A história escrita pelos cientistas.

outubro, 2008

A história da ciência, enquanto disciplina, é bastante recente. E seu surgimento se relaciona com a maneira como a ciência ganhou status a partir do século XVII. Há algumas questões relevantes  para a disciplina. Por exemplo, o historiador da ciência deve ser um cientista de formação? Os núcleos de história da ciência devem estar atrelados aos departamentos de ciência ou de história?

São problemas que podem ajudar a compreender os rumos da disciplina até aqui, bem como tentar prever qual será o seu futuro. E existem partidários para todos os gostos. O fato é que os primeiros historiadores da ciência foram mesmo cientistas. O que parece ser um movimento natural, afinal ninguém é mais interessado em ciência do que o cientista.

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Kuhn e sua grande descoberta.

outubro, 2008

Quando falamos em descobertas científicas, logo imaginamos novos planetas, partículas quânticas, eventualmente algum vírus ou bactéria e, com maior frequência, algum aparelho ou aplicação nova. Nada essencialmente errado com isso. O que poucas vezes consideramos como legítimas descobertas, são as abstrações que acabam por produzir novas tendências na ciência.

É o caso das revoluções científicas de Thomas Kuhn. Não, não estou ficando maluco. Estou atestando que uma idéia filosófica é uma das grandes descobertas científicas já feitas. Mas explico melhor.

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A necrofilia da Ciência: Leibniz

setembro, 2008

A banda de rock Pato Fu, no disco Televisão de Cachorro, gravou uma música chamada Necrofilia da Arte. A música é sobre como músicos ganham fama rapidamente depois que morrem de maneira trágica ou misteriosa. Na ciência, isso ocorre algumas vezes.

Embora talvez possamos justificar que a ciência demora para mudar seus paradigmas. Além de em muitos casos as idéias de determinado cientista serem tão modernas e arrojadas, que simplesmente não podem ser verificadas com a tecnologia atual.

Se o Leibniz morreu, eu amo ele*
É o caso do cientista, filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz. Dono de um intelecto incrivelmente versátil (e de uma bela peruca), Leibniz foi influente nos campos mais diversos do desenvolvimento humano.

Liebniz e sua peruca. Clique para ampliar.

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Galileu, o Index e a Divulgação Científica.

agosto, 2008

Galileu Galilei foi um dos cientistas mais versáteis da história. Vivei entre o final do século XVI e início do XVII. Foi o responsável pela invenção de uma série de instrumentos de precisão, criou os princípios da inércia (influenciando o trabalho vindouro de Isaac Newton), produziu telescópios mais sensíveis e etc.

Galileu Galileu. Clique para ampliar.

Galileu Galileu. Clique para ampliar.

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Chagas e sua doença.

agosto, 2008

Carlos Justiano Ribeiro Chagas, o Carlos Chagas, foi um dos maiores cientistas brasileiros. Mineiro, filho de cafeicultor, estudou na Escola de Medicina do Rio de Janeiro. Teve o privilégio de estar na faculdade quando esta passou por profundas mudanças por conta das descobertas feitas por Luis Pasteur.

Teve como orientador Oswaldo Cruz, com quem manteve uma longa amizade. Não é de se espantar que um homem influenciado por Pasteur e amigo pessoal de Oswaldo Cruz, tenha sido um dos maiores médicos brasileiros.

Por sua tese de doutorado sobre malária, foi convocado por Oswaldo Cruz a ajudar no combate a doença. A eídemia foi controlada em cinco meses. O sucesso da operação acabaria levando Chagas, um ano depois, a ser enviado para a cidade de Lassance, em Minas Gerais.

Fonte: Wikipedia continue lendo >>

Agassiz e a cegueira teleológica

maio, 2008

Louis Agassiz foi um dos mais importantes cientistas de sua época. Proeminente sistemata e paleontólogo, além de excelente administrador e divulgador científico, suas idéias originais forneceram inspirações incalculáveis para a Teoria da Evolução darwiniana. A ironia é que Agassiz não era evolucionista; ele combateu Darwin por toda a sua vida e definia espécies como “um pensamento de Deus”.

Agassiz foi aluno de nomes importantes como Humboldt e Cuvier, e recebeu atenção da comunidade científica primeiramente em 1833, com a publicação do primeiro volume de uma série de trabalhos tratando do estudo de peixes fósseis. Esse trabalho trouxe uma nova concepção à classificação dos organismos – a idéia de que seres fósseis também deveriam ser incluídos nos sistemas hierárquicos, como representantes inferiores de seus similares viventes. Isso foi incorporado no pensamento biológico de Agassiz em uma conclusão ainda mais fantástica: essa mesma gradação de formas inferiores até superiores, observada no registro fóssil, seria paralela, em qualquer táxon, à ordem de estágios de desenvolvimento do organismo e à sua distribuição e ecologia.

Assim Agassiz contribuiu para a universalização dos caracteres sistemáticos, isto é, ao proclamar tais paralelismos, ele foi o primeiro a sugerir que características gerais de um organismo fossem incluídas em sua classificação, além dos caracteres morfológicos e biogeográficos até então utilizados. Inconscientemente, ele ofereceu idéias que seriam mencionadas por Darwin para embasar a sua teoria da seleção natural e geraria o que seria proclamado como a teoria da recapitulação de Haeckel: “a ontogenia recapitula a filogenia”.

O curioso é que Agassiz jamais foi além da teleologia em seus estudos, sempre buscando desígno e planos divinos como explicações. Quando ele revolucionou a Geologia, ao hipotetizar geleiras enormes cobrindo continentes inteiros em outras épocas em eventos que ele chamou de glaciações, Agassiz não imaginava que, com isso, enterraria definitivamente as explicações bíblicas para as catástrofes mundiais (o pensamento geral, que influenciava massivamente a Biogeografia da época, era o de que o Dilúvio bíblico teria sido a última catástrofe a modificar a superfície terrestre, gerando a sua configuração atual). De fato, ele recusou a enxergar a incoerência que suas evidências trouxeram às explicações teleológicas, chamando as glaciações de “útlimas pragas de Deus”.

É difícil compreender a convicção teleológica de um homem como Agassiz, o mesmo homem que enxergou além das catástrofes relatadas na Bíblia e que fundou o Museu de Zoologia Comparada de Harvard, e que foi, provavelmente, o último cientista eminente a rejeitar ferozmente a evolução darwiniana. Dizem alguns que o motivo está em suas raízes, encontradas na filosofia natural, um sistema de pensamento alemão romântico, que procurava incorporar noções metafísicas à investigação científica. Apesar de Agassiz ter renunciado a essa filosofia, aparentemente a sua influência sobre ele nunca cessou. As influências exercidas nele pelas idéias de Cuvier, de que as espécies são fixas, imutáveis, e de que o homem está no topo da hierarquia do seres-vivos, certamente contribuíram para a sua teimosia. O que será que ele pensaria se soubesse que hoje é considerado um dos criacionistas que mais colaborou em favor do evolucionismo?

Inspirações e onde saber mais:

Louis Agassiz: página do Museu de Paleontologia, University of California, EUA. Curta biografia do cientista, citando seus principais trabalhos e atividades. (em inglês)

Agassiz (1869): Darwinism – Classification of Haeckel: Tradução feita por Paul J. Morris de um capítulo do livro de Agassiz, Essay on Classification, que contém a argumentação mais clara tratando das suas objeções em relação à evolução darwiniana. (em inglês)

O homem que matou a geração espontânea.

abril, 2008

Embora a ciência seja naturalmente um empreendimento coletivo, a história está repleta de indivíduos notáveis por sua dedicação à ciência e seu empreendorismo único. Esses indivíduos em particular geralmente possuem uma história de transgressões, visionarismo e paixão incondicional por sua atividade. São os responsáveis pela imagem romântica do cientista abnegado, que coloca a ciência acima de si e de sua vida particular. Louis Pasteur foi um desses notáveis cientistas e suas contribuições tiveram impacto nas mais diversas áreas da ciência.

Francês, nascido em 27 de dezembro de 1822 no condado de Dole, teve seu intelecto reconhecido logo cedo, ministrou aulas de física e química em duas universidades. Casou com Marie Lauret, filha do reitor da universidade de Strasbourg. Como químico, seu trabalho com ácido tartárico lhe rendeu a primeira grande contribuição para a ciência. O problema era o seguinte, alguns estudos apontavam que o ácido tartárico produzido por meios naturais influenciava a direção da luz polarizada que passava através dele. Misteriosamente, o ácido tartárico produzido artificialmente, apesar de ser quimicamente idêntico e reagir quimicamente igual ao natural, não produzia nenhum tipo de efeito na luz polarizada. Pasteur propôs o que hoje chamamos de isomeria, ou seja, que compostos químicos podem ter conformações moleculares distintas, apesar de serem quimicamente idênticos.

Mais tarde Pasteur se tornaria um grande defensor da teoria dos germes. Propôs que a causa da fermentação de algumas bebidas era decorrente da existência de microorganismos. Tendo isso mente passou a aquecer leite e vinho lentamente até que atingissem 48ºC. O aquecimento impedia que essas bebidas fermentassem e ficassem impróprias para o consumo. Concluiu portanto que o processo eliminava os microorganismos. A descoberta foi muito importante para os produtores de vinho da região. A pasteurização, como ficou conhecido o procedimento, é usada amplamente hoje em dia.

A pasteurização ajudou Pasteur a propor um experimento que acabaria por refutar a teoria da geração espontânea. Usando um recipiente de vidro especialmente produzido para o experimento, Pasteur conseguiu comprovar que os microorganismos que surgiam em um caldo nutritivo eram fruto de contaminação. Os estudos de Pasteur, bem como os de Robert Koch, deram origem à infectologia, bacterologia, microbiologia e por aí vai.

Na medicina as influencias de Pasteur foram igualmente importantes. Pasteur criou uma vacina para o anthrax que assolava o gado francês no período pós-guerra franco-prussiana. Além disso criou a primeira vacina contra raiva, usando a técnica de aplicar microorganismos enfraquecidos em corpos saudáveis para estimular a produção de anticorpos. Também foi um grande defensor das técnicas de assepsia e chegou a colaborar com Joseph Lister, médico inglês que trabalhou para desenvolver técnicas de anticépticas em cirurgias.

Pasteur morreu em 1895 por consequência de uma série de derrames. Seu antigo laboratório foi transformado no conhecido Instituto Pasteur. O corpo de Pasteur foi enterrado inicialmente na catedral de Notre Dame e depois transferido para uma cripta no próprio Instituto Pasteur. Foi considerado um dos homens mais influentes da humanidade e chegou a ganhar três filmes em sua homenagem.