Evolução ainda é Tabu? A importância da comunicação de conceitos

abril, 2013

Num país laico “para inglês ver”, falar sobre qualquer coisa que desafie a dominância religiosa é um terreno perigoso. Boa parte das escolas imputa a seus estudantes algum juízo de valor religioso, mesmo quando ela é declaradamente laica. Quantas aulas minhas do ensino fundamental, no SESI, não se iniciaram com os professores rezando o “Pai Nosso” com a turma? Quantas salas de aula não tinham um crucifixo na parede? E não é desconhecido o bullying contra alunos que não participam dessas rotinas religiosas (e quem não viu este vídeo ainda, vale muito a pena). continue lendo >>

Conheço, logo acredito?

novembro, 2011

A discórdia é o motor propulsor da Ciência. É a partir do embate de ideias, do ataque fervoroso aos pilares teóricos e às evidências que sustentam as teorias que o conhecimento científico avança. Algumas vezes, no entanto, depois de extensas discussões acadêmicas sobre um assunto (que pode demorar décadas), pode acontecer de os cientistas perceberem que aquela questão é “insolúvel”, que nunca haverá consenso. Quando isso acontece, uma espécie de “pacto” é feito, um acordo oculto entre os cientistas de que eles simplesmente vão ter que concordar em discordar.

Pergunte a um biólogo o que é uma espécie e terá uma boa noção do que eu estou falando. O conceito de espécie em Biologia é uma questão que foi (e de vez em quando ainda é) extensamente debatida e, no final de toda essa discussão, o que vemos é existem diversas definições diferentes para este conceito e que cada cientista usa o que melhor lhe convir e ninguém vai “encher o saco” dele por causa disso. Isso a princípio pode parecer absurdo, pois todos os biólogos trabalham com espécies e… como assim nenhum deles sabe ao certo o que é uma espécie? Que contradição!

Há um outro exemplo muito mais chocante, mas, por ser mais conhecido, as pessoas parecem não ligar muito pra ele: O que é Ciência? Há diversas maneiras de tentar responder essa pergunta, desde aquelas mais metodológicas até as sociológicas, passando, é claro, pelas filosóficas (onde se enquadram nossos queridos Popper, Kuhn, Feyrabend, etc.). Há livros e mais livros dedicados exclusivamente a tentar responder essa pergunta (temos até um PolegarCast a esse respeito, confiram!), mas, no final das contas, cada cientista vai pro seu laboratório e faz o seu trabalho sem ficar esquentando muito a cabeça com essa questão. Desde que saia um paper publicado (de preferência dois ou três), tá valendo.

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Carta aberta aos pais de alunos.

abril, 2009

Nas últimas semanas acompanhei, sem me pronunciar é verdade, as inflamadas notícias sobre escolas brasileiras que decidiram inserir o criacionismo em suas aulas. A despeito da já infrutífera discussão entre criacionismo e evolucionismo, a reportagem da Veja sobre este assunto esbarra em um questão que se perde no “blablabla” habitual.

Lá, perdido no meio da reportagem, vemos a seguinte passagem:

Os pais de alunos das escolas evangélicas não costumam reclamar do fato de seus filhos serem instruídos no criacionismo em detrimento da ciência. Dizem ter escolhido a escola por acreditar que ela incute nas crianças valores morais, éticos e cristãos. “Nossa escola forma verdadeiros cidadãos. De que adianta o adolescente estar preparado para o vestibular se não tiver uma boa formação como ser humano?”, diz a baiana Selma Reis Guedes, uma das diretoras do Colégio Batista Brasileiro, de São Paulo.

Eu não poderia concordar mais com a diretora Selma, de que adianta estar preparado para o ensino superior sem a formação moral necessária? Por outro lado, não poderia discordar mais dos pais dos alunos que depositam no ensino religioso a responsabilidade pelo ensino moral e ético (e ainda estou em dúvida sobre o cristão).

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Vaticano e Evolução: Nada mudou.

setembro, 2008

Na última terça-feira, 16 de setembro de 2008, o Vaticano anunciou que a teoria da evolução é compatível com a bíblia. Toda notícia que envolve o Vaticano e a Ciência sempre causa comoção geral, e não foi diferente desta vez. Choveram post’s em blogs, comentários inflamados em comunidades de redes sociais e etc, etc, etc…

O curioso é que de tudo o que se falou, poucos lembraram que em 1950 o Papa Pio XII já não tratava a teoria evolutiva com repulsa, assim como o Papa pop João Paulo II. Qual é exatamente a novidade no pronunciamento atual então? Sinceramente, eu não sei dizer.

Vaticano. Clique para ampliar.

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Dicotomias sem nexo.

agosto, 2008

Não é novidade a relação de poucos amigos que algumas religiões tem com relação à ciência. O que me deixa curioso, e as vezes até impressionado, é a maneira como a questão vem sendo tratada a séculos. O discurso de ambos os lados é basicamente o mesmo, e em geral, mal esbarram no centro da questão.

E qual questão seria essa? Eu pergunto e respondo. A questão é que a ciência e a religião não possuem relação antagônica alguma. Ambas são constructos humanos, por mais divinas que sejam, e possuem suas raízes em conceitos filosóficos distintos.

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