O IgNobel não é o Framboesa de Ouro
Nos últimos dias os brasileiros que acompanham o noticiário e que não conheciam o Prêmio IgNobel de Ciência definitivamente agora sabem pelo menos que ele existe: é que saiu em todos os cantos que um cientista brasileiro foi agraciado com a honraria na área de Arqueologia, com seu trabalho a respeito do fato de que tatus podem bagunçar as camadas de sedimentos em sítios arqueológicos, confundindo a identificação correta de cada estrato à sua idade relacionada. Provavelmente esses mesmos brasileiros que acompanharam o noticiário recentemente também acompanharam a entrega de outro prêmio satírico: o Framboesa de Ouro, que ironiza o Oscar. Este último trata de esculhambar atuações muito ruins de celebridades que ganham muito dinheiro – “honrando anualmente o que Hollywood tem de pior a oferecer”.
Polegarcast #3: Ciência e Esporte.
EXTRA, EXTRA!!! Neste exato momento, do outro lado do mundo, as olimpíadas de Pequim estão começando. Para comemorar a ocasião preparamos um podcast especial que aborda a relação entre ciência e esporte.
Neste programa discutimos um pouco sobre conceitos de esporte, o tratamento que a mídia dá ao esporte e divulgação científica & esporte. Eu e a Andréa contamos ainda com a presença pra lá de especial do Laércio Elias Pereira e do Adriano Pires de Campos. Dois profissionais do esporte que compartilharam seu conhecimento e sabedoria na área e enriqueceram muito o conteúdo deste podcast.
Ouça o programa e descubra quem são os cientistas do esporte (e se ele existem), descubra um pouco da origem do CBCE, qual o impacto do Centro Esportivo Virtual na legislação do esporte e saiba aonde encontrar o Laércio na bela Maceió.
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O assassinato de uma teoria.
Eventualmente eu gosto de pegar notícias de ciências publicadas nos grandes portais e comentá-las aqui. Em geral meu principal alvo é o G1, mas até pra não dizerem que é algo pessoal, vou pegar uma notícia do Jornal Terra. A notícia foi publicada no dia 29 de maio com o título “Pegada encontrada pode mudar teoria da evolução“. O título sugere uma reportagem bombástica, que exibe fatos contundentes, até arqueológicos, para o fim da tão incompreendida teoria da evolução.
O problema é que quando lemos a notícia não é bem isso que encontramos. Na verdade trata-se da descoberta de uma pegada de 15 milhões de anos que pode ter sido feita por um animal bípede. Se essa suposição for comprovada, a pegada pode sugerir que os ancestrais do homem evoluíram muito antes do que se pensava (por exemplo, acredita-se que o homem e os chimpanzés e bonobos se separaram de seu ancestral comum a aproximadamente 6,5 milhões de anos). É perceptível portanto de que se trata de uma descoberta potencialmente importante.
O fato é que, confirmando-se ou não o significado desta pegada para o conhecimento científico atual, a teoria geral da evolução não é afetada em nenhum nível. O motivo é simples, a teoria da evolução, embora seja em grande parte sustentada pelo registro fóssil, não depende em momento algum de qualquer registro mais específico, sejam eles fósseis de animais bípedes ou qualquer outro fóssil que se possa imaginar.
O que a reportagem provavelmente deveria ter dito (e de fato o fez, ainda que discretamente) é que a teoria da evolução humana pode sofrer alguma revisão por conta desta descoberta. A reportagem do Terra ainda reproduz a frase de um dos autores da descoberta: “A teoria da evolução teria muitas dificuldades com esta evidência que estamos mostrando agora”. Desta frase podemos tirar algumas conclusões. A primeira é que o cientista pode ter cometido um engano de formulação da frase, suprimindo a palavra “humana” após “teoria da evolução”. A outra conclusão é que o Terra, ou a agência de notícia que liberou a notícia, podem ter reduzido a frase cortando a informação mais importante. Uma outra possibilidade é o erro de tradução da notícia original para o português.
O fato é que independente de quem cometeu o engano, a frase da forma como se encontra é completamente equivocada. A teoria da evolução não teria dificuldade alguma com esta evidência, em verdade, essa evidência sequer é relevante para a teoria da evolução em geral. Volto a bater na mesma tecla. O jornalismo científico, da maneira como vem sendo feito, presta um desserviço imenso a ciência e à sociedade.
Auto-análise de texto de divulgação científica
Este texto foi previamente postado no OPS!, em 13 de dezembro de 2007, momento no qual esta que vos escreve ainda não tinha muita consciência sobre divulgação científica, muito menos sobre jornalismo científico, mas participava entusiasticamente do projeto, OPS! Segue minha autocrítica e o texto na íntegra.






