Nota de falecimento: Crodowaldo Pavan

abril, 2009

Em 2007, quando comecei a fazer a pós em Divulgação Científica do Núcleo José Reis de Divulgação Científica, tive o prazer de conhecer pessoalmente o professor Crodowaldo Pavan (1/12/1919 – 03/04/2009). Aquele senhorzinho franzino, conservava um cérebro afiadíssimo. Sempre simpático com os alunos, sempre  disposto a conversar com todos.

Era conhecido pela força de suas opiniões, frequentemente polêmicas. Era, afinal, um grande exemplo de como um cientista deve realmente ser. Até os últimos dias questionador, curioso, engajado. Muito diferente da maioria dos cientistas de hoje, sempre preocupados demais com seus egos e currículo Lattes para poderem realizar um trabalho científico realmente interessante.

Pavan foi um dos maiores cientistas Brasileiros. Como ele, restam muito poucos. Sentiremos saudade do homem que sempre empolgado contava em como deu a volta ao mundo três vezes divulgando seu trabalho.

Kepler, misticismo e a ciência asséptica

fevereiro, 2009

Johannes Kepler foi um grande gênio matemático. Deu fim a dois mil anos de astronomia, quando se valendo da idéia heliocêntrica de Copérnico e dos dados de posição dos astros de Tycho Brahe, postulou a orbita elíptica dos planetas. Além de se preocupar com a questão sobre o motivo dos planetas se moverem. Kepler também fundou a ótica moderna, e fez mais uma série de contribuições importantes para a ciência do século XVII.

Apesar de ser, a rigor, um cientista, seu “ethos” nada tinha de similar ao que se vê hoje em dia. Kepler era um homem de grande fé, e que se interessava por astrologia e qualquer outra atividade relacionada à matemática. Seus livros misturam todo o tipo de interesse que o alemão pudesse ter. É comum olhar para suas obras e ver asserções astrológicas, poemas, filosofia e etc.

Horóscopo feito por Kepler. Cloque para ampliar.

Mapa astral feito por Kepler. Clique para ampliar.

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Salvem os fenômenos, salvem o mundo.

janeiro, 2009

Platão e Aristóteles influenciaram de maneira determinante todo o desenvolvimento científico do período anterior à revolução científica. Platão, com seu mundo das ideias, acreditava que o homem não era capaz de encontrar as causas por trás dos acontecimento naturais. Defendia que era preciso “salvar os fenômenos”, ou seja, descrevê-los.

Já Aristóteles por outro lado acreditava que fenômenos naturais tinham causas naturais. E que portanto era possível encontrar estas causas, observando os fenômenos. Aristóteles também fez uma grande descrição o mundo celeste.

Ambos os homens condicionaram a prática da astronomia antiga. O modelo aristotélico do mundo celeste se tornou o grande paradigma astronômico. O filósofo grego postulou que toda a região “supralunar”, ou seja, tudo que fica “acima” da lua, era constituída de uma matéria diferenciada.

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Deus e o Diabo na terra da ciência.

janeiro, 2009

Existia um debate polêmica em história da ciência sobre a forma de se estudar o passado. Os primeiros historiadores, comprometidos com o projeto positivista, não demoraram a fazer da ciência uma narração de conquistas e vitórias quase heroicas.

A história da ciência era narrada como uma sucessão de fatos que se seguiam gradativamente até chegar a um ponto de excelência e modernidade. E para cada passo, alguns homens eram definidos como os grandes bastiões do desenvolvimento científico. O problema com esse tipo de narração é que, com frequência, ela esta errada.

Sabemos que a ciência se desenvolve em caminhos tortuosos, as vezes damos passos para trás, as vezes abandonamos teorias que estavam bem estabelecidas a bastante tempo e por aí vai. A ciência moderna não é a uma coleção de sucessivos acertos, ou mesmo um empreendimento de grandes glórias.

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Tempos modernos, problemas antigos.

novembro, 2008

A questão central aonde eu queria chegar com todo este caso sobre o Universo ptolemaico é a maneira como nos posicionamos ao olhar para a antiguidade. É muito comum imaginarmos a construção do conhecimento como uma sucessão de fatos que se acumulam. Mas essa visão não parece ser muito correta.

O principal problema em imaginar uma “linha do tempo” historico-científica é que, quase que invariavelmente, colocamos as novas descobertas como “superiores” às descobertas passadas. Com efeito, as vezes cometemos o erro de defendermos um modelo aonde as teorias modernas são a grosso modo evolução das teorias antigas.

Ver a história da ciência desta forma, é ignorar uma série de fatores. O principal deles é que os povos antigos não eram necessariamente primitivos. Olhando com certo rigor, podemos observar claramente que os problemas que afligiam as grandes mentes da antiguidade, não são diferentes dos problemas que afetam a sociedade moderna.

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O Universo de Ptolomeu: 2ª parte.

novembro, 2008

Como vimos no texto anterior, Ptolomeu em seu livro Almagesto, propõe um modelo bastante rigoroso de Universo geocêntrico. E o começa fazendo listando uma série de argumentos, empiricamente suportados, descrevendo uma terra em forma de esfera e fixa. Partindo daí, passa à teoria do Sol.

A teoria do Sol de Ptolomeu é basicamente uma transcrição das idéias de Hiparco. Pelos dados empíricos da época, Hiparco (e portanto Ptolomeu) conseguia prever com certa acuidade quanto tempo o Sol levava para dar uma volta à Terra (e portanto, a duração de 1 ano), bem como sua posição relativa em datas futuras ou passadas.

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O Universo de Ptolomeu: 1ª parte.

novembro, 2008

Há um certo tempo me envolvi em uma controvérsia com um texto do G1 que fazia, digamos assim, uma pequena injustiça com Cláudio Ptolomeu. Discussões a parte, só hoje, estudando melhor a figura de Ptolomeu, é que me ocorreu que o trabalho do matemático carrega em si questões mais profundas.

Primeiro precisamos contextualizar. Ptolomeu viveu aproximadamente no ano de 160 d.C. Aparentemente passou toda sua vida em Alexandria e desenvolveu grandes trabalhos em astronomia, astrologia, geografia e etc. Sua obra mais conhecida, o “Almagesto”, é um livro constituído de 13 volumes que tem a difícil tarefa de descrever o universo.

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O caso das Mariposas Biston betularia

novembro, 2008

Este exemplo, clássico em livros textos e didáticos, ilustra a um exemplo de um mecanismo de mudanças na frequência dos alelos, ocorrido entre espécies de mariposas Biston betularia, durante a revolução industrial na Inglaterra.Esta espécie de mariposa é polimórfica, ou seja, apresentam vários genes alelos para uma determinada característica, e isto fenotipicamente se expressa em mariposas de dois tipos a variedade melânica (escura) e a variedade não-melânica (clara). A variedade melânica é determinada por um gene e a cinza por um alelo diferente, sendo o gene da forma melânica não dominante sobre o não-melânico.

Forma não-melânica e melânica

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O problema da Terra chata.

novembro, 2008

Aprendemos logo cedo na escola que um dos problemas que assustavam os navegadores de antigamente, era a idéia de que a Terra era chata. O mito de que era possível navegar até a borda do planeta, se cristalizou no senso-comum e é constantemente usado para simbolizar a ingenuidade dos antigos.

Mas o que dizem os historiadores da ciência é que esta história não passa de mito. A idéia de uma Terra chata existe na mitologia oriental. No entanto, para os povos da Europa ocidental, o planeta sempre teve formato esférico. O que, mantendo as devidas correções modernas, é relativamente correto.

O mapa atual da Terra em sua versão "chata".

O mapa atual da Terra em sua versão

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Aristóteles e a ciência de todos os tempos.

novembro, 2008

Vivemos em um mundo moderno, ou ao menos é o que gostamos de dizer. Temos carros, computadores, celular, internet e estações espaciais. Todos símbolos da grande capacidade inventiva humana. Todos fruto do desenvolvimento acelerado do empreendimento científico.

Mesmo a ciência é normalmente referenciada como “ciência moderna”. O que nem sempre nos lembramos é que a base de sustentação dessa modernidade é uma idéia antiga. Muito antiga. Popularizada por um homem que viveu a mais de 300 anos antes de Cristo.

Aristóteles foi, e ainda é, um dos maiores gigantes do intelecto humano. Foi discípulo de Platão, mas desenvolveu uma filosofia curiosamente divergente da de seu mestre. E a divergência era a forma de encarar o mundo. Para Platão, o mundo físico era uma espécie de “sombra” de um outro mundo. Um lugar em que todas as coisas do plano físico existiam em sua versão real. O mundo platônico das idéias não podia ser atingido pelos sentidos humanos.

Platão, de vermelho e Aristóteles de azul.

Platão, de vermelho e Aristóteles de azul.

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