Spore e o fanatismo.

A EA Games lançou a algumas semanas o jogo Spore. Criado pelo gênio dos games Will Wright, a proposta em Spore é simular o desenvolvimento da vida na Terra. você começa com uma criatura unicelular, vai se desenvolvendo e evoluindo até finalmente sair do mar, iniciar uma comunidade tribal e por aí vai, até à conquista do espaço.

Eu já venho brincando com o Spore a alguns dias e confirmo, o jogo e bastante viciante e divertido. Eu gostaria de dizer que “curiosamente o jogo levantou algumasquestões polêmicas”, não fosse o caso de eu já ter antecipado o problema. Qualquer coisa que esbarre em questões polêmicas como a teoria evolutiva, gera posições extremistas de ambos os lados.

Spore. Clique para ampliar.

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O Carlos e o Rafael já escreveram ótimos textos sobre o tema em seus blogs no Lablogatórios. Aparentemente alguns criacionistas reclamam que o jogo segue uma linha evolutiva. Os evolucionistas reclamam que o jogo segue uma linha de Design Inteligente. Eu reclamo dizendo que este povo leva a vida muito a sério.

Curiosamente em 1993, quando os video-games ainda estavam nos 16bits, a Enix lançou um jogo para Super-Nintendo chamado “E.V.O – Search for Eden”. A temática era basicamente a mesma do Spore. Você começa jogando com um ser bastante simples e que vive na água, e no decorrer do jogo vai evoluindo em criaturas cada vez mais complexas. Não me lembro de na época isso ter gerado qualquer tipo de “buzz” ou opiniões inflamadas. Talvez o sub-título do jogo “Search for Eden” tenha conseguido unir o “melhor de dois mundos” evitando problemas.

E.V.O - Search for Eden. Clique para ampliar.

E.V.O - Search for Eden. Clique para ampliar.

Na fúria de defender suas crenças e opiniões as pessoas esquecem um dado importante, Spore é só um jogo. E nem de longe ele foi feito pra tomar “partido” de qualquer discussão. O objetivo foi sempre um, o de divertir. E isso ele faz com maestria.

O Rafael ainda levantou a bola de se é possível usar o jogo para ensinar evolução. Eu acredito que neste ponto, tanto os evolucionistas quanto os criacionistas estão bem servidos. Um professor de evolução inventivo e com a cabeça no lugar pode ilustrar a seleção natural tranquilamente com o jogo. Da mesma forma, um criacionista tem todas as ferramentas pra defender seu ponto de vista. Isto, é claro, se ele não for um fundamentalista.

Em todo caso, se você pretende passar boas horas se divertindo, deixe todas estas discussões de lado e jogue Spore.

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O jantar dos esquisitos.

No livro “O mundo assombrado pelos demônios”, no capítulo “Maxwell e os Nerds”, Carl Sagan comenta sobre o estereótipo que se faz de pessoas da ciência. Em uma passagem ele diz que a misantropia e a inaptidão social, embora certamente possam ser associadas a uma porção de cientistas, fazem parte deste estereótipo.

Concordo bastante com o Sagan e, evidentemente, faço o possível para combater este tipo de pensamento. Oras, cientistas são pessoas normais, com pai e mãe. Não há nada de bizarro e incompreensível em uma pessoa que dedica sua vida à ciência.

O fato é que recentemente passei por uma situação curiosa. Fui com dois amigos, um matemático e um engenheiro de produção. Já havia um bom tempo que não nos encontrávamos, acabamos combinando de nos ver em uma famosa rede defastfood (não, não é a do palhaço) para botar o papo em dia.

Quando um biólogo, um engenheiro e um matemático se encontram, o nível de nerdice do papo cresce assustadoramente. Entre nossos assuntos padrões (dominação do mundo, capacitores de fluxo… Essas coisas), passamos a discutir um pouco sobre desastres ecológicos. Claro que acabamos falando de aquecimento global.

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Meu amigo engenheiro começou a fazer algumas considerações sobre dinâmica de fluídos e o dióxido de carbono. Foi quando notei uma família que estava sentada na mesa ao lado. Estavam os cinco membros, pai, mãe e seus três filhos (o mais velho provavelmente com a minha idade), rindo das especulações de meu amigo.

Não que eles considerassem as idéias dele absurdas. O riso se devia ao fato de ele simplesmente estar conversando, de maneira tão absolutamente técnica, em um lugar tão absolutamente trivial como uma mesa de um restaurante de fastfood. Parafraseando o Coringa de “Cavaleiro das Trevas”, eramos o entretenimento daquela noite.

Meus amigos não perceberam, e eu não chamei a atenção deles ao fato. O caso é que a imagem do misantropo esta tão enraizada no senso-comum, que quando as pessoas se deparam com a imagem inversa, ficam perdidas. E por estarem perdidas e sem saber o que imaginar, fazem o que qualquer pessoa insegura faz para manter a ordem de seu mundo. Transformam o estranho em piada.

Dinâmica de Fluídos é sexy!!!

Dinâmica de Fluídos é sexy!!!

Sagan, no texto comentado no início, usa uma frase para descrever o sentimento das pessoas que não compreendem os cientistas quando expostas ao trabalho desenvolvido por eles: “Vá viver”. Eu usaria uma frase similar para aconselhar a família que acha engraçado entender dinâmica de fluídos: “Acordem pra vida”.

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