter a mente sempre aberta a mudanças e a novas idéias. É importante evitar ataques ad hominem já que desacreditar nossos adversários não é ético, bonito e nem invalida suas idéias. Debates devem se prestar a troca de idéias e análise destas idéias, não existem vencedores e perdedores em debates sérios. Saber ouvir e permitir a livre expressão de idéias e teorias opostas as nossas faz parte da construção do conhecimento científico e moral de todos, e seria ideal se todos tivéssemos a humildade que Einstein teve.

Saber ouvir é, antes de tudo, um exercício fundamental para o bem estar da sociedade e para o progresso honesto.

¹: A constante cosmológica hoje em dia é considerada como válida na teoria atualmente discutida de que o universo na verdade esta em expansão acelerada. O caso demonstra mais uma vez o caráter dinâmico da ciência, aonde teorias e idéias que hoje são julgadas como ultrapassadas podem ser consideradas válidas novamente em decorrência de novas descobertas.