Dei-lhe um belo e redondo ZERO!

setembro, 2013

Jorge está em casa olhando para a tela branca a azul do Facebook. Em meio aos vários memes e piadinhas vê um comentário de um colega de classe: “alguém aí fez o trabalho de ciências pra amanha?”. Jorge não fez, nem se lembrava do trabalho. Já são 22:30, a impressora ainda tem tinta, ele aperta o ctrl+t no teclado e digita no campo do Google “Thomas Kuhn Paradigmas”. A página espartana do Google muda para uma série de resultados. Pula o link da wikipédia – todo mundo vai entregar este – continua procurando até que se depara com um outro link: “Os 22 paradigmas de Thomas Kuhn”. Abre o texto, vê que tem a ver com o tema, copia pro Word, faz uma capa, imprime e vai dormir.

copia

continue lendo >>

Minha contribuição sobre a polêmica entrevista do Malafaia

fevereiro, 2013

AVISO: Publiquei este pequeno texto originalmente no Facebook e decidi que ele cabia muito bem aqui no Polegar, então estou postando ele por aqui também.

Foi um tormento incrível assistir a esta entrevista não só pelos motivos evidentes (homofobia, proselitismo religioso, campo de distorção da realidade, festival de porcentagens que não dizem absolutamente nada, dados com fontes não citadas e um desconhecimento geral do processo científico como um todo e da realidade de maneira pontuada) mas também por outro, bem mais velado. O dito pastor é claramente um analfabeto no que diz respeito à ciência e sabendo que não é o único, usa sua exposição para levar os mais ingênuos ao raciocínio equivocado sobre a mesma.

"Amo os homossexuais como amos os bandidos" - Malafaia, Silas

“Amo os homossexuais como amos os bandidos” – Malafaia, Silas

continue lendo >>

Open Acces e o próximo passo

maio, 2012

Acaba que nos últimos meses o movimento do Open Acces ganhou tração. Mais do que isso, ganhou apoio de uma comunidade que aparentemente começa a sentir o peso de se deixar escravizar por uma indústria.

Precisou, é claro, que um pesquisador respeitado e premiado colocasse “o dele na reta” pra fazer com que o resto do pessoal que também se sentia abusado pelos publishers saíssem do armário e começassem a agir de alguma maneira.

O cenário atual é bastante otimista. Entre abaixo assinados, projetos de lei abandonados no Senado Norteamericano e uma comunidade que decidiu falar de suas mazelas, começam as discussões sobre qual a melhor maneira de seguir em frente agora.

O acesso livre a trabalhos científicos deixou de ser uma ideia bacana e passou a ser uma realidade necessária e iminente. Apesar de toda essa transformação, que era de fato inevitável, é preciso ter em mente que estamos falando muito mais da conquista de um direito do que de uma revolução propriamente dita.

É necessário deixar a empolgação de lado e ver as coisas pelo que elas realmente são. O acesso livre é, antes de qualquer coisa, um direito mínimo necessário para uma ciência que não vive mais no século XIX. É, até certo ponto, uma conquista análoga ao direito de voto das mulheres, ou a outras conquistas pretendidas por qualquer sociedade que não seja medieval, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a legalização do aborto.

De novo, é muito mais a conquista de um direito do que uma revolução. Aliás, é outra coisa também. É um requisito mínimo para que a chamada “Ciência 2.0” possa sair do mundo das ideias e das “catchphrases” e passe a ser considerada de fato como uma outra maneira de se fazer ciência séria.

continue lendo >>

Plágio e Remix: Uma narrativa de duas culturas.

novembro, 2011

No dia 02 de outubro o blog de ciências da Folha, o Laboratório, soltou um post chamado Educar para não plagiar. O texto chama atenção para um congresso sobre plágio e má conduta científica e aponta algumas conclusões tiradas durante o evento.

A primeira conclusão é a de que hoje em dia, por conta da facilidade de acesso à informação, está mais fácil plagiar. A segunda conclusão, que de acordo com o texto é mais filosófica, diz que a facilidade de acesso à informação científica não deveria justificar o aumento do número de casos de plágio (o texto original da Folha diz “fraude” e não plágio neste ponto específico, mas fraude segundo o dicionário Aulete quer dizer falsificação de uma forma geral o que, acredito eu, não tem relação direta com a facilidade de acesso à informação, neste caso plágio parece-me ser o mais correto). Uma última conclusão argumenta que estudantes e pesquisadores mais novos não foram ensinados a lidar com toda essa informação e plagiam por pura ignorância.

Curioso ver que nos comentários do texto da Folha alguém que assina como Roberto faz uma pergunta simples mas que está no centro desta questão: “Afinal a internet ajuda ou atrapalha a ciência”?

continue lendo >>

Kuhn, Einstein e os neutrinos mais rápidos do mundo.

setembro, 2011

As duas últimas semanas vêm sendo bastante agitadas para a Física moderna. A razão é a alegação feita por um grupo de cientistas europeus de que neutrinos foram pegos em flagrante se movendo 0.00025% mais rápido do que a velocidade da luz.

Como bem lembra o colega blogueiro Dulcidio Braz, partículas que se movem mais rápido que a luz não são exatamente novidade, nem resultam em grande polêmica. O que realmente surpreendeu os cientistas é que tais neutrinos parecem estar se movendo mais rápido que a luz NO VÁCUO, o que cria uma situação um tanto embaraçosa.

Embaraçosa por que de acordo com a teoria da relatividade, que é a pedra fundamental de toda a física moderna, NADA deveria se mover mais rápido do que a luz no vácuo, o que nos deixa com duas possibilidades plausíveis: 1) as medições estão incorretas e os neutrinos estavam se movendo a velocidades esperadas ou 2) Albert Einstein está ENGANADO.

Apesar da minha ênfase no “enganado” na frase anterior, não há de fato nada de surpreendente em nenhuma das duas alternativas. Medições erradas acontecem com frequência e cientistas famosos (ou mesmo os não tão famosos), em geral, não sobrevivem ao teste do tempo. Enfim, não sou físico e vocês deveriam ler uma seleção melhor de artigos de divulgação  sobre o assunto e seus possíveis desdobramentos.

O que eu quero de fato é aproveitar a oportunidade pra abordar essa questão toda do ponto de vista da filosofia de Thomas Kuhn e mostrar que a despeito das críticas que Kuhn sofreu e ainda sofre, sua filosofia pode sim ser usada para melhor compreender a comunidade científica e, em muitos casos, prever o comportamento que está irá tomar.

Vocês não conseguem ver, mas há um neutrino se movendo mais rápido que a luz nesta imagem.

continue lendo >>

Para onde vai o “paper” científico?

agosto, 2011

Para a lata do lixo seria a resposta mais evidente, não estivessem todos eles se transformando em arquivos digitais que, bem, por enquanto até podem ir para a lixeira… Mas até quando? Essa pergunta também tem uma resposta simples: Até quando o paper científico fizer sentido e continuar importante para uma ciência que, queiram os mais apaixonados ou não, está caminhando na direção de uma profunda reformulação de si mesma.

Eu sei, eu sei. Estou como um profeta do apocalipse segurando uma placa “prepare-se, o fim dos papers esta próximo” e, como qualquer profeta do apocalipse, posso estar parecendo um pouco fora da minha sanidade mental. Mas se pararmos um segundo para olhar para a história da comunicação da ciência, chegaremos à conclusão de que o fim do modelo atual de comunicação de resultados e validação da própria atividade científica não é tão absurda assim.

continue lendo >>